Notas iniciais
Aqui está o capitulo que eu prometi. Espero que gostem.

Acordei me sentindo mal. As memórias continuavam vindo, como em uma avalanche. Não queria ir para o café da manhã, mas me arrastei para fora da cama. Tomei um banho para relaxar, e vesti minha habitual roupa: short jeans preto, camiseta do acampamento e all star.

Me arrastei para fora do chalé e fui para o pavilhão do refeitório.

Lá, eu estava tendo meu café da manhã normal, até que o ponei chega pra dar alguma noticia boa.

"Campistas (n/a: já perceberam que o Quíron sempre diz "campistas"?). A partir de quarta feira, começam os preparativos para o natal. Vocês estarão liberados para sair do acampamento, mas só avisem antes. Hades disse que os monstros estão proibidos de sairem do Tártaro, mas como sempre, algum pode escapar. Por hora, isso é tudo." Ele terminou o anuncio e o resto do café da manhã passou normal.

Na minha aula de artes, fiquei desenhando meus sonhos, ou os incidentes de violencia de meu pai.

O almoço foi chato, nada aconteceu.

Mas o que me deixou surpresa foi encontrar minha mãe na casa grande conversando com Quíron.

"Mãe?" eu perguntei espantada.

"Olá filha." ela disse com um sorriso triste.

"O que foi? O que está acontecendo?" Eu perguntei querendo ir direto ao ponto.

"Você vai sair em uma missão... é coisa simples. Você só deve pegar uma semideusa e trazê-la para o acampamento." Ela disse.

"E por que eu? Vocês sabem de quem ela é filha?"

"Ela é sua irmã, Claire."

Quando ela disse que ela era minha irmã, foi como se eu tivesse levado um soco. Eu não levei, óbvio, mas pareceu.

"Imã?! COMO ASSIM IRMÃ?" Eu perguntei alterada.

"Calma filha... eu posso explicar." Ela disse triste.

"Então se explique." Eu disse e ela suspirou.

"Alguns meses depois de eu ter que abondonar você e seu pai, ele começou a beber. Eu fiquei muito triste. Fui para um bar, e fiquei bebada. Coisa que é uma vergonha para mim. Lá no bar, eu conheci um homem, muito bom. Ele queria cuidar de mim, mas eu dizia que não precisava. Ele acabou bebendo, a meu pedido. Depois, ele me levou para a casa dele, só para cuidar de mim. Mas... eu estava bêbada, não sabia o que estava fazendo. E aconteceu. Eu me arrependi muito. Sinto muito, querida"

Eu estava em choque. Como minha mãe fez isso?

"Dias atrás, você disse que queria ter um irmão. Agora você descobriu que tem uma." Ela disse, triste. Acho que estava quase chorando.

"Depois de tudo o que você fez... Eu não quero mais uma irmã." Eu disse friamente.

"Por favor, minha filha. Você deve buscá-la. Pode me odiar se quiser, mas não odeie sua irmã. Ela também sofreu muito, mas não da maneira que você sofreu." Ela disse, soluçando.

"Tudo bem" Eu suspirei cansada. "Quando eu vou?"

"Agora." Quíron disse. "Ela mora na California. Você vai e volta de avião."

"Ok. Vou pergar uma mochila com as coisas básicas e saio." Eu falei e me virei para sair da casa grande. Ninguém me impediu.

Quando cheguei no meu chalé, desabei a chorar. Por quê? Por que eu? Você deve estar dizendo, ah, mas não é nada. É só uma irmã.

É, mas eu me sinto traida. Arrumei uma mala com coisas básicas, tipo minha capa, néctar e ambrosia, um casaco e algumas outras coisas.

Saí do chalé e fui para a colina meio-sangue. Quíron me esperava lá.

"Aqui está o endereço dela. Argos vai te levar até o aeroporto. Boa sorte." Quíron disse e me deu um pedaço de papel com o endereço da menina.

– — -

Estava na frente da casa dela. Não era uma casa pequena não. Mas não era daquela enormes. Relutante, toquei a campainha. Depois de esperar um tempo, uma menina mais ou menos da minha idade abriu a porta. Ela tinha a minha altura, cabelos castanho escuro ondulados/cachados, uns dois palmos abaixo do joelho. Também tinha olhos escuros.

