Daylight

30 Emergência do amor ou quase isso!


Notas iniciais
Apareceu a margarida ahahahahahhahaha... Olá moranguinhos e tomatinhos do meu coração! Demorei não foi? Pois é, mas agora estou aqui. O capítulo de hoje é narrado por Sasuke. Vocês já notaram que os capítulos narrado por ele demoram mais pra sair? É um fato inegável e tem uma explicação pra isso. Os capítulos narrado por Sasuke tem uma carga emocional muito maior e às vezes eu fico na bad por causa dele. É comum o autor se envolver tanto com o personagem e misturar as coisas. Por isso fiz esse capítulo na mais perfeita paciência e tá enorme. Porque quantidade sem qualidade não vale a pena ;) Eu gostaria de agradecer aos comentários do capítulo anterior, os acompanhamentos, os favoritos e principalmente o carinho que vocês tem por mim. Vocês são lindxs e maravilhosxs. Obrigada, obrigada e obrigada. No mais, uma excelente leitura. ***Leiam as notas finais***

Nem vi você chegar
Foi como ser feliz de novo
Nem vi você chegar
Foi como ser feliz

(Ensaio sobre ela — Cícero)

Por Sasuke


Faziam exatamente dois dias que Sakura e eu tínhamos saído. Não sei o que me deu ou que coragem repentina foi aquela de convidá-la pra um encontro. Há muito tempo que eu não tinha esses ataques de adrenalina. Efeito Sakura.

Eu sinto uma necessidade imensa de conversar com ela e colocar os pingos nos i's. Eu repito pra mim mesmo diversas que a gente vai conversar, mas eu não consigo. Simplesmente trava.

No nosso último encontro eu percebi que ela tentou sondar algumas coisas, nós dois acabamos falando algumas coisas. Confesso que dei um pequeno ataque de ciúme quando ela falou das músicas "transantes". Confesso também que ouvi a mesma música que tocou no carro algumas vezes, acabei sonhando com Sakura e acordei todo gozado.

Claro que não comentei nada com ela por motivos óbvios. Nesses dois dias apenas conversamos por mensagens, mas eu já sinto uma vontade imensa de sair com ela de novo e foi por isso que marcamos um encontro hoje à noite, vamos andar de bicicleta no jardim do Centro Comunitário de Konoha. Eu tô parecendo um adolescente que inventa qualquer motivo pra encontrar a menina que tá afim. No dia seguinte a nossa saída eu já comprei o quebra-cabeça que prometi a Yagura, de mil peças, espero que ele goste e Sakura também porque ela ainda não sabe que eu comprei, assim que eu tiver um tempo vou levar o presente.

A pior parte disso tudo é aguentar Itachi torrando a minha paciência. Ele acabou vendo nós dois sentados na praça do centro de Konoha, próximo ao restaurante que estávamos. Itachi é como Naruto, ou seja, tudo menos discreto. Por alguma obra do divino ele não foi falar com a gente lá, mas fez questão de me esperar chegar em casa, ou melhor no meu quarto.

Deixei Sakura em casa e quando cheguei na minha estava tudo quieto e todas as luzes apagadas. Meus pais sabiam que eu iria sair, não entrei em detalhes pra onde fui e com quem, embora suspeite que meu pai saiba.

Entrei em casa evitando de fazer qualquer barulho porque parece que nessa hora todo mundo tem sono leve e até uma pena caindo no chão faz o maior barulho do mundo.

Usei o celular pra iluminar minimamente e porque eu mandaria mensagem a Sakura pra avisar que cheguei, ela tinha me pedido e eu não vi nada demais nisso. Se fosse o contrário eu também ficaria preocupado.

Cheguei na porta do meu quarto e abri a mesma na maior calmaria do mundo. Mas quando acendi a luz dou de cara com Itachi apenas de samba — canção sentado na poltrona do meu quarto. Tomei um puta susto, primeiro pela visão do inferno e segundo pela ousadia desse ser.

— Caralho Itachi!! — ralhei. — Você quer me matar do coração? Ou melhor, que porra você tá fazendo no meu quarto uma hora dessas?

— Eu que te pergunto irmãozinho tolo. Isso são horas de você chegar em casa, em pleno dia de semana? — bufei diante das palavras dele. — Estou falando sério, Sasuke.

Itachi, na boa. — me segurei falar baixo. — Eu sou bem grandinho pra chegar a hora que eu quiser. Como você já encomendou seu filho você espera ele nascer e crescer pra puxar a orelha dele. — do nada Itachi começou a gargalhar e eu fiquei sem entender nada. Meu irmão ficou mais vermelho que tomate e não conseguia parar de rir. É mesmo um idiota, porque a graça eu tava procurando e nada de achar. — Você pode me dizer por que você tá rindo, Itachi?! Eu sabia que você era idiota, mas não sabia que seu grau estava tão avançado.

Sasuke... — puxava o ar com dificuldade. — Você precisava ver sua cara de bravo. Puta que pariu!!!! — e tome mais gargalhada. É mesmo um imbecil de marca maior.

Itachi, já que você apenas quer rir, ria fora do meu quarto. cansando e preciso acordar ainda hoje pra trabalhar. Você pode me dá licença?

— Calma, Sasuke. Meu Deus, nem parece que foi se encontrar com a rosinha. — gelei. Não tinha contado pra ninguém do meu encontro com ela, não quero ninguém metendo o bedelho onde não é chamado. Já bastou o casamento de Naruto e Hinata.

— Como você sabe do meu encontro com Sakura?!

— Eu vi vocês dois saindo do restaurante e indo sentar no banco da praça depois de comprar dangos.

— Você tá me seguindo, Itachi?! — era só o que me faltava.

— Eu tenho mais o que fazer, Sasuke. — bufou. — Izumi me inventou um desejo repentino e me pediu pra comprar rámen. Me obrigou na verdade. Assim que cheguei no Ichiraku vi vocês dois saindo do Yakiniku Q. Estavam tão bonitinhos, você segurando a bolsa dela pra ela comer os dangos, sua cara de idiota. — bufei em resposta.

— Fica na sua, Itachi. Não conta pra ninguém, não quero ninguém se metendo nisso.

Relaxa, que eu não conto. Mas agora que eu vi, quero saber dos detalhes.

— Que detalhes, Itachi? — falei cansado.

— Do encontro, Sasuke. — revirou os olhos. — Não se faça de desentendido. Não pude espiar muita coisa quando minha mulher estava com desejo descomunal dizendo que se não comesse rámen nosso filho ia nascer com cara de rámen. Eu pirei. — Só o lerdo do meu irmão pra cair numa dessa.

— Só você pra acreditar que meu sobrinho ia nascer com cara de rámen.

— Nunca se sabe. Na pior das hipóteses é melhor não contestar, mas não fuja do assunto me fala da saída com a rosinha.

— Tudo bem. — admiti derrotado. — Você sabe que levei o papai no medico hoje, ou melhor ontem. — ele assentiu concordando. — Bom, acabei indo visitar a Sakura. — Itachi esboçou um sorriso malicioso e eu apenas revirei os olhos. — Conversamos e de última hora eu decidi chamá-la pra um encontro. Saímos, falamos um pouco sobre esses nove anos, nos entupimos de besteira, depois ela queria comer dango e de lá fomos naquele rochedo perto da universidade. Fomos observar as estrelas.

— Nossa, que piegas Sasuke!

— Eu sei que parece piegas, mas ela ficou tão feliz. — sorri com a lembrança. — Eu não tinha pensando em muita coisa pra essa noite. Com Sakura, planejar nunca deu muito certo, as coisas simplesmente acontecem. Ela falou do céu estrelado e o rochedo veio na minha mente na hora. Segui meus instintos e deu certo.

— E o que mais?

— Mais o que?

— Pelo amor de Deus, Sasuke. Você leva Saky no rochedo e só fica vendo estrela?! Me poupe. Quero detalhes.

— Você parece um velho fofoqueiro. — ele bufou e revirou os olhos. Ele não ia sair do meu quarto se eu não contasse. — A gente se beijou... Na verdade eu tomei a iniciativa do beijo e não sei até que ponto isso é bom.

— E por que não seria bom, Sasuke? Vocês se amam...

— Eu sinto que ainda não consigo perdoar Sakura. Nem consigo conversar com ela tão francamente desses nove anos e expor tudo que eu senti, falar sobre minha dor. — me sentei na cama. — Não sei até que ponto isso é justo com ela e comigo.

