Dawn of the living dead
9 8. O ataque
Notas iniciais
Vampiros eram cruéis.
Isso era algo que Gwendolyn aprendera — primeiro com os filmes que havia assistido e mais tarde sentira na pele. — depois de tudo. Então, quando ela despertou após a sessão de tortura, e isso pareceu mudar, a Davis começou a se preocupar.
Deveria ter um motivo por trás da aspirina que ela havia recebido de um Félix divertido com sua dor. A certeza só aumentou quando ela fora guiada pelo vampiro ao banheiro do apartamento, com algumas roupas e toalha.
Que porra era aquela?
Após entrar no banheiro, — fechando a porta por preocupação, mesmo que soubesse que não adiantaria nada contra os sanguessugas. — se despir e desmoronar na luxuosa banheira, o sofrimento pareceu despencar sobre a garota, a fazendo se encolher envolta da água.
A tortura feita por Jane a destruiu um pouco mais do que pensara, porém, havia sido bom. Masoquista ou não, Gwendolyn encarou aquele episódio como libertador. Ela pôde gritar — de dor, de raiva, de medo. — o quanto quis, ela se sentiu como antes: uma humana frágil, não uma pessoa morta, insensível.
Deveria ser verdade o que diziam. Existia sim, prazer na dor. Mas no caso dela, também havia libertação e uma forma de lhe fortalecer.
Naqueles minutos que passara na banheira, a garota se perguntou quantas vezes teria que se desmontar e se reconstruir. Porque era o que fizera durante sua vida inteira. Foi o que fez quando perdera a mãe e agora era o que fazia após a morte.
E quem diria que a vida após a morte seria o próprio inferno na terra?
Quando as lágrimas silenciosas se misturaram a água e seu corpo estava limpo, Gwen reuniu sua coragem e se levantou, buscando a toalha.
O algodão macio era uma carícia contra sua pele, lhe transmitindo uma sensação de conforto. Por isso, ela se secou o mais rápido possível, se enfiando dentro das novas roupas.
Davis não poderia se dar este luxo. Não quando ela não o tinha e principalmente, não quando era oferecido pelos Volturi.
Por um segundo, tentou imaginar como eles haviam conseguido a calça jeans que — um número maior que o dela — usava, junto com a blusa simples, ambos acompanhados por um sapato fora de moda. Chutou que Jane tivesse os comprado e de propósito quisesse a fazer parecer alguém desmerecedor de uma segunda olhada. Gwen já a odiava.
Seus cabelos estavam molhados, mas não perdeu tempo com eles. Os secando o melhor que pôde, ela os deixou soltos, respirando fundo para depois adentrar o outro cômodo.
Só então se deu conta do que não percebera: o rastreador, como Jane o chamara, perto da poltrona em que estava antes. E o mais suspeito era a bandeja em suas mãos.
A barriga da garota roncou.
— Pensei que você estaria com fome depois dos acontecimentos.
Demetri teve a ousadia de sorrir, estendendo a bandeja para ela.
Gwendolyn soube naquele momento que não gostava dele sorrindo. Não quando o fazia ficar mais bonito ainda, e não quando ele estava zombando de si.
A Davis decidiu arriscar, sentindo que havia perdido a luta contra seu lado impulsivo:
— Claro. Até porque tudo se resolve com comida. — com a expressão fechada, a garota caminhou até ele, aceitando a bandeja. — É assim que vocês vêem os humanos?
O rastreador ergueu uma sobrancelha, observando-a assumir o assento na poltrona. Ele continuou em pé, os olhos fixos nela.
— Não. A maioria de nós os enxerga como nosso alimento, o que não deixa de ser verdade. — O sorriso irônico se formou lentamente. — Pensei que após sua conversa com Jane, você aprenderia a segurar sua língua.
Avançando na comida, sem parar para questionar se estava ou não envenenada, Gwen atacou. O cheiro do frango era demais para sua fome, a levando espetar o alimento com mais força do que o necessário.
— Desculpe, mas por que você pensou isso?
Seus olhos se fixaram com os do vampiro e lentamente, ela abocanhou um pedaço do frango. Demetri franziu a testa, a observando mastigar muito lentamente e com força.
