Daydream
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Durante toda a viagem Grace me perguntava sobre Sebastian e como havíamos começado a namorar.
– Você é uma vadia. — Ela resmungou. — O que custava esperar mais um pouco para agarrar o gostoso?
Revirei os olhos.
– Não tenho culpa se você apostou com a minha mãe e a Charlie usando minha vida amorosa. — Sorri de lado. — E aconteceu muito rápido e eu estávamos um pouco bêbados.
– Vadia! Você já liberou? — Uma mãe com uma criança de uns sete anos sentada do outro lado do corredor do avião olhou brava para a minha irmã. — Desculpe.
– Ela não consegue se controlar. — Expliquei e a mulher bufou colocando seu filho para ver desenhos.
Contei toda a história envolvendo Mônica para Grace que bufou, dizendo:
– Posso dar um sumiço na vadia se você quiser.
Dei risada negando com a cabeça.
– Não precisa, G. E Charlie vai ficar de olho no Sebastian quando eu for embora e ele vai tentar me visitar.
O avião começou a descer e logo estávamos em Nova York.
...
– Ainda não acredito que todos os apartamentos que você e papai viram são coberturas. — Comentei quando eu e Grace olhávamos o último apartamento que tínhamos que ver.
A coisa que eu mais havia gostado nas fotos que Grace haviam mandado do apartamento em questão era a vista que tínhamos da cidade por conta de uma janela que ocupava toda a parede da sala. Imaginava como deveria ser lindo de noite com as luzes dos prédios.
A mobiliá em si era bem simples (apesar de ser uma cobertura enorme com cinco quartos), mas elegante em tons pasteis com detalhes em preto.
– Como podem ver o apartamento tem essa incrível vista para a cidade e tem muito espaço. Cinco quartos, três com banheiros, e um banheiro no corredor. Os quartos todos tem closets e a cozinha já está toda equipada assim como a casa está mobilhada, mas é claro que vocês podem trocar o que quiserem. — A agente imobiliária disse. Eu e Grace nos entreolhamos.
– Esse é o maior dos três. — Comentei me sentando no sofá bege que era bem grande e confortável. — Papai realmente está feliz.
Grace concordou se sentando ao meu lado nos sofá e dando alguns pulinhos. Ela estava bem bonita com um vestido cinza bem elegante e saltos. Se não fosse pelos muitos brincos e a maquiagem eu teria falado que ela era alguma supermodelo ou alguma grande herdeira. Apesar de que nós duas eramos grandes herdeiras.
– Esse apesar de ser maior não é tão exagerado nos moveis e nem tem estatuas com homens e seus pintos pequenos.
– Eu gosto da vista. — Comentei. — E a sala é bem iluminada. Ótima para ler.
– Teremos nossos próprios closets. E sua mãe ou Charlie podem ficar em um dos outros quartos quando virem nos visitar.
– Podemos falar para o porteiro não deixar Aaron entrar e não passar o código do elevador para ele.
– Você poderia colocar seus livros em um dos quartos. Só precisaríamos de prateleiras e de tirar a cama e o resto dos moveis.
– Okay. Vamos ficar com esse. — Sorri e Grace também. A agente imobiliária quase pulou de alegria.
– Vou mandar uma mensagem para papai dar entrada na papelada. — Ela suspirou. — E falar que vamos precisar de uma empregada. Nem eu ou você vamos ter tempo e disposição para limpar tudo isso.
– Tenho que concordar com você.
...
O hotel luxuoso em que ficávamos era ótimo e o serviço de quarto melhor ainda. Grace havia saído para se divertir e eu havia ficado no hotel para ler um pouco e ir dormir cedo para poder voltar para o Texas de manhã.
Já havia colocado meu pijama e deitado na cama com meu livro e um pedaço de bolo de chocolate quando meu celular tocou. O procurei na cama e sorri vendo que era Sebastian.
– Aló?
– Oi, Ruiva. Como as coisas estão ai? — Ele perguntou. Já estava sentindo falta do seu sotaque.
– Decidimos qual apartamento vamos ficar e agora estou no nosso hotel sozinha já que Grace saiu pra se divertir e me deixou lendo. Ou seja, tudo normal. Eai? Como as coisas estão desde ontem?
– Sua mãe não pode me ver que começa a ter ataques de risadinhas e ela e Charlie parecem estar tramando alguma coisa. E fico feliz que esteja ai no hotel lendo, assim nenhum cara fica de gracinha com a minha ruiva.
