Daylight
38 Aniversário de Itachi - Parte 1
Notas iniciais
Mesmo quando me descuido
Me desloco
Me deslumbro
Perco o foco
Perco o chão
E perco o ar
Me reconheço em teu olhar
Que é o fio pra me guiar
De volta
(Me Espera — Sandy e Tiago Iorc)
Por Sakura
Minha vida estava uma verdadeira loucura!!! Depois que o hospital descobriu que eu me mudaria para Konoha de forma definitiva, eles resolveram arrancar meu couro colocando mais cirurgias do que eu achava que poderia suportar. Teve um dia que fiz sete! A minha sorte foi que as cirurgias não eram tão complexas assim, em compensação os plantões diminuíram por conta das cirurgias programadas.
Outra coisa que eu não estava sabendo lidar era com a saudade que eu estava da minha cidade, meus amigos, meu pai e claro, Sasuke. Fiquei tão mal acostumada sendo paparicada e ganhando todos os dengos e dangos que ele me dava que agora a saudade parece vir em dobro elevada a potência infinita... Será que isso existe? Sou de biológicas, dá licença.
A gente se falava via Skype sempre que possível, já rolou umas conversas bem quentes por sinal. Só assim para não criar teias nos meus países baixos, que tinha saudade de outros países baixos devastadores e cheios de veias pulsantes. Minha nossa, que saudade de transar e claro que falta dele todo... com roupa, sem roupa, mudo, falante, de todos os jeitos.
Por obra do destino, porque nessa vida quando tudo é pra dar certo até os ventos sopram à favor, consegui fazer uma pequena mudança e aparecer em Konoha mais cedo. O aniversário do meu amado cunhado vai cair no meio da semana, semana esta que eu iria para Konoha apenas no final dela. Por conta das cirurgias programadas, eu troquei o sábado e o domingo pela terça e quarta. É rápido, eu sei, mas vou matar a saudade de todos mais cedo. Principalmente do moreno com veias pulsantes!
Sasuke não sabe de nada e eu queria fazer uma surpresa para ele. Estou tão receosa que resolvi não comentar com ninguém, além do meu pai e Fuu, a minha nova secretária. Depois da minha última tentativa de surpresa, falha pra constar, não estou deixando nenhum furo passar.
Pra saber do evento, perguntei a Itachi, como quem não queria nada, como estavam as programações para o aniversário dele. Por conta do casamento com Izumi, será uma reunião bem simples com os amigos do Byakugan. Ficaremos numa parte especial do restaurante e Neji será o chef da noite. Ainda bem que nem Mikoto e Fugaku irão, não digo isso por tio Fugaku, mas sim por Mikoto. Sasuke acabou comentando algumas coisas comigo por alto, sei que ele está chateado, então é melhor evitar conflitos. No casamento de Naruto e Hinata ela deixou muitas coisas claras pra mim.
Agora eu estava na sala de embarque esperando meu voo pra Konoha. São pouco mais de três da manhã e chegando lá eu vou direto pro hospital. Fuu organizou a minha agenda de atendimentos, então ficarei ocupada durante o dia na terça e na quarta. Retornando na madrugada de quinta pra Tóquio e indo direto para o hospital.
Meio sonolenta, mas saboreando meu chocolate até lamber a embalagem, sinto meu celular vibrar sobre minha coxa. No mínimo alguma oferta da operadora, me recuso a olhar. Volto para o meu chocolate que está chegando ao fim. Música de tristeza, por favor!
Sinto o aparelho vibrar mais uma vez e aquela luzinha piscando passa a me incomodar. Saco!! Essa porra só serve pra fazer a pessoa conferir o celular e se decepcionar com mensagens insignificantes.
Lambo meus dedos de chocolate de forma prazerosa e lenta porque ninguém manda em mim, muito menos essa luz chata do caralho.
O aparelho vibra outra vez, depois mais uma.
— Merda!!! – praguejo puta da vida, mas me contenho por conta do horário. O plano de lamber os dedos de chocolate lenta e prazerosamente foi para casa da puta que pariu. – Saco.
Passei as mãos na calça para retirar qualquer vestígio e desbloqueei o celular!
Brilho nos olhos, toca música feliz. São mensagens de Sasuke!!!!!
As abri mais rápido que a velocidade da luz!
Moreno Delícia diz:
Amor...
Sonhei com você
Tô com saudade
Falta muito pra sábado?
Ownnnnnnnnnnnn, que amor!!!!
