Daylight
49 Vivendo em Família - Parte 1
Notas iniciais
O sol, manhã de flor e sal
E areia no batom
Farol, saudades no varal
Vermelho, azul, marrom
Eu sou cordão umbilical
Pra mim nunca 'tá bom
E o sol queimando o meu jornal
Minha voz, minha luz, meu som
Todo homem precisa de uma mãe
(Todo Homem — Zeca Veloso)
Por Sakura
Eu nunca me imaginei mãe. Achei até, que o momento nunca chegaria. Mesmo sendo pediatra e amando cuidar dos meus pacientes, nunca achei que fosse pra mim e não acho isso ruim. Acredito que as mulheres escolhem o que elas bem entenderem. Não somos obrigadas a nada. Lutamos muito e continuamos a lutar para que nossa voz seja ouvida e a nossa vontade seja respeitada.
Contudo, Sarada chegou, veio sem que eu me programasse ou pedisse por ela. Foi um susto e me deixou fora de órbita. Eu pensei, refleti, meditei e escolhi que ela viesse. A Sakura de agora é bem diferente da Sakura de antes.
Tudo é pra Sarada e em prol dela. Quando eu a peguei pela primeira vez no colo, depois de um longo trabalho de parto, em que achei que nunca conseguiria, ela veio e me mostrou que eu podia isso e muito mais. Minha vida não é somente mais minha, minhas vontades muito menos e que o medo de errar é bem mais frequente a partir de agora.
Eu cheguei confiante do hospital quando a trouxe para casa, bastante otimista… até ser assolada por sentimentos de incertezas e dúvidas. Foi um turbilhão de sentimentos, que eu não conseguia controlar. Me olhava no espelho e sentia falta de Sarada na minha barriga, onde ela estava protegida num cantinho só dela e juntas compartilhávamos o mundo.
Em outros momentos me olhava no espelho e não gostava do meu corpo, odiava meu cabelo bagunçado, meus olhos remelentos, minhas olheiras e minha cara amassada de cochilos aleatórios.
Eu passava mais tempo com ela do que devia, vê-la dormindo e respirando me acalmava, mas me afastava de mim. Eu cheguei a ficar mais de trinta e seis horas sem dormir porque não conseguia sair do lado do berço, eu só tomei um banho nesse meio tempo porque Sasuke me fez prometer que não sairia do lado dela. Ele não saiu, mas eu cheguei ao quarto da pequena parcialmente ensaboada e mal enrolada na toalha porque eu a ouvi chorar e me culpei por não ter estado lá, quando o primeiro grito lhe escapou da garganta.
Meus seios doem se ela fica muito tempo sem mamar, ainda não consigo dormir direito, o choro dela me faz chorar e o riso dela... ah, o riso dela me faz chorar de felicidade. O puerpério é uma ebulição, cada mulher reage à sua maneira e tudo bem procurar ajuda nestes momentos. Afinal, saber que somos acolhidas e amadas nesses momentos é fundamental. Eu nunca estive sozinha, mesmo quando em muitos momentos achei que estivesse.
Karin foi muito importante nesse processo, ela ajudou a mim e ao Sasuke como amiga e profissional. Me ajudou a destruir barreiras que eu nem mesmo sabia que tinha. E ainda perdeu um óculos. Com cinco meses, Sarada pegou os óculos de Karin e não soltava por nada. Quando conseguimos tirá-los da sua mão, a pequena abriu um berreiro que fez até Karin chorar pela “maldade” que fizemos. Neste dia, Sarada “ganhou” seus primeiros óculos.
Mikoto também foi fundamental durante esse processo e me ajudou quando eu tinha as mais simples das dúvidas. Sempre incansável, mesmo ajudando duas mamães. Izumi teve o pequeno Ichiro dez dias após o nascimento da minha menina e Mikoto vem se dividindo desde então.
Tsunade vem visitar a neta sempre que pode e Sarada adora minha madrinha e Jiraya, pra desgosto de Sasuke. Fugaku e meu pai também são visitas recorrentes. Tão babões e competitivos, que tem hora que irrita. Eu tive de dar bronca nos dois, porque Sarada nunca conseguia dormir. Eles sempre ficavam brigando pra ver quem pegava a neta primeiro. Ainda continuam.
E por fim, Sasuke, ele não podia faltar. Sarada não poderia ter um pai melhor e eu um companheiro tão maravilhoso. Sempre cuidando da gente, e principalmente da nossa pequena. Ele não ajuda, ele divide tudo comigo. A única coisa que ele não faz é amamentar Sarada, mas adora admirar o ato e dar suporte. Ele diz que é uma das coisas mais lindas que ele já presenciou na vida.
Ele fez um acordo com o chefe da fábrica e ficou dois meses afastado do trabalho – sem receber qualquer espécie de remuneração — para ficar ao meu lado e ao de Sarada, no terceiro mês dela ele trabalhou em casa, do quarto ao sexto mês trabalhou apenas pelo turno da tarde, e por fim, decidiu sair da fábrica para desgosto de Orochimaru. A vaga de professor apareceu e Sasuke foi chamado para integrar o grupo de professores da Universidade De Konoha.
Eu fiquei afastada do trabalho por 10 meses. Quer dizer, parcialmente afastada. Durante os seis primeiros meses de Sarada eu me dediquei 100% a ela. Uma das minhas prioridades era o aleitamento materno integral nos seis primeiros meses. Conseguimos.
Contudo, muitas mães não conseguem. Por motivos de influências externas, dores, falta de leite, doença e por escolha também… Amamentar é muito lindo, mas por vezes pode ser doloroso. Os bicos dos meus seios racharam algumas vezes, ou Sarada pegava errado, ou pior, os dentinhos dela começaram a crescer. E dói! Porque a gengiva dos bebês coça e incomoda a eles também, por isso a necessidade em morder. Foi doloroso e confesso que chorei muitas vezes, mas passou, graças a Tsunade e a doula Akemi, amiga de Mei, que estiveram ao meu lado e me ajudaram a passar por essa fase.
Nos quatro meses seguintes eu me programei para voltar para o hospital. Sasuke já não ficava integralmente em casa, voltava no início da tarde da universidade. Sarada e eu sentíamos falta do Papasuke. A pequena parecia adivinhar quando o pai chegava em casa. Se estivesse dormindo, acordava minutos antes, se estivesse acordada ficava mais serelepe e ele logo chegava. Por isso, decidi voltar ao hospital. Eu ainda não atendia, mas cuidava de boa parte da área administrativa da pediatria e ficava de olho nos projetos.
O banco de leite materno e a creche são sucessos absolutos. Sarada ficava comigo na minha sala, meu pai como um avô coruja que é, comprou um cercado que cabia eu e Sarada dentro, cheio de apetrechos e brinquedos para que a neta ficasse quietinha enquanto a mamãe aqui, trabalhava. Difícil, era manter meu pai longe da minha sala, isso quando eu já não deixava ela na sala dele, que tinha o mesmo cercadinho e brinquedos.
Uma coisa é certa, eu sou muito grata por todo amor que minha filha recebe. Ela é tão amada e adorada, que eu fico emocionada só de falar. Sarada é minha luz, minha guia e minha professora. Eu aprendo muito mais com ela do que ensino. Desde seu nascimento até os dias de hoje, afinal já se passaram 2 anos e 9 meses rapidíssimos desde o nascimento do meu bebê.
