Dawn of the living dead
3 2. Interferências
Notas iniciais
Um mês antes
Acordar nunca fora realmente algo importante para Gwendolyn, mas naquele momento em que abriu os olhos sentiu como se estivesse recebendo uma dádiva dos céus.
A boa sensação se dissipou quando todos os acontecimentos vieram a tona, cenas de uma semana atrás a assombrando novamente. Sua cabeça estava uma confusão, assim como a velha casa abandonada que encontrada e invadira sete dias atrás.
A garota sentia as horas passarem como um borrão, conseguindo voltar a atenção para seu redor quando voltara a cama improvisada no chão. Tomara banho horas atrás, e ainda continuava se sentindo entorpecida. Presa em um pesadelo.
Tocou as cicatrizes no corpo para encontrar as marcas das balas disparadas pelo velho Scott. O pesadelo voltou diante de seus olhos outra vez, a lembrando o que acontecera depois que ficara jogada na chuva. Sozinha e perdida.
A chuva estava diminuindo quando sentiu que não aguentaria muito mais naquele estado. Seu sangue se espalhara por todo o tronco, transformando as mãos em carmesim. Então a menina se levantou, tremendo dos pés a cabeça— essa girando em torno da loucura que estava acontecendo— para começar a caminhar para a saída do cemitério.
Quando já do lado de fora, observou a rua com a visão turva. O asfalto estava escorregadio e mesmo balançando de um lado para o outro, com seu sangue manchado por onde passava, conseguiu chegar a uma casa abandonada perto do cemitério. Não havia casas perto da construção, não havia um meio de pedir ajuda. Então Gwendolyn se lançou para dentro, fazendo a velha porta ceder diante do seu peso.
A única coisa que conseguiu visualizar fora que estava salva naquele instante. Não existia chuva, nem covas e muito menos o velho Scott. Só existia ela. Deitada em seu próprio sangue, agonizando e indefesa. Com essa certeza Gwendolyn se deixou cair na escuridão, dessa vez desejando acordar.
Reprimindo as lágrimas que sabia que viriam, desceu as escadas da casa abandonada se preparando psicológicamente para o que viria a seguir. Seguiu para a cozinha e lá vislumbrou uma sombra que reconheceu.
— Espero que tenha tido bons sonhos doçura.— as luzes foram acesas e o sorriso do rapaz a saudou — Bom dia.
Gwendolyn cruzou os braços enquanto mirava as embalagens de salgadinhos que ele segurava. Seu coração batia apressado dentro do peito, a lembrando que precisava se acalmar.
— Por que não me diz logo como vai me ajudar e acabamos com tudo isso?
— Direta como uma flecha — ele riu jogando uma das embalagens para ela, que pegou meio sem jeito —Engraçado como a uma semana atrás você parecia mais como... uma gatinha assustada — ele sorriu e as memórias voltaram.
Gwendolyn abriu os olhos quando uma luz começou a incômoda- la. Quis gritar para que seu pai a deixasse dormir, mas apenas rolou para o outro lado da cama e foi então que sentiu. Dor a castigou por todo o corpo a levando a abrir os olhos.
Estava deitada— completamente desconfortável e tortamente— em um sofá empoeirado como tudo naquela sala. Sentiu o braço latejar e com espanto viu que as feridas haviam sido tratadas e cobertas por gases. Sua respiração acelerou e sentiu o pânico a tomar quando as cenas passaram por sua cabeça.
Ela acordando ao lado de um túmulo coberta de terra, ela sendo baleada, ela desmaiando na casa abandonada.
Passos a trouxeram de volta a situação e Gwendolyn analisou a sala em busca de algo para se defender. Seu pai a havia ensinado defesas básicas e principalmente que qualquer coisa poderia ser usada para machucar.
Ela achou um pedaço de madeira solto de um assoalho e o levantou, preparada para o ataque quando alguém apareceu na entrada da sala.
— Eu não faria isso se fosse você.
Ela gritou quando as luzes acenderam, arremessando sua arma em direção ao rapaz alto que facilmente se esquivou. Ele a encarou com uma expressão desapontada, dando alguns passos em sua direção.