Por pouco não molho a calcinha de felicidade. Não é muito fofo esse meu namorado?! Nunca uma luzinha valeu tanto assim!
Eu:
Own, que coisa mais fofa Uchiha
Estou morrendo de saudades também
Não se preocupa... quando você menos esperar já é sábado!!
Moreno Delícia diz:
Espero que sim
Tá no hospital?
Eu:
Não
Moreno Delícia diz:
Ué, o que tá fazendo acordada?
Ultimamente você sente falta de tempo pra dormir.
Puta merda! Pensa numa desculpa rápido, Sakura. Rápido!
Já sei.
Eu:
Tô com um pouco de insônia essa noite
Resolvi estudar mais um pouco o caso paciente que vou operar amanhã!
Não gosto de mentir, mas dessa vez foi preciso!
Moreno Delícia diz:
Ah, sim... entendi
Mas tenta dormir de novo pra não ficar com sono pelos corredores do hospital
E não demore pra voltar... sonhei que você já estava definitivamente em Konoha.
Acordar foi doloroso!
Ai, minha nossa! Esse homem ainda acaba comigo.
— Passageiros do Voo com destino a Konoha, embarque liberado no portão 22C. – disse aquela voz automática dos aeroportos. Hora de encerrar a conversa!
Eu:
Pode deixar, amor. Vou deitar agora!
Eu estarei de volta logo, logo... o sonho foi mais aviso pra dizer que é real ;)
Te amo... Bom dia!
Moreno Delícia diz:
O melhor aviso de todos!
Venha logo...
Te amo, Haruno!
Sorri que nem boba com aquelas mensagens. Sasuke sabe como mexer comigo, até na fila de embarque, mesmo que ele não saiba onde me encontro!
Desliguei o celular, puxei a bolsa e me dirigi toda saltitante para o avião. Com certeza, eu sou a pessoa mais feliz desse mundo! Eu poderia gritar, mas seria expulsa do voo com certeza. Melhor, eu me conter!
(...)
O voo pra Konoha foi tranquilo, pelo menos eu acho que foi. Mesmo que não admitisse, tenho que concordar com Sasuke. Sinto falta de tempo pra dormir e notei isso quando percebi que dormi no avião. Essa façanha é rara... eu não durmo em avião, trem, ônibus ou carro porque eu fico com medo de acontecer algo. Mas dessa vez foi diferente, apaguei como se não houvesse amanhã, despertando com a aeromoça me dizendo que o voo já tinha pousado e que podíamos descer.
Finalmente, Konoha!
Cheguei no hospital por volta das 06:30 da manhã, ou seja, cedo pra cacete, mas eu podia transformar isso num cochilo no sofá da minha sala ou um café da manhã com meu pai.
Fui até sua sala cumprimentando as pessoas pelo caminho, era tão bom estar de volta. Já estava pirando da noite com Sasuke, por que eu mereço, né?
Para minha decepção meu pai não estava na sala, ou ele estava em cirurgia ou não tinha chegado. Como eu estava morta com farofa decidir me aconchegar no sofá dele mesmo.
(...)
— Sakura... – ouvi alguém me chamar. – Acorda filha! – era meu pai. Eu realmente tinha cochilado gostoso naquele sofá.
Abri os olhos e dei de cara com meu pai, dei um bocejo gostoso e me sentei esfregando os olhos. Eu ainda estava cansada.
— Oi! – falei com a voz meio embargada de sono. – Que horas são?
— São 08:37h – disse meu pai olhando em seu relógio.
— Puta que pariu, meus pacientes! – levantei num rompante e meu pai começou a rir. – Não entendi a piada.
— Relaxa, filha! – disse pegando minha mão e me fazendo sentar no sofá de novo. – Seu primeiro paciente é às 09:30h. Você ainda tem tempo!
— Ah, sim! – respirei aliviada. – Como o senhor está?
— Bem melhor agora e você? Como foi voltar a Tóquio?
— Eu estou bem, apenas um pouco cansada. O ritmo no hospital está frenético, é tanta cirurgia que não acaba mais. – soltei um suspiro cansado. – Foi bom e ruim voltar pra lá. Bom, porque eu sentia falta do meu apartamento, minhas coisas, o hospital. Ruim, porque eu morri de saudades daqui, do hospital, o senhor, meus amigos e... Sasuke.
— E como vocês estão? – meu pai estava deveras curioso, geralmente quem agia assim era minha mãe. Ele preferia se comportar como um pai ciumento e protetor, o que eu achava péssimo, mas agora é diferente. Meu pai confia em mim e percebeu que eu cresci.
