Daydream
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Mamãe conversava com os pais de Sebastian o que me dava um pouco de medo. Minha mãe não era uma pessoa muito normal quando estava fora do trabalho. Ou até mesmo nele.
Eu e Katy observávamos tudo de longe junto com Sebastian que cuidava da churrasqueira. Havíamos tirado Pedra, Papel e Tesoura para ver quem ficaria na churrasqueira e tanto eu como Katy sabíamos que Sebastian sempre colocava pedra.
– Como acham que as coisas estão indo? — Perguntei.
Katy e Sebastian franziram a testa ao mesmo tempo.
– Mamãe está rindo junto com sua mãe. — Katy disse um tanto espantada.
– Nosso pai está sorrindo. — Completou Sebastian com mais choque ainda. — Sua mãe é uma bruxa e você não me contou?
– Ela provoca esse efeito nas pessoas. Meu pai costumava falar que mamãe era idolatrada na escola mesmo sendo uma nerd. Todos sempre a amam.
– Você claramente puxou ao seu pai. — Sebastian disse me provocando e revirei os olhos.
– Isso realmente é incrível. — Katy disse admirada. — Os três parecem estar se dando muito bem.
Então os três se levantaram e começaram a caminhar até nós.
– O cheiro está maravilhoso. — A mãe de Sebastian disse. Ele e a irmã se pareciam com ela. O mesmo cabelo escuro e as belas feições e Katy tinha o mesmo porte magro e elegante que a mãe enquanto Sebastian tinha o corpo parecido com o do pai e os irmãos tinham os mesmos olhos cinzas que o homem.
– Já estão quase prontos. — Comentou Sebastian virando alguns na grelha. Comecei a montar os hambúrgueres e logo todos estávamos comendo.
– Karma fez os hambúrgueres ela mesma. — Katy comentou sorrindo de lado.
– Eles estão deliciosos. — Sra. Lewis disse sorrindo e seu marido concordou.
– Obrigada, Sra. Lewis. Katy também me ajudou.
A mulher fez um gesto de desdem com a mão que não segurava seu lanche.
– Me chame a nós de Barbara e John, querida. Não precisa de toda essa formalidade já que namora nosso filho.
Sorri um tanto tímida concordando.
– Sua mãe disse que você está indo para a faculdade mais cedo por conta das suas ótimas notas. — Começou o pai de Sebastian parecendo um tanto impressionado. — O que planeja fazer?
– Literatura. Pretendo trabalhar em uma editora e quem sabe um dia publicar meus próprios livros.
– Eu já li alguns dos rascunhos de Queen. São incríveis. — Sebastian disse com a mão apertando meu joelho e sorrindo orgulhoso.
– Pode ser uma carreira difícil.
– Eu sei. Por isso vou me esforçar o máximo possível e mostrar que sou a melhor no que quero fazer.
Mamãe não conseguiu esconder seu sorriso orgulhoso.
– Você arranjou uma boa garota, filho. Não a deixe escapar.
Sebastian olhou para o pai um tanto chocado e concordou. Continuamos conversando com Katy contando coisas engraçadas sobre a faculdade e os país de Sebastian contando histórias engraçados sobre ele e Katy e minha mãe contando histórias constrangedoras sobre mim.
As coisas realmente foram bem melhores que eu esperava. Até Sebastian e Katy colocarem fogo nos hambúrgueres, mas pelo menos os pais do meu namorado haviam gostado de mim.
...
– Pode me passar aqueles livros? — Pedi para Charlie que me entregou os livros que havia apontado e os coloquei junto com os outros em uma das caixas de papelão que estavam espalhadas pelo meu quarto. — Obrigada.
Charlie, Dylan e Sebastian me ajudavam a empacotar minhas coisas já que mamãe estava no hospital trabalhando. Eu iria para Nova York daqui exatos três dias e nós quatro passaríamos o dia inteiro terminando de empacotar minhas coisas para elas poderem estar em Nova York quando eu chegasse lá.
– Vocês podem ir buscar mais caixas e fita na garagem? — Pedi para os garotos que concordaram saindo do quarto.
Fui até o meu guarda-roupa que estava praticamente vazio agora e por baixo de alguns cobertores encontrei a caixa onde guardava as histórias sobre o Sebastian Lewis que eu havia criado. Peguei a caixa e a olhei com a testa franzida. Parecia que eu escrevia aquelas histórias há anos atrás e não apenas a meses.
– Você contou para o Sebastian? — Charlie perguntou ao me ver guardar a caixa em meio as outras coisas que já estavam empacotadas. — Sobre o outro Sebastian?
Neguei com a cabeça.
– Ele com certeza me acharia maluca. Eu só não jogo tudo fora por que passei muito tempo escrevendo tudo isso e um dia posso querer ler para rir do quão ótaria eu sou. E tem muitas coisas que posso usar em uma das minhas histórias. — Charlie revirou os olhos e prendeu o cabelo loiro em um coque apertado. Podia ver a reprovação em seu olhar. Sorri de lado. — Talvez um dia eu siga seu conselho e transforme em um livro.
Minha melhor amiga deu um sorriso minimo enquanto colocava meus sapatos em uma das caixas.
– A escola vai ser uma merda sem você. Mais do que já é. — Charlie disse sem olhar para mim. — Estamos estudando juntas desde o que? O maternal?
Dei risada.
– Sim. Eu costumava odiar você. Todos te amavam na escola enquanto ninguém conversava comigo.
– Os meninos puxavam seu cabelo e pegavam seus brinquedos. Eu me lembro. Aaron que mandava eles fazerem aquelas coisas. Ainda me lembro de como minha mão doeu quando dei aquela surra neles.
Demos risada por alguns minutos relembrando do acontecido.
– Qual a piada? — Sebastian perguntou aparecendo com Dylan. Eu e Charlie trocamos olharem cúmplices e ficamos em silencio.
– Apenas lembrando de alguma coisas. — Charlie acabou dizendo. — Como Karma era uma garotinha indefesa quando eramos mais novas. Uma vez quando tínhamos oito anos alguns meninos ficavam provocando ela só por que Queen era ruiva tacando água nela para apagar o fogo no cabelo dela. Eu sempre tinha que consolar Karma quando ela chorava por causa disso.
Revirei os olhos.
– Eu superei isso. — Resmunguei. — A maioria desses caras vem me pedir ajuda nos estudos. Uma vez eu joguei água em alguns deles.
Charlie veio até mim e bagunçou meu cabelo carinhosamente.
– O que séria de você sem mim para bater nos valentões que sempre te atormentavam? — Ela disse enquanto apertava minhas bochechas e revirei os olhos.
Sebastian e Dylan deram risada.
– Lembre que fui eu que sempre te salvei dos caras chatos que davam em cima de você quando ficamos mais velhas. — Lembrei e Charlie concordou.
– Queen é tão chata que espanta as pessoas facilmente. Ela só precisa começar a falar fatos históricos desnecessários ou falar sobre livros antigos que ninguém conhece. Ou começar a gritar em francês ou latim. É bem útil as vezes.
– Você fala francês? — Sebastian perguntou curioso.
– Quem fala latim? — Questionou Dylan.
– Aprendi francês já que meu pai mora no Canadá. E aprendi latim por que estava com tédio e foi o que me pareceu mais interessante na época.
– Garota prodígio. Isso que eu digo. — Charlie disse puxando de leve uma mecha do meu cabelo e dei risada.
Tudo que eu queria era poder pegar Charlie colocar em uma das caixas e a levar embora comigo, mas agora eu teria que enfrentar meus valentões eu mesma.
Fale com o autor