Dei risada. É claro que estavam.
– Não se preocupe. Minha mãe vai se acostumar com o fato de estarmos namorando. Ou pelo menos se controlar melhor. — Sorri. — E quem diria que Sebastian Lewis fazia o tipo ciumento? Não dizia nada disso na embalagem.
Ele deu risada.
– Assim como não dizia quase nada na sua. — Retrucou. — Você volta quando?
– Meu voo é amanhã cedo. Antes almoço já devo estar ai.
Ele me perguntou sobre o apartamento que eu e Grace havíamos escolhidos e se eu tinha algum vizinho que pudesse vir a ser uma ameaça. Acabamos ficando no telefone até tarde e só fui dormir quando Grace chegou de madrugada e me mandou ir dormir.
...
O voo foi tranquilo e eu dormir por toda a viagem.
– Você já deve começar a empacotar suas coisas. — Mandei quando desembarcávamos e Grace revirou os olhos.
– Tudo bem, mamãe. Nos vemos daqui algumas semanas.
Grace me deu um abraço se despedindo e já foi embarcar no avião que a levaria para o Canadá.
– Oi, Ruiva.
Olhei para trás e vi Sebastian com um sorriso de lado e as mãos nos bolsos da calça jeans em sua melhor pose charmosa. Sorri de volta e soltando minha mala me aproximei e lhe dei um beijo.
Sebastian me pressionava contra seu corpo apertando minha cintura e eu só conseguia pensar em como queria poder ficar o dia inteiro o beijando. Seus lábios tinham gosto de café e ainda estavam um tanto quentes por conta da bebida.
– As pessoas estão nos olhando. — Comentei rindo tímida e corando um pouco. Sebastian deu de ombros me dando um beijo na bochecha depois de um abraço apertado.
Ele pegou minha mala e de mãos dadas fomos para o estacionamento do aeroporto onde seu carro estava.
– Sua mãe ficou triste por poder não te buscar. Um acidente aconteceu na rodovia e ela teve que ir para o hospital cuidar de alguns dos feridos. — Sebastian disse dando partida no carro.
Suspirei.
– Entendo. Eu só achei que íamos sair para comemorar toda a coisa do apartamento, mas acho que eu e ela vamos ter que sair outro dia.
Sebastian franziu a testa.
– Podemos sair se quiser. Mando uma mensagem para Charlie e Dylan e podemos sair para almoçar. O que acha? Podemo ir no Elysium.
– No Elysium? Tem certeza? — Perguntei pensando em Jason que devia estar trabalhando por ser domingo.
Sebastian deu risada.
– Lá é seu restaurante favorito. E de bônus esfrego na cara do Jason que você é minha.
Revirei os olhos, mas ainda sorria. Peguei meu celular e mandei uma mensagem para Charlie falando que já havia chegado e que Sebastian queria sair para almoçar no Elysium e que ela e Dylan também deveriam ir.
Ao chegar em casa joguei minha bagagem ao lado da porta e fui direto para a cozinha procurar por uma lata de refrigerante. Enquanto terminava a bebida apoiada na pia senti Sebastian me abraçar por trás e apoiar o queixo no topo da minha cabeça.
– Minha irmã está querendo vir para o país de novo. — Ele comentou me abraçando mais forte. — E meus pais vão vir junto.
Franzi a testa pela expressão de Sebastian que não parecia nada feliz.
– Isso é bom. Não é? — Perguntei me soltando dele e olhando em seus olhos cinzas.
– Sim e não. Katherine sabe que estamos juntos e quer vir justamente por conta disso e ela contou para nossos pais e tenho medo de eles não gostarem de você e desaprovarem nosso namoro. Assim como desaprovam tudo que eu faço.
Me lembrei de como sempre Sebastian ficava mau humorado toda vez que perguntavam sobre seus pais e o por que de ele ter mudado para os Estados Unidos. Era bem aparente que Sebastian e seus pais não se davam bem por algum motivo e me lembrava de Katherine falando que seu irmão havia aprontado muitas coisas na Inglaterra.
Segurei seu queixo o fazendo olhar para mim e fiquei séria.
– Não se preocupe com nada disso. O importante é gostarmos um do outro. — Resolvi arriscar. — Você podia me contar o por que de ter mudado para cá.
Sebastian se soltou de mim não parecendo nada feliz. Seus olhos se tornaram sombrios e me arrependi no mesmo segundo.