— Estamos tão bem, que às vezes penso ser loucura, mas estou feliz e ele também. – sorri meio boba e papai apertou meu nariz. – Como lidou sem minha presença por aqui?
— Me virei bem... trabalho, trabalho e trabalho.
— Pai... você não pensa em se divertir não? – eu sabia que isso era um assunto delicado, mas papai não podia viver nesse luto eterno, nessa solidão infinita. – Sair, conhecer pessoas, uma nova namorada talvez... – ele entortou a boca e olhou pra baixo, ou seja, zona de perigo detectada. – Sei lá, são apenas ideias.
Ele se levantou e começou a andar de um lado para o outro da sala. Estava nervoso, era evidente. Me levantei e fui até ele tomando suas mãos.
— Me desculpe, não me meto mais em relação a isso. – Sorri e ele sorriu de volta afagando minhas bochechas.
— Não é isso, Sakura. Você pode e deve se meter, eu sou seu pai, você tem esse direito. – fixou o olhar em nossas mãos dadas. – Mas é um pouco complicado para mim... me sinto traindo sua mãe, a memória dela...
Papai me encarou com seus olhos angustiados, pesarosos. Esse conflito era pior do que eu imaginava. Eu precisava ser forte e apoiá-lo.
— Pai, infelizmente mamãe se foi. – ainda era duro dizer isso em voz alta mesmo depois de tanto tempo e na frente do meu pai. – Iremos sentir falta todos dias, mas você continua vivo pai. Se permita, você tem esse direito. Não falo de um novo relacionamento amoroso, mas de sair com seus amigos além dos muros desse hospital ou eventos da universidade que também envolvem trabalho. Você honra a memória da mamãe sendo grato por tudo que viveu com ela, mas você precisa deixar ir, soltar.
Os olhos dele estavam marejados e eu sentia um turbilhão de emoções em meu peito. Eu não queria chorar, mas ver meu pai daquele jeito mexia demais comigo. Até porque, eu também já passei por tudo isso, essa negação e vivi absorta, apagada dentro de mim mesma.
— Eu vou tentar... – disse sôfrego e nos abraçamos. Ficamos assim por um bom tempo até meu estômago começar a se fazer presente, cortando o momento de filha consolando o pai. – Acho que você está com fome.
— É... eu estou. – confirmei meio sem graça me desvencilhando dele. – Será que a gente pode comer?
— Claro, filha! – no rosto de papai ainda tinha vestígios de lágrimas, que ele logo tratou de limpar. – Você quer comer aqui ou na lanchonete?
— Hum... – ponderei as opções. – Prefiro comer aqui, pai. Ganho colo enquanto a comida não chega, pode ser?
— Claro que pode, quase tinha me esquecido da filha dengosa que tenho! – dei língua pra ele em resposta. Maduro, eu sei. – O que você quer comer? – ele já estava com o telefone em mãos.
— Três mistos e uma vitamina de morango com muito leite!!!
— Três mistos? – ele esbugalhou os olhos. – Você não exagerou quando disse que estava com fome.
— Eu nunca exagero ou brinco quando o assunto é comida pai, pensei que soubesse.
— Agora eu sei!
Ele fez os pedidos e ficamos conversando trivialidades enquanto eu tinha minha cabeça apoiada em seu colo. Quando eu era mais nova, eu sempre ganhava colo duplo dos meus pais. Quando minha cabeça estava no colo da minha mãe, minhas pernas estavam no colo do meu pai e quando eu estava com a cabeça no colo do meu pai, minhas pernas estavam no colo da minha mãe. Eu me sentia completamente protegida ali e poderia enfrentar o que fosse. Guardo esses momentos com amor!
Tomei o café da manhã na velocidade da luz e vim correndo para minha sala, mas ainda cheguei 07 minutos atrasada. Eu não sou a rainha da pontualidade, mas quando o assunto é trabalho eu prezo muito sobre isso. A minha sorte é que o paciente das 09:30h não tinha chegado ainda.
Acabei botando tudo que comi pra fora e fiquei com uma azia infernal. Ótimo. Isso que dá comer na pressa. Não era a primeira vez que isso acontecia, saco!
Passei a manhã inteira me entupindo de água entre um atendimento e outro para me hidratar de novo. Só de pensar em comida o estômago embrulhava.