— Quem é você? Por que eu estou aqui? — instintivamente Gwendolyn pulou o sofá com o corpo protestando de dor — O que você quer?
O rapaz sorriu prevendo o próximo passo da jovem. Correndo, ele se lançou em direção à saída, a puxando pelo tronco enquanto ela se debatia e gemia de dor.
Gwendolyn agitou os braços, os machucado mais ainda quando seu cotovelo atingiu a barriga do homem que a segurava. Naquele momento o desespero a tomou, fazendo surgir a força necessária que precisava.
— Você é fortinha mas não é muito esperta. Então é melhor parar garota. — ele a jogou de volta ao sofá, parecendo irritado — Quando você se acalmar eu responderei suas perguntas, a primeira delas principalmente. — sua expressão se tornou séria enquanto ele chegava mais perto e ela se encolhia — Você morreu e voltou.
Os olhos castanhos se arregalaram com a confirmação, sendo um deleite para o rapaz que abaixou o rosto até a altura do dela. Seus narizes se tocaram quando Gwendolyn fechou os olhos, tentando engolir o medo.
— Quem é você? — o sussurro rouco da garota foi o único som emitido naquela sala.
Tomando a coragem necessária, Gwendolyn abriu os olhos e se surpreendendo com o que viu. De perto ela conseguia destingir a cor exata dos olhos do rapaz, eles eram vermelhos. Tão vermelhos quanto o sangue dela. Seu coração acelerou e incrédula viu um sorriso ameaçador aparecer no rosto do homem. Tocando os fios de cabelos espalhados em seu rosto, ele sussurrou:
— Você não precisa saber disso. Mas por enquanto me chame de R.
Ele sorriu e ela tremeu, sentindo que infelizmente teria muito tempo para descobrir seu nome.
Voltando da lembrança, Gwendolyn se manteve séria enquanto abria a embalagem. Manteve os olhos baixos durante todo tempo, fazendo escolhas sábias das palavras que usaria.
— A uma semana atrás eu supostamente estava morta, perdida e baleada. Não acho que tenha sido um bom lado meu para se mostrar — ela levou mais um salgadinho a boca, ignorando seus olhos medonhos —Agora que sei de tudo acho que posso ser mais do que uma gatinha assustada.
E ela estava certa. Lidar com tudo o que estava acontecendo sem enlouquecer, aceitar tudo o que ouviu de R, concordar em receber a ajuda de um estranho com olhos vermelhos e ainda não correr para debaixo da cama ao saber que existia muito mais no mundo em que vivia, como seres sobrenaturais... Aquilo sim — na opinião de Gwendolyn — era saber lidar com a situação.
— Sua língua afiada vai te trazer problemas, sua sorte é que estou aqui. — R tirou um pacote pequeno de dentro da jaqueta, jogando para Gwen.— Você disse que queria saber como eu te ajudaria, então aí está.
Gwendolyn largou a embalagem e ansiosa pegou o embrulho tentando não tremer. O abrindo viu alguns documentos, seus documentos precisamente.
Seu olhar de surpresa entediou o rapaz, percebendo isso a garota puxou um documento em especial: um passaporte.
— Pode me explicar o que está acontecendo?
— O que mais você quer que eu explique? Já te disse sobre meu mundo, como eu te encontrei na minha casa, sobre a parte que você voltou a vida.— R foi até ela, a encurralando contra a parede de madeira — O que você ainda não entendeu doçura?
— Por que eu voltei a vida?
R ficou em silêncio enquando o par de olhos vermelhos a miravam. Não eram poucas as perguntas de Gwendolyn, mas com certezas algumas eram necessárias. Por que não se lembrava como havia morrido? Por que ele sabia da morte dela? Qual o motivo da ajuda? E se havia morrido, por que seu coração batia e ainda sentia as sensações humanas? Não deveria ser tipo um... Zumbi?
— Eu não sei. E é por isso que você vai até seu pai.
O coração de Gwendolyn acelerou e estranhamente R revirou os olhos. A medida que a confusão nos olhos da garota foi crescendo, ele tocou seu rosto de forma gentil.
— O que meu pai tem haver com isso? — ele esperava aquela pergunta e por isso sorriu zombeteiro.