— Posso te falar minha opinião? — apenas assenti. — Pra mim, você já perdoou Sakura, mas não quer admitir isso pra você. Além de remoer esse abandono você se apegou a essa dor. Sasuke, a Sakura está de volta. Você precisa deixar tudo isso ir embora, todas essas coisas ruins que se agarrou ao longo desses anos. Talvez o que mais te assuste maisseja o fato de que você perdoou Sakura assim que pôs os seus olhos nela e isso te abalou. Ainda no meio desse turbilhão todo você queria confrontá—la por ter te abandonado. Mas agora você simplesmente se cala. — suspirou. — Sakura sabe que você tá magoado, mas você precisa dizer isso a ela pra poder seguir de uma vez. Os tempos são outros, Sasuke. Vocês não tem mais dezessete anos, já se passaram nove e cada dia é mais um dia.

— Eu sei... — confirmei cabisbaixo.

— Eu sei que você sabe, mas você precisa agir. Até porque Sakura daqui a pouco volta pra Tóquio! — meu irmão não sabia que ela voltaria a morar aqui e ela me pediu segredo. Como esta mantido.- E se permita sentir. Beijar a Sakura não é crime, vocês são adultos e quererem isso que mal tem?! Beijar a rosinha hoje não quer dizer que vaicasar com ela amanhã. — bocejou. — Bom, agora eu também preciso dormir. Boa noite, irmãozinho tolo. — Itachi levantou e se aproximou tocando minha testa. — Te amo e estou contigo pro que precisar.

— Obrigado, Itachi. Também amo você.

— Meu Deus, Sasuke disse que me ama?! — fez graça. — Preciso anotar no diário.

Baka. — ralhei e mostrei o dedo do meio.

— Quanto carinho. — fingiu indignação. — Boa noite, Sasuke.

— Boa noite, irmão.

Desde então a conversa com Itachi ficou ecoando na minha cabeça. Eu gostaria de organizar o que estava sentindo e pensando, mas quando eu via já estava mandando uma mensagem pra Sakura ou fazendo um convite pra sair.

O único lugar em que eu não pensava em Sakura era no trabalho. Claro que eu preciso me concentrar pra que isso não aconteça. Fora que essa semana o que não faltava era trabalho. Juugo teve que viajar pra Tóquio pra um congresso de novas tecnologias. Ele foi o funcionário sorteado da vez. Então, apenas eu e Suigetsu ficamos colocando ordem no setor.

Os novos estagiários são maravilhosos, mas a menina, Konan o nome dela, fica lançando olhares pra mim. Nem comecei a lecionar e a praga de Sakura já começou mais cedo. Yahiko, o outro estagiário, é muito dedicado, assim como Konan. Ele já é um pouco mais tímido e pelo que vejo é caidinho pela colega de estágio e faculdade.

— Sasuke?! — me chamou Suigetsu. — Vamos almoçar?! Tô azul de fome

— Azul estão as pontas do seu cabelo. — Suigetsu teve a brilhante ideia de pintar a ponta dos cabelos. Disse ele que queria mudar o visual. O cara já tem cabelo branco e olho roxo, acho ele exótico o suficiente. — Só mais cinco minutos.

— Isso tudo é inveja. Meus cabelos estão lindos.

— Se você diz. — dei de ombros.

— Tenho que esperar mesmo cinco minutos? — indagou sofrido.

— É rápido, Suigetsu. Ainda vai dar tempo de pegar o refeitório vazio.

— Tá. — bufou. — Cinco minutos.

Não respondi e voltei ao meu relatório. Acabei finalizando antes pra alegria do meu amigo e colega de trabalho.

Na hora do almoço acabamos topando com Anko. Como sempre, ela não tava com uma cara muito boa. Paciência, não posso fazer nada.

Depois do almoço Suigetsu e eu voltamos pra sala e agora estávamos apreciando o nosso merecido café. Era um ritual diário e até no tempo em que morei nos Estados Unidos, eu mantive.

— Uma das máquinas deu problema. — bufou Suigetsu. — Vou ter que dar uma olhada.

— Ainda não viram isso? — perguntei assim que acabei meu café.

— Parece que fizeram uma gambiarra e deu uma merda muito maior. Aí sobra pro Sui aqui.

— Somos pagos pra isso, meu caro amigo.

— Eu sei que somos, mas custa resolver o problema da forma correta?! — suspirou pesadamente. — Se essa merda chega aos ouvidos de Orochimaru ou do Kabuto sobra pra gente.

— Nisso eu tenho que concordar com você.

— Até que enfim você me deu algum crédito. — nessa hora meu celular apitou e era uma mensagem de Sakura perguntado se nosso passeio de bicicletas estava ok. Quando eu vi que a mensagem era dela acabei me empolgando e não pude deixar de sorrir. Respondi na mesma hora. — Uma mensagem e o todo poderoso Uchiha Sasuke sorri. — parece que não passou desapercebido por meu amigo. — Quem é a gata poderosa? Porque eu nunca vi você tão empolgado desse jeito pra responder uma mensagem.

— A mesma de sempre. — confessei. Suigetsu sabia da minha história com Sakura, mas eu ainda não tinha contado os últimos acontecimentos desde o casamento de Naruto. — Aconteceram algumas coisas.

— Não era ela que você não queria ver nem pintada de ouro?! — meu sorriso morreu. — Me desculpa, Sasuke. Mas aquele seu desabafo bêbado no primeiro ano da faculdade ficou marcado pra sempre na minha memória. Pensei que você tinha esquecido a sua namorada de cabelos róseos.

Eu sabia exatamente do que ele falava. Esse fato aconteceu no último dia de aula do primeiro semestre. Suigetsu, Juugo e eu apesar de sermos formados em áreas de engenharias diferentes pegamos muitas matérias juntas. Nós três éramos os isolados e nos trabalhos em grupo a gente sobrava, com isso acabávamos fazendo os trabalhos juntos. Nos aproximamos e ficamos amigos.

No último dia de aula do primeiro semestre resolvemos comemorar porque passamos com folga e também por conta das férias. Fomos no bar que fica perto do campus da universidade e nos entupimos de cerveja. Eu já tinha provado cerveja e não gostava muito do sabor. Mas em bares universitários é uma bebida muito comum e queríamos algo mais forte que sakê. Péssima ideia.

Bebemos o que podíamos e o que não podíamos. Cada um contou sua história de vida e como chegamos até ali. Tirando a língua um pouco embolada e a falta de coordenação motora foi tudo muito "tranquilo".

Eu não conheci meus pais – começou Juugo. — Meu pai abandonou minha mãe quando ela ainda estava grávida e minha mãe morreu ao me dar a luz. Fui criado por minha vó materna... Ela foi minha família por 19 anos. Como faltava pouco tempo pra atingir a maioridade*, fui emancipado. — suspirou. – Nunca pensei em fazer faculdade nem nada do tipo, mas minha avó sempre quis que eu estudasse. Por ela eu decidi estudar, sempre fui bom nas matérias de exatas e trabalhava na companhia que fornecia energia elétrica a cidade de Oto. Como Oto é uma cidade pequena a universidade de lá não tinha o curso que eu queria. Procurei e vi que a Universidade de Konoha é referência em engenharia. Foi ai que resolvi me mudar. Não tinha nada que me prendesse a Oto. Pelo pouco que conheço, já estou amando a cidade. E fora que eu fiz grandes amigos por aqui.— ele olhou pra nós dois e sorriu.

— Isso merece um brinde. – anunciou Suigetsu. – Vamos brindar?!

— Vamos. – eu e Juugo respondemos juntos.

— Um brinde ao recomeço de Juugo. falei, nós três levantamos nossas canecas com cerveja e depois tomamos todo conteúdo contido nelas. – Agora é sua vez Suigetsu de contar a sua história.

Só se você contar a sua depois. – rebateu meu amigo cabeça branca.

— Pode deixar. — disse dando de ombros. Não tem nada de especial nela.

— Então é igual a minha. – pigarreou Suigetsu. – Bom, como vocês sabem eu vim de Kiri, mas minha família sempre foi meio nômade. Já moramos em diversos lugares, mas eu nunca gostei muito disso. Já cheguei a estudar em três escolas num mesmo ano. Nunca consegui manter um laço de amizade intacto. Meu irmão mais velho Mangetsu, diferente de mim, sempre gostou desse estilo de vida. Antes de me mudar pra Konoha, por incrível que pareça, meus pais e eu estávamos há um ano e meio morando em Kiri, mas meus velhos já estavam surtando. Meu irmão estava fazendo um tour pela Europa e acabou se apaixonando por uma havaiana que é mochileira como ele. Foi amor à primeira vista e ele resolveu morar no Havaí com ela.

— Puta que pariu. Muita loucura isso aí. – interrompeu Juugo.

— Sim, muito louco. – concordou Suigetsu. – Mas ainda tem mais. – antes de recomeçar a sua história Suigetsu pediu mais três canecas de cervejas e o garçom não demorou emtrazê-las. – Onde que eu estava mesmo?

— Na parte que seu irmão foi pra o Havaí com a menina que ele conheceu no tour pela Europa. – respondi.

