Daydream

8 Capítulo 8


Notas iniciais
Lulu na área. Espero que gostem do capítulo, bjs.

Era sexta depois da escola e Sebastian havia me arrastado para o shopping para tomar sorvete com sua irmã.

– Selly me falou sobre você. – Ela disse com um forte sotaque britânico me encarando com seus olhos cinza que eram tão penetrantes quando os de seu irmão mais novo. – Fico feliz que meu irmãozinho tenha amigos com juízo.

Sorri de lado e olhei para Sebastian com as sobrancelhas arqueadas.

– Selly? – Foi tudo que pude perguntar e o garoto revirou os olhos tomando um gole demorado de seu milk-shake de baunilha com pedaços de chocolate.

Katherine deu risada jogando seu longo cabelo escuro e liso sobre seu ombro. Ela, assim como Sebastian, parecia ter saído direto de uma revista de moda. Katy era tão alta quando Sebastian e me sentia mais baixa que o normal perto dos dois.

– Katy simplesmente me chama assim. Ela adora me provocar.

– Vejo que você tem a quem puxar. – Exclamei tomando um gole do meu milk-shake de chocolate com menta. – Já que adora me provocar por diversão.

– Você fica bem engraçada quando está brava. – Sebastian explicou. – Suas bochechas ficam coradas e você tenta me bater mesmo que eu seja quase o dobro de você em tamanho e músculos.

Revirei os olhos e Katy deu risada.

– Desculpa o atraso! Eu estava no treino e passei em casa para trocar de roupa. – Charlie disse desabando na cadeira ao meu lado. – Prazer, Charlote. Melhor amiga da Karma.

– Katherine. Irmã mais velha do Sebastian.

As duas sorriram e todos começamos a conversar e Katy nos contava coisas constrangedoras sobre Sebastian que fazia Charlie e eu gargalhar.

– Uma vez Selly decidiu que queria ter um cachorro. E não qualquer cachorro. Um labrador. Nossos pais cansaram de todo o choro e compraram um já grande e adestrado e então na primeira vez que papai e mamãe levaram o cachorro para casa assim que ele viu Sebastian pulou em cima dele, o derrubou no chão e começou a lamber o rosto do meu irmão. Eu nunca vi uma criança de cinco anos gritar e chorar tanto como naquele dia.

Charlie batia na mesa de tanto que ria e minha barriga doía e eu quase chorava. Sebastian olhava para nós duas com sua melhor expressão de desprezo.

– Eu vou pegar mais fritas. Não mereço tudo isso.

– Eu vou com você. Quero mais um milk-shake.

Observei Charlie provocar Sebastian até que os dois saíssem do alcance do meu olhar. Virei-me para Katy que me olhou maliciosa.

– Então... meu irmão fala muito sobre você. Eu deveria saber de alguma coisa?

Franzi a testa, confusa.

– Como assim?

Seu sorriso malicioso aumentou e percebi o quão parecida ela era com Sebastian.

– Meu irmão não é o tipo de garoto que fica falando sobre como uma garota é legal, gostosa talvez, mas não como ela é legal e esperta. E nem trás garotas para vir ao shopping com nós dois.

– Somos amigos. E vizinhos. – Revirei os olhos. – Por que todos pensam que estamos tendo alguma coisa?!

Katherine deu risada tomando um gole de seu milk-shake de morango.

– Por que meu irmão não é do tipo que têm amigas. E pior ainda. Ele não bate em caras por garotas. – Ela suspirou. – Só é estranho. Mas fico feliz que ele esteja com bons amigos que se importam com ele. E longe de festas e todas as baboseiras que fizeram meus pais se mudarem com ele para os Estados Unidos.

– Ele realmente causava muitos problemas, não é?

– Você não faz ideia, Ruiva.

...

– Foi legal passar um tempo com você, Queen. Espero que possamos sair só nós duas enquanto eu ainda estiver na América. – Katy disse sorrindo docemente para mim enquanto eu abria a porta da minha casa. Sebastian olhou com a testa franzida para a irmã mais velha, mas não disse nada. – E diga para sua mãe que mais tarde vamos com certeza ir jantar com vocês. Só tenho que fazer parecer apresentável. Até mais tarde.

Dei risada entrando em casa e logo fui atingida pelo cheiro maravilhoso de comida. Okay. Algo estava errado já que minha mãe era péssima na cozinha e queimava até água.

– Quem é você? E o que fez com a minha mãe?

Acusei quando vi mamãe mexendo nas panelas como se fosse uma chef.

– Engraçadinha. – Resmungou. – E eu posso não ter cozinhado tudo isso. Agora vá tomar banho que tenho certeza que Charlie vai chegar logo.

Dei risada subindo as escadas correndo e entrei no chuveiro tomando um banho demorado. Assim que sai procurei por uma roupa e acabei escolhendo uma blusa preta de manga comprida e com um decote razoável em V, meus shorts jeans claros e rasgados e um dos únicos pares de sapatilhas que eu tinha.

Depois te terminar de secar meu cabelo e o prender em um coque, desci para ajudar minha mãe, mas quando cheguei (na quase nunca utilizada) sala de jantar a encontrei sendo arrumada por Sebastian e quase dei risada.