— Porque ele deve saber como você morreu. Deve ter sido bem triste para o homem ter se mudado, você não acha?
Ela estremeceu quando a pele fria do rapaz encostou nela. As pontas dos dedos passaram por seu rosto de forma desconfortável.
— Para onde eu vou?
— Para Forks é claro.
∞
Estar novamente no aeroporto de Phoenix era maravilhoso e assustador ao mesmo tempo. Gwendolyn ainda tentava se sentir normal ao estar rodeada de pessoas, mas era difícil. Por isso se concentrava na janela do avião, precisamente mais além dela. Sentiu sua mão vibrar e logo se deu conta de que o aparelho celular tocava. Sem desgrudar os olhos da figura que a encarava do outro lado, atendeu;
— Me diz como é se sentir engaiolada novamente docinho.
— O que você quer? — contra atacou suspirando
R sorriu mirando a garota na janela do avião. Em poucos minutos o mesmo decolaria.
— Só quero te lembrar do que precisa ser feito. Você vai encontrar respostas, consegue se lembrar?
Gwendolyn trincou os dedos ao apertar o celular contra a orelha.
— Não sou estúpida. E você não deveria estar tão preocupado. Não estou fazendo isso para você ou por você, consegue se lembrar de que eu não trabalho para você? — o tom da jovem pingava de sarcasmo no final
R ficara mudo do outro lado da linha mas Gwen conseguia o ver parado a olhando. E imaginou seus olhos vermelhos por trás dos óculos escuros. Aquilo a arrepiou.
— Último aviso docinho. Não confie em ninguém e se mantenha viva —houve silêncio e o coração dela acelerou — ou pelo menos tente.
A ligação foi encerrada e ainda incrédula ela piscou. Foi tempo suficiente para R desaparecer do seu campo de visão. Gwendolyn conseguia ouvir a voz da aeromoça avisando que a descolagem seria feita mas naquele momento o pânico a invadiu. Onde tinha se metido?
◇
Seus pés escorregaram na neve abaixo de si, a fazendo suspirar pela décima vez. Havia chegado em Forks à algumas horas e até aquele momento não superara o fato do frio ser intenso ali. Gwendolyn adorava morar em Phoenix, o sol aquecia seu rosto toda manhã que saía ao jardim para cuidar das flores que seu pai fazia questão de manter. Ele lhe dissera que sua mãe adorava flores e plantas, por isso o jardim era essencial em casa.
E ali estava ela, rodeada por neve no meio da noite parada à algum metros da delegacia da cidade.
R a havia instruído para que quando chegasse a cidade se acomodasse em um hotel na saída da mesma, onde aguardaria instruções.
Depois de uma hora na nova cidade o telefone tocara. Era R, lhe avisando a exata localização da delegacia onde Graham Davis trabalhava e seus turnos. Depois lhe orientou em ir até lá mas não aparecer na visão do pai. Seria uma loucura se ele a visse, e provavelmente ela havia notado uma leve ameaça de seu amigo quando pressionava para não deixar ser vista.
Então ela se encontrava ali, desconfortável com o frio, misturada com a noite. Não demorou para que a figura de seu pai saísse de uma viatura e seus olhos lacrimejaram. No fundo ficou feliz por estar o vendo novamente e saber que ainda podia se sentir tão humana, tão vulnerável. Por outro lado sentiu o coração apertar com a dor que sentia. Naquele momento imaginou o que seu pai não passara desde sua morte, como estaria sendo sua vida na pacata Forks.
Era dilacerador o observar no uniforme de policial e não poder o abraçar e lhe desejar boa sorte. Quase podia imaginar ele lhe dizendo que " ela não deveria se preocupar com nada". Bem, agora ela deveria. Especificamente como lhe dizer que estava viva sem ele ter um ataque cardíaco.
A viatura se locomoveu até a estrada novamente, desta vez com apenas um policial dentro. Quando o veículo chegou ao seu alcance, Gwendolyn se encolheu atrás da árvore por onde espreitava, vislumbrando a figura do homem. Imediatamente o reconheceu, era Charlie Swan, o pai de Bella Swan, sua amiga de infância. Velhos tempos, pensou aliviada ao ver a viatura sumir em uma curva.
