Dawn of the living dead

7 6. Ofertas e traições


Notas iniciais
That's the price you pay Leave behind your heart and cast away Just another product of today Rather be the hunter than the prey And you're standing on the edge, face up 'Cause you're a natural A beating heart of stone You gotta be so cold To make it in this world Yeah, you're a natural Living your life cutthroat You gotta be so cold Yeah, you're a natural... ♪♪ ➞ Notas finais são importantes!

Graham Davis encarava a garrafa de whisky quase vazia em sua mão, sentindo o álcool fazer efeito. Sentado no porão da nova casa, ele deixava as lágrimas descerem livremente por sua face, sentindo toda dor vir à tona novamente.
Se fechasse os olhos e se concentrasse bem, poderia visualizar o perfil da garota na delegacia. Conseguia até mesmo imaginar sua voz a gritando no silêncio da noite, lembrar da adrenalina que foi a perseguir pela entrada e se quisesse se esforçar ainda mais, sentiria o desespero de ve-la entrar no carro que surgira em alta velocidade, a afastando dali.
A garota parecia com Gwendolyn, sua Gwendolyn. A amada filha que fora tirada dele. A mesma que desejara voltar a vida e que agora, poderia ter voltado.
Uma alucinação.
Conforme ia secando a garrafa, sua imaginação pareceu se soltar. Vários cenários passaram por sua cabeça, e foram todos eles que o levaram ao local em que se encontrava caído e bêbado. As pilhas de caixas da mudança ainda continuavam no mesmo estado por ele não ter tido a coragem necessária para as abrir. Porém, quando se tem várias doses de coragem líquida, se pode fazer até mesmo o impossível.
A caixa revirada em seu colo era a prova. Na mesma, o nome Gwendolyn estava escrito. Graham observava os pertences da garota que decidira esconder, não pelo sofrimento, mas por segurança.
As lembranças de um passado distante o atingiram, o fazendo jogar a garrafa vazia contra a parede. Cacos de vidro explodiram pelo porão, e o policial se viu em cada pedacinho caído naquele chão. Partido e irreparável.
Mas havia algo pior do que ficar rodeado de memórias e objetos pertencentes à uma morta: encarar o que havia no fundo da caixa.
Uma foto. Não exatamente quem estava nela, mas sim um símbolo em especial.
Na foto havia uma mulher parecida com Gwendolyn Davis, porém, mais velha. Ela sorria, abraçada com uma garotinha, sua filha, a própria Gwendolyn. Os olhos de Graham se detiveram no pulso da mulher, onde o símbolo negro se destacava: uma espiral cortada ao meio.
A raiva o atingiu, o levando a soltar a foto como se a mesma estivesse em chamas. Ele sabia de quem era a culpa, mas também sabia que não podia fazer nada. Porque quando o destino chama, você não pode engana-lo. E Graham Davis sabia que aquele tinha sido um erro que sua família havia cometido e que agora, estava na hora de paga-lo.

Demetri sentiu o perfume da humana antes que se desse conta.
Após sair do bordel, — deixando dezenas de corpos com membros arrancados, algumas prostitutas histéricas e o bar completamente destruído. — ele e Félix partiram a procura de Davis. O rastreador havia prometido que a encontraria, e era exatamente isso que pretendia. Félix assobiava baixinho, como se um massacre não houvesse acontecido minutos atrás, ou, como se não estivesse coberto por álcool, cacos de vidro e sangue. Mas Demetri não poderia fazer piada com aquilo, não quando ele mesmo se encontrava da mesma maneira.
Depois de alguns quarteirões, o cheiro ficara mais forte em um beco. Típico.
Suspirando, aborrecido pelo imprevisto da noite, ambos vampiros entraram no estreito local, sendo atingidos pelo cheiro de lixo e algo mais.
Demetri trincou o maxilar quando o perfume da humana o atingiu, misturado com alguma coisa podre. O mesmo cheiro do galpão. Sem perder mais tempo, o rastreador da elite Volturi caminhou até o corpo caído de Gwendolyn, se ajoelhado perante ela. Seu coração batia um pouco mais lento do que o normal, e ele percebeu que a mesma não estava dormindo pela exaustão. Não, a humana havia desmaiado. Com uma rápida olhada pelo seu corpo, ele viu um curativo em seu braço.
Félix sorriu zombeteiro observando os passos do amigo. O mesmo puxou a garota para seus braços, e sobre o olhar questionador do vampiro maior, ele a jogou sobre seu ombro. Félix riu.

