Daylight
15 Capítulo 14
Notas iniciais
Bella
Eu tinha absoluta certeza que estava brincando com perigo. Mas quando eu tinha sido racional quando se tratava de Edward Cullen?
Enquanto dirigia de volta para casa, depois de mais um encontro nosso no apartamento, pensei em tudo que tinha acontecido na minha vida nos últimos tempos. Eu nunca imaginei que em menos de um ano veria meu casamento ruir, encontraria meu ex namorado no café que frequentava quase todos os dias, me reaproximaria dele a ponto de saber qual era a cor favorita de sua filha e passaria a levar uma vida dupla, com encontros às escondidas e horários cronometrados.
Seis meses depois, entretanto, parte disso ia mudar. Hoje seria minha última noite como uma mulher oficialmente casada. Amanhã, eu tinha um horário marcado no escritório da minha advogada para assinar o divórcio. Em menos de vinte e quatro horas, eu estaria livre.
A palavra parecia estranha na minha cabeça.
Livre.
O semáforo ficou vermelho e eu parei o carro, apoiando a cabeça por um instante no encosto do banco. A cidade estava quieta naquela hora da noite, mas não completamente. Algumas pessoas ainda caminhavam nas calçadas, carros passavam devagar, luzes de apartamentos acendiam e apagavam.
A vida de todo mundo continuava normalmente. A minha, não.
Pensei em Irina.
Não na versão dela que eu tinha conhecido anos atrás, aquela mulher brilhante, ambiciosa e segura que tinha me fascinado, mas na Irina das últimas semanas. Uma que tentava me manipular, que chorava, que insistia que me daria o que eu quisesse caso eu mudasse de ideia. Uma que gritava, atirava coisas e ameaçava. Nos últimos meses, nós duas tínhamos aprendido algo desconfortável: não existia uma forma elegante de terminar uma vida construída a dois.
O semáforo abriu e eu voltei a dirigir. Edward apareceu na minha cabeça antes que eu pudesse evitar, isso tinha se tornado um hábito perigoso.
Pensei na expressão dele quando eu falei sobre a proposta de Irina naquela noite, na primeira conversa sobre divórcio. Na forma como o assunto tinha escapado do controle em poucos minutos. Em como nós dois parecíamos sempre caminhar diretamente para o lugar mais sensível possível, mesmo quando tentávamos evitar.
Edward era um homem diferente do garoto que eu tinha conhecido anos atrás. Ele estava mais contido, mais cuidadoso com as palavras. Mas também trazia consigo uma carga de coisas que ele claramente não dizia em voz alta. Às vezes eu me perguntava se ele percebia o quanto pensava antes de falar agora.
Virei na rua de casa — minha casa, em algumas horas, porque fiz questão de ficar com ela — e desacelerei. Mesmo por trás do portão, eu conseguia perceber que as luzes da sala estavam acesas.
Quem estava ali? Irina já tinha levado suas coisas há alguns dias.
Parei o carro na garagem e fiquei alguns segundos olhando para a casa antes de sair. As luzes da sala estavam acesas, atravessando as cortinas e lançando sombras no jardim, e por um instante pensei em simplesmente dar meia-volta, mas amanhã assinaríamos o divórcio. Fugir agora pareceria ridículo.
Quando entrei, não fui recebida por Jake, como sempre era. Ele estava deitado em sua caminha no canto da sala, com a cabeça baixa.
Irina estava sentada no sofá, exatamente como eu tinha imaginado quando vi a luz acesa. Ela levantou os olhos quando ouviu a porta.
— Você chegou.
A forma como ela disse aquilo parecia ensaiada, como se tivesse treinado mil vezes.
— Cheguei. O que você fez com o meu cachorro para ele ficar assim?
Fechei a porta atrás de mim quando ela não respondeu. O silêncio entre nós era tenso, como se estivéssemos ambas pisando em um terreno que já sabíamos onde terminaria. Irina me observou com atenção demais.
Eu já conhecia aquele olhar.
— Eu não sabia se você viria hoje — disse ela.
— Eu moro aqui. Vou perguntar de novo, o que você fez com o meu cachorro?
Irina desviou os olhos de mim pela primeira vez desde que eu entrei, olhando brevemente para Jake no canto da sala.
— Não fiz nada.
Jake continuava imóvel, com a cabeça baixa entre as patas. Quando me aproximei, ele levantou os olhos para mim, mas não veio correndo como sempre fazia. Aquilo era estranho o suficiente para acender um alerta.