Seus olhos se voltaram para seu pai ainda parado na entrada, dessa vez conversando com outros colegas de trabalho. Sem esperar por mais nada e se sentindo a beira de uma crise, Gwendolyn correu para longe dali. Mal sabendo que nos próximos dias sua rotina seria essa. Vigiar e esperar. Esperar até que R lhe desse algum sinal para aparecer para seu pai. Quando seria isso? Gwendolyn não sabia.
Um mês depois
A chuva acabara de parar quando Gwendolyn se afastou da parede em seu quarto de hotel. Na mesma havia recortes de jornais, fotografias de pessoas desaparecidas nos últimos meses e a localização das casas pertencentes as famílias. Em sua cama um bloco de anotações se destacava. No mesmo, nomes enfeitavam as linhas, a deixando nervosa toda vez que olhava para o pequeno artefato.
Começou desde que chegara em Forks. Pesadelos com pessoas imundas de terra, sussurrando seus nomes em sua cabeça repetir vezes. Então ela acordaria ofegante e assustada, logo depois esperaria R telefonar mas isso nunca acontecia. Seu último telefonema havia sido no dia que ela chegara na cidade, logo depois ele desapareceu. Não retornava as chamadas e nem respondia as mensagens desesperadas da jovem. Ela estava novamente sozinha.
Então se encontrava ali, seguindo com seu dedo indicador a fita vermelha que prendia as colagens na parede. Gwendolyn havia assumido para si as investigações, só saindo do seu quarto para comer em Seattle ou comprar jornal. Agora ela atendia por Cassie Wilks, ou pelo menos era o que constava nos documentos que R lhe entregara. Observou mais uma vez o jornal que comprara no dia anterior no qual a notícia da morte de Julian Newton se encontrava.
O nome girou por sua cabeça repetida vezes, a lembrando quando acordara naquele dia. O sobrenome Newton havia sido sussurrado no pesadelo do dia anterior, e olhando para aquele jornal sabia quem vira no pesadelo. Julian Newton. Era questão de tempo para descobrir quem era. Por isso correu até o celular e pela primeira vez não foi direto conferir se havia chamadas. Conseguiu acessar a internet e logo depois o nome Newton's Olympic Outfitters apareceu na tela.
A jovem concluiu ser uma loja, então anotou o endereço no bloco de notas.
Vestindo um casaco e pegando as chaves do quarto, saiu pensado que teria que arranjar um tempo para vigiar o pai na delegacia à noite.
•••
— Desculpe, mas pode repetir como exatamente você conheceu meu pai?
Gwendolyn forçou um sorriso sentindo as palmas das mãos suadas. Tentou se concentrar dos tacos de baseball pendurados atrás do homem que falara, Mike Newton. Ele era um pouco mais velho que ela, mas a expressão triste e os olhos inchados — provavelmente de tanto chorar — o deixavam com um aspecto cansado.
— Julian me ajudou com o baseball à um tempo atrás. Bons tempos — a mentira escapoliu de sua boca facilmente.
Mike assentiu com a cabeça, parecendo um pouco aturdido. Naquele momento a jovem se perguntou se era errado ficar feliz por Mike parecer distraído devido a morte do pai. Se sentindo péssima por aquilo, resolveu focar no que era válido.
— Mas então, Julian sempre me dizia como amava a família e como seria difícil se um dia ele faltasse. Aliás, ele comentou que sua família passou por um período difícil quando alguém da família morreu um tempo atrás. O nome dele era...
Ela jogou verde.
— Simon Jason Newton, meu facelido primo. — Mike suspirou designado enquanto seus olhos se voltavam para a fila de pessoas na entrada da loja. Todos esperavam para dar os pêsames para a família, coisa de cidade pequena. — Foi à uns dois anos atrás, ele saiu para beber com uns amigos e desapareceu. Boa parte da família sofreu e a outra ficou aliviada. Ele dava trabalho entende? Mas meu pai... era um homem bom. Alguns dias atrás, antes dele morrer... Ele ficava repetindo o nome de Simon. Talvez ele tenha sentido que a hora de partir estava próxima, então se sentiu culpado por não ter apoiado a família do sobrinho. — seus olhos piscaram tentando conter as lágrimas.
