Day by Day
1 Day by Day.
Notas iniciais
Os olhos da pequenina repousaram sobre a figura masculina deitada na pequena cama. De repente, sua mente foi tomada por um turbilhão de pensamentos e, involuntariamente, ela sorriu. Quando os olhos rubros encontraram os seus, desviou sua atenção rapidamente para o pequeno caderno apoiado sobre a escrivaninha de madeira.
Gajeel permaneceu encarando-a por longos minutos, tentando entender o que ela estava fazendo. Levantou-se e deu alguns passos, aproximando-se do pequeno móvel e, consequentemente, dela. Como um reflexo, Levy colocou as mãos sobre o caderno, na tentativa de esconder tudo o que estava escrito.
— O que é isso, baixinha? Está tentando esconder algo? — Gajeel arqueou as sobrancelhas, desconfiado.
— Hm... Claro que não. — Ela respondeu, um tanto quanto hesitante.
— Então por que está escondendo isso? — Apontou para o pequeno caderno, coberto pelas mãos alheias.
— Não estou escondendo. — Respondeu rapidamente. — São só anotações, nada importante.
— Ah, é mesmo? — Sem maiores esforços ou força, pegou o caderno de suas mãos. — Se são só anotações, você não vai se importar em me deixar dar uma olhada. — Ele disse, em seguida, levantou o caderno, tendo certeza de que ela não conseguiria alcançá-lo.
— Gajeel, me devolve o caderno. — Ela disse, dando pequenos pulinhos em uma tentativa falha de alcançá-lo. — Por favor, me devolva.
— Mas se são só anotações, não deveria estar tão preocupada. — Manteve o caderno no alto, porém virou-o de certa maneira que conseguisse ler o que estava escrito. — Dia 121... — Começou a ler o que estava escrito em voz alta.
Irritada, a pequenina cruzou os braços e começou a caminhar batendo os pés fortemente contra o chão, exatamente como uma criancinha emburrada. Embora tivesse razão para fazê-lo. Aproximou-se da cama e sentou-se, passando a fitá-lo com um enorme bico formado em seus lábios. Ainda tinha a falsa esperança de que Gajeel devolveria seu caderno e, assim, evitasse um enorme constrangimento. Levy suspirou, tentando acalmar-se ao ver que ele ainda olhava para o objeto, provavelmente absorvendo as informações contidas naquele pequeno pedaço de papel.
— Dia 121. — Ele retomou a leitura, abaixando o caderno e deixou-o em uma altura confortável para que pudesse ler. — Hoje completa-se exatamente 121 dias desde, provavelmente, o dia mais feliz da minha vida. Sei que soa infantil, mas não consigo largar essa mania de anotar praticamente tudo. Parece que dessa forma,, sempre que eu reler, poderei lembrar-me exatamente das mesmas sensações que vivenciei em cada momento que passei ao lado dele. Hoje não é um dia especial, não é um aniversário, não saímos em nenhuma missão, mas eu estou feliz. Estou feliz porque ele está aqui comigo, sozinho, apenas comigo. Ele não dedicaria o dia dele só para mim se não se importasse comigo e, toda essa dedicação me deixa feliz. Certamente, Gajeel não é uma das pessoas mais carinhosas do mundo, mas quando o fico olhando assim, quando está distraído, eu não consigo deixar de pensar que, apesar de tudo, ele está sempre cuidando de mim, está sempre me protegendo. Talvez essa tenha sido a melhor forma encontrada para demonstrar como se sente e, particularmente, eu gosto. Porque apesar desse jeito de durão dele, Gajeel está sempre me fazendo sorrir. Se não fosse assim, talvez o que temos não seria algo tão especial. Se não fosse assim, talvez eu não estivesse tão feliz pelo simples fato dele estar deitado na minha cama agora. É por isso e por mais infinitos motivos que ele me faz feliz.
