Notas iniciais
Não tenho muito o que falar kkkkk :x Boa leitura Potterheads :*

– Se concentre Carrow, você estava indo tão bem na semana passada, o que aconteceu hoje? – Snape falou sem emoção, mas no fundo eu sabia que ele estava pelo menos um pouco preocupado comigo.

– Eu não sei professor, acho que o que aconteceu com a Katie mexeu um pouco comigo. Só de saber que foi o Malfoy que quase a matou, eu... – Tentei terminar a frase, porém eu não achava palavras para descrever o que eu estava sentindo desde que eu conversei com o loiro irritante.

– O que aconteceu com ela foi uma fatalidade, porém você precisa se acostumar com esse tipo de coisa. Tudo indica que esses acidentes começarão a ser mais frequentes.

– Não consigo me acostumar com isso, é maldade demais – Me sentei na mesa de frente com ele e vi algum tipo de expressão passar por aquele rosto pálido.

– Acredite em mim, você ainda não viu nada – Ele disse com uma certa dor na voz e olhava no fundo dos meus olhos – À partir de agora será tudo pior do que já foi. Malfoy não vai parar até conseguir cumprir a missão que foi confiada a ele, e não importa quem ele tenha que machucar ou matar no processo, e isso inclui até você – A expressão dele ficou séria e dura – Então eu acho melhor você parar de sentir pena das pessoas e começar a atuar melhor com ele. Não podemos ser descobertos por ninguém, e eu preciso ter a certeza de que você não vai pisar na bola e acabar com todos os nossos planos...

– Tudo bem Professor, me desculpa – Sai de cima daquela mesa e fiquei na posição para treinar mais um pouco a oclumência.

Voltamos de onde tínhamos parado, eu realmente não estava tão bem quanto nos outros dias, a única coisa que vinha na minha mente era a Katie no ar gritando desesperadamente, e depois a conversa que eu tive com Draco Malfoy. Snape tinha razão, eu preciso me empenhar mais, esse não é um jogo qualquer, eu não posso pensar em errar, sei o quanto um erro pode me custar, e eu gostaria de continuar viva.

Conforme o tempo foi passando a oclumência foi ficando mais fácil, e eu dei graças a Merlin por ter facilidade nisso, Snape tinha que tentar de tudo para conseguir uma brecha na minha mente, o que era bom. Eu só não gostava quando ele conseguia essa brecha e vasculhava em minha mente rapidamente por algo que eu não queria mostrar, e então eu o bloqueava novamente.

Terminamos minha aula tarde da noite e eu não aguentava a dor de cabeça que estava sentindo. Parecia que meu cérebro iria explodir a qualquer momento de tanto esforço que eu fiz por horas. Meu corpo estava quente e a única coisa que eu pensava era na minha cama e uma boa noite de sono.

Fiquei feliz ao alcançar a sala comunal da grifinória, e mais feliz ainda ao descobrir que ela estava totalmente vazia e silenciosa devido ao horário avançado. Era tudo que eu mais precisava no momento para aliviar minha dor de cabeça. Me deitei no maior sofá de frente com o fogo da lareira e respirei fundo para tentar colocar meus pensamentos no lugar, essas aulas com o Snape me deixavam confusa e exausta.

– Olha só quem chegou antes de mim – Ouvi a voz dele seguido do som do quadro fechando a passagem do castelo para a sala comunal.

– Boa noite, Potter – Disse sem animo com os olhos fechados e logo em seguida praguejei baixo por não ter ido dormir logo, eu estava com a mente toda bagunçada.

– Você está bem Soph? – Se colocou ao meu lado e fez carinho nos meus cabelos.

– Estou sim, só um pouco cansada. Essas detenções estão me esgotando – Resmunguei e abri os olhos para dar de cara com aquele olhar dele que me tira o folego toda vez.

– Você deveria falar com Dumbledore sobre isso, Snape está abusando do poder que tem. Ele não tem o direito de fazer isso – Harry parecia frustrado, nervoso com o que estava acontecendo comigo.

– Relaxa Harry, está tudo bem – Tentei um sorriso para ele, mas como eu disse: Minha mente estava uma bagunça.

– Não está tudo bem. Eu não gosto de te ver assim por culpa daquele professor idiota.

– Eu estou bem, não se preocupa – Não esperei ele me cortar novamente e já puxei outro assunto – E como foi sua aula com Dumbledore?

–Descobri muitas coisas novas, mas amanhã eu conto para você. Parece muito cansada, e dormiria na primeira frase que eu falasse – Ele deu uma risada leve e se levantou.

– Você tem razão – Consegui dar o sorriso que eu tanto queria e estiquei meus braços para ele me levantar, e foi o que ele fez.