Todo dia é uma conquista, uma descoberta e muito amor. Lembro quando minha pequena começou a engatinhar pela casa, logo depois começou a ficar de pé, sentiu confiança para dar os primeiros passos ou quando disse sua primeira palavra, que foi mama— ela me chama assim até hoje. Me recordo como se fosse ontem, lembro de ter chorado como uma criança pequena e até gravei para usar como toque de celular. Tudo para manter minha menina por perto. Sasuke nega, mas acho que ele ficou com um pouquinho de ciúme, já que papa foi a quarta palavra que ela aprendeu a falar. A segunda foi ‘não’ e a terceira foi ‘pepê’, que refere-se a peito. Sarada fala pepê quando quer mamar.
Ela é uma menina muito inteligente, esperta, falante, teimosa e orgulhosa. Se na aparência ela puxou a Sasuke, sua personalidade é muitíssimo parecida com a minha. Sasuke sente dores de cabeça desde que começou a notar tal semelhança. Não posso negar, que fico orgulhosa e me gabo muito por isso.
— Mama! — ouço a pequena me chamar na soleira da porta do escritório. Sasuke deve ter pego no sono enquanto assistia desenho com ela. Sarada adora repetir os desenhos e ele não aguenta mais assistir Mulan, a Pequena Sereia ou Star Wars.
— Oi filhota. — digo e a minha menina sorri expondo seus dentinhos de leite. — Papa pegou no sono outra vez?
Ela soltou uma risada gostosa, que me encheu o peito. Não existe som mais bonito que esse pra mim. — Ele sempre dorme, mama!
— Quer que eu vá assistir com você? — indaguei. Sarada já vinha em minha direção e sentou no meu colo. — A mama já acabou por aqui. — apertei a ponta do seu nariz.
— Eu quero pepê, mama! — Sim, Sarada ainda mama, por isso eu só fico com blusas mais confortáveis em casa e que facilitem o aleitamento. Afastei o lado esquerdo da camisa e expus o seio, mas a pequena não o pegou, apenas ficou olhando.
— O que foi filha, você não queria pepê?! — indaguei confusa.
Ela sorriu. — Eu quero, mama! Mas é a última vez.
Meu mundo, literalmente, caiu. Eu não estava preparada para aquilo, mesmo que Sarada venha dando sinais, já que ela diminuiu consideravelmente as mamadas. Às vezes, parecia impossível acompanhar o amadurecimento dela, mesmo que ainda tão pequena.
Foi exatamente assim com o desfralde. Ela decidiu pôr fim no uso das fraldas, deixando a mim e a Sasuke boquiabertos. Devo reconhecer, que a nossa criação contribuiu, já que a criamos para ser o mais independente possível. Ainda assim, me assustou. Ela simplesmente disse que não queria usar mais, porque já era grande e avisaria a mim ou a Sasuke quando quisesse fazer xixi ou cocô. Tivemos alguns episódios de xixi na cama, mas isso não abalou a confiança da mini-orgulhosa.
— Como assim, Sarada? — tentei não soar desesperada. Meu coração já está um caco.
— Eu já é grande, mama. — ela tocou meu rosto. — Pepê é pra neném. E eu gosta mais de comidinha, agora.
— Mas Sarada… — busco palavras que nunca chegam.
— Cê tá tiste, mama? — meu bebê enxugou uma lágrima que eu nem vi que tinha escapado. — Não chora, Sarada não gosta quando mama chora.
Aninhei mais meu pacotinho no colo e quase a amassei. Sarada não gosta de ver ninguém triste, isso mexe muito com ela.
— Mama não está triste, filha, — dei um beijo na sua cabeça e senti o cheirinho de frutas vermelhas vindo do seu cabelo preto como de Sasuke. Nós duas usamos o mesmo xampu. — A mama vai ficar com saudade de dar pepê pra você, é só isso. — procurei por seus olhos e os vi marejados. Nada doi mais que ver um filho chorar, ou com dor, ou triste. — Mas eu também entendo e respeito sua escolha, está bem?! Se você não quiser mais pepê, mama não dá mais.
— Eu quer só mais uma. — ela sorriu fazendo um com o dedinho. — Você tira uma foto, mama? Pa você guardar e não ficar mais tiste.
E mais uma vez, ela está ali, me surpreendendo e provocando emoções que só ela me causa.
— Claro, filhota! — disse, tentando equilibrar o misto de sentimentos que me assola agora. Maternidade é uma montanha-russa no quesito sentir.
E assim, eu amamentei minha pequena uma última vez, aproveitando cada segundo possível. Tirei a foto, não tinha a melhor qualidade, ou a melhor luz, mas era uma das mais especiais para mim. Só quem amamenta sabe a conexão que a mãe tem com o filho, o olhar que o filho direciona a mãe e vice-versa. É único, a conexão é única e somos privilegiadas por isso. Levarei aquele olhar de Sarada até o último suspiro e até depois dele.
— Obrigada, mama. — ela disse, por fim, ajeitando minha blusa e recostou sobre meu peito enquanto eu a embalava.
Segurei o choro até Sarada pegar no sono, e ainda assim, o fiz na maior “calmaria” para não acordá-la. Depois de algum tempo percebi Sasuke na soleira da porta olhando para nós duas com os olhos marejados. A paternidade tem deixado Sasuke mais emotivo e amolecido. Sarada dobra o pai em segundos. Ele veio até mim e depositou um beijo no topo da minha cabeça e na cabecinha de Sarada saindo em seguida para que eu pudesse desfrutar o momento mãe e filha.
Quando vi que Sarada pegou no sono por completo a levei para o quarto e a coloquei na sua cama. A embrulhei no edredom, bem do jeitinho que ela gosta e coloquei a pelúcia do linguado ao seu lado.
Fiquei observando meu projeto de gente até que o cansaço me abateu. Eu já tinha voltado a minha antiga rotina de trabalho há pouco mais de 18 meses, mas agora tinha Sarada, então é tudo mais intenso e cansativo, mas também prazeroso. Eu não troco a vida de agora pela vida de antes sob hipótese alguma.
Cheguei em meu quarto e vejo que Sasuke ainda está acordado. Lendo algum livro sobre engenharia mecânica, que não faço a menor ideia para onde vai. Meu Uchiha teimoso, depois que se tornou professor, ficou ainda mais estudioso do que já era.
Segundo ele, Sasuke é tipo do professor rigoroso e eu não duvido, já que Sarada, me contou como ele fica sério em sala de aula. Nossa filha já o acompanhou algumas vezes quando a escolinha dela entrava no período de férias e ela não queria ficar na creche do hospital, ou com meu pai ou quando Mikoto estava ocupada cuidando de Ichiro.
Sasuke adora levar nossa filha para a universidade, principalmente em dias de prova. A pequena sempre pega alguém colando e conta para o pai. Além disso, ele é todo orgulhoso da filha que tem, e adora exibir Sarada.
Sasuke me observa, mas não diz nada. Coloco meu celular no criado-mudo e vou rumo ao banheiro do nosso quarto. Sinto os olhos de Sasuke me seguir. Para minha surpresa vejo que a banheira está cheia, com espumas na medida certa e cheirando a essência de jasmim. Sorrio como boba quando penso que foi meu amor quem fez.
— Psiu! — sussurro na soleira do closet e Sasuke me olha com um sorriso ladino. Como esse homem é lindo! — Você não vem?