O garoto que sempre usava camisetas de bandas de rock e jeans rasgados e velhos usava uma camisa social cinza, que realçava a cor de seus olhos, uma calça jeans escura, mas sem nenhum rasgo e que parecia nova, mas ainda usava all stars. Seu cabelo escuro parecia ter tentado ser penteado, mas foi perca de tempo já que ele continuava bagunçado e caindo em seus olhos. Sorri de lado com minha língua coçando com uma provocação em sua ponta. Mas então ele levantou o olhar e me viu e exclamou:

– Katherine me obrigou a colocar essa roupa e me perseguiu com uma escova. E tire esse sorrisinho do rosto.

Sorri ainda mais chegando mais perto dele enquanto arregaçava as mangas da minha blusa.

– Você até parece um garoto direito com essa camisa. – Ele me olhou como se sentisse ofendido e dei risada. – E ela combina com seus olhos. Eu gostei.

Sebastian me olhou de um jeito que acabei corando e quando ele abriu a boca para falar algo que começava com “Você está...” escutei Charlie gritando atrás de mim:

– Meu Deus! Alguém vai morrer hoje. Sua mãe está cozinhando! Nós realmente deveríamos rever a ideia de a denunciar para a policia quando ela apenas entrar na cozinha.

Forcei um sorriso me virando para Charlie que usava um belo vestido verde-água de alcinhas que inclusive era meu. Charlote usava mais as minhas roupas do que as suas.

– Ela não cozinhou. Não se preocupe. – Dei um sorriso presunçoso. – Belo vestido.

– Eu vou devolver... – Depois de um tempo completou. – Um dia.

Revirei os olhos e Charlie sorriu de lado. Ajudei Sebastian com os talheres e então fomos para a sala onde minha mãe e Katherine conversavam aos risos.

– É tão bom ver Karma se dando bem com alguém além de Charlote. – Mamãe dizia ao tomar seu vinho. – Ela costuma ser malvada com as pessoas que tentam conversar com ela.

– Ela ainda é malvada comigo. – Charlie resmungou.

– Megera! – Sebastian disse em meio a uma tosse falta e revirei os olhos o fazendo sorrir de lado.

– Sebastian também não têm muitos amigos. Selly costuma ser muito irritante.

– Sou obrigada a concordar com isso, Katy. – Exclamei e foi a vez de Sebastian revirar os olhos.

– Vamos comer antes que a comida esfrie. – Mamãe disse sorrindo enquanto se levantava do sofá. – Só é uma pena que seus pais estejam viajando.

– Eles são advogados muito ocupados. Eu meio que sabia que não os veria se viesse para os Estados Unidos, mas eu estava com saudades do meu irmãozinho.

Katherine bagunçou mais ainda o cabeço de Sebastian que sorriu de lado cutucando as costelas da irmã. Sorri sentindo um pouco de inveja por não me dar nada bem com meu irmão.

– Quanto tempo vai ficar? – Mamãe perguntou. Todos nos servíamos e admitia que estava um tanto receosa em comer. Minha mãe não era a melhor cozinheira do mundo.

– Mais alguns dias. Logo minhas aulas vão voltar. Eu realmente quase não tive tempo para vir, a faculdade e tantos trabalhos estão me deixando louca.

Mamãe deu risada.

– Eu sei como é. Não foi nada fácil fazer medicina e nos últimos anos de residência cuidar de Karma e Aaron. O pai das crianças, Sheldon, e eu ainda estávamos juntos, mas ele também era muito ocupado. – Mamãe deu um gole mínimo em seu vinho. – É uma pena que você só fique por mais alguns dias. O aniversário de Karma é daqui uma semana.

Sebastian imediatamente levantou o olhar de seu purê de batatas e sorriu de lado.

– Aniversário? Você não me disse nada sobre seu aniversário, Queen.

Suspirei remexendo minha comida com o garfo.

– Eu não sou fã de comemorar meu aniversário. Principalmente por que também é o aniversário do meu irmão e ele vem para o país para podermos “comemorar” juntos.

– Não seja tão malvada, Karma. – Mamãe me censurou com o olhar. – Seu irmão te adora. E seu pai está louco para te ver.

– Se você diz...

– Karma e Aaron não se dão muito bem? – Perguntou Katy, confusa.

– Aaron é apenas um pouco... difícil. – Mamãe murmurou.

Bufei.

– Eu sou difícil. Aaron é impossível. Ele se acha o dono do mundo e melhor que todos. E adora fazer da minha vida um Inferno. Mesmo no Canadá ele ainda manda mensagens só para me irritar e liga quando está no tédio para tirar uma com a minha cara.

Minha mãe suspirou parecendo derrotada.

Passamos o resto do jantar conversando sobre coisas aleatórias e engraçadas. E mamãe e Katherine ficavam trocando histórias da infância de Sebastian e a minha, mas mesmo com os relatos constrangedores era bom estar jantando com todos.

– Você realmente não gosta do seu aniversário não é?

Olhei para minha janela e lá estava Sebastian ainda usando as mesmas roupas de antes. Dei de ombros terminando de arrumar minha cama para eu poder dormir.

– Apenas não tenho muitas lembranças felizes nessa data. – Expliquei sentando na poltrona vinho já velha que ficava ao lado da janela.

Sebastian sorriu docemente se sentando na própria janela e balançando suas pernas longas.

– Eu vou providenciar que este seja uma memória feliz. Prometo. — E se inclinou perigosamente no espaço entre nossas janelas e me deu um beijo na bochecha. – Boa noite, Ruiva.

Sorri.

– Boa noite, Sebastian.

Então fechei a janela e me deitei pensando em como nunca havia ficado tão ansiosa pelo meu aniversário antes.

Notas finais
Comentários? O que acharam da Katherine?