Foi tudo muito rápido, em um minuto eu estava deitada no sofá e no outro estava cara a cara com Harry, a respiração quente e doce dele batendo contra o meu rosto, o coração audível estava disparado assim como o meu, o calor que saia do corpo dele se chocava contra a minha pele. Eu poderia estar cansada, mas agora mais do que nunca eu estava desperta, e cada sentido meu ficou aguçado.

Minha respiração ficou falha, e assim que eu senti o toque das mãos dele na minha cintura eu me arrepiei inteira e senti correntes elétricas cruzarem toda a extensão do meu corpo. Minha mente tentava assimilar todas essas novas sensações, mas era uma coisa muito surreal para mim.

Harry inclinou levemente o corpo na minha direção deixando claro a intensão dele. Eu queria aquilo também, no fundo eu tinha um pequeno dragão no meu estomago que berrava para que eu tomasse alguma atitude, era até meio desesperador. Coloquei uma mão no pescoço dele e me inclinei um pouco também...

– Harry, Harry, Harry – Ouvimos uma voz desesperada na parte de cima onde ficava os dormitórios e nos separamos bruscamente.

– Que foi, Rony? – Com um mal humor repentino ele respondeu olhando para onde a voz do amigo vinha.

– Aranhas, muitas aranhas – Quase gritou desesperado.

– Azara elas, sei lá... Faz alguma coisa que não seja me atrapalhar – Harry resmungou ainda irritado.

– É verdade, eu sei o feitiço. Valeu Harry – Foi embora tão rápido quanto chegou, fiquei me perguntando o por que ele fez aquilo.

– Rony é sonambulo, e como todos sabemos as aranhas são seus piores medos, e os piores pesadelos também – Ele revirou os olhos e depois sorriu sem graça.

– Pena de você que aguenta isso desde o primeiro ano nessa escola – Tentei brincar, mas o clima ficou muito estranho entre a gente, cruzei meus braços em cima do meu peito desconfortável com aquela situação e também dei um risada sem graça – Acho que eu já vou subir.

– Tudo bem, eu também já vou, se não, eu não consigo acordar amanhã – Apontou para o dormitório desconfortavelmente e me olhou bem.

– Herbologia logo de manhã não é o meu forte – Comentei enquanto nos dirigíamos para as escadas.

– Nem o meu, mas amanhã tem treino de quadribol, é um dia bom – A animação em sua voz foi um alívio para mim, era bom ver ele alegre.

– Boa noite Harry – Estiquei a mão para cumprimenta-lo, mas ele me pegou desprevenida com um beijo na bochecha demorado, ignorando totalmente minha mão estendida.

– Boa noite pequena – Sussurrou assim que se afastou e então nós subimos para nossos dormitórios.

Sei que a maioria das garotas ficariam pensando durante horas na madrugada sobre o que aconteceu comigo e com Harry lá embaixo, mas eu não consegui processar aquilo direito e para ajudar ainda estava exausta, então assim que eu deitei na cama eu praticamente desmaiei, desliguei meu cérebro e deixei com que meu corpo descansasse nas horas que ainda me restavam.

***

No dia seguinte eu acordei bem melhor do que tinha ido dormir e mais disposta também. Me arrumei com uma camisa branca de manga cumprida e um suéter por cima com a famosa gravata listrada com as cores da grifinória, coloquei uma calça pois segundo a programação das aulas, hoje era dia de herbologia, e essa matéria nunca combina com saia.

Assim que pronta eu desci para o café com meus amigos e logo já percebi um clima estranho assim que eu sentei, mas não falei nada. O assunto rolava com certa dificuldade na mesa mas a única coisa que eu prestei atenção foi em comer alguma coisa e logo em seguida eu somente os segui para nossa aula de herbologia.

Durante o caminho para as estufas nós fomos falando sobre o encontro entre Harry e Dumbledore, e o que o diretor tinha passado para ele. Minha mente trabalhava rápido tentando entender o por que Dumbledore estava passando toda a infância de Tom Riddle para que Harry conseguisse sobreviver. O vento do final de semana tinha dado uma trégua, e no lugar dele uma espécie de névoa se instalou no castelo, o que tornou a tarefa de achar a estufa correta um pouco mais difícil que o normal, mas depois de um tempo nós encontramos.

– Uau, que pensamento apavorante, esse garoto Você-Sabe-Quem – Disse Rony baixinho quando tomamos nossos lugares ao redor de um dos tocos nodosos de Arapucosos, que faziam parte do programa do trimestre, e então começamos a calçar as luvas de proteção para a aula – Mas continuo a não entender por que Dumbledore está lhe mostrando tudo isso. Quero dizer, é muito interessante e tudo o mais, mas para que serve?