Na hora do almoço resolvi ficar quietinha na minha sala, ainda à base água. Minha vida está uma roda gigante e isso está refletindo no meu estômago. Isso era muito comum na época a faculdade, ou quando alguma coisa mudava no fluxo do que eu estava vivendo. Eu lembro que antes de viajar pra Índia eu não conseguia comer nada diante de tanta ansiedade e quando comia colocava pra fora. Um inferno, não recomendo.
Resolvi me afastar de assuntos estomacais e fui mexer no celular.
Tinham duas mensagens de Sasuke. Sorri com todos os dentes a mostra.
Moreno Delícia diz:
Bom dia!
Venha logo!
Ah, se ele soubesse o que o aguarda não me queria com tanta pressa assim, ou iria querer mais ainda!
Eu:
Boa tarde ♥
Pode deixar, que venho voando!
De fato, eu não mentia. Vim voando mesmo!
Não me respondeu e não fiquei esperando que respondesse, ambos tínhamos uma rotina estressante e nos falávamos quando tínhamos uma brecha no nosso trabalho. Às vezes coincidia, às vezes não. Agora é o às vezes não!
Ouvi alguém bater na porta da minha sala, era Fuu, minha secretária, avisando que um dos médicos do hospital queria falar comigo. Fiquei surpresa com aquela cabeleira ruiva passando.
— SASO!!!! – gritei como Ino e Naruto. – Você já está de volta?
Fui correndo e dei um abraço de urso no meu amigo, que eu morria de saudades. Finalmente ele voltou!!!!
— Sakura- ele dizia sôfrego. – Eu preciso respirar, docinho!
— Ai, me desculpe. Eu estava morrendo de saudade de você. – dei um sorriso amarelo. – Dá pra você me abraçar apertado, agora? Estou carente de abraço amigo. – fiz biquinho.
— Vem cá, cabelinho de iogurte. – me puxou pra um abraço. – Senti sua falta, porrinho!! Mas agora estou de volta.
— De vez? – indaguei meio receosa.
— De vez! – me garantiu e eu suspirei aliviada.
— Ai que bom, Saso! – puxei pra que ele sentasse comigo no sofá. – Daqui a pouco eu volto de vez também... mas me diga uma coisa, como você soube que eu estava aqui? Só meu pai e Fuu sabiam.
— Ah Saky, fofoca hospitalar, querida. Falaram em cabelo rosa eu já fiquei ligado e vim correndo na sua sala, que por sinal é maravilhosa. – ele dizia avaliando cada pedacinho do ambiente em que estávamos. – Eu pensei que você só viria no final da semana.
— De fato, era. Mas hoje é o aniversário de Itachi, resolvi fazer uma surpresa e adiantei a vinda pro meio da semana. Vai rolar uma comemoraçãozinha no Byakugan!
— Ah, sim é verdade. Eu estarei lá também!
— Como assim? Você conhece Itachi?
— Deidara é engenheiro civil, ele trabalha na Construtora Uchiha junto com Itachi e Fugaku. Eles são bem amigos, por isso Itachi convidou a nós dois.
— Nossa, que mundo ovo da porra. Então você e Deidara conhecem Sasuke?
— Não, quando eu vim pra Konoha, Sasuke já estava nos Estados Unidos. Deidara só o viu umas duas vezes, mas nunca chegaram a conversar nem nada do tipo!
— Ah... Entendo.
— Mas já que você tocou no assunto Sasuke, eu quero saber tudo mocinha! Nos mínimos detalhes. – ele dizia com a voz maliciosa.
— Abusado do caralho. – rimos juntos. – Até que parte eu te contei aquele dia no restaurante?
— Que vocês se mataram de transar no casamento de Naruto e depois se mataram nas ofensas, que ele não queria ver a sua cara nem pintada de dourado. E nem sua sogra.
— Bom, te contei bastante coisa. – ele assentiu. – Depois de toda aquela tensão da minha volta e minhas brigas com Sasuke em nossos encontros na casa dele, todo lugar a gente se batia. Quando fui buscar Naruto e Hinata no aeroporto, Sasuke estava lá. Nesse mesmo dia eu o levei pra casa e Itachi me convidou pra jantar....
Contei todas a peripécias a Sasori desde os desmaio de Fugaku quando soube que seria avô até o meu afogamento em Suna e como tudo aquilo desdobrou pra que Sasuke e eu finalmente tínhamos nos entendido.