— Pensei que quisesse ficar sozinha. — diz sem nenhum resquício de chateação na voz.
— Eu não quero ficar sozinha, quero apenas ficar em silêncio. — olho para os meus pés e volto a encará-lo. — Quero ficar em silêncio com você.
Ele sorri, fecha o livro colocando-o em seu criado-mudo e levanta. — Eu amo você! — ele diz e me abraça forte.
Enterro meu rosto em seu peito e sinto o cheiro forte amadeirado que sua pele exala. É familiar e acolhedor. Sussurro contra seu calor:
– Eu também amo você!
(...)
Não sei exatamente há quanto tempo estamos ali, mas acho que mais de uma hora já que a água está fria e meus dedos estão muitíssimos enrugados. Sasuke e eu não falamos nada. Fiquei recostada em seu peito durante todo tempo e recebia vez ou outra, carinho nos braços, beijos na cabeça e pescoço.
— Sarada não quer mais mamar. — falo sentido o peso das palavras em meu coração. Minha garganta está seca.
Sasuke me abraça e beija minha nuca. Gentilmente ele me vira me deixando de lado. Puxa meu rosto e sinto suas orbes negras observar e vasculhar todos os traços que meu rosto demonstra.
— Como você está? — pergunta colocando uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha esquerda. Ele já sabe como me sinto, mas ainda assim, gosta de ouvir da minha boca. Demonstrar fraqueza ou fragilidade é algo que ainda detesto e até mesmo com Sasuke, eu tento evitar ao máximo. Por isso, ele faz questão que eu diga. Não tem porque esconder qualquer tipo sentimento que ele claramente está vendo ali estampado. Às vezes é automático, quando vejo, já estou fazendo outra vez.
— Não sei ao certo. — falo encarando seu peito e volto a olhá-lo. — Um misto de coisas, sabe? — ele me olha em expectativa e eu deixo escapar um riso. — Eu estou triste porque eu amo amamentar Sarada e paro tudo o que estou fazendo quando ela quer pepê. — repito a palavra infantil e sinto a garganta secar. — É uma conexão única, profunda, uma troca de olhares e de amor… parece que o cordão umbilical está sendo cortado outra vez. Mas…
— Mas?
— Eu também fico feliz, sabe? — me empolgo. — Sarada é tão inteligente, independente e fiel aos seus sentimentos. Eu fico profundamente grata por ela confiar em mim dessa maneira e ser tão aberta comigo. Me lembra muito minha mãe e eu. — digo saudosa. — Nossa menininha está crescendo, Sasuke. Outro dia ela era só um serzinho que sacolejava dentro da minha barriga e hoje já desfila sua independência infantil naquele nariz arrebitado. Que ela claramente não puxou de mim.
— Sarada pode ser toda a mim na aparência, mas a personalidade é todinha sua, meu amor. — ele sorri e aperta meu nariz. — Não há como negar. — eu rolo os olhos, mas por dentro estou soltando fogos. — Eu acho que maior que a independência dela só a empatia e compaixão que ela tem pelos sentimento dos outros.
— Por que diz isso?
— Sarada falou comigo sobre querer parar de mamar.
— Por que não me disse nada? — indago surpresa.
— Porque ela falou sobre isso comigo hoje de tarde, enquanto você estudava. Conversaria com você agora a noite. Não imaginei que nossa filha falaria com você sobre isso, ainda hoje.
— E o que ela te perguntou?
— Se você ficaria triste em não poder mais amamentá-la.
— E o que você disse?
— Que você ficaria triste se ela não conversasse contigo e fizesse algo que não queria mais. — Sasuke diz num sussurro. — Fiz mal?
— Claro que não, meu amor. — lhe dou um selinho demorado e me aconchego em seu peito sentindo seus braços me rodearem. — Eu falaria o mesmo. Uma hora ou outra isso aconteceria. Ela já vinha mamando bem menos. Só não esperava que ela fosse tão aberta assim, sabe? Tão direta.
— Sakura, Sarada mandou a gente ir embora no primeiro dia de aula, na porta da escola.
Puta merda.
É verdade.
Lembro como se fosse ontem. Chegamos na porta da escola com uma Sarada toda serelepe e contente para o primeiro dia de aula. Ela exalava ansiedade. Nem mesmo aquele bando de criança chorando e berrando aos pés dos pais abalou a confiança da nossa pequena. Ela virou para mim e Sasuke, na porta da escola, segurando sua lancheira com confiança, sorriu para nós e disse:
— Tchau mama, tchau papa. Espero vocês na saída!
— A mama não ganha nem um beijinho? — perguntei quase ofendida por tamanha ousadia e audácia deste pequeno ser. Mas cheia de orgulho por ela.
— Claro, mama! — ela veio até mim. — Se abaixa mama, a Sarada é pequeninha.
Sasuke e eu soltamos uma risada ao mesmo tempo, abobalhados com tamanha imponência infantil. Me abaixei e ganhei um beijo estalado e molhado com direito a abraço apertado.
— E o papa, não ganha também não? — Sasuke disse já abaixado ao meu lado.
— Claro, papa! — ela foi toda contente e repetiu o mesmo processo com o pai. Depois rodeou a nós dois com os bracinhos curtos. — Sarada ama vocês, mas eu precisa estudar. Tchau!
E assim ela saiu correndo em disparada ao portão de entrada da escola.
— Você lembra? — indago a Sasuke com um sorriso nos lábios.
— Como se fosse ontem. — ele sorri — Me senti terrivelmente impotente e profundamente orgulhoso.
— É exatamente assim que sinto, só que dez vezes mais forte.
Depois desse diálogo mais que sincero, Sasuke me acolheu ainda mais, deixando que o sentimento que assolava meu coração escorresse pelos meus olhos. Depois de Sarada, as emoções são muito mais intensas. Quando refere-se a ela então, é potencializado.
(…)
Pouco mais de um mês se passou, desde que Sarada decidiu que não queria mais amamentar e seguiu assim desde então. Ela não pediu nenhuma vezinha. Em compensação, meu colo ela nunca pedia para deixar. Minha pequena é bem dengosa e adora um carinho.
Apesar do ciclo da amamentação ter chegado ao fim, a minha relação com minha filha não pareceu enfraquecer, ao contrário, sinto muito forte o nosso elo. Sinto que Sarada confia em mim de olhos fechados. Isso me deixa forte e ao mesmo tempo vulnerável.
E se um dia eu magoar minha pequena?
E se um dia eu fizer algo que ela não goste quando ela esperava outro posicionamento meu?
E se eu falhar em sua educação?
E se…
Perguntas como estas parecem fazer morada na minha cabeça. Tudo isso piorou depois daquela bendita proposta…
Há quinze dias, o empresário Talank Ompatti, pai de Sanji, o menino que tratei quando estava na Índia, me procurou. Ele propôs que eu passasse um mês em Mumbai, com tudo pago, para realizar atendimentos médicos, cirurgias e treinamentos médicos para os novos voluntários do Hospital Fundação Sanji que ele ajudou a criar há dez meses. Eu fui convidada para a inauguração, mas não pude comparecer porque ainda estava me habituando a rotina de Sarada na nova escolinha e como tudo isso impactava na minha rotina de ser mulher, mãe, médica, companheira e ainda administrar uma casa e a ala da pediatria hospitalar. Mesmo Sasuke dividindo todas as tarefas passíveis de divisão, ainda me sinto cansada.