– Não sei – Respondeu Harry, encaixando um protetor de gengivas – Mas ele diz que é importantíssimo e vai me ajudar a sobreviver.

– Acho fascinante – Opinou Hermione séria – Faz todo sentido conhecer o que for sobre o Voldemort. De que outro modo você vai descobrir os pontos fracos dele? – Tentei ignorar a dor que atingiu meu braço esquerdo e consegui disfarçar bem.

– Então, como foi a última festinha de Slughorn? – perguntou Harry com voz pastosa por causa do protetor de gengivas, e eu tratei de colocar meus óculos de proteção.

– Ah, foi até divertida – respondeu Hermione, colocando os óculos protetores. – Quero dizer, ele fala um pouco sobre os ex-alunos famosos, e simplesmente baba em cima do McLaggen por que ele é bem relacionado, mas nos serviu uma comida realmente gostosa e nos apresentou a Guga Jones.

– Guga Jones? – admirou-se Rony, arregalando os olhos por baixo dos óculos protetores, era engraçado ver ele assim por causa de uma jogadora – A Guga Jones, capitã das Harpias de Holyhead?

– A própria – confirmou Hermione. – Pessoalmente, achei que ela é um pouco metida, mas...

– Chega de conversa aí! – disse a professora Sprout, em tom enérgico, aproximando-se com ar severo. – Vocês estão se atrasando, todos já começaram e Neville já colheu a primeira vagem!

– Certo, professora, já estamos começando! – Respondi rápido e finalmente encaixei o protetor de gengiva. Não sei como algumas pessoas conseguem gostar de herbologia, isso era extremamente perigoso de se fazer, olhei para o lado e vi Neville com a boca totalmente ensanguentada em um sorriso, alguns arranhões pelo corpo e gemi só de pensar que eu teria que passar pela mesma coisa em alguns minutos.

– Devíamos ter usado o Abafiato, Harry – Resmungou Rony só para nós.

– Não, não devíamos! – discordou Hermione na mesma hora, parecendo, como sempre, aborrecidíssima só de pensar no Príncipe Mestiço e nos seus feitiços. – Ora, vamos... é melhor nos apressarmos...

Lancei para os três um olhar desconfortável que foi retribuído na mesma hora, não gostava nem um pouco dessa matéria. Tomamos folego e como um time nós atacamos aquele tronco nodoso.

A planta imediatamente ganhou vida; galhos longos, urticantes e espinhosos saíram do toco e chicotearam o ar. Um deles se enganchou nos cabelos de Hermione, e eu o repeli com uma tesoura de poda; Harry conseguiu conter uns dois galhos e prendê-los com um nó. Abriu-se um buraco no meio desses tentáculos, e eu tomei toda a coragem que ainda me restava e enfiei meu braço nesse buraco que fechou-se como uma armadilha, senti minha camisa se resgando na altura do cotovelo e entrei em desespero, se meu braço saísse sem a manga comprida não teria desculpa que eu pudesse contar, eles nunca iriam acreditar que eu não estou do lado dos comensais da morte. Assim que os três torceram os galhos em um nó para reabrir o buraco que meu braço estava eu só rezei para que minha blusa não tivesse rasgado; Assim que o buraco se abriu novamente eu consegui puxar a vagem que estava na minha mão com apenas alguns arranhões que não revelavam nada e uma linha fina no cotovelo com vários rasgos, mas nenhum que comprometia o comprimento da minha blusa.

Na mesma hora os galhos urticantes foram recolhidos e o toco nodoso ficou imóvel parecendo um inocente pedaço de madeira seca.

– Sabe, acho que não vou querer essa planta no jardim quando tiver a minha casa – comentou Rony, empurrando os óculos para a testa e enxugando o suor do rosto.

– Me passa uma tigela – Pedi com nojo daquele negócio verde na minha mão, meu braço estava esticado e assim que Harry pegou uma tigela eu deixei a vagem cair – Que nojo...

– Não seja supersensível, esprema a vagem, é melhor quando está fresca! – falou a professora Sprout.

– Como eu ia dizendo – Hermione retomou a conversa interrompida como se não tivéssemos sido atacados pelo toco de madeira idiota – Slughorn vai dar uma festa de Natal, Harry, e dessa você não vai ter jeito de escapar, porque ele me pediu para verificar as suas noites livres, e vai marcar a festa numa noite em que você possa ir.

Ouvi Harry gemer com aquela informação, ele vem evitando os convites de Slughorn desde o começo do ano letivo, mas agora parecia que não teria como se esquivar desse convite. Graças a Merlin o professor esqueceu-se da minha existência, acho que no dia em que me chamou para fazer parte de seu clube, ele só o fez por que estava em público. Ninguém nunca chamaria uma Carrow para ser parte de algo que não fosse uma seita de seguidores de Você-Sabe-Quem.