Naquele momento, as bochechas de Levy ficaram tomadas por um tom rosado. Estava envergonhada. Não por amá-lo, nem porque havia escrito aquilo, mas porque ele havia lido e sabia que Gajeel não estava acostumado a muitas trocas de carinhos. Entretanto, o que tinha era o suficiente. Ela gostava exatamente de como era e não queria que nada mudasse. Estava feliz com ele, tão feliz que aquelas palavras não pareciam nem um terço do que sentia. A azulada ficou quieta, imóvel, apenas esperando uma reação do dragon slayer, que permanecia estático, embora parecesse um pouco pensativo.
Ele não disse nada e aquele silêncio estava a matando por dentro. De repente, o som de passos se aproximando da cama quebraram todo aquele silêncio constrangedor. E, internamente, ela agradecia por isso, apesar de ainda encontrar-se envergonhada demais para dizer qualquer coisa. Por conta disso, desviou seu olhar para os lados, evitando qualquer tipo de contato visual que pudesse piorar a situação. Quando finalmente reuniu coragem para encará-lo, virou o rosto, deparando-se com ele próximo demais. Ele estava ajoelhado, na sua frente, a sua altura e mais perto do que ela esperava. Isso foi o suficiente para que suas bochechas rosadas tomassem um tom ainda mais avermelhado.
— Baixinha. — Gajeel guiou uma de suas mãos até o cabelo azulado da pequenina e, em seguida, bagunçou seus fios delicadamente. — Isso são só anotações?
— E-Elas... Elas não deixam de ser anotações, ok? — Disse, com a voz pouco trêmula, devido ao nervosismo e à vergonha.
— Você escreve isso desde que...
— Sim, desde que você me pediu em namoro. — Respondeu, cortando a fala alheia, ainda sem olhá-lo diretamente nos olhos.
Gajeel levantou-se, discretamente, e sentou-se ao lado dela na cama, fazendo com que, novamente, ficassem olhando um para o rosto do outro, retomando o contato visual. Ele suspirou, agora também estava nervoso. Tanto quanto ela, embora nunca fosse admitir isso.
— Eu quero que ouça bem, eu vou dizer só uma vez, tampinha. — Ele rolou os olhos, fingindo desinteresse naquela conversa, mas, na verdade, era tudo fruto de seus próprio nervosismo. Respirou fundo, reunindo toda a coragem que tinha para sussurrar apenas quatro palavras. — Eu te amo, baixinha. — Aproximou-se rapidamente e deixou um selar rápido em sua testa, logo, se afastou novamente.
O rosto de Levy ficou ainda mais rubro, se é que isso era possível.
Aquela foi a primeira vez, naqueles 121 dias de namoro que ele lhe disse diretamente que a amava. A pequenina permaneceu a encará-lo, imóvel, sem conseguir respondê-lo, embora já soubesse exatamente quais palavras devesse usar. Estava surpresa, talvez mais do que o esperado pelo próprio Redfox, que a fitava a espera de uma reação.
— Eu também te amo. — Ela respondeu, com um enorme sorriso presente em seus lábios.
Impulsivamente, aproximou-se do namorado e o envolveu com seus pequenos braços, que mal davam a volta ao redor do corpo do dragon slayer. Rapidamente, ele passou os braços cuidadosamente em volta do corpo frágil e delicado da pequena, abraçando-a com o maior cuidado possível. Delicadeza que nem ele imaginava que tinha.
Mal ele sabia que ela escrevia sobre ele constantemente desde o dia que percebeu que sentia algo a mais pelo dragon slayer. Estava acostumada com sua postura de durão, certamente e até mesmo gostava disso, porém uma mudança de vez em quando não fazia mal e, naquele momento, não podia expressar tamanha felicidade que sentira ao, simplesmente, ouvir três palavras. Três palavras que, provavelmente, aos olhos de qualquer outro casal, era algo cotidiano e simples. Entretanto, não para eles. Tudo era diferente quando se tratava de Gajeel e Levy, afinal, eles eram como opostos, porém o encaixe perfeito um do outro e era exatamente isso que tornava aquele relacionamento tão peculiar e tão especial. Era isso que os fazia tão feliz.
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