— Ah, lembrei.— tomou um gole de cerveja. – Voltando. Depois que meu irmão decidiu morar no Havaí meus pais juntaram a fome com a vontade de comer. Meu ano letivo estava perto do fim, então eles decidiram que viajaríamos pra visitar Mangetsu assim que minhas aulas acabassem. Foi a primeira vez que briguei com meus pais de uma forma tão agressiva. Fiquei puto porque eles não estavam nem aí pra meu futuro. Eu sempre quis fazer faculdade e me firmar em algum lugar, bem diferente deles. Apesar da briga calorosa eles entenderam o meu lado e me apoiaram nas minhas decisões. Assim com Juugo, escolhi a universidade de Konoha pela excelência em Engenharia. Fui com meus pais visitar meu irmão e voltei pouco antes de começarem as aulas. Meus pais se entregaram de vez a essa vida de transeunte, meu irmão e eu nos fincamos em terra firme cada qual em seu território, e agora aqui estou.— levantou sua caneca e fizemos o mesmo. Estou adorando a cidade, meus amigos e as mulheres daqui. – nós três caímos na gargalhada. Se não falasse em mulher não era Suigetsu. – Agora é sua vez, Sasuke.

Senti o gosto amargo da decepção e tristeza me assolar. Desde que Sakura foi embora eu tentava não demonstrar um pingo que fosse de tristeza. Evitava chorar na frente de alguém, mas nem sempre era tão fácil. Minha mãe, Itachi e Naruto foram as pessoas que mais viram esse tipo de cena. Eles tentavam conversar sobre e eu simplesmente afastava qualquer possibilidade disso.

Mas naquele momento eu senti a necessidade de falar. Por mais que eu não conhecesse Suigetsu e Juugo há muito tempo, eu sentia que podia confiar neles. Tirando o fato que eu sentia que explodiria a qualquer momento caso não falasse sobre isso.

— Como vocês sabem eu sou daqui mesmo de Konoha. — comecei e eles assentiram. — Minha família é um tanto tradicional. Minha mãe deixou de trabalhar pra cuidar de mim e do meu irmão, que se formou em engenharia civil como meu pai. Minha família tem uma construtora que foi fundada por meu avô Indra. Meu pai queria que eu seguisse a mesma carreira que ele, mas como vocês podem ver eu não fiz o que ele queria. Foi uma loucura, ele ficou um tempo sem falar comigo. Me mantive firme até que ele não tinha outra opção a não ser aceitar. — tomei um gole de cerveja e continuei. — A coisa mais louca que eu fiz na vida foi me apaixonar pela minha melhor amiga. — falei sentindo meu coração apertar. Não tinha como fugir mais.

— Deu merda pelo visto... Se apaixonar por amiga sempre dá merda. — concluiu Suigetsu. — Mesmo não tendo amigas eu conheço essa verdade universal.

— Nisso, eu concordo com Suigetsu. — disse Juugo.

— Deu merda e merda grande, mas nem sempre foi assim. — suspirei. -Sakura e eu nos conhecemos ainda crianças, nossas mães eram amigas e éramos colegas de sala. Ela é a menina mais linda que eu já vi na vida, seus olhos verdes e cabelos róseos são suas características mais marcantes e mais bonitas. Ela é tão única que seus cabelos são naturais, até hoje ninguém descobriu como isso é possível.

— Espera... cabelo rosa? — Indagou Suigetsu. — Quem nasce com cabelo rosa?

— Mano, você nasceu com cabelo branco. — rebateu Juugo.

— Mas no meu caso é uma disfunção genética. Meu cabelo não tem um pingo de melanina... é como se fosse vitiligo, só que no cabelo.

—O caso dela também deve ser uma disfunção genética, só que nela ficou lindo. — falei e Suigetsu inflou as bochechas pra mim.

— Cara, você tá na merda. — disse Juugo. — Tá na sua cara que você ainda gosta dela. Chega o olho brilha e só falta a baba escorrer.

— Eu sei... — confirmei à conta gosto. — Não se esquece um amor assim... tão rápido. Eu não consigo ser como ela.

— Mas o que foi que ela te fez? — indagou o ruivo.

—Ela foi embora... — eles se entreolharam confusos e depois olharam pra mim. Tomei mais um gole da cerveja, que já não estava tão gelada. — Apesar do nosso namoro ser uma loucura a gente sempre se amou muito. — tomei mais um gole de cerveja. Na boa nem eu sei porque insistia naquilo. Essa merda tá horrível de tão quente. — Sakura desde muito nova sempre soube que queria ser médica, mas ela nunca quis estudar aqui em Konoha. Seu sonho era se formar na Universidade de Tóquio. A melhor universidade de medicina do Japão.. Acontece que no nosso último ano do colegial sua mãe ficou doente. A mãe de Sakura foi diagnosticada com câncer de colo do útero. — eles engoliram em seco. — Por um tempo, ela pareceu desistir da ideia de estudar lá. Ela queria ficar próxima da mãe e por isso nem falava mais em estudar fora de Konoha. — suspirei já que vinha a parte difícil. — A possibilidade de cura da tia Mebuki, mãe de Sakura, era alta. O tumor era pequeno e todos estavam muito confiantes. Mas o pior aconteceu, ela não correspondia ao tratamento e a doença foi avançando rapidamente. Sakura sempre foi muito apegada com a mãe e aquilo foi muito devastador pra ela também. Tia Mebuki faleceu em dezembro do ano passado, pouco tempo depois do término do nosso colegial. Sakura ficou desolada e eu fiquei ainda mais preocupado com ela. De repente ir pra Tóquio voltou com tudo e ela foi.

— Como assim ela foi? — indagou Juugo.

— No início desse ano ela conversou comigo dizendo que iria pra lá estudar e queria que eu fosse junto com ela. Acontece que eu nunca tive pretensão pra sair de Konoha, fora que Sakura estava de cabeça quente ainda abalada pela morte da mãe. — suspirei. No fimnos desentendemos. Foi horrível, acabamos dizendo coisas que não deveriam ser ditas e ela acabou terminando comigo. Tudo pelo impulso e orgulho. No dia seguinte eu fui até sua casa e foi aí que eu descobri que tudo pode piorar.

— Meu Deus Sasuke, quanto mistério. — reclamou Suigetsu. — Conta logo essa bendita história.

— Quando eu cheguei na casa de Sakura dei de cara com o pai dela, Kizashi. Ele estava bem abatido e eu ainda achava que era por conta da perda da esposa. Mas não foi... — cada vez que eu me aproximava da verdade eu sentia meu peito doer, mas agora que eu já tinha começado não podia parar. — Sakura tinha ido embora sem falar nada com ninguém. Terminou comigo no dia anterior e fugiu na madrugada seguinte deixando apenas uma carta pra seu pai. Desde então, ela está em Tóquio e não manda absolutamente nenhuma noticia pra ninguém. Nem pra seu pai ou seus amigos.

— E pra você, ela mandou alguma notícia? — indagou Juugo.

—Não. — respondi de forma fria. — Eu cortei todo e qualquer vínculo que me ligue a Sakura. Não quero saber dela ou nada que venha dela. A opção de ir embora foi dela, então que arque com as consequências dos seus atos.

— Mas Sasuke... — começou Juugo, mas eu o interrompi.

— Mas nada Juugo!!! — bradei e ele se encolheu na cadeira. — Ela foi embora porque quis, Escolheu abandonar a todos e foi embora como uma fugitiva. Pra piorar nunca mais ela deu notícias. Eu sofri demais... a gente tinha planos e ela simplesmente jogou tudo pra cima. Não sé importou com ninguém.

Ela perdeu a mãe, cara. – rebateu Juugo. – Imagina o que ela não deve está passando.

— Ela perdeu a mãe e fez questão de perder todas as outras pessoas próximas a ela. – falei tentando conter a fúria. – Todo mundo pede pra que eu veja o lado de Sakura, mas ninguém consegue ver o meu.

Juugo tentou falar algo, mas Suigetsu foi mais rápido.

Juugo, eu tenho que concordar com Sasuke. Ela escolheu ir embora, ele não tem que entender o lado dela ou seus motivos. A escolha foi absolutamente dela

— Não quero ver Sakura nem pintada de ouro.— bradei. – Ela tomou a decisão dela, pois que fique sozinha como ela escolheu.

— A gente só entende a dor do outro quando passa por ela. — sussurrou Juugo, mas eu fingi que não ouvi. Ainda estava magoado com tudo aquilo.

— Vamos fazer uma loucura? — falei na tentativa de mudar de assunto. Notei que Juugo fez um sinal de negação com a cabeça, mas não me disse nada. Resolvi não me importar.

— Que tipo de loucura, Sasuke? — indagou Suigetsu afoito.

— Vamos fazer uma tatuagem...