– E essa é mais uma festa para os favoritos de Slughorn? – Perguntou Rony mais aborrecido que o normal. Ele odiava esse assunto.

– É só para o Clube do Slugue – Respondeu Hermione.

A vagem voou para longe dos dedos de Rony que tentava de qualquer maneira espreme-la para tirar sei lá o que de dentro, atingiu o vidro da estufa, ricocheteou e foi bater na nuca da professora, derrubando seu velho chapéu remendado. Olhei para Harry e com uma confirmação eu o segui para recuperar a vagem.

– Desculpa professora – Eu disse meio sem graça pelo acontecido – Não vai acontecer novamente.

– Tudo bem, essas vagens são bem escorregadias – Ela parecia entusiasmada de mais com a aula para ligar para o fato que tinha acabado de ser atingida na cabeça.

– Hey, eu preciso conversar com você – Assim que estávamos retornando para nossa mesa, Harry disse somente para que eu escutasse.

– Sobre...? – Me fiz de desentendida.

– Você sabe Sophia, se Rony não tivesse nos cortado ontem, provavelmente nós teríamos nos...

– Olhe aqui, não fui eu que inventei o nome “Clube do Slugue”... – Escutamos Hermione dizer irritada assim que chegamos perto da mesa.

– Clube do Slugue – repetiu Rony com um desprezo digno de Malfoy. – É patético. Ora, eu espero que você se divirta na festa. Por que não experimenta namorar o McLaggen, aí o Slughorn pode proclamar vocês dois Rei e Rainha do Clu...

– Ele nos deu permissão para levar convidados – disse Hermione, que, por alguma razão, ficara escarlate escaldante –, e eu ia convidar você, mas, se acha que é bobeira, então nem vou me incomodar!

Eu olhei para Harry e ele tinha a mesma expressão de quem desejaria estar bem longe dali no momento. Coloquei a vagem na vasilha e juntos nós tentamos abrir aquela coisa da maneira mais barulhenta possível, mas nossa tentativa de não escutar a discussão que acontecia foi em vão.

– Você ia me convidar? – perguntou Rony, em um tom completamente diferente.

– Ia – respondeu Hermione zangada. – Mas é óbvio que se você prefere que eu namore o McLaggen...

Durante aquela pausa eu bati o mais forte na casca da vagem com uma colher de jardineiro.

– Não, não prefiro – retrucou Rony, em voz muito baixa.

Quando foi a vez de Harry tentar abrir aquela coisa ele errou o alvo e quebrou a tigela.

– Reparo! – Eu disse depressa, empurrando os cacos com a varinha, e a tigela se recompôs. Finalmente conseguimos chamar a atenção dos nossos dois amigos que brigavam e eles pararam, Hermione estava embaraçada, e começou a consultar o seu exemplar de “Árvores do mundo que se alimentam de carne”, para descobrir o modo correto de espremer as vagens de Arapucosos. Rony, por sua vez, parecia envergonhado, mas, ao mesmo tempo, muito satisfeito consigo mesmo.

– Me dá isso, Harry – disse Hermione apressada –, diz aqui que precisamos furá-las com uma coisa afiada...

Harry passou-lhe a vagem e a tigela, ele olhou novamente para mim e com um desanimo eu acenei positivamente, eu ele e Rony tornamos a baixar os óculos sobre os olhos e mergulhamos mais uma vez no toco.

Com o comportamento estranho de Hermione quando estava perto de Rony não era de se assustar que cedo ou tarde eles teriam um desentendimento desse tamanho. Cedo ou tarde eu sabia que isso aconteceria com esses dois, são anos de amizade e eu sempre vi algo a mais ali, sempre quis ignorar esse fato também, nós somos muito juntos desde sempre e eu não queria que um possível namoro estragasse isso, já basta minha situação estranha com Harry.

Durante os próximos dias eu tentei ao máximo não ficar sozinha com Harry e Rony e Hermione começaram a tratar um ao outro com um pouco mais de gentileza que o normal.

Notas finais
Eu quase ouvi o Galvão Bueno gritando um "NA TRAAAAAVEEEEEE" no meio do capítulo kkkkkkkkkk. Pelo menos agora vocês sabem que o beijo demora mas não tarda o/ Zueras a parte, eu espero que vocês estejam gostando, mesmo que a repercussão esteja bem pequena, eu estou amando compartilhar essa história aqui. E gostaria que vocês interagissem mais. Amo vocês Potterheads. Bjs e até a próxima!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.