“- Prometo te amar para sempre.

Darcy sentiu seus braços serem acariciados por pequenas mãos.

O perfume que sempre acompanhava seus sonhos agora era ainda mais intenso.

Sentia seu rosto ser acariciado e em seguida seus lábios tocaram os dela.

Não sabia qual era sua feição, mas conhecia cada parte de seu corpo, e até mesmo seu temperamento e sua energia por meio dos sonhos que o perseguiam desde sempre.

Estava prestes a separar seus lábios para que sua língua pudesse ir de encontro com a dela, quando se viu ser arrancado daquele momento como em tantas outras vezes, sendo privado de sentir uma conexão maior com a mulher de seus sonhos. “

E quando a realidade o engoliu Darcy se viu sentado em sua cama, ofegante e banhado de suor, sentindo o vazio de seu peito ainda mais intenso como das outras vezes, se assemelhando com o vazio em sua cama. Independente de quantas mulheres pudesse trazer para dividi-la com ele, jamais se livrava da angustia de não ter aquela que o acompanhava desde a infância em seus sonhos.

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Duas semanas se passaram desde que Darcy chegou ao Brasil vindo da Inglaterra. Não teve uma noite sequer que não tenha sonhado com aquela mulher. Durante a vida os sonhos se misturavam com paisagens de campos abertos e encontros por corredores em lugares que nunca esteve, mas a voz que as vezes sussurrava em seu ouvido em meio a esses momentos, o toque que podia jurar que ainda queimava sua pele ao acordar eram extremamente familiares.

— Bom dia, irmão.

Estava tão alheio que não percebeu quando sua irmã, Charlote, se aproximou e sentou a sua frente na grande mesa de café da manhã.

— Bom dia, dormiu bem?

— Sim e você?

— Como sempre.

Ela era uma das únicas que sabiam sobre seus sonhos, além dela somente seu irmão de consideração, Camilo, sabiam das noites mal dormidas de Darcy.

— Pensei que aqui no Brasil você dormiria melhor.

— Pelo contrário, tive as piores noites desde que cheguei aqui.

Os sonhos não eram ruins, o problema era a angustia e a inquietação que vinham ao despertar por não saber quem era a tal mulher e pelo aperto no perto que se intensificava ao constatar que ela não estava ao seu lado quando despertava e se via sozinho.

Aquele vazio era algo constante, mesmo se relacionando com outras mulheres ele nunca deixava de buscar aquela que estava em seus sonhos, mesmo que as vezes achasse impossível que ela realmente existisse.

— Hoje vamos a um museu no centro histórico de São Paulo, quer ir comigo?

— Quem vai?

— Eu, a Ludmilla e encontraremos a namorada do Camilo que irá acompanhada por mais alguém.

Um calafrio fez com que Darcy se mexesse inquieto na cadeira.

— Acho que vou deixar para outro dia. Hoje era para ser meu dia de folga, mas preciso resolver algumas coisas com Camilo.

— Quem sabe então não podemos almoçar todos juntos?

— Me avise se todos concordarem que eu reservo algum restaurante.

Tomaram o café conversando sobre a ida de Darcy a redação do jornal que pertencia a sua família. Desde que chegou tentava ir até lá, mas outros compromissos o impediam, mas daquele dia não deixaria passar pelo menos uma rápida visita. Tinha lido várias colunas no site e gostou muito do que viu, algumas coisas precisavam ser mudadas, mas no geral estava satisfeito com o andamento de tudo. E tinha uma coluna em especial que tinha chamado sua atenção.

— A coluna social parece mais um bombardeio de críticas. E o sarcasmo sobre a vida dos mais ricos de São Paulo é uma afronta.

— E isso é ruim?

— Não, mas é muito arriscado bater de frente com pessoas tão influentes.

— Quem a escreve?

— Deixe-me ver. – descendo os escritos até o fim pelo tablete e parando onde o nome da pessoa era descrito. — Elisa Bene... – não conseguindo ler o sobrenome dela por completo sem perder o fôlego.

— Darcy? – vendo o rosto pálido do irmão encarando o tablet quase sem piscar.

— Esse nome.

— O que tem? – pegando o tablet da mão do irmão e buscando o nome da colunista. – Elisa Benedito. Você conhece?

— Não que eu saiba. – levantando e indo até a janela que ficava perto de onde estavam. – Mas alguma coisa nesse sobrenome. – sentindo o mesmo calafrio de pouco tempo atrás.

— Será que tem algo a ver com seus sonhos?

— Não sei Charlote, só que essa sensação de desespero sempre que acordo depois de sonhar com a tal mulher e como agora quando li o nome da colunista precisa acabar.

— Então vá conhecer essa Elisa, quem sabe você não descobre algo que faça sentido.

Darcy não aguentava mais aquela situação, queria dormir uma noite que fosse sem acordar de sobressalto e ter que lidar com sentimentos que ele nem mesmo sabia de onde vinham e porque o assaltavam desde sempre.