Alôôôôô... Terra chamando Sasuke – me chamou Suigetsu. Só agora eu tinha me tocado que estava em outro planeta. — Meu Deus Sasuke, você tava com a cabeça aonde? Essa mulher realmente tem um poder sobre você. Tô te chamando tem cinco minutos.

— Eu estava com o pensamento longe mesmo... lembrei de algumas coisas.

— Com certeza tem dedo da Sakura nisso, acredito que não só o dedo.

— Vê se me erra, Suigetsu. – bradei.

— Qual foi Uchiha estressadinho?! – se fingiu de desentendido. – Não pode nem falar nela que você se transforma. – bufei em resposta. – Eu não quero seu mal, Sasuke. Mas eu acompanhei muitos porres seus por causa dela... torço por você e como seu amigo quero seu melhor. Se você tá feliz com ela, eu apoio.

— Cara, você tá colocando o carro na frente dos bois. – suspirei afim de manter a calma. – Sakura e eu não estamos juntos. Ela voltou pra Konoha e a gente tá saindo, conversando... essas coisas. Eu sei do passado e como sei, mas não precisa ficar assim.

— Fico tranquilo porque você é um cara ajuizado e sabe o que faz. – disse irônico.

— Obrigado pela parte que me toca.

— Não há de quê. – se levantou e foi em direção a porta. – Agora eu preciso cuidar da bendita maáquina. E você vê se larga esse celular e vai trabalhar.

— Vai se foder, vovô blue. – mostrei os dedos do meio e ele apenas riu saindo da sala.

Sakura mandou mais uma mensagem dizendo que esperava ansiosamente para o nosso encontro de mais tarde. Ela não vai facilitar as coisas pra mim pelo jeito... melhor trabalhar.

Passei a analisar alguns relatórios, estudei projetos de novos automóveis e passei a organizar um recall do mesmo modelo de carro que acompanhei em Tóquio, mas dessa vez será em Suna. Farei o máximo pra que Orochimaru mande Anko e ela melhore aquela carranca. Parece que chupa limão no café da manhã.

Me ative ao trabalho que nem notei o tempo passar até que Naruto me ligou.

— Você não trabalha não?! – já atendi perguntando.

— Nossa Sasuke, quanto amor. – ironizou Naruto que por um milagre falava num tom de voz calmo. Será o Apocalipse. – Boa tarde, como que você está?

— Estou ótimo, mas então o que você quer?!

— Uma patada pior que a outra. Os cavalos estão perdendo em coice pra você, mas eu sei que tudo isso é amor reprimido.

— Tem gente que acredita em tudo, mas da pra você parar de enrolar?! – é sempre tão bom sacanear Naruto.

— Tá bom. – bufou. – O que você vai fazer nesse final de semana?

— Sem planos, por quê?

— Uma parte dos nossos amigos vai viajar pra Suna. Vamos dar uma força pra Gaara e aproveitar um pouco da praia.

— É até uma boa ideia, mas será cansativo.

— Que cansativo, Sasuke? – bradou Naruto. – Vamos sábado cedinho e voltamos domingo depois do almoço. Daqui pra Suna é tão rápido de carro, apenas duas horas de viagem. Bora teme! Isso também é pelo Gaara.

— Chantagem emocional comigo não cola, dobe. – ouvi ele bufar do outro lado da linha. – Posso saber de quem foi essa brilhante ideia?!

— Temari. – foi direto. – Ela tá preocupada com Gaara, disse que ele não quer sair, não se diverte, não come direito. Uma fossa total.

— Puta que pariu.

— Exatamente... Puta que pariu. Vamos Sasuke... vai ser legal.

— Tudo bem, você venceu. Eu vou.

— Aêê teme. Finalmente uma decisão que preste e eu nem precisei apelar pra Sakura-chan de biquíni. – ele riu e eu revirei os olhos. – Esse era meu último recurso.

— Ela vai? – perguntei um pouco empolgado demais. — Quem vai mais? — tentei disfarçar

— Vai sim. – suspirou. – Hinata, eu, Tema, Shika, Ino, Sai, Karin, Sakura-chan e agora você.

— E o restante do pessoal?

— Kiba vai comandar uma feira de adoção no Pet Shop dele, Shino ficou de ajudá-lo e Lee também. Chouji e Karui irão viajar pra cidade dela, Neji e Tenten vão ajudar Itachi e Izumi com relação ao casamento. Portanto só vai a gente.

— Entendi e como iremos? Cada um com seu carro?

— Hinatinha teve a brilhante de ideia de dividir meninos e meninas. Dois carros serão suficientes, as garotas vão em um e os rapazes em outro.

— Melhor mesmo. Mas eu dirijo.

— Por que isso, Teme?!

— Porque você é um péssimo motorista, Shikamaru pode pegar no sono e Sai não comanda nem a vida dele que dirá um carro.

— Tudo bem teme, você dirige. Agora eu preciso trabalhar, depois acertamos os detalhes finais.

— Tá certo, dobe. Tchau.

— Tchau, teme. – e desligou.

Até que essa viagem veio bem a calhar, eu estava mesmo precisando descansar. E quem não gosta de relaxar olhando o mar, não é mesmo? Tudo bem que essa viagem terá casais demais pra meu gosto, mas como tiveram a ideia em cima da hora o restante do pessoal já tinha se programado em fazer outra coisa.

Além disso ainda tinha o Gaara, eu estou realmente preocupado. Eu sei exatamente pelo que ele estava passando. Ele e Matsuri começaram a namorar pouco tempo depois que Sakura e eu. Se casaram muito cedo, ainda na faculdade com 20 anos. Eu lembro que fiquei esperando Sakura aparecer a qualquer momento naquele casamento, mas não foi bem assim. Bom... eu só descobrirei o verdadeiro estado de Gaara chegando lá.

Voltei minha atenção aos relatórios, estavam praticamente todos finalizados. Quando dei conta do horário estranhei a demora de Suigetsu, ele nunca foi de demorar pra consertar uma máquina. A gambiarra que fizeram deve ter sido bem feia.

Tomei mais um café e voltei ao trabalho, mas fui impedido pelo telefone que começou a tocar. Tudo o que eu queria agora, sintam a ironia. Chega dá uma raiva quando você tá concentrado em algo e vem alguém ou algo perturbar seu juízo.

— Alô?! — atendi meio irritado.

— Sasuke-senpai — disse uma voz desconhecida um tanto afoita. — Quem fala é o Namiashi do setor de manutenção.

— Aconteceu alguma coisa Namiashi?

— Aconteceu sim, Sasuke-senpai. Suigetsu-senpai acabou se acidentado com uma ferramenta enquanto consertava a maquina. Ele cortou o braço e tem que ir pra a um hospital, pois irá precisar de pontos. – Suspirou. – Mas ele está sem seus documentos, será que o senhor poderia trazê-los para que possamos levá-lo ao medico?

— Claro que sim. – disse já me levantando e arrumando minhas coisas. – Pode deixar que eu mesmo o levo ao médico.

— Estamos aguardando, Sasuke-senpai. — disse por fim e coloquei o telefone no gancho.

Peguei minha mochila e a de Suigetsu. Fui na velocidade da luz até o setor de manutenção e vi meu amigo sentando numa cadeira com um pano enrolado no seu antebraço. Esse mesmo pano que outrora deveria ser branco estava completamente vermelho. Parecia grave.

— Suigetsu!!!. – chamei assim que entrei na sala e meu amigo me encarou. – Vamos, já estou com suas coisas. Eu te levarei ao hospital.

— Tudo bem. – disse se levantando. Ofereci ajuda, mas ele recusou. – Sasuke, foi apenas um corte e não uma perna quebrada.

— Eu tô preocupado com você, porra! – bufei. – Esse pano tá encharcado. – disse quando saímos da sala.

— Relaxe... O corte não foi profundo, mas sangue sempre assusta.

— Tá doendo muito?

— Arde e lateja um pouco, mas dá pra aguentar.

— Tudo bem... Vamos chegar o mais rápido possível ao hospital.

Não dissemos mais nada um pro outro e começamos a andar mais rápido. Em pouco tempo já estávamos no caminho pra o hospital. Como a fábrica é afastada da cidade eu tive que pisar fundo no acelerador.

Com vinte minutos chegamos a emergência hospitalar... Como o caso era realmente urgente não ficamos esperando. Pegaram apenas os dados de Suigetsu e nos mandaram pra uma sala na qual estávamos esperando um médico chegar.

— Boa tarde. – anunciou uma voz que eu conhecia muito bem, assim que entrou na sala. – Desculpa o atraso. – a dona da voz me encarou. – Sasuke?! Foi você que se machucou?

— Oi Sakura. – falei surpreso. Ela é pediatra e eu não entendi porque ela estava atendendo numa emergência pra adulto. – Não. Quem se machucou foi meu amigo e colega de trabalho, Suigetsu. – cheguei um pouco pro lado e ela notou meu amigo sentado na cadeira em frente a mesa. – Por que você não está numa emergência pediátrica?