E colheu maduro.
Se sentindo pior do que já estava pelas mentiras, Gwendolyn lhe deu um sorriso antes de colocar um boné de algum time de baseball no balcão e estender o pouco de dinheiro que restará do que R lhe entregara.
Mike pegou o mesmo, o colocando na registradora. Antes que ele pudesse embalar a compra,Gwen colocou o boné na cabeça.
— Sinto muito pelo seu pai Mike. Mande meus pêsames à Karen.
— Mamãe ficará agradecida. Te vejo por aí Cassie. — ele acenou enquanto a garota virava as costas e passava pelas pessoas na entrada.
Abaixando o boné o máximo que podia, Gwen saiu para a rua já escura pelo cair da noite. Com o plano já formado, ela começou a rumar para a direção que a levaria para o caminho que desejava.
Pensando no que acabara de acontecer, — além de se parabenizar por conseguir sustentar uma mentira e não ter um ataque de histeria — ela repassou as informações conforme andava. Sabia desde que acordara que as vozes em seu sonho não era nada para se ignorar. Então estava certa em procurar os únicos parentes restantes de Julian, até aí tudo estava ok. O problema era ter descoberto que Simon Jason Newton morrera à dois anos, muito perto da morte dela. Juntando uma peça na outra Gwendolyn percebeu as pistas que R lhe falara que acharia quando encontrasse mais vítimas como ela — se é que existiam.
A única solução viável era procurar tudo que poderia encontrar sobre a morte do primo de Mike. E por um milagre — ou não — ela sabia onde procurar. Parece— pensou amargamente enquanto ajeitava o boné, dessa vez nervosa — que farei uma visita à papai.
◇
Demetri parou sua corrida exatamente na entrada da floresta próxima à delegacia. Félix chegou um segundo depois, suspirando grosseiramente e dramaticamente. Não gostava de perder para seu parceiro.
— Acha que Alec conseguiu alguma coisa? — perguntou olhando a porta da delegacia. Ambos ouviam todo o movimento lá dentro.
— Isso eu não sei,mas espero que ele consiga. Aro não ficará feliz com o contrário. — os olhos vermelhos do vampiro grego miraram o amigo —Mas se a habilidade de manipulação dele for igual a sua de correr, então temo que estaremos em maus lençóis, caro amigo.
O vampiro mais alto grunhiu enquanto Demetri sorria. Naquele momento Alec Volturi saía da delegacia andando graciosamente até os dois vampiros escondidos pelas sombras. Em seu rosto uma expressão dura combinava com as lentes de contatos azuis, onde um olhar frio se fazia presente. Bastou apenas alguns segundos e logo o vampiro parou, já proferindo:
— Ligue para Jane. Nós já temos a lista das nossas caças.
Um sorriso cruel apareceu em sua face, constatando com os dos parceiros. Félix pegou o celular já efetuando a ligação. Enquanto isso Alec retirava uma pedaço de papel de dentro do seu paletó impecavelmente limpo.
Demetri o pegou, observando com sua visão perfeita os nomes dos mortos vivos que apareceram segundo os familiares.
Ao total eram quatro pessoas. Quatro corpos que seriam destroçados e queimados. O vampiro sorriu.
— Parece que faremos uma visita à família Scott.
◇
Quando o céu ficara completamente escurecido, sem nenhuma estrela, Gwendolyn parara no começo da floresta, ficando amuada em uma árvore. Não parecia que choveria naquela noite, porém, o vento bastava para fazer a garota tremer.
Depois que saira da loja dos Newton's, resolvera caminhar para a delegacia enquanto tentava se comunicar com R.
Não achava justo estar sozinha em toda aquela confusão perseguindo pistas que poderiam ser infrutíferas. As vezes ela se pegava imaginando se tudo não passava de uma brincadeira do homem de olhos vermelhos. Olhos vermelhos. Ela nem queria pensar em que tipo de coisa teria olhos daquela cor. Ela não podia!