A verdade é que estou mergulhada numa rotina sem fim, como estava em Tóquio antes de voltar a Konoha e isso tem me consumido. Acho que a Deusa ouviu minhas preces quanto a isso e jogou essa oportunidade no meu colo. Mas agora eu não estou sozinha no mundo. Tem Sarada, Sasuke e meus pacientes.
— Arghhhhh. — grito assim que sinto a faca passando pelo meu dedo indicador quando deveria passar pela porra dos tomates. — Ai que merda!
Manejo tão bem um bisturi e me corto com uma faca de cozinha. É de foder.
— Mama! — ouço Sarada gritar quando passa pela porta da sala junto com Sasuke. — Chegamos!
Sorrio boba com seu alerta, enrolo meu dedo sangrento num pano e vou recebê-los. Quando olho para Sarada tomo um susto pelo estado em que ela se encontra, toda melada de tinta. Não tinha nenhum lugar livre.
— Menina, o que foi isso? Passou um furacão na sua escola, foi? — pergunto assustada.
— Foi dia de pintura com os dedinhos, mama! — ela sorri mostrando os dedinhos e Sasuke sorri junto ao seu lado. — Meu desenho ficou bonito.
— Eu não duvido. — aperto o pano em meu dedo. — Cadê ele?
— Ficou na escola pa secar. — ela responde sorridente. — O que tem pa comer?
— Macarrão com muito molho de tomate.
— Eca, mama. Eu não gosta de tomate. — ela diz e ouço Sasuke rir.
— Como pode ser minha filha e odiar tomates? — Sasuke pergunta lhe fazendo cosquinhas. — Tomate é a melhor coisa do mundo, dona Sarada.
— Para papa, por favor. — ela gargalha, ele também. — Por favor.
— Tudo bem, mas só por hoje, já que vai ter que comer tomates.
Sarada fez uma careta. — Eu não. Eca.
— A sua sorte mocinha, é que sua tia Hinata trouxe aquele yakisoba de legumes que você adora, pouco tempo antes da senhorita chegar. — digo entre os gritos de alegria de Sarada. — Agora já pra cima tomar seu banho, seu pai já vai subir para ajudá-la. — ela corre em direção a escada. Ela ama esse yakisoba. — Sem correr, Sarada. A comida não vai voar.
Ouço Sasuke rir atrás de mim e encosto minhas costas em seu peito. Sinto seus braços fortes me rondarem, seu perfume invadir minhas narinas e seu queixo apoiar-se firmemente na minha cabeça, mas não consigo me sentir completamente relaxada. E sei que Sasuke sente isso.
— Como foi o dia, querido? — pergunto a fim de afastar este clima de culpa e sinto Sasuke suspirar. — Muito cansativo?
— Um pouco estressante, talvez. — me viro pra ele e abraço sua cintura. — Peguei dois alunos colando e tive que zerar suas provas.
— Ah, querido, mas eles correram o risco, né? Sabem que isso é errado e mesmo assim fizeram.
Ele me toma os lábios num selinho demorado e depois passa a colocar as mechas do meu cabelo atrás da orelha num carinho gostoso.
— Sim, mas são excelentes alunos e potenciais pesquisadores. — suspira. — Não gosto de zerar provas de alunos mesmo quando eles não são excelentes, mas não posso me fazer de cego também.
— Ônus e bônus de ser professor, meu bem. — coloco minhas mãos em seu peitoral e só agora me lembro do pano.
— O que foi isso em sua mão? — ele pergunta preocupado já desenrolando o pano do meu dedo. — O que foi isso Sakura?
Sorrio amarela com a maior cara de bunda que tenho e respondo – Me distrai cortando os tomates. Mas é um corte superficial, nada como que se preocupar.
— Com a cabeça nas nuvens, doutora? — indaga com dois dedos na minha testa e eu sorrio.
— Talvez!
— Só você mesmo, amor.
Ele me beija de forma envolvente, pressionando sua boca contra minha num ritmo prazeroso e quente. Suas mãos passeiam pelo meu corpo sem o mínimo de pudor e eu sinto o baixo-ventre tremer. Esse homem me tem com uma força que talvez ele nem saiba.
— Se nossa filha não estivesse casa, a gente não deixaria isso pra depois, querida. — ele diz contra meus lábios. Ainda sinto um clima quente. — Mas a senhorita não me escapa mais tarde.
— Mal posso esperar. — digo entregue e ele sorri ladino. Sim, ele sabe que me tem.
— Acho melhor você ajudar Sarada com o banho. — ele diz me soltando aos poucos. Agora tá ficando frio. — Eu termino o jantar.
— Tem certeza?
— Sim. Como eu demoro cozinhando é melhor deixar Sarada tomar um banho de banheira no nosso quarto. Assim você não tem tanto trabalho em ajudá-la a tirar toda aquela tinta e não machuca mais sua mão.
— Você vai secar o banheiro depois, porque você sabe como é o furacão Sarada.
— Eu assumo a responsabilidade. — me dá mais um selinho e sai.
Quando conto a Sarada sobre o banho de banheira ela solta gritinhos de felicidade. Enquanto a banheira enche e uma pequena ansiosa fiscaliza eu cuido do meu dedo machucado, longe dos olhos de Sarada.
Depois que a banheira enche e passo a despir Sarada constato de fato, que a minha filha tem tinta por todos os lugares, inclusive na pele da barriga e não apenas do rosto. Não, não foi apenas drama de uma mãe.
A coloco na banheira e passo a esfregá-la levemente com uma bucha de banho. Sarada ama ser cuidada e mimada, e eu adoro fazê-lo.
— Tô com saudade da vovó. — Sarada diz baixinho.
— Mas você viu a vovó Mikoto ontem.
— Não é a vovó Mikoto, mama. É saudade da vovó Mebuki.
Sinto meu corpo retesar e paro o afago nos cabelos de minha filha. Sarada nunca conheceu minha mãe e nem poderia, já que ela morreu há uns bons anos.
Os pequenos olhos negros da minha menina, tão iguais ao do seu pai, me analisam. Claro que já falei da minha mãe pra ela, desde a barriga, e sempre mostrei fotos. Contudo, Sarada nunca foi de mencioná-la.
Sorrio amarelo pra minha filha, tentando manter a minha sanidade no lugar e digo – Filha, a vovó Mebuki foi morar no céu antes de você nascer. Como pode sentir saudades?
— Ah mama, você não sabe?
— Não sei de que?
— A vovó Mebuki cuidava da Sarada na estrela, mama. Na estrela que eu morava, antes de você ser minha mama e o papa ser meu papa.
— Sarada, filha…- eu nem sei o que falar de tão estarrecida que estou.
— Era muito legal lá, sabe? E brilhante, também. — ela sorri e eu continuo com cara de tacho. — Aí eu escolhi você e o papa pra cuidar de mim aqui. A vovó Mebuki cuidou de Sarada até eu cair da estrela.
— Você caiu de uma estrela?
— Sim. — ela balança a cabecinha com os fios molhados. — Eu caí, mas não machucou. Eu amo você, mama, e o papa também.
Num impulso maternal eu abracei Sarada e chorei como uma criança pequena. E por incrível que pareça, Sarada não se assustou. Ficamos agarradinhas na banheira enquanto nossas peles enrugavam e meu choro cessava.