— Jake — chamei, abaixando um pouco a voz. — Vem cá.
Ele levantou devagar, caminhou até mim e encostou a cabeça na minha perna, como se estivesse pedindo confirmação de que eu realmente estava ali.
— O que aconteceu? — perguntei novamente, sem olhar para Irina dessa vez.
— Ele me mordeu.
Minha mão parou no meio do movimento.
— O quê?
Levantei os olhos e Irina ainda estava sentada no sofá, como se ainda morasse ali e estivesse relatando algo completamente banal.
— Você fez alguma coisa com ele?
— Bella, por favor.
— Você gritou com ele? Assustou ele de alguma forma? Porque ele nunca…
— Ele tentou me morder quando entrei — ela me interrompeu.
— Tentou ou mordeu?
Ela se levantou e veio na nossa direção antes de responder.
— Ele correu e abriu a boca, mas eu o mandei parar no meio do movimento.
Jake continuava encostado na minha perna, inquieto. Passei a mão novamente pelo pescoço dele, tentando acalmá-lo.
— Não acredito que você veio até aqui e gritou com ele!
— Pare com esse drama, Bella, eu só levantei um pouco a voz.
— Com um cachorro que nunca te fez nada!
— Ele estava rosnando para mim, o que você queria que eu fizesse? Ele tem o tamanho de um lobo!
— Porque você entrou aqui depois de semanas sem aparecer! É lógico que ele se sentiu ameaçado.
Ela finalmente deu um passo atrás.
— Essa ainda é a nossa casa e eu ainda sou sua esposa, Isabella.
As palavras ficaram no ar entre nós por um segundo e senti Jake se mover ao meu lado, inquieto.
— É a minha casa e só estamos casadas por mais algumas horas.
As palavras saíram mais frias do que eu pretendia. Jake continuava encostado na minha perna, inquieto, e eu mantive a mão sobre o pescoço dele por mais alguns segundos antes de me levantar completamente. A sala parecia menor agora.
Irina me observava com a atenção que ela sempre teve quando achava que estava prestes a provar algum ponto. Não era exatamente raiva ainda. Era algo mais controlado, mais perigoso, como se ela estivesse juntando evidências.
Caminhei até a cozinha, mais para criar distância dela do que por qualquer outra razão.
— Você precisava de alguma coisa? — perguntei.
A pergunta saiu mais prática do que educada. Eu já sabia que aquela conversa não seria simples, mas ainda existia uma parte de mim que esperava encurtá-la. Irina demorou alguns segundos para responder.
Ela veio caminhando na minha direção como alguém que não tem pressa nenhuma de chegar a lugar algum. Pegou uma taça de vinho na mesa de centro — que eu não havia percebido antes — e veio em direção à cozinha com passos medidos. Não havia nada de casual naquilo.
— Eu queria conversar — disse ela.
Eu abri um armário qualquer, mais para fazer alguma coisa com as mãos do que por necessidade real. Peguei um copo e o coloquei sobre a bancada.
— Nós já conversamos bastante nas últimas semanas.
— Não assim.
Ela parou do outro lado da ilha da cozinha. Eu ainda estava de costas para ela quando servi um pouco de uísque para mim.
— Amanhã assinamos os papéis — continuei. — O que ainda falta discutir?
Quando me virei, Irina estava me observando exatamente do mesmo jeito de antes. Aquela expressão analítica que sempre significava que ela estava prestes a atacar alguma coisa.
— Você saiu — disse ela.
— Sim.
— Chegou tarde.
— Sim.
Ela girou o próprio copo entre os dedos.
— Você gosta de uísque agora?
Algo no tom dela fez meu corpo se tensionar imediatamente.
— Sim, tenho trabalhado muito e comecei a provar outras coisas.
Irina soltou uma pequena risada, mas não havia humor algum nela.
— Bella, não faça isso.
Eu fechei os olhos por um segundo.
— Fazer o quê?
Quando olhei de novo, havia algo novo no olhar dela. Algo que já tinha atravessado o campo da suspeita e agora estava em outro lugar. Convicção.
— Você perdeu sua capacidade de mentir, sabia?
O silêncio caiu entre nós outra vez. Jake se moveu na sala, as unhas raspando de leve no piso de madeira enquanto eu apoiei as mãos na bancada.