Mas estando ali, se preparando para entrar na delegacia, era aterrorizante. Ela agradeceu à Deus por não estar mais em Phoenix, onde conhecia todos os policias e que obviamente não conseguiria entrar na delegacia sem ser reconhecida. E sem se encontrar com seu pai. De toda forma ela correria riscos. E seria naquele exato momento.
Sem esperar por mais nada,Gwen desceu mais ainda o boné e caminhou com as pernas trêmulas para a entrada da delegacia. Primeiro subiu os poucos degraus inspirando fundo, depois empurrou a porta de vidro expirando devagar. O vento gélido dos ventiladores a acertou,a arrepiando.
Seus olhos buscaram pelo rosto do pai mas ela não o encontrou. Sentindo seu coração bater enlouquecido dentro do peito, Gwen tentou se decidir se iria até o balcão de atendimento ou se conseguiria disfarçar e adentrar um dos corredores que provavelmente a levariam para o escritório do delegado. Ou então para o banheiro. Ou as celas. Queria tanto que aquela delegacia se parecesse com a de Phoenix.
Tentando não vacilar,Gwendolyn começou a caminhar até o balcão para pedir a informação que queria. Ou então para conversar com alguém que lhe dissesse algo sobre a morte de Simon. Mas uma risada a parou, uma risada muito conhecida e que fazia seu corpo travar no meio do caminho. Seu pai.
Gwendolyn sentiu sua cabeça girar enquanto tentava controlar o pânico que a invadia. Seu pai não poderia a ver. Lançando um rápido olhar sobre o ombro,viu que ele e mais outro policial — Charlie— vinham pelo corredor, em direção ao balcão.
A garota sentiu seus olhos marejarem pela rápida olhada no pai e logo a saudade a invadiu. Lutando contra a vontade de correr para ele e chorar como uma garotinha, Gwendolyn virou as costas e caminhou apressadamente para a saída. Estava quase lá quando esbarrou em uma mulher que havia entrado chorando, parecendo histérica. Seu ombro se chocou contra a parede mais próxima, a fazendo resmungar em alto e bom som. A atenção da delegacia se concentrou nas duas mulheres, a última gritando loucamente.
O coração da Davis pareceu parar quando escutou aquela voz conhecida:
— Ei! Você!
Alguma coisa deve ter dado errado pois o tom de voz do seu pai denunciou o que ela temia: alguma coisa havia a entregando. Seu pai a conhecia bem demais,tão bem que ele poderia dizer quem ela era mesmo estando em uma multidão disfarçada. Então ela fez o que seu cérebro gritava: ela correu.
Empurrando a porta e saltando os degraus, Gwendolyn correu para fora da delegacia, ainda podendo escutar alguém chamando seu pai. Ela sabia que ele a alcançaria em breve.
Suas pernas longas a levaram para longe da floresta,era muito óbvio para uma fuga em Forks.
Sentindo que teria mais chance na rua, ela correu pela pista sem se importar se seria atropelada. Ela apenas correu escutando os passos do pai logo atrás no asfalto.
Seus pulmões já pediam arrego mas nunca desacelerando, ela continuou correndo. Até que um carro preto surgiu em alta velocidade na estrada, fazendo uma curva perigosa e quase a atingindo, parou.
Seu corpo congelou enquanto seu cérebro a avisava para correr. Mesmo sendo mais jovem e mais saudável que seu progenitor, ela não tinha muito tempo antes de ser alcançada.
A porta do carro se abriu, revelando uma figura familiar com olhos vermelhos zombeteiros.
— R?
Ele riu enquanto indicava para que ela entrasse. Lançando um olhar saudoso para trás, ela entrou.
— Você parece pateticamente surpresa. E ah, — ele fechou a porta atrás dela, pisando fundo enquanto os gritos do policial o alcançavam — agora que você cumpriu a primeira parte da missão, pode me chamar de Riley Biers.
Gwendolyn caiu sobre a porta do carro conforme o mesmo acelerava pela estrada. Seu coração batia em um ritmo louco, assim como tudo o que estava acontecendo. Absorvendo essa nova informação, a garota teve certeza que teria uma dor de cabeça daquelas.
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