Ainda assim, minha cabeça ficou ainda mais aérea pelo pequeno diálogo que tive com minha pequena. Eram muitas revelações para o um dia só. E por mais louco que fosse, eu acredito em cada palavra dita pela minha filha.
— Sakura, amor… Sakura – ouço Sasuke me chamar na soleira da porta do nosso quarto. Após o jantar, Sarada pediu a Sasuke para colocá-la pra dormir e lesse uma história. Aproveitei para lavar os pratos e refletir antes de vir para o quarto e refletir ainda mais. Como podem ver, eu gosto de pensar. E às vezes isso é uma merda.
— Oi querido. Aconteceu algo? Sarada dormiu?
— Estou te chamando a um tempo, mas você estava longe. E sim, Sarada já dormiu. — ele se aproximou e deitou ao meu lado. — Posso saber o que se passa tanto nessa cabecinha?
— Um montão de coisas. — digo me aconchegando a ele.
— Isso eu já imaginei, mas o que montão de coisas são essas? — seus dedos acariciam meus cabelos. — Você pode dividir tudo comigo, sabe disso.
— Eu sei, mas você sabe o quanto eu gosto de refletir e pensar.
— Claro, há sinais de fumaça saindo das suas orelhas. — eu rio. — Vamos, divida comigo.
— Ok. — suspiro alto e falo o encarando. — Bom, Sarada disse que morava em uma estrela, que escolheu nós dois para sermos os pais dela e que minha mãe tomava conta dela na estrela até ela cair.
— Wow… — Sasuke se segura entre o riso e incredulidade . — Sarada tem uma imaginação muito fértil… será uma excelente escritora.
— Eu estou falando sério, Sasuke!! — bato em seu peito.
— Eu sei que é sério, querida. Mas é um tanto surreal, tem de admitir. — ele ri, mas eu continuo séria. — Você realmente acredita nisso?
— Claro. Quer dizer, não sei ao certo… mas você precisava ter visto quando ela disse que estava com saudades da vovó Mebuki, Sasuke. Por mais que eu mostre fotos da minha mãe ou fale dela, Sarada nunca perguntou dela ou ficou curiosa. — bufo diante de sua tentativa de segurar o riso. — Você pode não acreditar, mas isso ressoou e fez sentindo em meu coração de alguma forma. Você deveria se sentir no mínimo honrando por sua filha dizer que te escolheu para ser o pai dela. — digo por fim e me levanto.
— Aonde você vai?
— Eu vou ler, preciso tirar um tempo pra mim agora.
— Sakura, você não precisa ficar chateada por isso. Eu não estou desmerecendo a história de Sarada, eu achei apenas surreal.
— É, mais eu fiquei chateada. É a minha filha e a minha mãe. — e uma proposta para ficar um mês fora minha mente gritou. — Eu preciso de um tempo quieta no meu canto, lendo um livro e tirando um tempo para mim. Com licença.
Fui para o escritório e peguei o livro o Segredo de Emma Corrigan pra ler. Precisava desanuviar a mente e nada melhor que um livro engraçado pra isso, com um nome um tanto sugestivo para o meu estado atual. Li até metade e ri bastante antes do sono chegar.
Quando cheguei ao quarto, notei que Sasuke encarava o teto. Merda! Tudo o que eu não queria era que ele estivesse acordado. Bancar a egípcia é a solução, uma vez que conversar agora não é uma opção.
Fui até o closet e coloquei um pijama, ou melhor, uma blusa velha e grande de Sasuke e quando voltei, ele já estava dormindo ou parecia estar. Mas antes que eu pudesse me deitar para dormir, ouço um grito e um choro agudo de Sarada.
— Sarada, o que foi? — chego em seu quarto num pulo e sei que Sasuke está atrás de mim.
— Tubarão, mama. Tubarão pegar Sarada. — seus olhinhos escuros estão vermelhos. Assim como eu, Sarada tem medo de tubarão e tudo piorou quando ela pegou Itachi assistindo ao filme antigo do Spielberg.
— Calma, filha. Foi só um pesadelo. — a paguei no colo num abraço apertado. — Mama está aqui.
— O papa também está aqui. — Sasuke diz e abraça a nós duas. — Você quer dormir com a gente, pequena?
Mas Sarada não responde, ela já tinha pego no sono outra vez.
— Ela já dormiu. — eu respondo. — Mas acho melhor ela dormir conosco. — Sasuske assente e me acompanha até o nosso quarto com Sarada em meus braços.
Nos deitamos com a nossa pequena no meio da cama. Nos encaramos num silêncio ensurdecedor, até que Sasuke cria coragem para falar.
— Sakura.. — ele chama, mas eu o interrompo.
— Sasuke, eu não quero conversar agora. Já está tarde e temos compromissos daqui algumas horas. Conversamos depois.
—Caralho, Sakura. — ele sussurra entre dentes. — Você sabe que odeio dormir brigado com você. Parece que faz de propósito.
— Sasuke, eu não quero conversar porque não estou com a cabeça fria o suficiente e não quero brigar mais. Sarada acabou de ter um pesadelo e a trouxemos para dormir conosco, você quer realmente conversar agora?
Ele bufou impaciente e me fuzilou com os olhos. Eu não quero nem imaginar a cara que ele vai fazer quando descobrir que ficarei trinta dias fora daqui a duas semanas. Sim, eu decidi fazer a viagem e tenho essas duas semanas para me organizar.
— Tudo bem. — Sasuke diz conformado. — Mas vamos almoçar juntos amanhã.
— Se a cirurgia das 09h:30min estiver concluída, almoçamos juntos. — vejo Sasuke morder a língua de raiva, mas me deseja apenas boa noite e apaga a luz do seu abajur..
No dia seguinte nós almoçamos juntos e nos entendemos. Sasuke reconheceu que foi um tanto insensível e até desrespeitoso com a memória da minha mãe, e eu reconheci que podíamos ter conversado ontem mesmo para não dormir como dormimos. Mas por mais que tenhamos nos acertado, eu não consegui falar sobre a proposta da viagem. Além de temer a reação de Sasuke, eu não sabia como organizar a minha agenda.
(…)
Mais uma semana se passou e me restava apenas uma para conversar com Sasuke e também com Sarada. Eu já tinha dado alguns toques em Sarada, puxado assunto sobre viagens e o que minha ausência acarretaria. Ela apenas dizia que ficaria com saudade. Eu também morreria de saudades dela.
Mei me ajudou a organizar a agenda de cirurgias e atendimento dos pacientes. Os casos emergenciais ficariam por sua conta até eu retornar. As cirurgias que puderam ser remanejadas foram e parte administrativa do setor também ficaria com ela durante esses trinta dias.
Por falar com Mei eu tive de contar a meu pai e ele ficou contentíssimo por mim, mas puxou minha orelha por não ter conversado com Sasuke ainda. Ele prometeu ajudar Sasuke com Sarada no período em que eu estiver fora. Acabei conversando com Mikoto também e me senti ainda pior por falar com a mãe dele e não com ele. Ela disse que seria um prazer ajudar Sasuke com a neta, mas disse para eu me preparar porque ele iria ficar uma fera.
Eu já tava na merda, mas a pressão psicológica das pessoas não me ajudavam.
