Daughter Of Dionysus

1 Descubro uma festa no Acampamento


– Uma festa? — perguntei a Robert, filho de Hermes.


Esqueci de me apresentar. Sou Marie Beautsky, filha de Dionísio. E no momento estou no Acampamento Meio-Sangue. Você pode não saber o que é isso, mas eu não estou afim de explicar. Sabe, qualquer dia eu falo. Enfim, Robert, um dos milhões de habitantes do chalé 11, disse que haveria uma festa. Na quadra, após o jantar. Ás 8 horas, sexta, quando Quíron e o Senhor D. já estivessem ocupados na Casa Grande.


– Isso mesmo, Mariecela — olhou-me Bert. Era o meu melhor amigo, ou o único. Cabelos castanhos, olhos verdes, TDAH, hiperatividade. Era um pouco menor do que eu. Magro como um palito ou um soldado esqueleto do Hades. Ele sorria triunfante para mim, piscando os olhos freneticamente e batendo os pés.


– De quê? — perguntei. Ele olhou para o chão e continuou a bater os pés. Colocou as mãos atrás das costas e sussurrou:


– Um baile, sabe. Daqueles que as garotas usam vestidos e eu e meus irmãos temos que roubar ternos no chalé de Afrodite. — ele continuou a fitar a grama — E, você... vai?


Ao contrário da maioria dos meus irmãos, eu não era baladeira. Eu gostava sim de festas. E nelas eu tipo que me revelava. Quieta fora, loucona dentro. Capiche?


O único problema era: com quem? Ninguém me chamaria. O Bert já estava praticamente armado com uma filha de Éolo e não teria tempo para me ajudar. E ninguém gostava de mim no acampamento. Só ele e Quíron. Mas eu sempre achei que aquele velho meio-cavalo nunca foi muito com minha cara.


– Acho que não, Bert — tentei sorrir — Sabe, eu não tenho e nem vou ter um par. Vá com a... Sam, filha de Éolo. Depois você me conta como foi, ok?


Ele levantou os olhos do chão rapidamente e abriu a boca. Todos de todos os chalés passaram por nós, atrapalhando Bert e nos levando até o refeitório. Jantar. O momento de sentar-se a mesa do seu chalé, jogar metade da sua comida na lareira e depois ir dormir.


Algumas outras filhas de Hermes, por enquanto que me empurravam e resmungavam para eu andar mais rápido, puxaram assunto comigo. Eu ouvi algo como "você vai com ele?", "ele já pediu?".


Eu perguntaria quem, se não tivesse tropeçado em uma pedra. Como sempre, caí no chão rolando e parei nos pés de uma filha de Afrodite. Ela me olhou com desdém e abriu sua boca cheia de gloss para falar.


– Nem diga nada, Sadie — levantei-me olhando para ela — Tudo que sai da sua boca sempre é uma...


– Cria de Dionísio, Cria de Afrodite. Cansei de suas briguinhas. Calem-se e entrem no refeitório. — murmurou Quíron.


Como toda novela tem sua vilã, Sadie desempenhava esse papel. Era uma garota absurdamente linda e glamorosa. Cabelos loiros e cacheados na altura dos ombros, corpo escultural, olhos azuis e perfume de rosas. Fala sério, quem não a amaria?


Sadie andava saltitando, por enquanto que os meninos babavam. Isso sempre acontecia. Ela sentava-se a mesa do chalé 10 e ficava se deliciando com sua salada, ouvindo os xavecos dos garotos de absolutamente todas as mesas.


Era invejável.



Comi um x-burger e suco de uva, voltando calada ao chalé. Já eram 7 horas. E eu estava muito, mas muito, muito cansada. Sexta-feira seria a festa. E já era quarta. Balancei a cabeça abrindo a porta do chalé e ignorei minhas irmãs cacarejando nos meus ouvidos. Segui direto para o meu beliche e me cobri.


Tive o mesmo sonho de antes. Era uma noite linda, as estrelas brilhavam no céu escuro. A lua, como sempre, iluminava o acampamento. Eu estava sentada perto do punho de Zeus. Um garoto, cujo rosto eu não conseguia ver, segurava minha mão. Seu corpo era quente e me dava pequenos... choques. Ele se aproximava e me abraçava, aproximando seu rosto do meu. Seus cabelos cintilavam, eram loiros e lisos. No meio do escuro, com o rosto do mesmo perto do meu, eu conseguia ver seus olhos. Eram azuis como o céu. O menino claramente era encantador. E pelo jeito que eu tinha imensa intimidade com o mesmo, eu parecia... amá-lo.


O sonho acabou. Minha meia-irmã, Roxy, me acordou. Ela tinha aquela cara de bêbada de sempre.

– Bom dia flor do dia. Vai perder o café da manhã.

O bafo de vinho atingiu-me. Esfreguei os olhos e disse calmamente:

– Lembre-se Roxanna: nada de vinho pela manhã.