— Olha, Irina, se você veio aqui para brigar… Pode dar meia volta e sair.
— Eu vim para tentar nos salvar!
A frase saiu de forma inesperadamente crua e me fez hesitar por um instante.
— Eu pensei muito nas últimas semanas — continuou. — Em como nós chegamos aqui e no que fiz errado.
Essa última parte me pegou de surpresa, Irina raramente falava em termos de erro. A não ser que fossem os meus, é claro.
— Eu sei que tentei controlar tudo — ela soltou um pequeno suspiro. — O tempo todo. Tentei planejar nossa vida, decidir o que fazia sentido, o que era melhor para nós duas. Eu achei que estava sendo racional, protegendo o que nós construímos, mas talvez eu estivesse apenas protegendo a mim mesma.
Ela levantou os olhos novamente, mas eu não tinha resposta para aquilo. Irina respirou fundo e continuou falando.
— Se eu dissesse que estou disposta a tentar de verdade… você acreditaria?
A pergunta pairou no ar.
— Tentar o quê? — perguntei.
— Consertar o que quebrou.
Eu senti algo apertar no peito, tentando imaginar para onde aquela conversa iria.
— Não tem mais conserto, Irina.
Ela hesitou um segundo antes de continuar.
— Se você quiser filhos… nós podemos ter filhos. Eu já vi tudo, já te falei, nós podemos cancelar com o advogado e mudar a agenda para uma consulta na clínica amanhã mesmo.
A frase me atingiu exatamente como da primeira vez. Ela começou a falar mais rápido agora, como se estivesse apresentando um plano que vinha sendo elaborado há dias.
— Existem excelentes opções, e com certeza isso seria ótimo para a sua imagem também. Imagina, nós podemos fazer o anúncio em algum evento, aparecer juntas e…
— Pare.
Ela parou imediatamente e o silêncio caiu entre nós outra vez.
— Você não quer filhos, nunca quis — eu disse, mais baixo.
— Eu posso querer, Bella. Se é isso que você precisa, eu posso querer.
— Não funciona assim.
— Funciona se eu decidir que funciona!
Eu balancei a cabeça devagar.
— Não, não é assim.
Irina ficou me olhando por alguns segundos, depois respirou fundo. Nós estávamos tão próximas que eu conseguia sentir o cheiro do perfume dela — limão siciliano e jasmim. Um pensamento muito rápido passou pela minha mente: será que ela também sente o meu?
Como se conseguisse ouvir o que pensei, ela inclinou a cabeça ligeiramente e inspirou fundo outra vez. Devagar.
— No começo eu achei que era paranoia, mas agora…
A expressão dela mudou ao mesmo tempo que um riso curto escapou.
— Isabella, você cheira a sexo.
A frase ficou suspensa no ar.
Eu senti o calor subir pelo meu pescoço, me denunciando completamente. Irina continuou me observando.
— Você estava com um homem.
Meu estômago se apertou, não apenas pela acusação. Foi pela certeza na voz dela. Não havia dúvida ali, não havia pergunta. Irina não estava tentando descobrir algo, ela já tinha decidido.
Por um instante, ninguém falou nada. A casa toda parecia pequena demais agora. O ar pesado, carregado de coisas que já estavam implícitas há semanas e finalmente tinham encontrado uma forma de existir em voz alta.
Irina continuou me observando, e agora a expressão dela não era apenas raiva. Havia algo mais profundo ali, algo mais ferido.
Ela se afastou um passo, como se precisasse de espaço para reorganizar o que estava sentindo. Pegou o copo de vinho novamente, mas não bebeu. Apenas ficou girando o líquido devagar, os olhos ainda em mim.
— Sabe o que é engraçado, Bella? — não respondi e ela continuou. — Eu passei os últimos meses tentando entender o que estava acontecendo, tentei encontrar onde eu poderia ter errado, mas não era nada disso. Você já tinha outra pessoa.
Eu respirei fundo, mas não encontrei palavras que não soassem inúteis.
Irina inclinou a cabeça levemente. Ela estudava meu rosto com aquela mesma atenção analítica de antes, como se cada microexpressão fosse uma confirmação.
— Há quanto tempo?
Eu não respondi e essa foi toda a confirmação que ela precisava. Ela passou a mão pelo rosto, parecendo cansada, realmente cansada, pela primeira vez desde que entrei em casa.
— Eu aqui tentando reorganizar a nossa vida inteira… — disse ela, mais baixo. — E você já estava vivendo outra.