— Porque não tem nenhuma criança lá pra atender e eu não tenho nenhum paciente marcado, mas em compensação aqui tá cheio de trabalho e eu resolvi ajudar. – explicou. – Como o caso é simples não tem problema algum.

— Entendi. – disse dando de ombros e ouvi Suigetsu pigarrear.

— Sem querer incomodar os dois, mas já incomodando tem alguém aqui nessa sala que precisa ser costurado pra parar de sangrar. – reclamou meu amigo.

— Oh... – disse Sakura colocando as mãos na boca. – Desculpe a minha a falta de educação. – sempre cordial. – Me chamo Haruno Sakura e sou a médica que irá costurar eu braço. – falou brincalhona. – Possa saber seu nome?

— Meu nome é Suigetsu, Houzuki Suigetsu. – respondeu meu amigo.

— Olá Suigetsu. – disse a rosada e logo depois deu um sorriso. – Soube que o senhor sofreu um corte no braço, mas antes de suturá-lo eu preciso te fazer umas perguntas de praxe, tudo bem? Prometo que não demoro, elas são necessárias.

— Tudo bem. – ele assentiu.

Sakura fez algumas perguntas a Suigetsu com relação a saúde dele. Alergia a algum medicamento, alguma doença crônica ou uso frequente de algum medicamento. Perguntou também como ocorreu o incidente e depois pediu pra que uma enfermeira levasse Suigetsu e eu até outra sala onde ela iria realizar o procedimento.

Meu amigo e eu estávamos em uma sala que mais parecia um local de realização de cirurgias. A enfermeira pediu pra que a gente a aguardasse.

— Sasuke?! – me chamou Suigetsu. – Essa médica, Dra. Sakura... É ela não é?

— É ela quem? — perguntei desentendido. Ele não podia ter sacado... Suigetsu era bem parecido com Naruto no aspecto lerdeza.

— Seu amor da adolescência. — suspirou. — Sua namorada que foi embora.

— É ela sim. – assenti a contra gosto. – Como você percebeu?

— Qual é Sasuke?! Sou lento, mas não sou burro. – bufou. – Ela se chama Sakura e tem os cabelos róseos. Seria muito tapado se eu não tivesse notado. – revirei os olhos como resposta. – Cara... ela é linda, agora eu entendi porque você tá assim todo abestalhado.

— Baka. – cerrei os olhos. – Ela é linda sim, mas não é só isso.

— Eu sei que não, mas quando você falava dela eu não conseguia imaginar alguém de cabelo rosa e olho verde... achava até estranho. Mas agora vendo a Sakura de perto, você é sortudo amigão.

— Obrigado... eu acho. – falei meio cabreiro.

— Calma, Sasuke. Mulher de amigo meu é homem.

Não tive chance de responder porque o furacão Sakura invadiu a sala que estávamos acompanhado do que parecia ser um enfermeiro. Passada a surpresa de encontrá-la, o que já estava ficando bastante frequente, notei como ela estava realmente linda. Usava aquela maldita saia branca que emperra o zíper, uma camisa azul marinho com um leve decote, um sapato de salto preto e seu jaleco.

— Voltei rapazes. — anunciou. — Esse aqui. — apontou pro rapaz que entrou junto com ela. — É o , enfermeiro Yamashiro. Ele que vai me ajudar a cuidar do seu ferimento, Suigetsu.

— Boa tarde. — disse Yamashiro.

— Boa tarde. — respondemos Suigetsu e eu ao mesmo tempo.

— Suigetsu – chamou Sakura. — Será que você poderia deitar naquela maca, por favor?

— Claro que sim. — respondeu indo em direção a maca. — Sakura-san vai doer muito? — perguntou meu amigo um tanto temeroso enquanto se ajeitava.

— Não vou mentir pra você — respondeu Sakura e vi Suigestu engolir em seco. — Primeiro eu preciso limpar o ferimento pra que eu possa ter noção do tamanho do corte e pra poder suturá-lo também. A parte da limpeza realmente não é agradável, mas a sutura você não irá sentir nada porque estará anestesiado o local.

Sakura prendeu o cabelo, que agora estava curto, e depois higienizou as mãos. Enquanto isso meu amigo resmungava um pouco durante o processo da limpeza do seu ferimento feito pelo enfermeiro. Logo, Sakura já estava com sua atenção voltada somente a ele.

— É... não está tão ruim. — disse ela. — Uns 10 pontos serão o suficiente.

— DEZ!!!!! — gritou Suigetsu. — E a senhora disse que não é nada grave?! — puta merda... ele chamou Sakura de senhora.

— Se me chamar de senhora mais uma vez serão 20 pontos e sem anestesia. — ameaçou a rosada e meu amigo arregalou seus olhos roxos. Não pude conter o riso e eu amigo revirar os olhos pra mim. — Pelo visto entendeu a mensagem.

— Me desculpe, Sakura-san. É que eu nunca levei pontos na minha vida e por isso meu receio.

— Eu entendo, Suigetsu, mas você precisar ficar calmo, ok? — disse Sakura de forma paciente. — Seu corte não foi tão profundo, então não precisa ficar preocupado.

— Tudo bem. — disse meu amigo por fim.

Sakura era extremamente profissional e cautelosa na execução do seu trabalho. Ela fazia tudo com muita maestria e quando eu vi já tinha acabado. Olhando assim nem estava tão feio o corte de Suigetsu. O enfermeiro fez um curativo e saiu da sala.

— Agora eu preciso que me acompanhem até a outra sala que atendi você anteriormente. Poderiam me acompanhar, por favor? — Sakura médica era mesmo um arraso nas minhas estruturas.

Suigestu e eu acompanhamos a rosada em silêncio. Assim que entramos na sala sentamos nas cadeiras em frente a mesa.

— Suigetsu, agora eu vou passar um medicamento pra você caso você venha a sentir dor no local. — disse Sakura com um sorriso. — Apesar de não ter sido grave você não poderá voltar ao trabalho até retirar os pontos.

— E eu tirarei os pontos com quantos dias? — perguntou meu amigo um tanto animado.

— No mínimo 14. — respondeu Sakura e ele deu um sorriso. — Mas nada de estripulia pra não infeccionar o local e nem prejudicar a cicatrização. Todo cuidado é pouco para os pontos não arrebentarem. Vá por mim... ponto rompido é uma dor terrível. — Suigetsu engoliu em seco. — Esse curativo pode ser tirado em 24 horas. É preciso que limpe bem a região, mas com cuidado. Muita gente usa a hora do banho pra fazer isso, use um sabonete de preferência neutro. Seque com cuidado e com uma toalha somente pra essa região ou utilize gaze. Vou passar um medicamento pra você usar nos pontos pra que a cicatrização ocorra de forma segura pra não infeccionar. — meu amigo assentiu. — Nos primeiros dias faça um curativo logo após a higienização e aplicação do produto. Utilize gaze e esparadrapo micropore que é o melhor que tem. Quando você notar que sua pele está se regenerando não precisa mais fazer curativo apenas higienizar o local e o passar o medicamento. — suspirou. — Você entendeu tudo direitinho ou quer que eu te explique novamente?

— Não precisa, eu entendi tudo. — respondeu meu amigo.

— Ótimo. Ah, antes que eu me esqueça... nada de comer coisas gordurosas porque pode prejudicar a cicatrização — disse Sakura e começou a digitar a receita e o atestado de Suigetsu.

De vez em quando ela me lançava olhares e sorrisos. Eu até tentava disfarçar, mas estava impossível. Ela podia me ler se quisesse. Mesmo em uma sala de hospital, com um amigo em atendimento eu estava completamente entregue. Mas o que me deixava mais feliz é que a gente ainda se veria mais tarde.

Quando estávamos nos preparando pra sair alguém bateu na porta da sala que estávamos. Como estava no final do atendimento Sakura deu permissão pra que a pessoa entrasse. Uma cabeleira vermelha invadiu a sala não tão educadamente.

— Sakura, eu te procurei por todo esse hospital. — disse Karin, educada como sempre.

— Boa tarde, Karin. — falei irônico e ela me notou. — Vai tirar o pai da forca, é?

— Cala boca, Sasuke. — revirei os olhos diante da sua grosseria. — Tô falando com Sakura e não com você.

— Karin!!. — repreendeu Sakura. — Se você não percebeu, Sasuke está acompanhando seu amigo que estava sendo atendido por mim.

— Desculpa. — disse Karin com as bochechas coradas. — Boa tarde!

— Boa tarde. — respondemos em uníssono.

— Agora é sério, Saky. — disse Karin. — Rin tá te procurando, mas o setor dela tá uma loucura e como eu estava vindo de lá ela pediu pra que eu te procurasse. Tem mais de quarenta minutos na luta te procurando, até passou do meu horário de ir embora e eu ainda estou aqui.

