Davi
1 Não espere para amar
Há quatro anos mais ou menos, eu tive minha primeira desilusão amorosa, foi por um menino que eu era totalmente apaixonada, daqueles que você ja consegue se ver no futuro. Lembro de ter prometido a mim mesma que não gostaria de alguém tão cedo, afinal, feridas internas são as mais difíceis de se curar, e machucam muito.
Infelizmente, não deu certo, há três anos eu conheci um menino pela internet, o Davi, amigo de um conhecido meu. Conversávamos todos os dias, durante horas, e em questão de uma semana ele já tinha me conquistado, com aquele jeitinho fofo e ao mesmo tempo despreocupado. Mas havia um grande problema, ele morava a 2500 km daqui, e mesmo assim eu não conseguia esquecer ele, tira-lo da minha mente.
Um mês já havia se passado, e a cada dia ele parecia gostar mais de mim, o que parecia impossível pra mim, afinal, ele é do tipo de menino que tem dez garotas aos seus pés, garotas muito mais bonitas e acessíveis do que eu, então por que eu seria a ''escolhida''? Eu realmente preferia acreditar que era só mais um caso em que eu era trouxa, e a pessoa sabia disso.
Não aguentava mais sentir aquilo sem poder demonstrar, e simplesmente falei o que sentia. Ele teve uma reação diferente do que eu esperava. Conversamos uma vez sobre namoro e essas coisas, e ele disse que não gosta de namoros virtuais, pois nunca dão certo, algo que eu não acredito, afinal, o amor vence barreiras.
Após longos 6 meses conversando e sofrendo, sim, eu não conseguia mais ver ou pensar em ninguém além dele, aquele sentimento já estava me dominando e enlouquecendo, ele finalmente veio pra cidade onde eu moro, passar duas semanas na casa do amigo. Felizmente coincidiu com meu aniversario, de 17 anos.
Combinamos de nos encontrarmos, por mim poderia ser em qualquer lugar, mas ele fez questão de ser um cinema. Obvio que eu já sabia que ele tinha segundas intenções comigo. Mas eu apenas ignorei isso, era a pessoa que eu estava apaixonada ja faziam seis meses.
Chegou o dia, e por algum motivo eu não estava nervosa. Coloquei uma roupa simples, mas bonita, uma regata preta que marcava muito minha cintura, um shorts jeans com glitter e um tênis da adidas. Comecei a ficar mais nervosa conforme o tempo ia passando e a distância entre nós diminuindo. Sentia meu coração acelerando e minha mão suando frio, mas quando o vi, sentado no sofá olhando o celular, tudo parou, parecia que só existia eu e ele ali. Fiquei parada por uns cinco segundos apreciando aquela pessoa que eu desejei ver por seis meses, e agora estava ali na minha frente. Ele olhou pra mim, sorriu e ficou corado, logo ele que dizia não ter vergonha de nada, não conseguia olhar fixamente nos meus olhos.
Ele segurou minha mão, e fomos para a sala de cinema. Sentamos nas ultimas cadeiras, era um bom lugar para apreciar o filme. Já haviam se passado trinta minutos de filme, ele pegou minha mão novamente, disse que tinha algo para me dar, e me beijou. Foi meu primeiro beijo, mas parecia que eu já havia feito aquilo um milhão de vezes. Naquele momento, tudo parou, e eu não sentia mais nada. Só queria sair dali e ir para algum lugar mais silencioso, onde o mundo não existisse, apenas nós dois.
Paramos para respirar, ele me olhou com um sorriso e disse que se arrepende de não ter tentado nada antes, mas estava com medo de admitir que estava apaixonado, e se deixar enlouquecer com a distância. Concordo com ele, em parte, é realmente difícil não poder tocar a pessoa que ama, mas números são apenas detalhes quando o sentimento é real.
Dois dias depois do ocorrido, ele me pediu em namoro, durante minha festa de aniversário. Aquilo foi a melhor decisão de nós dois, e sim, ele mudou seu pensamento sobre namoro a distancia, estava disposto a tentar por mim.
Nosso amor crescia a cada dia, nos viamos a cada quatro semanas, já faziamos isso a 3 meses. Num dia qualquer, ele me ligou as três da manhã, chorando, dizendo que ia fazer faculdade onde eu moro. Ia alugar um apartamento e trabalhar, afinal, ja tinha dezoito anos.
Ajudei a arrumar suas coisas quando se mudou pra cá, ia todos os dias vê-lo, saíamos pra jantar, passeávamos em parques, parecíamos um casal de cinema.
Mais quatro meses se passaram, ele me pediu em casamento, disse que ainda era cedo, que eramos novos, mas ele me amava como nunca amou alguém antes, e sabia que isso era recíproco, que podia sentir no meu abraço e ver no meu olhar. Eu aceitei sem nem pensar, e sabia que era a coisa certa a se fazer. Passamos muitas coisas juntos, enfrentamos coisas, mas nunca deixamos nosso amor acabar.
Já estávamos completando quatro meses de noivado, quando ele sofreu um acidente de carro.
E hoje, já fazem quase dois anos que ele, o Davi, é apenas uma memória e uma fotografia na parede...
Fale com o autor