"Sim?"

"Er.. seu pai está?" Eu perguntei. estava nervosa, não sei por quê.

Ela afirmou com a cabeça e me deu espaço para entrar.

"Pode se sentar. Eu já volto." ela disse, e saiu da sala.

Dei uma olhada no lugar. No lado direito, tinha um sofá e algumas poltronas, uma mesinha de centro e uma televisão. Do lado esquerdo, eu conseguia ver a cozinha. Não era uma casa luxuosa, mas dava pra ver que a família vivia bem. O lugar era aconchegante.

"Sim?" Disse uma voz masculina. Acho que era o pai dela.

Me virei, e realmente, estava na minha frente um homem muito parecido com ela.

"Er... senhor...?"

"Nunes" ele completou minha frase.

"Certo. Senhor, eu estou aqui... porque preciso levar sua filha." Acho que ele entendia sobre o que eu estava falando, certo?

"Já?" ele perguntou.

"Sim, senhor. Infelizmente. Nyx pediu que eu viesse buscá-la."

"Tudo bem." ele suspirou. "Vou chamá-la. E... sinto muito, mas vai ser meio difícil para ela"

Depois de um tempo, a menina apareceu de novo.

"Ester, querida... A...?"

"Claire"

"A Claire está aqui pra te levar para um lugar seguro."

"Como assim, pai?" A menina, Ester, perguntou.

"Se lembra das aulas que eu te dei, sobre mitologia grega? Era real. Eu te ensinei porque um dia você precisaria saber."

A menina não tinha reação. Ela ficou parada e depois de um tempinho começou a chorar silenciosamente.

"Eu não quero te abandonar, pai." Ela disse com a voz chorosa. Sinceramente. Por que tanto drama?

"Eu sei minha querida. Mas agora, vá se despedir de sua irmã e de sua... da Dani."

A menina (não, eu não ia chamá-la pelo nome) se soltou do pai e sumiu na casa. Decidi seguir ela.

Ela estava abraçando uma menina de onze anos, que chorava. Depois das despedidas, ela foi arrumar uma mala de escola com umas mudas de roupa. Em meia hora, haviamos saido da casa dela, e estávamos indo para o aeroporto.

Depois de alguns minutos de silencio dentro do avião, eu decidi puxar conversa com ela.

"Então... qual é o seu nome?" Eu perguntei, tentando ser amigável.

"É Ester. E o seu?"

"Claire."

Silencio.

"Como é a vida lá no acampamento?" Ela perguntou.

"É bem legal. Temos os chalés, o arsenal, uma praia..." Eu comecei a contar tudo para ela, animadamente. Ela ouvia tudo com cuidado, e ia ficando cada vez mais animada.

"Quem é sua mãe?" Ela perguntou.

"Minha mãe é Nyx."

"Uou. Nyx é minha deusa favorita. Eu queria ser filha dela."

"Mas você é" Eu disse

Ela ficou surpresa.

"Sério? como você sabe?" Ela perguntou.

"Nossa mãe me mandou ir te buscar. Você vai adorar o nosso chalé." Eu disse. Estava me sentindo melhor. "Como era a sua vida?"

Ela ficou um pouco mais triste.

"Bom... eu morava com meu pai, minha irmã e com a mulher que eu achava ser minha mãe. Mas ela era bem legal comigo. Me tratava como filha. O estranho era que sempre apareciam mostros. Mas eles não me atacavam. Eles atacavam minha família. Um dia, em um ataque, eu quase perdi meu pai. Por isso eu etava chorando quando eu soube que tinha que ir. Não queria perder ele de novo." Ela suspirou.

Eu estava supresa. Não era drama.

"Sua vida parece ser boa" Eu disse.

"Nem sempre foi." Ela disse e puxou as pulseiras do pulso esquerdo mais para cima, revelando seis cicatrizes. Duas delas estavam recém cicatrizando.