— Aconteceu alguma coisa? — perguntou Sakura visivelmente preocupada.

— Yagura não quer tomar sua medicação. Ele disse que se tomar não vai pode brincar com você por conta das reações depois da quimioterapia. — revelou Karin.

— Mas eu só iria encontrá-lo às cinco.

— Saky, faltam dez minutos pra às cinco horas. — disse Karin e só agora eu tinha notado quanto tempo tinha passado. — A químio dele dura quatro.

— Puta merda, é verdade. — disse Sakura colocando a mão na testa. — Mas eu ainda tenho dois pacientes pra atender...não posso largar a emergência aqui pra falar com ele.

— Eu vou. — as palavras simplesmente pularam da minha boca e todos me olharam surpreso. — Eu o conheço e posso ficar com ele até Sakura chegar.

— Mas Sasuke você não vai levar seu amigo pra casa? — perguntou Sakura.

— É verdade. — lembrei.

— Obrigado por esquecer do seu amigo aqui. — se manifestou Suigetsu e foi aí que eu tive uma ideia brilhante.

— Karin... Karinzinha do meu coração – falei dengoso.

— O que é que você quer, Sasuke? — disse a ruiva. — Larga de falsidade e fala logo.

— Nossa, que menina doce. — falei. Pude ouvir Sakura e Suigetsu rirem da minha cara. — Você tá saindo não é mesmo? — ela apenas assentiu. — Será que você poderia levar Suigetsu até a casa dele? — eu tinha prometido apresentar os dois, só estava juntando a fome com a vontade de comer. O palerma do meu amigo ainda não tinha notado que aquela Karin era a Karin que eu tinha falado pra ele. — Por favor, é por uma boa causa.

— É Karin, por favor. — pediu Sakura. — O Yagura adora o Sasuke e vai ouvi-lo. Depois eu vou lá e fico com ele.

— Tudo bem. — disse a ruiva. — Mas só se seu amigo não se incomodar, Sasuke.

— Ele não se incomoda não. — respondi por Suigetsu. — Karin esse é o Suigetsu. Suigetsu essa é minha amiga Karin. — apresentei os dois, mas a ficha de Suigetsu ainda não tinha caído. Ele tava com a cara fechada.

— Que nome estranho e esse cabelo branco de pontas azuis?! — disse Karin e meu amigo revirou os olhos. Não começamos nada bem. — Mas vocês dois – apontou pra mim e Sakura. — Não vão se acostumando não. — Sakura e eu sorrimos. — Vamos logo, Suigetsu que eu não tenho o resto do dia todo.

— Você.me.paga.Sasuke — sussurrou Suigetsu entre dentes pra que apenas eu pudesse ouvir. — Obrigado Saskura-san, a senho.. Quer dizer você tem mãos de fada.

— Obrigada, Suigetsu. Siga as recomendações e você logo, logo fica novo em folha. — disse Sakura e depois sorriu, — Juízo vocês dois. — disse pra Karin e Suigetsu.

Nosso amigos saíram da sala deixando apenas Sakura e eu.

— Pode falar Uchiha, qual o plano? — indagou a rosada.

— Plano, que plano? — me fingi de desentendido.

— Eu te conheço bem, Sasuke. Você não dá ponto sem nó... fala logo o que é.

— Foi apenas pra te ajudar com Yagura, mas você é muito ingrata mesmo.

— Sasuke?! — insistiu.

— Tudo bem... — levantei as mãos em sinal de rendição. — Foi pra te ajudar com Yagura e pra apresentar esses dois. Suigetsu pediu que eu o apresentasse a uma amiga e Karin era a única amiga solteira que eu tinha.

— Eu também sou solteira e sou sua amiga. — ela disse com um sorriso malicioso. — E você só lembrou da Karin. — eu queria ficar indignado, mas eu estava sem reação diante daquilo.

— Mas... mas.... — estava complemente desconcertado. — Você... é você...

— Calma, querido... Eu prefiro morenos. — disse num tom malicioso. — De preferência com cabelos e olhos negros. — ela foi chegando mais perto e selou nossos lábios. Ela estava só me provocando?

— Você tem o incrível pode de me tirar do sério. — disse entre seus lábios e ela sorriu. — Péssima escolha Haruno, péssima.

Ataquei seus lábios de forma voraz e em nenhum momento ela recuou. Dois dias sem beijá-la eu já estava ficando doido. Minhas mãos passeavam por seu corpo e as delas passeavam pelo meu, mas precisamos nos afastar em busca de ar.

— Se... toda... vez que... eu te... provocar – disse Sakura ofegante. — Eu ganhar... um beijo... desse... farei sempre.

— Não... abusa Haruno. — eu estava ofegante igual a ela. — Eu preciso encontrar o nosso amigo e você atender dois pacientes. — não sei da onde tinha tirado tanto autocontrole.

— Exatamente, Uchiha. Pena que nosso encontro subiu no telhado hoje. — fez biquinho. Respira, Sasuke.

— Não exatamente...- ela me olhou desconfiada. — Nosso encontro pode ser junto com o Yagura. Não vai ser só nós dois, mas ainda terá nós dois. Além do mais, podemos montar o quebra-cabeça que eu comprei, juntos.

— Você comprou o quebra-cabeça que prometeu a ele? — assenti em reposta e Sakura abriu um sorriso enorme que me aqueceu por dentro. — De mil peças?

— Aham... de mil peças. — respondi com um sorriso de canto e Sakura se jogou nos meus braços me enchendo de beijo no rosto.

— Eu já — um beijo. — disse o – outro beijo. — quanto você — mais um beijo. — é maravilhoso – um beijo na ponta do nariz – Uchiha? — indagou sorridente.

— Hoje ainda não. — disse por fim e tomei seus lábios mais uma vez. Um beijo rápido e cálido, mas cheio de significado. — Preciso ir no carro buscar.

— Certo. O setor de oncologia fica no quinto andar, quando você chegar lá pode perguntar a qualquer pessoa por Rin. Ela irá te levar até o quarto de Yagura...

— E os pais dele, Sakura? Não irão se incomodar que um estranho visite seu filho? — nunca se sabe, não custa perguntar.

— Os pais de Yagura são bem ocupados. — respondeu um tanto triste. — Eles não são daqui de Konoha, são de Kiri. O pai dele é um empresário famoso por lá e vive viajando, quase nunca vem ver o filho. A mãe disse que não gosta de ambientes hospitalares e vem quando pode ou quando quer.

— Ele vive aqui no hospital? — perguntei alarmado.

— Sim... por conta do risco de infecção. — suspirou. — Pelo que Rin me contou, Yagu sempre teve uma saúde frágil. Por isso ela prefere que ele fique aqui.

— E por que ele não se trata em Kiri?

— Porque somos referência aqui. — disse um tanto orgulhosa, — Como a família dele tem recursos o trouxeram pra cá. Durante os seis meses que estamos com ele houve uma melhora considerável no quadro.

— Ainda bem... uma pena que os pais não estejam tão presentes com o filho.

— Exatamente, mas os amigos existem pra isso não é mesmo? A família que a gente escolhe. As enfermeiras, os enfermeiros, Rin, eu e agora você adoramos Yagura e estamos presentes para ajudá-lo e fazer companhia.

— É mesmo. — sorri. — Agora eu preciso convencer um garotinho a tomar sua medicação e preciso da ajuda de um quebra-cabeça pra isso. — Sakura assentiu e sorriu pra mim. Fui até ela e depositei um beijo em seus lábios. — Te espero lá em cima, Haruno.

— Pode deixar, Uchiha.

Saí da sala e fui em direção ao estacionamento, o quebra-cabeça estava no porta-malas do carro. Peguei o objeto e segui até o hospital novamente parando em frente ao elevador, que não demorou a chegar. Em pouco tempo já estava no quinto andar.

Nem precisei procurar por Rin porque dei de cara com ela assim que saí do elevador. Ela me fitou surpresa, mas veio na minha direção me recepcionar.

— Sasuke querido, quanto tempo. — me abraçou.

— Olá tia Rin. — ela odeia que eu a chame de tia.

— Tia Rin é o cacete. — me deu um tapa no ombro e eu ri. — Sem querer ser indiscreta, o que faz aqui? Não errou de andar, não?

— Não. — sorri. — Soube que um paciente seu está se recusando a tomar a medicação, vim ajudar.

— Você conhece o Yagura? — perguntou surpresa.

— Conheci faz pouco tempo, exatos dois dias, mas ficamos amigos rápido,

— Posso saber como se conheceram? — perguntou com quem não queria nada.

— Na segunda eu vim até o hospital e o encontrei na sala de Sakura. Ela nos apresentou e de cara já nos demos bem.