— Era de se esperar depois dos seus gritos. Pensei que você seria esperta demais para termos esta conversa. Eu estava enganado.
O frango foi espetado de novo e de novo. Gwen demorou alguns instantes, se esforçando o bastante para equilibrar a vontade de devorar a comida e ofender o Volturi.
— Você não faz noção do que eu aprendi. — ela passou a língua pelos lábios, tentando tirar algum resquício de comida. Os olhos do Volturi acompanharam o movimento. — Ela é uma vadia.
A risada de Demetri a surpreendeu. Primeiro, não era assustadora como os filmes faziam parecer. Era agradável aos ouvidos. Segundo, ele não estava rindo dela. Estava rindo do seu comentário.
Definitivamente, havia algo muito suspeito.
— Não fale assim dela. — o riso morreu, mas o olhar de divertimento ainda estava lá. — Pelo menos não na frente dela. Ou de Alec.
Os gêmeos.
Então se lembrou do que Jane havia dito.
Pode ser que não tenha seu jantar hoje.
Por um momento, a humana se perguntou o que diabos estava fazendo. Desde quando ela se permitiu ficar tão relaxada na presença de um assassino? Estava quebrando uma das regras que seu pai havia lhe explicado: criminosos não são confiáveis.
O que o seu pai diria sobre vampiros?
Demetri pareceu perceber a mudança da garota, pois logo fez questão de declarar:
— Félix foi para o aeroporto, resolver nossa viagem à Voltetra. Quando você acabar, partiremos.
O garfo quase caiu da mão de Gwen. Então era aquilo. Ela estava a uma refeição de viajar para sua morte. Ou de mais uma sessão de tortura.
Mas entre ficar na mesma cidade em que seu pai estava, em que Bella se mantinha feliz com sua família depois do que fizera, e saber que Riley estava por aí, a fazia se questionar sobre ir embora. Seria mais fácil, não?
E depois de tudo, ali estava um dos vampiros, a esperando pacientemente terminar sua refeição. Com ou sem desconfiança, e seja lá o preço que ela teria que pagar quando chegasse a Voltetra, Gwendolyn pagaria. Ela não havia tido um surto de coragem antes para fraquejar naquele momento.
— O que vocês farão comigo?
O vampiro a encarou enquanto a mesma depositava a bandeja na outra poltrona. Ele observou as gotas de água pingando do seu cabelo, escorrendo por seu pescoço. Talvez ela nunca se acostumasse com aquilo. Talvez nem ele.
— Nossos mestres decidirão. — sua voz assumiu um tom impaciente, assim como seus olhos absorveram um lampejo severo. — E desta vez, siga o meu conselho: não ataque com palavras. Não se quiser virar o meu jantar desta noite.
Virando-lhe as costas, ele saiu. Gwendolyn respirou fundo, tentando entender o que havia acontecido.
De repente, Demetri Volturi não era tão paciente assim. Ela deduziu ser a fachada caindo, já que não precisava de mais jogos.
Gwendolyn Davis estava exposta. Não apenas suas fraquezas como humanas, mas também sua vida. Tudo dependia de como ela se sairia na cidade italiana, e das suas informações. Então percebeu que se jogasse bem, — cuidadosamente, sem entregar tudo de uma vez. — ela sobreviveria por mais algum tempo. Mas se fosse ao contrário, então ela seria sua própria carrasca.
Se levantando para seguir o vampiro, Gwen se tocou que Riley esteve certo o tempo todo. Ela sabia dos nomes, estavam todos lá. Mas isso seria o suficiente para mante-la viva?
♛
" A Feiticeira não deixarás viver".
A bíblia, aberta em Êxodos 22:18, estava caída no altar sagrado. Em suas páginas, respingos vermelhos manchavam as mesmas. Ao lado da bíblia, o corpo do padre se mantinha imóvel, envolta do seu próprio sangue.
Na velha igreja situada em Seattle, o cheiro de morte rondava o lugar. Espalhados nos bancos, corpos e mais corpos de fiéis estavam jogados, sem vida. Pendurados em seus pescoços, homens e mulheres afundavam a boca no líquido carmesim que descia.
Contudo, não eram vampiros. E exatamente por esses motivo, a cena era bizarra e macabra.