"Antes que você pergunte o porquê de eu ter me cortado, eu vou explicar. Eu namorava um menino. Eu realmente amava ele. Mas depois de um tempo, ele começou a me encontrar menos, me dava desculpas que estava com os amigos. Mas eu conhecia quase todos os amigos dele. Um dia, liguei para um deles, e ele me disse que meu namorado não estava com ele. Desconfiei. Fui para a casa dele. Seus pais estavam viajando. Eu tinha uma cópia da casa dele. Quando entrei, estava tudo escuro. Fui até o quarto dele, e nem precisei abrir a porta para saber o que estava acontecendo. Ele estava na cama.. Com outra." Ela já estava chorando.

"Nossa. E quantos anos você tem?" Perguntei.

"14. E ele era mais novo que eu. Mesmo que alguns meses. Quando eu terminei com ele, ele ficou furioso. Disse que eu não podia acabar com ele. Aí ele me bateu. Depois, eu me cortei"

Eu estava completamente estática, sem reação. Uma coisa era meu pai me bater porque estava bêbado. Outra era um menino de 13 anos bater na namorada porque ela terminou com ele.

"Sinto muito." Eu disse.

"Não tem problema." Ela disse. "Já passou."

Foi aí que eu reparei a pulseira no pulso direito dela. Tinha um pingente de lua e um de uma estrela. Tinha que ver isso quando chegássemos no acampamento.

"Mas por que nenhum monstro te atacava?" Eu perguntei.

Ela deu de ombros. "Não sei. Mas o estranho mesmo era que todas as noites, um passaro negro pousava na janela e começava a cantar. Mas não era uma melodia, ele cantava com uma voz mesmo, uma voz de uma mulher."

"Como era a música?" Perguntei.

"Durma durma minha querida.

Durma pequena você está a salvo.

Durma Durma minha querida,

Você é a protegida."

Estranhei um pouco. Essa música não era muito normal.

"Quer ouvir minha história?" Eu perguntei e ela assentiu.

Comecei a contar. Depois ficamos conversando. Descobri que tinhamos muito em comum. Realmente, ambas haviam sofrido, mesmo que de maneira diferente. Nós duas tocávamos violão e catávamos. Ela também desenhava. Depois, ficamos ouvindo música no iPod dela, e descobrimos ter o mesmo gosto musical. O resto da viagem foi normal, e nenhum monstro nos atacou.

– — -

Algum tempo depois, estávamos no Acampamento Meio-Sangue. Casa.

"Bem vinda à sua nova casa" Eu disse sorrindo.

A Ester ficou tipo O:

"Ai. Meus. Deuses. Isso aqui é o paraíso!" ela exclamou e eu ri.

"Vem, temos que ir na casa grande, e depois eu te mostro o acampamento."

Ester's POV:

Minha primeira reação foi: ai meus deuses, eu vou amar esse lugar, isso aqui é demais! Desculpa, pai, mas acho que vou ficar o ano todo aqui. A Claire me levou para uma casa super grande, e azul, onde tinha um cara com bunda de cavalo e um outro cara meio gordinho conversando.

"Sr. D, Quíron, eu trouxe ela." Claire disse.

Aí eu reconheci o cara, ele era Dionísio, o deus do vinho e das festas.

"Você é o Dionísio? O deus das festas? Ai que legal!" Eu comecei a tagarelar.

"Hm, E? Acho que da pra parar né?" A Claire disse pegando meu braço e me fazendo parar de pular.

"Desculpa." Eu disse.

"Sim, menina, eu sou o deus das festas." O cara disse com orgulho.

"Ei, E, me da seu pulso direito" Claire me disse e eu dei pra ela.

"Onde conseguiu essa pulseira?" O cara com bunda de cavalo perguntou.

"Eu não sei, ponei. Meu pai me deu ela quando eu era menor." Eu disse.

"Ester, tenta puxar o pingente de lua." A C. disse e eu fiz o que ela mandou. Na minha mão, apareceu uma espada, uma espada de verdade, com cor de bronze e um cabo de couro.

"Wow!"

"E Claire" O bunda de cavalo continuou. "Algum monstro?"

"Nenhum" Ela disse com naturalidade, e o ponei ficou surpreso.

"Como?"

"A Ester disse que todas as noites, um pássaro pousava na janela dela e começava a cantar. Mas não uma melodia comum, e sim com uma letra. E, cante pra ele."

"Durma durma minha querida.

Durma pequena você está a salvo.

Durma Durma minha querida,

Você é a protegida."

Quíron, acho que era esse o nome do bunda de cavalo, estava pensando, até que depois de um tempo ele falou.