— Ai minha nossa, você se bateu com aquele Idate cretino, pulha, nojento e chato pra caralho? – Sasori falava indignado. – Na minha cidade quando acaba? – assenti em resposta. – Escroto do caralho, ele e o irmão tarado dele. Que desprazer... pelo menos você trepou com Sasuke depois, né? Depois da tempestade sempre vem a bonança e no seu caso é um moreno alto, bonito, sensual e super pirocudo!
— Não adianta ser super pirocudo se não souber usar, não é querido?! – confirmou diante da minha indagação. – Mas esse não é o caso do Sasuke! Ele sabe usar o tudo!
— Tarada, descarada e sortuda do caralho!
— Você não tem do que reclamar, não é cabelo de menstruação?
— É verdade, não temos muito o que reclamar com relação aos nossos parceiros. Deidara faz tudo tão bem, que chega eu fico com falta de ar!!! Ai minha nossa... Senhor, estou sem ar... me abana Santa Gloria Gaynor!
— Ai ai, viu Saso... Só você pra me fazer rir nesse estado de sono que eu me encontro. Eu só quero saber de dormir, se tem uma parede eu já estou me encostando.
— Eu não ia comentar nada não, mas já que tocou no assunto... você está com olheiras enormes, Saky. – pelo jeito que ele falava, reclamação vinha por aí. – Porra, eu sei que você ama ser médica, mas você precisa se cuidar. Parece que eu estou vendo a Sakura da época da faculdade, que não comia, que não dormia direito, que ficava resfriada a cada duas semanas.
— Saso... – fiz biquinho numa tentativa de me livrar do esporro.
— Nem vem, não adianta fazer cara de cachorro que caiu da mudança, porque não vai me convencer. – bufou. – Eu só quero seu bem, docinho.
— Eu sei, prometo me cuidar melhor, certo?
— Promessa fuleira essa, como se eu não te conhecesse! – ralhou. – Mas como das outras vezes, vou acreditar nessa também.
— Obrigada. – abracei meu amigo mais uma vez. – Estou tão feliz de voltar pra cá e ter todas as pessoas que eu amo junto de mim. É tão bom! – sorri com todos os dentes a mostra.
— Eu também estou, rosinha. – ele afagou minha bochecha e deu um beijo na minha testa. – Você vai pra casa ou vai direto do hospital para o restaurante?
— Eu vou direto, tenho muita coisa pra fazer aqui ainda e eu não quero correr o risco de Sasuke me ver antes da hora.
— Então vamos juntos, eu vou direto também e você vem de carona comigo se quiser.
— Eu ia te pedir carona mesmo, mas você me oferecendo poupou meu trabalho.
— Tá certo, até mais tarde então. – me deu um beijo na testa e saiu da minha sala.
(...)
Passei a tarde realizando os atendimentos que Fuu tinha remanejado para mim e depois fui visitar Yagura. Ele está muito melhor e Rin disse que o tratamento está dando um bom resultado. Como os seus pais estavam presentes no dia de hoje, não quis incomodar, porque vamos combinar que é uma espécie de milagre. Mas eu não podia negar que estava feliz por ele.
Fui para emergência e acabei perdendo a hora pro jantar de Itachi. Merda!
Corri para minha sala, pra pegar minha mala e fui até a sala do meu pai pra tomar um banho, meu velho é chique tem banheiro na sua própria sala.
Encontrei com Sasori na recepção do hospital, sentado no sofá entediado.
— Oi – anunciei minha chegada e ele passou a me fitar. – Tem muito tempo me esperando?
— Oi Saky. – olhou seu relógio no pulso esquerdo. – Pelas minhas contas tem vinte minutos que estou te esperando.
— Desculpe. – ele não parecia bravo, mas me senti na obrigação de pedir desculpas. – Vamos?
— Vamos sim!
Durante o caminho até o Byakugan, acabei cochilando no carro de Sasori e quando vi já estávamos em frente ao restaurante. Me olhei no espelho do carro e estava um desastre: cabelo molhado, cara amassada e um filete de baba escorrendo no canto da boca. Que sedutora, só que não.
Esfreguei os olhos e me espreguicei, posso usar a simples desculpa de que sou médica e tenho trabalhado pra cacete, não deu pra fazer melhor.
Saso e eu entramos no restaurante e fomos até a sala reservada onde estava acontecendo a comemoração de Itachi. Quando adentramos o local percebi que, de fato, não tinha muita gente.