Em duplas ou separados, mortos-vivos se comportavam como sanguessugas, inserindo a maior quantidade de sangue possível.
A cena toda acontecia enquanto no centro, uma mulher observava, com os olhos hipnotizados pelo o que estava vendo. Em sua mão direita, a faca suja com o sangue do padre se encontrava balançando no ar, como se estivesse ansiosa por mais mortes.
Uma melodia saía de sua boca, dita em um idioma totalmente desconhecido.
À medida que a música ia soando, os mortos-vivos pareciam ficar mais alucinados, sedentos de sede.
Com satisfação, a mulher viu sua criação dar certo: os mortos haviam voltado com um propósito. Ainda eram humanos, mas isso era algo que poderia ser remediado.
Seres humanos eram predadores naturais, capazes de fazer o que fosse pela sobrevivência. Agora, mortos trazidos da vida, com o medo de voltar a tumba pairando sobre suas cabeças... era excitante a forma como aquilo poderia ser desesperador.
Estava tudo correndo conforme o planejado. Só havia um empecilho: a falta do sangue da peça chave escorrendo por seus dedos.
♛
Em todos os séculos em que viveu, o rastreador Volturi nunca havia sido tentando tanto quanto naquele momento. O cheiro peculiar da humana o fazia querer fechar os olhos e desfrutar daquele aroma. Paz. Era algo que o lembrava dias de um passado tão longe, que era doloroso recordar.
— Então... um jatinho? Vocês são mesmo da realeza. — a voz da humana preencheu o silêncio dentro da BMW vermelha, a mesma que partia para o aeroporto de Forks.
Demetri não a encarou, mas deixou que um pequeno sorriso aparecesse em seu rosto. Depois de tudo, ele precisava ganhar espaço. Era isso ou ter que aguentar os próximos dias com a humana o enfrentando. E que Deus o ajudasse, ele não teria problema em cravar suas presas no pescoço dela. Não se Gwendolyn continuasse a provoca-lo com aquele olhar.
— Você ainda tinha dúvidas?
Ele a viu revirando os olhos pelo retrovisor, algo que o fez sorrir mais. Ele não parecia estar mais bravo como antes. Talvez ele não sugaria até a última gota do seu sangue. Pelo motivo mais óbvio: aquele ser enigmático tinha respostas que seus mestres queriam.
Mas quem disse que o rastreador não poderia jogar? Demetri se divertia muito com caçadas. E quando se tratava de caça à mulheres... o jogo ficava muito mais interessante.
— Se eu tinha dúvidas que você não me machucaria? — Davis fez aspas com os dedos, o encarando acusadoramente. — Ah, não! Por que desconfiar de alguém que quase te come com os olhos?
Inesperadamente, Demetri riu. Entre todas as coisas que poderia fazer, — de gritar a arremessar para fora do carro. — ele gargalhou enquanto fazia uma curva na estrada deserta.
Era Forks, uma cidade pequena com habitantes ultrapassados. Quem em sã consciência sairia dali? E quem seria maluco o suficiente para entrar ali?
Com os braços cruzados e uma expressão frustrada, Gwendolyn o encarava como se pudesse o icinerar ali mesmo. O mais engraçado era que ela não parecia estar incomodada com o cabelo espalhado no rosto, provocado pelo vento.
— Come com os olhos, é? — sem se aguentar, Demetri desviou os olhos para ela, ainda com ambas as mãos no volante. Gwen arregalou os olhos. — Que linguajar mais vulgar, senhorita.
O rosto da garota se tornou vermelho, e logo ela desviou os olhos para a estrada ainda com os braços cruzados.
— Você é um idiota. — sussurrou, aborrecida.
— E você perdeu o medo de morrer. — retrucou ele, voltando a atenção para a estrada, para o alívio da humana. — Deve ser uma reação depois de voltar à vida.
Os dentes de Gwendolyn se trincaram, e ela apertou os braços. O curativo ainda continuava lá, já que a mesma não havia tido coragem de tira-lo e correr o risco do sangue incitar os vampiros.
Mesmo com toda raiva, Davis permaneceu em silêncio, encarando a estrada furiosa. Demetri resolveu lhe dar uma pausa, sabendo que não seria legal esgota-la antes de chegar a Voltetra. Ele teria os próximos dias para isso.