Aquilo atingiu mais fundo do que eu gostaria de admitir.
— Não foi assim.
Irina levantou os olhos imediatamente.
— Não? — Havia uma dureza nova na voz dela agora. — Então me explique.
Eu abri a boca, mas parei porque, àquela altura, qualquer explicação soaria como uma tentativa patética de suavizar algo que já estava exposto demais.
Irina percebeu, e algo em seu rosto finalmente se partiu.
— Eu passei anos tentando construir algo sólido com você. Uma casa, uma família, estabilidade, solidez — ela fez um pequeno gesto com a mão, sinalizando o espaço que estávamos. — E tudo que precisava acontecer era ele aparecer de novo.
Eu não consegui reagir rapidamente e Irina percebeu imediatamente. Aquilo foi confirmação suficiente para ela.
Ela fechou os olhos por um segundo, respirando fundo, e quando abriu de novo, havia algo diferente ali. A raiva ainda estava presente, mas agora vinha acompanhada de algo mais frio.
— Eu deveria ter imaginado — Ela pegou o copo e finalmente tomou um gole longo. — Edward Cullen. O seu grande amor mal resolvido.
Eu senti o peso da frase se instalar entre nós.
— Não é tão simples quanto você pensa.
— Simples? — repetiu ela, apoiando o copo na bancada com um pequeno estalo. — É bem simples, na verdade, Bella, você acabou de confirmar que está dormindo com o único homem que sempre esteve entre nós duas.
Irina olhou para mim por mais alguns segundos, talvez esperando que eu dissesse alguma coisa. Quando eu não disse, ela só expirou o ar lentamente.
— Eu ofereci tudo — disse ela, mais baixo agora. — Estava disposta a mudar tudo, tudo que você quisesse.
— Eu não pedi isso, Irina.
— Mas você queria!
— Não desse jeito.
O silêncio que veio depois parecia definitivo. Irina me observou por alguns segundos longos, como se estivesse registrando aquele momento final.
— Bem, então é isso. Nos encontramos amanhã — disse.
— Sim, na assinatura do divórcio.
Ela terminou seu vinho — da minha adega, e que tinha pegado sem permissão — de uma vez. Quando falou, sua voz estava tão gelada que parecia ter esfriado o cômodo todo.
— E aí tudo isso acaba.
Graças a Deus.
Ela colocou o copo vazio sobre a bancada com um pequeno estalo. O gesto foi simples, mas definitivo, como um ponto final. Por um segundo, pensei que ela diria mais alguma coisa. Irina sempre tinha mais alguma coisa a dizer, um último argumento, uma última observação afiada, uma última tentativa de reorganizar a narrativa a seu favor.
Mas dessa vez não.
Ela apenas me olhou por alguns segundos, como se estivesse memorizando alguma coisa no meu rosto. Depois virou-se e caminhou pela sala em direção à porta da frente.
Jake levantou a cabeça quando ela passou, mas não se moveu.
A porta abriu. Fechou. O silêncio que ficou parecia maior do que antes.
Fiquei parada na cozinha por alguns segundos, ainda com o copo na mão, olhando para o lugar onde Irina tinha estado. O cheiro do perfume dela ainda estava no ar — limão e jasmim — misturado agora com algo mais pesado: vinho, uísque, tensão, fim.
Jake veio até mim devagar, encostando novamente a cabeça na minha perna.
— Eu sei — murmurei, abaixando para fazer carinho atrás da orelha dele. — Mas está acabando.
Ele soltou um suspiro comprido, como se estivesse cansado. Eu também estava.
Guardei o que sobrou da garrafa de vinho de volta na adega, me certifiquei de trocar a senha da porta e apaguei as luzes da sala antes de subir. Cada passo pela casa parecia estranho, como se eu estivesse atravessando um lugar que já não me pertencia completamente.
O quarto estava exatamente como eu tinha deixado naquela manhã: a cama arrumada, uma cadeira com algumas roupas dobradas e o abajur aceso, porque eu tinha saído cedo demais para me lembrar de apagá-lo.
Sentei na beira da cama e fiquei ali por um momento, apenas respirando.
O dia seguinte passou pela minha cabeça como uma lista silenciosa: encontro com a advogada, assinatura, documentos, a formalidade fria de um casamento terminando em algumas páginas de papel.
Peguei o celular na mesa de cabeceira. Havia uma mensagem nova, abri a conversa.