— Kakashi não estava mesmo enganado, você tá mesmo mexido com a volta dela. — falou como se fosse óbvio, o que não era mentira.

— Está assim tão evidente? — perguntei e ela sorriu.

— Te conheço muito bem, Sasuke. Espero que dê tudo certo dessa vez.

— Eu também. — no fundo disse mais aquilo pra mim mesmo do que pra ela. — Então, vamos até o quarto de Yagura?

— Vamos... me acompanhe.

Segui Rin e andamos praticamente por todo aquele andar. Passei pela brinquedoteca do lugar e pude ver muitas crianças brincado e fazendo estripulias. A vida é mesmo engraçada, né? A gente vive reclamando da vida, do tédio, porque acordou cedo... Mas é só a gente olhar um pouco em volta e perceber que muitas pessoas queriam estar em nosso lugar e não valorizamos isso. Crianças como Yagura, que desde muito cedo lutam por mais um dia de vida e mesmo assim com um sorriso no rosto.

Paramos em frente ao quarto dele e Rin pediu para que eu aguardasse. Não consegui ouvir direito, mas percebi que Yagura reclamava um pouco. Eu entendo, mesmo que não tenha passado por tudo que ele já passou. Compreensível.

Rin abriu a porta e pediu pra eu entrar.

— Já disse que só quero ver a tia Sakura. — reclamou Yagura enquanto eu entrava no seu quarto. Ele estava sentado na poltrona da sala com o um bico enorme.

— Tia Sakura ainda está ocupada, mas tio Sasuke já tá aqui. — falei e esbocei um sorriso de canto pra o menino que me olhava de olhos arregalados.

— Tio Sasuke o que o senhor faz aqui? — ele disse vindo na minha direção. Abaixei pra falar com ele.

— Eu soube que a tia Rin estava tendo um pequeno problema com um paciente que não quer tomar seu remédio pra ficar bom. — ele fez uma careta em sinal de reprovação. — E vim trazer um quebra-cabeça de mil peças que prometi a esse mesmo paciente.

— Você comprou? — assenti sorrindo. — De mil peças como me prometeu?

— De mil peças.

— Ebaaaaaaaaaa. — começou a pular.

— Mas tem uma condição, mocinho? — disse sério.

— Aff... tava bom demais pra ser verdade. — reclamou. — Fala qual a condição?

— Você precisa tomar seus remédios. — falei firme.

— Ah tio... se eu tomar meus remédios eu não vou brincar com a tia Sakura daqui a pouco. — bufou. — Eles me deixam enjoado e eu sempre vomito. Tia Sakura não pode me ver assim, ela não vai me querer como namorado dela. — ele sussurrou essa última parte e não pude evitar de gargalhar. Ele fechou ainda mais a cara. — Para.de.rir.tio. — falou entredentes e eu consegui me controlar.

— Tudo bem, mas antes de você ficar todo estressadinho eu queria te dar uma notícia. — ele continuou com o bico no rosto. — Eu e a tia Sakura vamos te acompanhar na sua sessão de quimioterapia hoje.

— Sério? — perguntou surpreso.

— Claro... se a tia Rin não se opor a isso. — olhamos pra Rin com cara de pidões e ela riu.

— Não, não irei me opor, mas...

— Sempre tem um mas... — bufou Yagura.

— Mas nada de estripulia na sala e nem bagunça. — Rin falou.

— A gente pode montar um quebra-cabeça?- indaguei.

— Pode, mas com cuidado. Yagura não pode se mexer muito por conta do cateter, ok? — advertiu Rin.

— Prometemos nos comportar, não é mesmo Yagura?

— Sim, Capitão tio Sasuke. — bateu continência pra mim e Rin riu.

Nos levantamos e Yagura começou a se arrumar pra sua sessão de quimioterapia. Rin esboçou um obrigada pra mim e sorriu. Saímos do quarto e fomos pra sala de quimioterapia. Yagura logo se deitou numa maca confortável e eu me sentei na poltrona ao lado.

Começaram a higienizar o local por onde a medicação iria passar. Yagura fazia uma careta ou outra, mas não reclamava. Eu observava tudo atento e sorria pra cada careta que ele dava. A sala estava vaza, Rin me explicou que era por conta do horário.

Quando restou apenas Yagura e eu na sala me levantei e peguei a caixa de quebra-cabeça. Levei até a cama e esparramei as peças, os olhos de Yagura brilharam. Não deixei que ele se mexesse muito.

— Sabe qual a técnica pra monta qualquer quebra-cabeça? — indaguei.

— E tem técnica? — assenti em resposta. — Eu achava que era só encaixar as peças.

— Essa é uma das etapas, mas como esse é um quebra-cabeça muito grande primeiro achamos as peças das extremidades.

— Extremidades? — indagou confuso. Esqueci que ele é muito novinho e não entende algumas palavras.

— São as peças que te uma parte lisa e ficam nos cantos. — peguei uma peça e mostrei a ele que esboçou um "aaaaaah" como resposta. — Vamos montar?

— Siiiiiim.

Usei a tampa da caixa como base e fomos montando ou melhor, tentando. Por ser um quebra-cabeça de paisagem tinham muitas peças parecidas e a gente acabava se confundindo.

Conseguimos montar boa parte do quebra-cabeça, mas Yagura começou a enjoar e pediu pra que eu guardasse. Assim o fiz. Não desmanchei o que tínhamos montado apenas coloquei as outras peças no canto e fechei a caixa com a parte de baixo.

Yagura sentiu um enjoo mais forte e eu peguei o recipiente que deixaram pra caso ele vomitasse. Fui rápido em sua direção e segurei o recipiente pra ele, que por pouco não vomitou no chão.

— Você não sente nojo tio? — indagou Yagura enquanto limpava sua boca com um papel.

— Por que eu teria? — respondi com outra pergunta.

— Porque é nojento. Nem minha mamãe e nem o meu papai fizeram o que você fez por mim. — disse cabisbaixo e aquilo me atingiu mais do que eu gostaria. — Obrigado – disse baixinho.

Depositei um beijo em sua testa e nesse momento Sakura chegou.

— É aqui que estão os homens da minha vida? — disse Sakura e aquilo também mexeu mais comigo do que eu gostaria.

— Tia... — disse Yagura animado. — Você veio.

— Claro que e vim, meu amor. — ela disse amorosa e foi em direção ao menino depositando um beijo na sua testa. — Demorei, mas cheguei.

— Faz cafuné em mim? — indagou o pequeno pra Sakura.

— Claro que sim, Yagu. — respondeu Sakura já sentando ao lado de Yagura.

A maca era bem grande dava pra Sakura e Yagura sentarem confortavelmente. Eu me sentei mais na ponta e fiquei observando os dois. Sakura fazia cafuné e Yagura acabou pegando no sono, mas ela não parou o carinho.

— Que belo encontro, não é mesmo Uchiha? — ela disse baixinho pra que Yagura não acordasse.

— Nada convencional, eu diria. — falei de forma provocativa.

— Eu já te disse que não sigo padrões, Uchiha.

— Eu sei, coisa rosa. — abusei e ela me deu o dedo do meio.

Ficamos em silêncio apenas nos observando... Tudo que a gente estava fazendo não era o que tínhamos combinada, bem longe disso na verdade. Mas era um momento único e portanto, especial.

Por mais que eu ainda estivesse em dúvida essa reaproximação com Sakura estava me fazendo muito bem. Mesmo essa história de querer ser minha amiga de novo ser uma mentira deslavada. Porque amigos não ficam se beijando por aí. Quer dizer tem tipos e tipos de amigos.

Ás vezes eu penso tanto que minha cabeça dá um nó. Puxei o ar com força pra manter a calma e só agora percebi que Sakura tinha pegado no sono junto com Yagura. O dia dela foi realmente cheio. Aproveitei esse tempo e mandei uma mensagem pra Suigetsu, tinha esquecido completamente do meu amigo.

Eu:

Cabeça branca, esqueci de você

Chegou bem em casa?

Comprou os remédios que Sakura passou?

Suigetsu diz:

Cara eu quero te matar

Aquela sua amiga é insuportável

Reclamou a viagem toda

E quase não para em uma farmácia

Ainda me mandou praquele lugar

Não sei como cheguei vivo em casa

Você me paga

Eu:

Calma amigão

A Karin é gente boa... devia estar num mau dia

Ela foi aquela amiga que eu te falei

Suigetsu diz:

Eu não quero ver aquela menina nem em um bom dia

Deus me livre Sasuke, dessa sua amiga

Fica pra você que eu fora

Eu:

Nossa.... quanto amor nesse coração

Suigestu diz:

Vai à merda, Sasuke

Fui

Eu:

Obrigado pelo carinho

Tchau.

Mandei mensagem pra meu irmão também avisando do ocorrido e pedi pra que ele apenas falasse aos meus pais que eu chegaria mais tarde.