"Ela é a protegida. Sabe esse pingente de estrela, na sua pulseira? Nenhum monstro pode te atacar. e se algum meio-sangue estiver com você, ele também é protegido. Mas não funciona com mortais."

Por isso meus pais eram atacados. A espada voltou a ser um pingente, e eu o prendi na pulseira.

"Claire, pode levar sua irmã em um tour pelo acampamento?"

"Claro, Quíron" Minha irmã respondeu.

Ela me mostrou todo o acampamento. Até me apresentou a "pegasa" dela. Mas o que me impressionou de verdade, foi o nosso chalé. Era muuuuuuuuito lindo. Tinha duas camas, e em cima de uma delas, tinha uma capa preta com um bilhete em cima.

Querida Ester. Me perdoe. Por tudo. Aqui está uma capa da invisibilidade. Mas ela só funciona a noite. Sua irmã também tem uma. Niguém pode vê-las quando estiverem usando-as a noite. Mas as capas são ligadas. Então, se ambas estiverem usando, vocês podem se ver. A pulseira você recebeu quando era pequena. No dia 24, eu vou poder te conhecer. Me perdoe, filha.

Com amor, Nyx.

"Você também tem uma?" Eu perguntei me referindo a capa. ela assentiu com a cabeça.

"Eu.. vou dar uma volta por aí. Vai ficar bem sozinha? Não vai se perder?" Ela disse/perguntou.

Eu ri.

"Pode ir, eu vou ficar bem." Eu disse e ela saiu do chalé.

Larguei minha mochila em cima da cama em que a capa estava, e saí do chalé também. Fui andando, distraida e olhando para o chão, e sem querer esbarrei em alguém.

"Me desculpe." Eu disse timida, e olhei pra cima para ver em quem eu havia esbarrado.

Era um menino. Ele era alto, magro e tinha um pouco de músculos. Era moreno, com a pele clara e seus olhos eram azuis, puxados para o roxo. Era lindo. Ai meus deuses, olha o que você ta pensando, Ester. Acabou de chegar. Eu corei.

"Tudo bem" Ele disse. "Você é nova aqui, certo?"

"Sim. Acabei de chegar. Sou a Ester, filha de Nyx."

Ele pareceu supreso.

"Mais uma filha de Nyx?" Eu dei um sorrisinho. "Sou Pólux, de Dionísio. Você quer... ahn, caminhar?" Ele passou a mão no cabelo, em sinal de nervosismo.

"Claro" Eu sorri.

Claire's POV:

Eu estava andando pelo acampamento, tentando achar algum dos meus amigos, quando uma pessoa pula em cima de mim.

"Claire Marie Thompson!" Era o Leo."Onde você estava? Eu estava morto de preocupação!" Aaaaw, que fofoooo.

"Se preocupa não, Leo. Eu fui buscar minha irmã." Eu disse, me levantando.

"Uma irmã? Nyx ta podendo hein?" ele disse e um raio negro cortou o céu. Eu ri.

"É, mais uma irma. Quer conhece-la?" Eu perguntei.

"Claro."

Nós fomos caminhando em silêncio, mas era um silêncio bom. Nós caminhamos um pouco, até que eu vi ela. Mas ela não estava sozinha, estava com o Pólux.

Eu dei um sorriso malicioso, e por sorte ela não me viu. Parei de andar.

"Acho que na fogueira você conhece ela." Eu disse e puxei o Leo na direção oposta.

Ele pareceu confuso, mas me seguiu.

E assim eu passei minha tarde.

Notas finais
SIM, eu me coloquei na história. E sim, meu nome é Ester Nunes, mas ainda tem mais um nome no meio. E sim, eu tenho 14 anos. Eu acho que não devo postar mais até sexta, que é quando eu vou ter os personagens. E até agora eu só recebi um personagem!
Mas sério, quem não quer um Leo da vida?
E: Claire, posso ficar com o Leo?
C: Não! Vai ficar o Pólux.
E: O quê...?
C: Isso mesmo, eu vi vocês dois conversando hoje. Aliás, tenho que ir lá falar com a Piper...
E: O quê? Não, a Piper NÃO! Ah, com licença, tenho uma irmã para estrangular.