— Sasuke, vai ficar mordido com você, Sakura. — Ino diz. Estamos num salão de beleza onde a ideia era relaxar e sair mais bonita, mas com essa amiga porca não estava ajudando. Se minhas roídas unhas não estivessem recebendo um belo trato agora, eu enforcaria essa diaba loira.
— Ino, eu já sei disso, ok? Não preciso que você repita pra mim.
— Ai, credo testuda. Nem parece que viemos ao salão para relaxar.
— Essa era a ideia, mas você não fecha a merda da boca.
— Cruzes, alguém traga um champanhe para esta criatura. — reviro os olhos em resposta. — Tá ok, desculpa testudinha. Mas eu estou preocupada com você porque dessa vez não tem como te defender.
—Porra, obrigada.
— Você quer que eu minta?
— Não, eu não quero. Mas não me deixar pior é também uma opção.
— Testuda, eu não entendo. Tem três semanas que você sabe dessa proposta, por que não falou com ele antes? Sasuke não é nenhum homem neandertal das cavernas. Ele só é insuportavelmente chato, às vezes.
— Ai Ino, eu não sei. — pego o champanhe que me é oferecido e tomo um gole generoso. Sinto os olhos arderem. — Quando eu recebi a proposta, eu nem acreditei para falar a verdade, sabe? E na minha cabeça não existia a menor possibilidade disso funcionar. — outro gole. — Mas aí eu fui lembrando quando viajei da outra vez e fui me empolgando. Recebi fotos do hospital, o programa e me imaginei lá. E de repente eu queria muito, mas fiquei com medo de falar com Sasuke e com Sarada. Você consegue se imaginar 30 dias longe de Inojin? Porque eu não faço ideia de como ficarei 30 dias longe dela e de Sasuke também.
— É pra ser sincera? — eu assinto diante de sua indagação. — Eu amo meu filho, testudinha. Amor incondicional, gigante e intenso. Mas eu também me amo, sabe? E às vezes preciso de um tempo pra mim também. Ino, mulher, empresária… sem ter o peso de mãe e esposa. Eu passei 15 dias em Tóquio resolvendo questões da empresa e foi um divisor de águas. Eu morri de saudades do pequeno? Morri. Mas sobrevivi e ele também. E isso só fortaleceu a nossa relação.
— Mas Ino…
— Testudinha – ela me interrompe. — Nossos companheiros são pais excelentes e dedicados, além disso temos uma rede de apoio imensa de amigos e familiares. Vai ficar tudo bem. — ela sorri com aqueles dois olhos azuis imensos. — Várias criancinhas te esperam para serem cuidadas por essas mãozinhas mágicas que a Deusa te deu. Você veio a mundo para fazer a diferença, querida. Não é todo mundo que pode tocar, literalmente, no coração das pessoas. Eu estou aqui para o que precisar, está bem? — eu apenas confirmo e me deixo levar pela positividade Ino.
Deixar de conversar com Sasuke sobre a Índia não é mais uma opção agora. Por isso, eu resolvi deixar Sarada na casa dos avós paternos junto com seu primo Ichiro para que fossem se divertir e eu tivesse privacidade e calma para conversar com ele.
Para não estragar minhas unhas recém-pintadas, as roendo, eu decidi preparar um jantar para mim e Sasuke. Por mais que hoje fosse sábado e ele não trabalhasse, ele precisou comparecer a reunião do grupo de pesquisa que ele coordena na Universidade de Konoha.
Preparei uma massa simples ao molho de tomate caseiro bem temperado. Não era nada muito elaborado, até porque eu não sou dessas que sabe fazer muita coisa na cozinha e eu estou nervosa para um cacete para pensar em algo mais trabalhoso e chique.
Não sei como, mas em meio a todo nervosismo eu peguei no sono, no sofá, enquanto esperava Sasuke. Fui acordada pelo próprio, que me acusou de ser a coisas mais linda do mundo dormindo e babando. Como podem ver, o amor tem dessas de deixar a gente bem idiota.
— Cadê Sarada? — indagou depois que eu o mandei a merda por me chamar de dorminhoca babona. — Pensei que encontraria as duas assistindo a algum desenho e se entupindo de doces.
— Ela foi pra casa dos seus pais. Vai dormir lá hoje, com Ichiro.
— Dormir é a última coisa que esses dois vão fazer hoje. — Sasuke riu e sentou a meu lado no sofá. — Vão aprontar horrores e com ajuda dos meus pais.
— Vão sim. — a realidade começou a bater à minha porta outra vez e eu senti meu estômago revirar.
— Pelo menos, teremos uma noite só nossa. — Sasuke sorriu ladino e um tanto perverso eu diria ou a minha imaginação que está atacada achando que ele quer me comer viva, mas não no bom sentido. — Há quanto tempo que não temos um tempo assim, só nosso?
— Não sei, amor. Às vezes parece que Sarada sempre está, mesmo quando não está.
— Pra quem achava que não teria talento em ser mãe, você é uma bem coruja. — ele ri e me abraça depositando um beijo no meu pescoço. — Mas tenho que concordar… é como se Sarada sempre estivesse aqui, mesmo quando não está.
— Depois eu que sou a coruja.
— Eu nunca neguei fosse um pai coruja e um pouco babão.
— Pouco babão? — desdenhei. — Aham.
— Isso é cheiro de molho de tomate? — perguntou mudando de assunto e foi em direção a cozinha. — Você cozinhou amor?
— Sim. Fiz uma espaguete ao molho de tomate caseiro, bem temperadinho, do jeito que você gosta. — vi Sasuke enfiar a cara na panela do molho.
— O cheiro está maravilhoso, mal posso esperar para provar.
— Vai tomar seu banho que é o tempo que eu aqueço o molho e ponho a mesa.
— Você não vai tomar banho comigo? — perguntou descarado pondo a mão na minha cintura. — Agora que temos casa só pra gente?
— Se eu for com você a última coisa que faremos é tomar banho. — lhe respondi com um selinho e fugi de seus braço. — Eu também estou com fome e estava apenas esperando você chegar para comer.
— Que balde de água fria.
— Temos a noite inteira, querido. — sorri tentando não demonstrar meu nervosismo. — Garanto que não irá se arrepender. — coitado, ele vai. Sou uma péssima pessoa.
— Estou decepcionado. — disse falsamente ofendido. — Você me deixou, literalmente, na mão.
— Uma punheta não faz mal a ninguém. — ligo a panela do molho. — Você não irá morrer por isso.
— Vou sim, vou morrer de desgosto. — Sasuke se aproximou e me abraçou por trás com cuidado para não se queimar. Sasuke está com a mala prontíssima para viajar, se é que vocês me entendem. — Prefiro uma punheta com suas mãos mágicas, Sa-ku-ra. — o desgraçado sussurrou rouco em meu ouvido e foi descendo suas mãos para o cós do meu short passando direto e indo até as minhas coxas. — Mas já que você não quer… — ele pressionou sua pélvis em minha bunda e começou a se afastar. Antes que ele o fizesse por completo, segurei suas mãos e rebolei rápido contra seu pau. Sasuke gemeu.
— Acho que posso mudar de ideia. — digo colocando as mãos de Sasuke sobre meus seios. Ele aperta sem pensar duas vezes. — Serei bem recompensada por isso? — em resposta Sasuke pressiona ainda mais forte seu membro em minha bunda.
— Essa resposta serve?