— Muito gentil, Demetri.

— Guarde seus comentários, amigo. Precisamos ir, ainda temos que entrar em contato com os gêmeos. — o Volturi ajeitou o corpo de Gwendolyn em seus ombros, tomando o cuidado com o braço da humana, mesmo que ele não se importasse. Mas sabia que para os próximos acontecimentos, aquele cuidado viria a calhar. — Vamos ao local combinado.

Felix assentiu, deixando o companheiro tomar a dianteira.

— Você sabe, ainda temos um problema. — o grandão comentou, sendo atingido novamente pelo cheiro de podridão. — Suponho que esse cheiro não venha da caçamba.

Demetri Volturi negou com a cabeça, continuando a andar para longe dali.

— Um problema de cada vez, companheiro. — ele encarou o outro vampiro por cima do ombro livre. — E com certeza, esse é um dos grandes.
— e fez sinal para Gwendolyn Davis em seu outro ombro.

Félix revirou os olhos, já com o celular em maos e, pensando que mais tarde, teria que se embebedar. De sangue, preferivelmente.


Edward Cullen entrou na mansão já sabendo o que estava por vir. Mentalmente ele estava cansado, fisicamente, sabia que poderia enfrentar os dois Volturi em sua sala de estar se precisasse. Com isso em mente, ele abriu a porta da entrada, acompanhado por Jasper e Emmett.
A atenção de todos se concentraram nos três, ambos com as roupas rasgadas e imundas.
Bella foi a primeira a correr para seu marido, seguida de Rosalie e Alice. Esme levou as mãos a boca, sendo confortada por Carlisle. Os gêmeos observaram a cena com desdém, Jane sorria debochada enquanto Alec revirava os olhos. Era patético toda aquela comoção.

O que aconteceu? — Swan se pronunciou agarrada ao pescoço de Edward. — Vocês estão bem? Onde está Gwendolyn?

— Com eles, obviamente que não. — Alec comentou, sorrindo cruelmente.

Emmett fechou as mãos em punho, mas foi Edward que rosnou, se livrando do aperto da esposa e avançando. Jane se preparou para usar seu poder, mas antes que dissesse a palavra dor, Bella já projetava seu escudo nos três vampiros esfarrapados. A loira Volturi rosnou, e Carlisle correu para se colocar entre Edward e Alec. Ambos estavam em posição de ataque quando Jasper quebrou o silêncio:

— Riley está vivo.

A família Cullen ficou pasma, encarando o loiro horrorizados.
Bella abriu a boca para dizer algo, mas nada saiu. Alice se afastou de Japser para ir ao encontro da cunhada/ irmã, tocando em seu braço gentilmente. Bella a encarou, paralisada enquanto a vampira mais baixa sussurava um vai ficar tudo bem.

Não deveria ser uma grande surpresa, já que muitas pessoas estão voltando da morte. — O patriarca da família Cullen deduziu, ainda entre o filho e o inimigo. — Edward, quer por favor explicar onde está Gwendolyn?

Edward desviou seus olhos de Alec para olhar para Carlisle. O mesmo parecia estar com dor, sua mandíbula cerrada, a postura tensa e os olhos distantes. Ele quase parecia vazio.

— Riley apareceu com outros dois vampiros, estavam vigiando a estrada e sabiam que iríamos. Nós começamos a lutar com eles e... — Edward encarou Alec, a raiva ganhando força. — ... era uma armadilha! Estavam tentando ganhar tempo, tentando nos impedir de chegar à Gwendolyn.

