Daughter Of Dionysus
3 O garoto
Notas iniciais
Vanessa me encarava com sua cara de porco. A monstra revirou os olhos e pegou o prato a minha frente, jogando meu espaguete em meu colo.
Ela era apenas a filha de Ares mais idiota do Acampamento. Cabelos castanhos, desarrumados, sujos. Uma cara redonda e gorda, um par de braços prontos para esmagarem seu crânio.
Ele me provocara desde meu primeiro segundo no acampamento. 3 anos antes, eu estava me dirigindo para o chalé 12. Estava feliz, deixando meus cabelos negros soltos, e saltitando até aquele local que claramente me faria bem.
Uma menininha gorda e mal encarada parou na frente da porta quando eu iria abri-la. Ela me encarou, com aquela expressão de desdém que pede para levar um tapa.
– Quem é você, magrela? Filha de Dionísio? — riu, empurrando-me e fazendo eu cair na grama — Saiba que nesse lugar eu que mando. Você aí fica no seu canto que não vai apanhar. Entendeu?!
Nesse momento da história, apareceu minha salvação. Um garoto magrelo veio correndo e segurou minha mão, arrastando-me até dentro do meu chalé. Nesse meio-tempo, eu já conseguira ficar de pé e não me arranhar na varanda de madeira.
Ele me empurrou para dentro do local, fechando a porta atrás de mim. Observei por uma janela toda a cena. Vanessa levantou uma lança, e o garoto deu um tapa na sua mão, fazendo-a vacilar e deixar a lança cair. Ele pegou-a do chão e saiu correndo em círculos na frente do chalé.
Era tão rápido, que Vanessa tropeçara e se chocara contra o chão. Levantou lentamente e continuou, lerda, correndo atrás dele. Em algum momento, o garoto parara e olhara para a minha janela, acenando com um sorriso estampado no rosto. Acenei de volta, gargalhando. Depois disso, ele virou-se e jogou a lança contra a garota. Ela a segurou e correu até o garoto com a lança em mãos.
Quíron veio cavalgando e parou na frente do garoto, olhando para Vanessa. Ela revirou os olhos e deu um tapa no traseiro de cavalo do centauro.
– Tudo bem, pocotó. Eu te acompanho até a Casa Grande. Mas o Robert deve ir junto, ele que estava me provocando!
O garoto colocou a cabeça de trás do cavalo e franziu o cenho.
– Você estava provocando a novata do chalé 12! Quíron, eu só agi em legítima defesa, e a garota não fez nada para essa...
Quíron revirou os olhos e se virou em direção a Casa Grande.
– Me acompanhem.
O garoto, cujo nome descobri ser Robert, virou-se novamente para mim. Acenou timidamente e foi com Quíron e Vanessa para a Casa Grande.
Voltei ao meu atual local, observando as gotas de molho de tomate em minha blusa branca. Olhei com raiva para Vanessa, que mudou sua expressão de desdém para dúvida. Levantei-me quase virando a mesa a minha frente.
– É a última vez que você estraga meu jantar, Vanessa! Eu juro pelos deuses!
Saquei a minha adaga e coloquei-a no pescoço gordo da filha de Ares, apertando os braços que estavam cruzados da garota contra seu próprio corpo.
Arregalei meus olhos e olhei ao redor. As pessoas do refeitório por um momento se calaram, me observando. Os irmãos de Vanessa, Quíron, Sr. D e até Sadie.
Retirei calmamente minha adaga e guardei-a na minha bota, sentando-me novamente. Tossi e recolhi o espaguete espalhado no chão, mesa, cadeiras e minhas roupas.
Comi os restos do hambúrguer do meu prato e levantei, indo para o chalé.
Caminhei com passos lentos pela trilha, observando o chão. A sujeira de minhas roupas secaram, me dando uma aparência semelhante a de um mendigo. Sorri, acompanhando com os olhos cada passo de minhas botas. Esbarrei contra um corpo quente que fez minha pele arrepiar-se.
Recuei um passo, olhando para frente. Me deparei com o rosto de um garoto, olhos azuis e cabelos loiros. Prendi a respiração por um segundo, encarando-o. Eu não conseguia para de observar seus olhos azuis. Eles me hipnotizavam, e eu não conseguia mais me mexer.
– Você está bem? — ele perguntou. Balancei a cabeça e recuei mais um passo, sorrindo. Senti minhas bochechas esquentarem e tossi, olhando para o céu.
– Sim. Bem... Prazer, Marie. Filha de Dionísio, e você?
Ele olhou para o chão. Deu de ombros e murmurou:
– Jake, Zeus.
Me espantei. Suspirei e fechei a boca, olhando ao redor.
– Quem andar um pouco? — perguntou ele.
– Claro — respondi — Onde vamos?
– Punho de Zeus. Costumo ir lá quando estou com tédio — murmurou ele.
O sonho, pensei. Ele é o garoto do sonho. Olhos azuis e cabelos loiros. Punho de Zeus. É ele. Tudo ao meu redor começou a girar e eu caí, sentindo somente os braços do garoto em minha cintura antes de tudo ficar escuro e eu apagar.
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