Neji, Tenten, Naruto, Hinata, Ino e Sai, um rapaz loiro de cabelos cumpridos, que podia passar fácil como irmão de Ino, mas pela cara de felicidade de Sasori quando olhou o loiro, eu descobri que aquele era Deidara e não pude deixar de ficar feliz por meu amigo. Itachi, Izumi e meu moreno estavam no local também.
Neji estava no balcão fazendo alguma comida, que só pelo cheiro, meu estômago já saltitava de felicidade. Tenten e Izumi estavam em um canto conversando, enquanto Hinata, Ino e Deidara estavam em outro. Naruto, Sai, Itachi e Sasuke estavam de frente pra Neji separados por um balcão de granito preto.
— SAKURA-CHAN!!! – gritou Naruto que foi o primeiro a me ver. Logo um par de olhos negros intensos pousaram em mim num tom de surpresa. Naruto parece ter dito alguma coisa, mas eu nem me importei em ouvir.
Sasuke sorriu assim que me viu e eu senti meu peito acelerar como as batidas frenéticas dos tambores no Ano Novo Chinês. Minhas pernas estavam molengas e meus lábios formavam o mais sincero sorriso de felicidade.
Fui correndo em sua direção ignorando a tudo e a todos. Eu só queria ele, só queria estar nos braços dele. Os braços pra onde eu sempre queria e podia voltar.
— Como assim, você aqui? – indagou Sasuke enquanto afagava meus cabelos durante o abraço.
— Resolvi fazer uma surpresa... – falei sorrindo com a cara enterrada no seu pescoço, tomando aquele cheiro só pra mim. – Gostou da surpresa?
— Claro que eu gostei. – me deu um beijo cálido nos lábios ainda me mantendo em seus braços. – A melhor surpresa que eu poderia ter.
— Opa... será que eu ouvi surpresa? – disse Itachi atrapalhando o momento. Baka. – Como o aniversário é meu, a surpresa é minha.
Me desvencilhei de Sasuke a contragosto meu e dele, e abracei meu amigo, cunhado, irmão ou todas as alternativas anteriores juntas para felicitá-lo pelo seu aniversário.
— Feliz aniversário, Ita-kun!
— Obrigado, rosinha. Estou me sentindo importantíssimo hoje com a sua ilustre presença aqui!
— Não se sinta tão importante assim. – se intrometeu Sasuke. – Não foi de você que ela estava com saudade. – disse convencido. Ele não estava completamente errado!
— Hoje é seu aniversário por um acaso? – ralhou o Uchiha mais velho, enquanto o mais novo revirava os olhos. – Pare de se achar o último ticket dourado da Fantástica Fábrica de Chocolate!
— Nem você, a última garrafa de água do deserto! – devolveu Sasuke.
— Por favor! Não briguem, estou aqui pelos dois, ok? – sorri para ambos. Estava com muitas saudades.
— Own, que fofa! – falou Itachi. – Meu irmão é todo seu, rosinha. – disse por fim e saiu.
Me concentrei em Sasuke novamente, ainda tinha outros amigos pra falar, mas eu precisava dar um beijo com dignidade nesse moreno, se é que vocês me entendem.
O beijo de Sasuke era quente, envolvente e me causava – enormes – arrepios pelo corpo. Se a gente continuasse do jeito que estava, as imagens a seguir se tornariam impróprias para menores de dezoito anos!
Nos afastamos em buscar de ar e sorrimos cúmplices um para o outro. O mundo podia parar e eu poderia morar naquele momento para sempre.
Sasuke estava radiante, assim como eu, mas sua expressão mudou de uma forma que não sei explicar.
— O que aquele ruivo tá fazendo aqui? – ele parecia olhar Sasori com raiva nos olhos e eu não entendi o porquê.
— Ah, aquele é Sasori. – sorri, mas Sasuke continuou com a mesma expressão. — O meu amigo de Tóquio que fez faculdade comigo, eu te falei dele, lembra? – ele analisava Sasori como um falcão, observando cada detalhe de forma minuciosa.
Seus olhos pareciam confusos e eu diria até meio receosos. Sasuke nunca foi muito sociável, podia estar estranhando.
— Então, esse é Sasori? – indagou e passou a olhar de mim para o ruivo e vice versa.
— É sim! Vem, – peguei suas mãos. – vou apresentar vocês.
Puxei Sasuke e paramos em frente a meu amigo que agora conversava com Itachi e Deidara.
— Com licença, meninos. – me anunciei e puxei Sasori. – Sasori esse é Sasuke, Sasuke este é Sasori.
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