Fiquei por mais um tempo observando Sakura e Yagura até que Rin chegou na sala avisando que a sessão de químio tinha chegado ao fim. Sakura despertou rápido, mas Yagura estava bem molinho.

O colocaram num cadeira de rodas e o levamos até seu quarto. Coloquei o quebra-cabeça na mesa do quarto e saímos do mesmo. Rin nos agradeceu infinitamente e nos convidou para jantar qualquer dia desses na casa dela e de Kakashi. Ótimo, todo mundo via a gente como um casal.

Sakura me pediu uma carona pra casa porque ela tinha vindo com seu pai, mas ele já tinha ido embora. Aproveitei mais esse tempo pra ficar com ela, afinal a gente sairia hoje mesmo.

Quando chegamos ao carro ela se jogou com tudo no banco do carona. Estava exausta e pelo visto com fome também. Seu estômago fez questão de marcar presença.

— Tá com fome, hein Sakura!! — falei ligando o carro.

— Não sei o que tenho mais, se é sono ou fome.

— A gente pode passar em algum lugar pra comer antes de você ir pra casa. — sugeri.

— É uma boa ideia, mas posso escolher o lugar? — falou com uma cara pidona que eu não resisti.

— Pode. — falei enquanto saia do estacionamento do hospital

— Vamos no Ichikaru, tô com vontade de rámen.

— Chegamos em dois minutos. — falei e ela sorriu.

O Ichiraku é bem perto do hospital porque os dois ficam no centro de Konoha. Mas gastamos pouco mais que cinco minutos até sentarmos no restaurante que estava quase vazio. Eram pouco mais que dez da noite.

Fomos recepcionados por uma garçonete de cabelos loiros e olhos claros chamada Shion. Sem querer me gabar, mas ela acabou me secando e Sakura percebeu. Fizemos nosso pedido e Shion sorriu pra mim quando se afastou da mesa. Sakura fechou a cara.

— Não precisa fica emburrada, Haruno. Não curto loiras.

— Eu emburrada? — desdenhou. — Me faça um favor, Uchiha.

— Não precisa fingir que não está irritada.

— Sasuke-kun, você está sentado comigo e não com ela. — disse num tom malicioso. — Eu me garanto, mas você tem livre arbítrio pra fazer o que quiser.

— Como sempre ácida, nisso você não mudou.

— Ácida não, apenas sincera... tudo é questão de um ponto de vista.

— Sakura, o que a gente ta fazendo? — perguntei num rompante e me arrependi logo depois.

— Como assim o que a gente tá fazendo? — ela pareceu mesmo desentendida.

— Eu, você, nós dois... saindo como se fôssemos amigos de longa data. Nos beijando sempre que rola uma oportunidade.

— Sasuke. — suspirou. — É você quem evita falar do passado... eu tento, mas você sempre se esquiva. E querendo ou não fomos amigos de longa data e queremos retomar isso, pelo menos eu quero. Mas se for demais pra você eu saio da sua vida, já te disse isso.

Fiquei em silêncio analisando tudo que Sakura tinha falado pra mim. A contra gosto eu tinha que admitir pra mim mesmo que aquilo era verdade, mas isso não significa que não incomoda.

— Só acho estranho o fato da gente se beijar, não que isso seja ruim. Mas você queria voltar a ser minha amiga e não acho que isso seja só amizade.

— Sasuke, nós somos adultos. O fato da gente se beijar hoje não quer dizer que a gente vá casar amanhã.- ela disse a mesma coisa que Itachi. — E fora que eu não beijo sozinha, você também retribui, mas não vou complicar seu lado. Paramos com esse contato mais íntimo e ficamos apenas na amizade.

Aquilo era realmente o certo, mas por que eu não estava feliz com isso? Às vezes eu sou mesmo um idiota.

— Acho melhor. — respondi a contra gosto.

— Tudo bem. — disse por fim. Ela não parecia chateada, mas pude sentir que ela estava triste.

Ficamos em silêncio durante o jantar... Sakura que falou que estava com fome mal tocou no rámen de churrasco que ela tanto gosta. Nem preciso dizer que me senti um merda.

Fui no banheiro e quando voltei Sakura já tinha pago a conta. Fiquei puto, mas desmanchei a cara quando percebi que ela me esperava na porta do restaurante e não na mesa. É, fiz merda grande.

O caminho até a casa dela também foi todo em silêncio e aquilo já estava me incomodando. Quando olhei pro lado notei que ela estava dormindo, achei melhor não acordá-la.

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Chegamos rápido até a casa do pai dela e eu tive a perigosa missão de acordar Sakura. Ela nunca desperta de bom humor se não fizer isso por vontade própria.

— Ei Sakura, acorda – disse fazendo um afago em seus cabelos.

— Hum... — resmungou abrindo os olhos e se deu conta de que estávamos em frente a sua casa. — Chegamos. — bocejou. — Obrigada Uchiha, boa noite.

Ela tava puta, muito puta mesmo. Segurei em seu braço antes que ela saísse do quarto.

— O que foi Uchiha? — falou de forma fria.

— O que você tem Sakura? — talvez eu soubesse, mas era melhor confirmar.

— Nada, tô só cansada e preciso dormir. — disse e tentou sair do carro mais uma vez, mas eu impedi. Obviamente sem machucá-la.

Meu irmão é um baka, mas de vez em quando tem uns conselhos que prestam. Ele disse pra nunca acreditar quando uma mulher diz que tá cansada quando você sabe que fez merda.

— Foi por causa do que disse mais cedo, não foi? — melhor não enrolar. Segura na mão de Deus e vai.

— Mais ou menos... já vai passar.

— Por que não disse logo? Você sabe que eu detesto rodeios, Sakura.

— Porque eu não queria que a gente brigasse como claramente vai acontecer agora.

— Sakura, eu só fui sincero com você...não acho que isso seja saudável. A gente começou a se entender tem pouco tempo. Não quero atropelar as coisas.

— Tudo bem, mas não coloque somente a responsabilidade em meus ombros. Se você não lembra, quem teve a iniciativa dos beijos foi você. Lá no quarto de hóspedes da casa de Naruto, no carro quando estávamos no rochedo. — suspirou. — Hoje foi a primeira vez que tive a iniciativa de te beijar e você retribuiu. Eu pensei que estivesse tudo bem.

— Eu sei... eu apenas pensei sobre isso hoje. E não, a culpa não é só sua é minha também, e foi exatamente por isso que eu falei com você.

— Eu sei e farei exatamente como você pediu. Eu não quero mais brigar com você, se não se importa eu preciso realmente ir agora. Tô cansada e preciso acordar cedo amanhã. — me deu um beijo na testa. — Boa noite, Uchiha.

— Boa noite, Haruno. — falei e ela saiu do carro.

Esperei que ela entrasse em casa e desse uma olhada pra trás, mas não, ela não fez isso. Me senti pior ainda, mesmo que, em partes, ela tenha me dado razão.

Dirigi até minha casa numa velocidade de tartaruga esperava que ninguém tivesse acordado por lá. Eu não via a hora daquele apartamento ficar pronto de um vez.

Por sorte todos estavam dormindo. Cheguei no quarto e mandei uma mensagem pra Sakura avisando que tinha chegado.

Ela não respondeu.

Fui tomar um banho quente e fiquei pensando embaixo d'água, mas minha mente entrava num looping infinito e eu simplesmente não saía do lugar.Voltei pro quarto coloquei uma calça de moletom, liguei o ar e me deitei. Peguei o celular ansioso pra vê se Sakura tinha respondido ao menos um boa noite.

E não, ela não respondeu.

Ou ela viu e não quis responder ou ela não viu mesmo. Ela estava realmente cansada e precisava dormir.

Já eu, preferia acreditar na segunda hipótese. As coisas estavam indo bem, mas depois de hoje não sei como será.

De qualquer forma viajaremos para o mesmo lugar no sábado.

A conclusão que eu cheguei disso tudo é que nós dois estávamos confusos, mas com certeza eu estava muito mais que ela.

Agora eu nada poderia fazer a não ser dormir.

Notas finais
* A maioridade no Japão se atinge aos vinte anos. E aí gente, o que vocês acharam? Eu imaginei um término bem diferente pra esse capítulo, mas achei importante esses questionamentos de Sasuke. Ainda tivemos alguns flashbacks Tava movimentado hoje. O link da música do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=Wi1PJq_AwGo Não tenho previsão de quando vai sair o próximo capítulo, mas tenho um motivo importante. Farei uma prova importantíssima em uma semana e quero dar todo o gás nessa reta final. Torçam por mim :D. O capítulo provavelmente será grande e narrado pelos dois ;)... Terão muitos acontecimentos nele. Obrigada por tudo, amo vocês ♥ Comentem que a Jessi-chan ama! Beijocas