– Desculpa. — Murmurei. — Não devia ter tocado no assunto.
Joguei a lata de refrigerante vazia no lixo e fui até a sala pegando minhas malas e a colocando ao lado da minha cama voltei para a sala onde Sebastian estava sentado no sofá com a testa franzida olhando para as próprias mãos.
Prendi meu cabelo em um coque frouxo e me sentei ao seu lado.
– Eu vou mandar uma mensagem para Charlie falando que não vamos mais sair.
– Mas achei que fossemos comemorar... — Sebastian começou, mas fiz um gesto para ele se calar.
– Eu toquei em um assunto complicado e você com certeza não está mais no clima de sair. Eu nem estou com fome mesmo. E tenho uma pilha de dever de casa para fazer.
– Não tem, não.
– Tanto faz. Não precisamos sair
Sebastian suavizou sua expressão e deu um sorriso fraco se aproximando mais de mim.
– Vamos no meu carro ou no seu? — Ele perguntou e quando fui contestar ele me olhou bravo. — Eu sei que você quer torta de chocolate.
...
Desci do carro e Sebastian entrelaçou nossos dedos e me puxou para dentro do Elysium. Charlie e Dylan abaram a mão ao nos ver entrando e nos juntamos a eles na mesa.
– Como foi em Nova York? — Charlie perguntou depois de me dar um abraço.
Sorri.
– Eu vou morar em uma cobertura. Tem um lado bom em um pai rico tentando te recompensar pelo divorcio dele e da sua mãe e por ele ter mudado de país.
Todos deram risada e então vi Jason vindo em nossa direção com um sorriso de lado. Carrie devia estar descansando como sempre fazia nos domingos não muito movimentados.
– Queen. Charlie. Garotos. O que posso fazer por vocês hoje?
– O de sempre. — Respondi lhe entregando o cardápio e Charlie concordou.
– Sopa de ervilha e Coca-Cola. — Dylan disse.
– O mesmo que a minha namorada. — Sebastian disse entrelaçando nossos dedos por cima da mesa. Jason arqueou uma sobrancelha loira, mas não falou nada anotando os pedidos.
– Só isso? Torta de chocolate, Karma?
– Sempre. — Disse e o garoto foi embora.
– Alguém está demarcando território. — Dylan comentou malicioso e Sebastian revirou os olhos.
– Estou apenas agindo normalmente com minha namorada.
– E como bônus deixa Jason avisado. — Completou Dylan rindo.
– Exato.
Eu e Charlie trocamos olharem e reviramos os olhos.
– Garotos. — Resmungamos juntas.
– Nem acredito que daqui algumas semanas eu vou para Nova York. — Comentei sorrindo. — Papai fez com que Grace fosse aceita na faculdade se ela passasse em uma prova que ela vai fazer logo quando nos mudarmos e ela está estudando como uma louca. Eu já estou dentro do curso de Literatura.
Sebastian bagunçou meu cabelo e me abraçou pelos ombros. Charlie sorria como se fosse Natal e Dylan me desejava parabéns.
– Claro que eu volto para a formatura e o baile, mas vou finalizar o ano mandando meus trabalhos e outras coisas por email para os professores. — Comentei mordiscando o pão que havia em nossa mesa. — Estou só vendo a pilha de dever de casa que vou ter.
Algum tempo depois Jason apareceu com nossa comida e paramos de conversar por algum para comer. Charlie reclamava sobre o fato de ter que ficar longe de mim até a formatura já que provavelmente não iria poder me visitar em Nova York e que teria correr e fazer outras coisas sozinhas depois que eu fosse embora. Dylan tentava consolar a namorada e eu e Sebastian dávamos risada por conta do drama da minha melhor amiga.
Claro que eu me perguntava como seria ir para a escola sem Charlie depois de tantos anos acostumada com ela sentando na cadeira ao lado da minha e pedindo cola. Sentiria falta dela puxando meu cabelo quando queria chamar minha atenção e passando bilhetes para falar o quão bonita ela se sentia no dia e me lembrando do dever de casa que eu deveria fazer.
Logo que terminamos nossa comida Jason trouxe um pedaço de torta de chocolate para cada um de nós e eu podia perceber como o meu pedaço era o maior entre nós.
– Vou sentir falta dessa torta. — Comentei praticamente gemendo ao colocar um pedaço no doce na boca. — Muita falta.
Todos reviraram os olhos e sorri de lado puxando a trança de Charlie com carinho e roubando um pedaço de sua torta.
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