Alec Volturi permanecia imóvel, ouvindo a história do Cullen. Jane se mantinha em seu lugar, processando aquelas palavras e descobrindo que a família patética pensava que eles estavam por trás daquilo tudo. Bem, que continuassem pensando.

— E depois? — Esme incentivou.

Emmett suspirou, sendo abraçado por Rosalie que parecia aflita.

— Aqueles bastardos desapareceram no meio da luta. — o grandão respondeu.

Os Volturi se olharam discretamente, entrando em um acordo mútuo e silencioso que deveriam passar aquela informação para seus mestres.
Já os vanpiros vegetarianos ficaram ainda mais paralisados com a nova descoberta. A mente de Alice processava todas as informações rapidamente, com os olhos cravados no irmão.

— Desapareceram?

— Sumiram feito fumaça. — Ed quebrou a tensão, furioso. — Foi Riley. Eu estava quase o matando quando ele tocou em um símbolo em seu pulso e no segundo seguinte, ele não estava mais lá.

Bella inalou profundamente, — mesmo que não precisasse. — sabendo que teria que fazer as próximas perguntas:

— E os outros dois? Eles pegaram Gwendolyn?

— Não, eles estão mortos. — Edward encarou a esposa por um breve momento, com os olhos tristes. O coração parado de Bella doeu. — Quando chegamos ao bordel, o mesmo estava destruído. Parece que também houve uma luta por lá. — a tristeza desapareceu quando ele moveu os olhos para Jane. — Não havia rastros de Gwendolyn.

Ela sorriu descaradamente quando seu irmão se prostrou ao seu lado, perdendo a postura defensiva. Toda família os encaravam, esperando uma explicação. Mas tudo o que a loira fez foi dar de ombros, como se não se importasse.

— Vocês tiveram sua chance e falharam. — Jane decretou.

— Nós tivemos a nossa e vencemos. — Alec completou, olhando desafiador para o marido de Bella.

Rosnados reverberam pela sala.

— O quão intocáveis vocês pensam que são para vir até aqui e achar que sairiam vivos? — Bella perguntou, a raiva no tom de voz.

Jane a encarou mortalmente, com aquele sorriso estúpido de vadia em seu rosto.

— O bastante para mostrar que somos melhores. Aliás, vocês não querem problema com mestre Aro. Não quando a humana está agora em nossa posse.

Foi o bastante para os vanpiros se calarem. Carlisle olhou impassível para a família, com Esme ao seu lado em uma expressão séria. E lá se tinha ido a gentileza da matriarca.

Vocês não tocarão nela.

— Isso dependerá dela. Quanto mais ela nos for últil, mais gentis poderemos ser. — o Volturi rebateu, levando uma das mãos para o dentro do manto negro em uma pose ridícula de superioridade.

Em um piscar de olhos, era Bella que estava dessa vez o enfrentando, com toda sua fúria.

— Por que ela é tão especial? Isso não é apenas vingança.

— Não é da sua conta, Isabella.

— Chega!

Carlisle aumentou o tom de voz, atraindo os olhares para si. Seu rosto na maioria das vezes sorridente, estava fatalmente sério. Ele fez sinal para Edward, que lentamente, circulou a cintura da esposa com o braço e a puxou contra si, os afastando do inimigo.

— O que Aro quer, afinal?

— A garota, mas como ele havia previsto, vocês não irão ceder sem uma luta. — o tom de voz angelical de Jane retornou, a deixando sinistra em contraste com os olhos vermelhos. — Então ele deseja uma troca.

Os membros da família Cullen se entreolharam, aflitos. Todos sabiam que uma troca com Aro Volturi nunca traria coisa boa.

— O que seria? — Esme se posicionou.

— A garota pela segurança da família Cullen. — enquanto Jane explicava, Alec ainda se mantinha com a mão dentro do manto, imóvel. — Pensem só: os inimigos estão voltando a vida. Quantas pessoas vocês não passaram por cima para ter o tão final feliz desejado? Quantas ameaças não virão para a pequena monstrinha. Renesmee? — o sorriso horripilante continuava lá. — Mestre Aro pode garantir a segurança dela e vocês podem continuar a viverem no final do arco- íris, se alimentando pateticamente de animais. Todos dessa piada, chamada de cidade.