— Oh, sim. — desligo o molho e me viro para Sasuke. Suas mãos tomam minha bunda com possessividade e seus olhos negros estão famintos e não são só pra me ver melhor. — O que você acha de uma trepada forte na nossa mesa de jantar? — Sasuke joga sua cabeça para trás e eu sinto seu membro forte contra minha barriga. Um gemido forte escapa dos seus lados e ele volta a me encarar.
— Eu adoro quando pornofonias são proferidas por essa boquinha. — Sasuke me puxa e me coloca em seu colo me levando até a nossa mesa de jantar. Não paro de rebolar até que ele me senta na mesa. — Eu sou fodidamente louco por você, Sakura.
Nossos lábios se encontram com força e paixão. Eu não consigo raciocinar muito bem nesses momentos com Sasuke. Meus instintos tomam conta da minha sanidade e eu só quero Sasuke nu, viril e forte. Me dando prazer e recebendo o que lhe dou.
Entre apertos, chupões e mordidas nós já estamos completamente nus. Sasuke coloca minha perna direita em seu ombro esquerdo e dois dedos da sua mão direita começam a passear em minha vulva espelhando todo meu fluido, mas sem me penetrar e eu já to ficando fodidamente maluca.
— Quem precisa de molho de tomate caseiro, quando se tem você esparramada e suada na mesa de jantar tão gostosamente entregue? — ele ameaça me penetrar, mas não o faz. — Eu quero muito me enterrar em você, mas quero te provar além dos meus dedos. — Sasuke lambe seus dedos e pela Deusa, quero guardar essa memória erótica pra sempre.
— Oh Sasuke… — grito assim que ele passa a chupar a minha intimidade. — Oh… Issso… — ele segura minhas coxas para mantê-las abertas.
Ele explora minha intimidade sem o mínimo de pudor, mas fodidamente bom. Seus lábios brincam com meu clitóris com leveza e calma. Ele explora gostosamente me causando arrepios no baixo-ventre me deixando ansiosa para gozar. Seguro fortemente na borda da mesa, porque a vontade é de afogar a cabeça de Sasuke em minha vulva.
O gozo vem forte e intenso. Minhas coxas apertam a cabeça de Sasuke e o grito escapa pela minha garganta. Eu relaxo, minhas pernas relaxam, mas antes que o topor me abrace, Sasuke me penetra gostoso e forte.
— Caralho, você é muito gostosa, Sakura. — Sasuke investe contra mim rápido e forte. — Tão apertada, tão molhada…
— Me fode, Sasuke. — peço quando ele começa a ficar mais lento para me torturar. — Me fode com seu pau gostoso. Já gozei na sua boca, quero gozar no seu pau…
— Puta que pariu, mulher. Eu não vou aguentar muito desse jeito.
— Goza pra mim…. — aperto o pau de Sasuke com minha intimidade e um palavrão escapa de seus lábios junto com um gemido. — Goza. Goza bem gostoso pra mim porque… porque eu… ahhhhh… vou gozar…
Sasuke investe mais forte e duro em mim. Sua mão direita aperta minha coxa e a sua esquerda aperta meu seio. Não aguento e gozo tão forte como da primeira vez. Sasuke não demora muito e goza também. A sala é preenchida de gemidos, palavrões e muito prazer.
Sinto meus músculos relaxarem e um Sasuke exausto deitando em meu peito. Nossas respirações irregulares vão se acalmando aos poucos. Os fluidos de Sasuke e meu começam a escorrer por minhas coxas.
— Uma punheta, por mais bem feita que seja, jamais chegará a isso. — Sasuke diz contra a minha pele antes de se levantar. — Caralho. Eu nunca vou me cansar de você, Sakura.
— Eu também. E nem quero, para começo de conversa. — digo leve como não me sinto há algum tempo.
— Está vendo o quanto você perderia se eu fosse tomar o banho sozinho?
— Gosto quando você é persuasivo e me deixa assim. — dou a mão a Sasuke para que me ajude a levantar e sinto ele saindo definitivamente de mim. Nossos fluidos escorrem em maior quantidade por minhas pernas. — Agora, eu também preciso de um banho. — Sasuke me olha maldosamente. — Mas sem segundas intenções, sr. Uchiha. — ele revira os olhos. — Por mais gostoso que você seja, eu estou com fome.
— Tudo bem. — levanta as mãos em sinal de rendição. — Mas, mais tarde a senhorita não escapa, Haruno. A noite está apenas começando. — seus lábios selaram no meu carinhosamente numa promessa muda de que ele cumpriria com sua promessa. Só não sei se de fato irá, quando as cartas forem postas na mesa. Porque eu já fui posta na mesa e foi muitíssimo bom.
(…)
— Amor, o que você tem? Disse que estava com fome, mas só vejo você remexer a comida no prato e não comer nada. — me encara e faz um carinho na perna por baixo da mesa. — Seu molho está uma delícia, mais gostoso que o da minha mãe.
Sorrio fraco diante de tamanho elogio, uma vez que sou um desastre na cozinha, na tentativa de esconder o nervosismo que me aplaca. Depois da nossa aventura sobre essa mesa, que agora jantamos, Sasuke e eu tomamos um banho rápido sem nenhuma segunda ou terceira intenção, e descemos para comer. Mas só ele conseguiu tal feito.
— Eu não sei, não me parece tão gostoso. — minto e continuo a afundar no meu medo em contar de uma vez pra Sasuke o que tanto tira meu sono e apetite. — Cozinhar não é, definitivamente, meu talento.
— Mas está uma delícia. — ele insiste amoroso. — Não acho que seja isso. Vamos, me diga o que você tem, de verdade.
— Por que você acha que eu tenho alguma coisa?
— Porque eu te conheço, Sakura. Eu te vejo todos os dias, temos uma família linda e porque eu te amo o suficiente para saber que tem algo errado. — ele faz um afago em minha bochecha e coloca uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. — Já tem um tempo que eu percebi, mas percebi que sempre tenta disfarçar.
— E por que não me disse nada antes? — indago um pouco chateada. Mas sem nenhum direito de me sentir assim.
— Porque eu não queria te pressionar, queria que me contasse quando estivesse confortável. Além do mais, poderia ser alguma coisa do hospital, com algum dos seus pacientes. — ele dá de ombros. — Geralmente, quando eu te pergunto sobre algo que te incomoda você se fecha ainda mais e acaba afastando a mim ou a Sarada.
— Sasuke… Eu…
— Eu estou sempre aberto para que possa me contar tudo o que quiser, sabe disso Sakura. Por isso, prefiro não pressioná-la. Da última vez que fiz isso, quando Sarada te contou da história que morava numa estrela, brigamos, lembra? — assinto. — Mas eu também não sou cego. — suspirou forte. — Vamos, me diga o que está acontecendo.
— Eu.. — engoli em seco. — Eu fui chamada para um trabalho voluntário na Índia, durante 30 dias, no hospital fundado pelo pai de Sanji, aquele menino que ajudei no tratamento da pericardite.
— Wow… — ele diz surpreso. — trinta dias?
— Sim. Trinta dias treinando médicos e fazendo procedimentos cirúrgicos mais delicados. Mesmo sendo um trabalho voluntário, as despesas com locomoção, alimentação e hospedagem ficarão por conta deles.
— Hum, entendo. — a reação de Sasuke ainda é uma incógnita. — É um grande passo para sua carreira. Parabéns, meu amor. — ele sorri de forma sincera e eu me sinto a pior das criaturas. — Morrerei de saudades nesses trinta dias, e acredito que Sarada também, mas daremos um jeito. — ele toma um gole do seu vinho. — Quando você dará a resposta a eles?