De: Alice Brandon
Sobrevivendo a sua última noite como uma mulher casada?
Um pequeno sorriso escapou antes que eu pudesse evitar.
De: Bella Swan
Sobrevivendo é uma boa palavra.
Três pontinhos apareceram quase imediatamente.
De: Alice Brandon
Isso não parece uma resposta completa.
De: Bella Swan
Passei a noite com o Edward e quando cheguei em casa, ela apareceu aqui.
Houve uma pausa maior dessa vez.:
De: Alice Brandon
Claro que apareceu.
Eu me deitei na cama, olhando para o teto enquanto continuava digitando.
De: Bella Swan
Foi… intenso.
De: Alice Brandon:
O que aconteceu????
Parei por um segundo antes de responder.
De: Bella Swan
Muita coisa para contar por mensagem. Mas ela sabe.
A resposta de Alice demorou alguns segundos.
De: Alice Brandon
Ela sempre soube.
Aquilo era irritantemente provável.
De: Bella Swan
Amanhã isso acaba.
Dessa vez a resposta veio rápido.
De: Alice Brandon
Amanhã sua vida recomeça.
Fiquei olhando a mensagem por um tempo. Alice sempre teve esse talento irritante para enxergar o copo meio cheio.
De: Bella Swan
Você deveria estar aqui.
De: Alice Brandon
Eu estaria se não estivesse do outro lado do país, sendo a futura esposa do Major Whitlock.
Mas estou espiritualmente segurando sua mão e julgando todas as suas decisões, enquanto planejo minhas próximas férias em Los Angeles.
De: Bella Swan
Obrigada por me lembrar que minha melhor amiga vai se casar com um senador e estamos às vésperas de uma guerra.
De: Alice Brandon
Não vai ter uma guerra.
A não ser que alguém interfira no meu casamento, aí teremos.
Você já tentou dormir?
Olhei para o relógio. Quase duas da manhã.
De: Bella Swan
Ainda não.
De: Alice Brandon
Tente.
Amanhã você precisa estar lúcida quando assinar o papel mais libertador da sua vida.
E também para não parecer culpada na frente da advogada dela.
Eu ri baixo.
De: Bella Swan
Boa noite, sra. Whitlock.
De: Alice Brandon
Boa noite, Swan.
A tela ficou escura quando coloquei o celular de volta na mesa, mas demorei um pouco para dormir. Não por causa da discussão com Irina, aquilo já parecia resolvido de uma forma brutalmente clara.
Mas porque, pela primeira vez em muito tempo, o dia seguinte não parecia previsível.
A manhã chegou rápido demais.
A luz atravessava as cortinas do quarto quando abri os olhos. Por um segundo, fiquei olhando para o teto, tentando lembrar exatamente onde estava.
Então lembrei. Era a manhã de assinar, em definitivo, meu divórcio. A palavra veio com uma estranha mistura de peso e leveza.
Levantei devagar, puxando as cortinas. O jardim estava quieto, iluminado por uma manhã clara demais para o tipo de dia que eu estava prestes a ter.
Jake apareceu na cozinha assim que ouviu meus passos, abanando o rabo com mais energia do que na noite anterior.
— Pelo menos alguém está otimista — murmurei, pegando o que precisaria para fazer o café da manhã.
O cheiro de café logo encheu a cozinha. Enquanto esperava, olhei ao redor da casa.
Era estranho pensar que aquele lugar continuaria sendo meu depois daquele dia. Que, tecnicamente, a única coisa que estava terminando era o casamento. Mas minha vida inteira parecia estar mudando junto.
Peguei o celular novamente, e uma nova mensagem de Alice piscava na tela.
De: Alice Brandon
Já acordou ou está fingindo que hoje não existe?
Sorri.
De: Bella Swan
Primeiro, meu café.
A resposta veio quase instantaneamente.
De: Alice Brandon
Excelente.
Assine o divórcio, volte para casa e me ligue.
Parei por um segundo antes de digitar a última mensagem.
De: Bella Swan
É estranho pensar que hoje fico oficialmente solteira.
Os três pontinhos apareceram. Desapareceram. Voltaram.
De: Alice Brandon
Hoje você fica oficialmente livre.
Fiquei olhando para a tela por um momento. Livre.
Peguei a caneca de café e respirei fundo. Em algumas horas, aquela palavra deixaria de ser apenas uma ideia.
Fale com o autor