Edward prestava atenção naquelas promessas enquanto procurava alguma mentira na mente de Jane. Mas não havia nada, nenhum sinal de traição, apenas o que ela estava dizendo.

— Você esqueceu, irmã. — o outro gêmeo do mal se pronunciou, os encarando friamente. — Da parte em que eles podem não aceitar o acordo. Mas não há problema, é bem simples. Ou vocês esquecem Gwendolyn Davis, ou toda guarda Volturi voltará, desta vez com uma acusação contra seu clã: traição.

Rosalie abriu a boca, indignada, detendo o marido de avançar em cima do Volturi. Jasper tentava acalmar os presentes na sala, porém, estava começando a ficar difícil para ele se manter são.

— E depois? Vocês a matarão.

— Isso não é mais problema de nenhum de vocês. A humana está conosco agora, o que torna impossível essa sua incansável busca.

Mil pensamentos passaram na mente de Bella, porém, ela se agarrou a apenas um: manter sua filha viva. Bella havia passado por muita coisa para chegar onde estava, para construir a família que sempre sonhou desde que conhecera Edward. E nada e nem ninguém tiraria aquilo dela. Nem a morte, nem os Volturi... nem mesmo uma amiga de infância que agora era uma morta viva.
Novamente, ela teve a impressão de que seu coração doía. Engolindo toda a culpa, Bella Swan se manifestou:

— Prometam que não tocarão em Renesmee. Que não voltarão.

Os Cullens passaram de furiosos a perplexos. Todos encararam a recém criada, tentando decidir se aquilo era alguma pegadinha. Apenas Edward entendia a esposa naquele momento, por mais difícil que fosse.

— Cumpriremos nossa palavra. — Jane afirmou.

Com uma intensa olhada para o marido que acenava quase imperceptívelmente quando beijava sua testa, Bella decretou:

— Fiquem com ela, eu não me importo. Fiquem com Gwendolyn e nos deixem! Deixem minha família e eu fora desse apocalipse zumbi.

Foi naquela sala, com os dez vampiros presentes, que Bella Swan acabara de decidir o destino de sua amiga de infância. Para o bem ou para o mal, ela não sabia. Apenas desejava não ser cobrada depois, e claro, que Gwendolyn Davis um dia a perdoasse. Então tentou se convencer de que Gwen entenderia. Ela teria que entender.

Sentada em uma poltrona, suja dos pés a cabeça, Gwendolyn Davis não conseguia entender o que ouvira no celular. O mesmo se encontrava no chão, caído aos seus pés.
Encarando os dois vampiros, ela se sentia traída novamente. Havia acabado de escutar Bella Swan dizer que não se importava com ela. Bella Swan havia a trocado, como se ela não fosse nada. A mesma Bella Swan que fora sua amiga na infância. A mesma que agora era uma vampira.
Gwen percebeu que em toda sua vida, nunca havia sido machucada tantas vezes repetidas.
O vampiro do bordel, o que a mandara correr, se sentou na poltrona em sua frente. Cruzando os braços e sorrindo, ele indagou:

— Preparada para escutar uma ótima oferta?

Notas finais
Demorei novamente? Demorei. Por isso, me desculpem! O que tenho a dizer sobre o capítulo é: acalmem o coração porque a partir daqui, a vida de Gwen mudará drasticamente! O final do capítulo será explicado no próximo, não se preocupem. Meu objetivo com os acontecimentos desse capítulo era mostrar o dilema que a família Cullen enfrentava, principalmente a Bella. Lembrem - se que os Volturi não deixariam pra lá a rivalidade com o clã vegetariano, assim como os Cullen protegem sua família à qualquer custo. Isso foi explicado no discurso da Jane. Mas o que vocês acharam? Bella deveria ter insistido mais para salvar a amiga? Como será a reação da Gwen a partir daqui? Comentem que estou ansiosa para ver os palpites haha. Obrigada por ler, até o próximo ❤