As possibilidades passaram pela cabeça do rastreador quando ele sentiu. O cheiro de podridão o atingiu, fazendo seus dedos se curavrem no volante.
Sutilmente, o vampiro virou a cabeça para a floresta que margeava a estrada, focalizando a visão além do que os olhos humanos poderiam enxergar.
O barulho de algo se chocando na floresta soou pela estrada.
— O que foi isso? — Gwendolyn perguntou, a cabeça virada em direção a mesma.
Por instinto, Demetri acelerou o carro, para o desgosto da humana.
O uivo de lobos ecoou dentro da floresta, assustando-a ainda mais.
O pé do Volturi pisou mais forte no acelerador, fazendo a garota se agarrar ao cinto de segurança.
— Que porra você tá fazendo?
— Dirigindo. — os uivos aumentaram, no mesmo instante em que as folhas das árvores se agitaram rápido demais para ser apenas o vento. — Estão nos seguindo.
A próxima pergunta de Gwendolyn ficou presa em sua garganta quando um tronco de árvore foi jogado na direção deles.
Habilmente, Demetri desviou o carro, o fazendo deslizar em círculos pela estrada.
— Se segura.
Porém, a ordem do vampiro foi ofuscada quando os olhos da garota pararam em algo em cima de uma árvore. Ou melhor, alguém.
Riley Biers a encarava intensamente, seus olhos vermelhos trancados com os seus em uma luta de reconhecimento. Fora ele que jogara o tronco neles. Fora ele que tentara a matar. Mais uma vez.
— Riley está aqui! Lá. — ela apontou para onde ele estava antes.
Demetri observou o lugar por um segundo, não encontrando nada. Sem tempo para explicações, ele começou uma verdadeira fuga com o carro.
E Gwendolyn entendeu o motivo assim que o automóvel esportivo atrás deles apareceu.
James estava dirigindo velozmente, sem se preocupar com a velocidade. O coração dela também entrou na corrida de velocidade, a deixando transtornada. Seus piores pesadelos em um só lugar.
Demetri percebeu a expressão da garota, assim como seu batimento cardíaco alterado. Mais um pouco e ela teria um ataque.
Não tão corajosa agora.
— Você precisa se acalmar.
— Eu não consigo! — suas mãos tremiam, garradas ao cinto. — Ele vai me pegar! Riley e James estão aqui!
Demetri não tinha tempo para saber toda a triste história da garota com ambos vampiros, — não quando precisava fugir de um maníaco. — muito menos para descobrir o motivo da perseguição. Ele precisava cumprir sua missão ou então ele seria morto.
Morto por não proteger a humana.
Ela agora é sua responsabilidade, Demetri.
O rastreador precisava se lembrar de cobrar um favor a Jane.
— Ninguém vai pegar você, Davis. Pelo menos não hoje. — ele a assegurou, lhe dando um breve olhar confiante.
Gwendolyn o observou, ainda tremendo. O que diabos eles haviam feito com aquela garota?
James bateu o carro contra o deles, levemente. Gwen gritou enquanto Demetri lançava um olhar mortal para o vampiro loiro logo atrás.
— Olá, Gwendolyn. Está gostando da brincadeira? — a voz maliciosa de James fez a garota se encolher.
Demetri rosnou, cheio de ódio pelo vampiro estar atrapalhando sua missão. Era hora dele acabar com aquela cena patética.
De repente, ele freiou. James passou a toda velocidade por eles, rindo loucamente. Com certeza, achava que estavam fugindo.
Mas Demetri era mais esperto. Olhando para a humana, soltou seu cinto em um piscar de olhos, segurando seu braço com as mãos frias. Ele se inclinou em direção a ela e quando estava perto demais da sua orelha, sussurrou:
— Quando eu disser, pule.
Sutilmente, o rastreador destrancou a porta ao lado da garota. Gwen piscou, confusa. Demetri voltou a posição anterior, com ambas as mãos no volante, determinado.
— O que você está fazendo? — ela também sussurrou, se recuperando do choque. Parecia que seu instinto mais primitivo estava despertando.
Demetri voltou a dirigir, os olhos cravados no carro em frente, este correndo pela estrada como se estivesse em uma corrida.