— Eu já confirmei minha ida. — digo num sussuurro.
— Hum… e quando será a viagem?
Fecho os olhos com força e sinto meu peito apertar. Acho que posso ouvir meu próprio coração bater forte. Estou me sentindo a pior das covardes. — No domingo da semana que vem. — digo por fim.
— Já? — assinto. — Bem em cima da hora, não acha?! Ainda mais para um trabalho voluntário. Há quanto tempo eles fizeram essa oferta? 3 ou 4 dias atrás? Acho muito pouco tempo.
Merda! Merda! Merda! 1000 vezes merda!!!!!
— Eu recebi a proposta há três semanas. — digo num sussurro e de cabeça baixa.
— Como?
Encaro Sasuke e sinto seus olhos quase me engolirem de tamanha decepção. — Eu recebi a proposta há três semanas.
— Três semanas, Sakura? — sua voz é firme e grossa, mas não alta. Ele está magoado. Decepcionado.- Três semanas? Bastante tempo, não? Por que só me disse agora?
— Porque… porque… — eu não sei colocar essa merda em palavras. Que ódio!
— Responde, Sakura! — ele está machucado e a culpa é toda minha.
— Porque eu achei que você não fosse gostar, porque eu pensei que me faria de desistir, porque eu pensei que me falaria que temos uma filha pequena e não seria viável. Porque eu pensei que você fosse achar uma loucura. — digo, mesmo sabendo que as respostas para todas elas fossem negativas. Meu medo foi alimentado por achismos incoerentes. — Porque eu sempre achei que o meu espírito livre te incomodasse de alguma maneira. Você sempre foi mais caseiro, nunca quis sair de Konoha…
— Meu Deus, Sakura. — Sasuke está perplexo. Parece não conseguir acreditar. — Você não pode está mais errada. E sabe disso. Eu jamais faria algo do tipo. — ele me encara e eu me sinto pequena. Culpada. — Seu espírito livre nunca me incomodou, ao contrário, eu sempre quis uma fagulha de coragem que você carregava. Meu medo sempre foi te perder, e mesmo quando aconteceu eu não te impedi, Sakura. Por que faria agora? — levantou-se derrubando a cadeira no chão . — Sei o quanto sua carreira é importante para você, sei o quanto você se dedicou por ela. E eu jamais usaria nossa filha pra isso. Você me conhece, Sakura. — os olhos de Sasuke estão marejados e só agora eu percebo que os meus já transbordaram há muito tempo. — Ou, pelo menos, eu achei que me conhecesse.
— Sasuke, me desculpa. — o abracei, mas não fui correspondida. — Eu fui uma idiota, uma boba… eu fiquei com medo. Sua mãe me disse que era bobagem da minha cabeça. — sinto os braços de Sasuke segurarem os meus e me afastarem do seu corpo.
— Minha mãe sabe dessa viagem? — ele indaga feroz e só agora eu me dou conta da merda que falei. Mais uma.
— Sabe. — digo de cabeça baixa, sem ter porque negar.
— Quem mais sabe? — sua voz sai dura e cortante.
Aperto os olhos com força e mais lágrimas transbordam. Sinto o gosto salgado invadir-me a boca. Na garganta ele é amargo. — Sua mãe, meu pai, Mei e Ino. — o encaro mais uma vez para ver a dor estampada em seus olhos.
— Não acredito, Sakura. Não posso acreditar que contou para todas essas pessoas, mas não contou a mim. O cara que dorme ao seu lado todos os dias, com quem construiu uma família, tem uma filha, divide uma vida. Caralho, Sakura, eu sou o que pra você, porra? Nada? Alguém sem o mínimo de importância?
— Não Sasuke, não é nada disso. — gritei. — Você sabe que não é assim. Eu fiquei com medo, porra! Pensei que você reagiria de outra forma, não queria te magoar ou decepcionar.
— Pois foi exatamente o que você conseguiu. Você me magoou, decepcionou e machucou profundamente. — as lágrimas que antes marejavam seus olhos, agora descem freneticamente por suas bochechas.
— Sasuke, me perdoa, por favor. — tento me aproximar e pôr as mãos em seu rosto, mas ele me afasta.
— Eu estou com raiva e muito puto, a última coisa que eu quero agora é te perdoar. — vejo Sasuke pegar seu celular, carteira e a chave do carro em cima da mesinha de centro.
— Sasuke aonde você vai?
— Quando a gente briga e você fica chateada comigo, você não gosta de tirar um tempo só para você? Pensar e refletir? — assinto a contragosto. — Pois então, farei o mesmo. Acho que dissemos coisas o suficiente por hoje. Preciso de um tempo pra mim e acho que tenho esse direito.
— Mas pra onde você vai? — indago. Sasuke já está de costas para mim segurando a maçaneta da porta.
— Não sei. — ele diz baixo ainda de costas. — Não me espere hoje, não vou dormir em casa. — e por fim, ele sai. Sem olhar pra trás e sem saber que leva parte de mim com ele.
Tento me manter forte, mas é inevitável. Me sinto pequena e fraca, e quando vejo já estou deitada no sofá em posição fetal.
Minha cabeça explode depois de tanto chorar. Ainda assim, só agora eu vejo o quanto eu fui egoísta por achar que Sasuke fosse agir de tal maneira, como achei que fosse.
Ele não é mais aquele menino que um dia namorei na adolescência. Ele é um homem feito, maduro e tem toda razão de sentir magoado e machucado. Contudo, isso não afasta a minha preocupação que eu sinto por ele, agora. Apesar de tudo, quando Sasuke sente raiva seu lado emocional explode e ele acaba fazendo coisas que se arrepende depois.
Chego a conclusão de que chorar e ficar me lamentando não irá mudar porra nenhuma. E se ele quer um tempo, então terá o tempo que precisar. Tomo um remédio para a dor de cabeça e arrumo a cozinha, conferindo o celular a cada dois minutos durante o processo. Nem sinal de Sasuke.
Roo as unhas que tanto tomei cuidado e nem sinal de Sasuke, ainda. Mesmo que não passe das dez da noite, fico preocupada. Ligo pra Ino, numa tentativa frustrada de colo e alento, mas ganhei um belo “eu te avisei”. Odeio esse tipo de gente quando não sou eu esse tipo de gente.
Quando a dor de cabeça deu uma aliviada tentei ler alguma coisa, mas não conseguia me concentrar. Queria ligar pra Mikoto para saber se ela sabia algo de Sasuke, contudo não queria a deixar preocupada. Já bastava uma só neste estado.
Tentei falar com Itachi, mas ele não atendeu as minhas ligações e nem respondeu as minhas mensagens no whatsapp. Fui nas redes socias dos nossos amigos em comum e nada dele também. No fim, me restava apenas confiar em Sasuke. Se é tempo que ele quer, tempo é o que ele vai ter.
Fui para o nosso quarto e o sono demorou a chegar. Só vindo, de fato, quando abracei o travesseiro de Sasuke e o cheiro dele invadiu minhas narinas. Só assim relaxei um pouco, mas acordei várias às vezes durante a noite e desisti quando o telefone tocou.
— Até que enfim, Itachi! — atendi desesperada. — Sasuke está com você?
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