— Salvando sua vida pela segunda vez. Depois dessa, você não terá dúvidas que sou o policial bonzinho.
Ele sorriu sinistramente, acelerando outra vez.
James continuava dirigindo, esperando pela presa.
O corpo de Gwendolyn parecia pesado demais para ela suportar, mas a adrenalina estava lá.
— Pule. Agora.
Automaticamente, o subconsciente da Davis assumiu.
Seu braço empurrou a porta destrancada, a abrindo. Sem pensar duas vezes, ela se jogou para fora.
O carro acelerou ainda mais quando o impacto do seu corpo contra o chão chegou. Rolando, Gwen gritou em meio a dor dos arranhões provocados pela queda. O mundo pareceu girar nas cores cinza do céu nublado, o verde da floresta e o vermelho da explosão.
Explosão.
Levantando a cabeça, — com a visão saindo e entrando em foco. — Gwendolyn viu os dois carros capotados, com o fogo os consumindo. Então era aquilo. Demetri havia acelerado o automóvel, o levando para uma batida mortal. Fora por isso que a mandara pular.
O cheiro de fumaça a atingiu, a deixando mais tonta do que antes. Sentada no meio da estrada, Gwen tinha mil e umas perguntas.
Onde estava Riley? Ele a mataria? James estava morto? Demetri havia escapado? Por que ele havia a salvado?
A resposta veio quando ela o viu, parado à poucos metros da cortina de fumaça: porque ele era um soldado. E como todo soldado, ele tinha que cumprir sua missão.
Jane havia dito alguma coisa sobre ela ser responsabilidade dele. E ele havia mesmo tomado isso, não é?
Demetri atravessou a cortina de fumaça, gesticulando que estava tudo bem. Ela levantou o polegar, dolorida, para sinalizar que estava ok. Ela estava, não estava?
O rastreador levou a mão para dentro do manto que usava, tirando um celular lá de dentro. Gwendolyn suspirou, sabendo quem era. Ótimo, agora eles ligam. Onde estavam a cinco minutos atrás?
Tossindo pela fumaça, a humana se esforçou a se levantar da estrada suja. E novamente, ela estava um caco. Ser ameaçada, trocada e alvo de um atentado em um único dia... ela estava se superando.
Com o pavor passando aos poucos, a Davis começou a analisar o próprio corpo para ter certeza que não havia quebrado algo. Foi quando suas mãos tocaram o curativo em seu braço, o mesmo estava imundo.
Reprimindo um grunhido, a jovem o arrancou cuidadosamente, preparada para a ferida horrenda.
A nova onda de tosse se transformou em um engasgo quando seus olhos observaram o próprio braço.
Desenhado em sua pele queimada, um símbolo se destacava: uma espiral cortada no meio.
A sensação de déjà vu a arremeteu, a fazendo largar o curativo. Algo no fundo da sua mente parecia reconhecer o símbolo, a parte que estava em branco depois que ressuscitara.
— Você está bem?
Demetri estava atrás dela, guardando o celular em seu devido lugar. Uma tremenda sensação de medo a tomou, a fazendo pressionar o dedo em sua ferida.
Os olhos do vampiro se desviaram para o lugar, logo adquirindo uma dureza após observar o mesmo que ela.
— Eu... eu estou. — mas sua voz era tão trêmula que ele não acreditou.
Durante alguns segundos, Demetri apenas ficou encarando o símbolo, seus olhos fixos na pele queimada. Lentamente, ele segurou a mão da garota e abaixou. Gwendolyn o encarou, sentindo o frio da sua mão.
— Alec está vindo. Logo sairemos daqui.
Davis assentiu, tentando com todas as forças não desmaiar. Não queria ser patética a esse ponto.
Então, ela afastou sua mão do aperto do Volturi, encarando a floresta agora silenciosa. Riley estava lá, em algum lugar.
Em meio a dúvidas, o medo que sentia, e o olhar questionador do vampiro, Gwendolyn jurou que um dia encontraria Biers. E seria um dia em que ela o faria pagar por tudo. Afinal, Riley havia começado todo o terror que era sua vida agora. E por isso, Davis terminaria com sua diversão.
Porque ela só estava começando o inferno que seria a vida de todos. Eles pagarão.
E a lista só estava crescendo.
Fale com o autor