Darkness Inside Gold

5 After All This Time?


Notas iniciais
Mais um capítulo para vocês... Obrigado mesmo a quem está acompanhando e comentando, isso me deixa muito alegre. sem mais delongas kkkk, espero que gostem da maneira que eu to aproximando os principais, se tiverem alguma sugestão pode falar nos comentários, sou aberta a ouvir vocês e tentar fazer o melhor para a fic. Boa leitura Potterheads :*

A semana que se passou foi totalmente normal, os professores exigiam cada vez mais dos alunos e nós tínhamos que cumprir todas as expectativas. Passei a maior parte do meu tempo livre com os meninos fazendo nossas lições de casa na sala comunal. Harry estava indo super bem com o professor Slughorn, ele era o aluno preferido da classe graças ao livro do “príncipe mestiço” que ele usava nas aulas. Eu era a segunda preferida, por que sempre ficava perto dele e sempre pegava uma ou outra dica daquele livro que era incrível, seja quem for que escreveu, a pessoa era muito boa em poções.

No sábado eu só terminei de almoçar e corri para o escritório de Dumbledore sem levantar maiores suspeitas com os três.

– Boa tarde professor – Entrei no escritório e fui me sentar de frente com ele que tinha Snape ao seu lado de companhia.

– Boa tarde senhorita Carrow, fique a vontade – Gesticulou para que eu me sentasse e assim eu fiz – Você está bem?

– Estou ótima professor, melhor impossível – Sorri abertamente.

– Magnífico, vejo que está feliz em se juntar ao nosso lado – Ele ajeitou os óculos.

– Muito feliz, foi minha melhor escolha sem dúvidas...

– Mas creio que a senhorita saiba... – Snape me cortou com a mesma voz entediada de sempre, e o estranho era que eu já não sentia tanto ódio dele como antes – Que isso não é uma brincadeira, ou um teste em que se pode falhar. É uma questão de segundos para que você morra nas mãos do Lorde das Trevas, se vacilar em uma resposta não tem mais volta!

– O que Severo quer dizer – Dumbledore emendou – É que você precisa levar essa missão com seriedade para que não aconteça algo ruim.

– Eu estou bem ciente disso, sei com quem eu estou me metendo, e sei o que pode me custar – Consegui manter minha expressão séria ao máximo. Snape pareceu não acreditar muito em mim, mas ele teve que engolir que agora eu estava fazendo o mesmo papel que ele de agente duplo.

– Você não deixou Potter descobrir nada, não é mesmo? – Snape olhou fundo em meus olhos da mesma maneira que Você-Sabe-Quem fez comigo no primeiro dia de aula.

– Ele não vai desconfiar de nada, estou fazendo de tudo para garantir isso, se é o que mais te preocupa – Deixei um certo desprezo escapar entre minhas falas e ele percebeu isso. Durante poucos segundos eu senti ele entrar na minha mente e vasculhar bem o que queria saber. Quando eu ia abrir a boca para reclamar dessa atitude dele, Snape foi mais rápido.

– Precisa aprender um pouco mais da arte da Oclumência senhorita – Disse Snape voltando ao seu estado de tédio – Eu consegui entrar muito facilmente na sua mente, e além de saber que Potter já desconfiou de sua marca em uma noite que ele te pegou pelo braço, eu também descobri que você gosta dele não somente como amigo...

– Isso é pessoal Snape, quem você acha que é para ficar invadindo minha mente assim? – Sem nem mesmo perceber eu tinha me exaltado com ele. Nem eu mesmo sabia se gostava de Harry desse jeito, e duas pessoas já tinham falado isso para mim, o que me deixava um pouco incomoda com a situação – E ele não desconfiou de nada naquela noite...

– Harry é mais esperto que você pensa Sophia – Dumbledore disse calmo cortando a provável briga que ocorreria – De qualquer forma, você está aqui para conseguirmos traçar um trajeto para você. Como primeira exigência eu preciso que você passe algumas noites com Severo para aprimorar alguns controles da mente.

– Você vai causar algo em minhas aula para eu conseguir te dar detenção. Vamos treinar sua mente para encarar o Lorde das Trevas no período da noite – Disse Snape com um brilho diferente nos olhos, parecia um pouco de felicidade, mas descartei a ideia por parecer impossível.

– Tudo bem, vou pedir umas dicas ao Harry – Tentei brincar, mas só Dumbledore viu alguma graça nisso – Continuando...

– Claro – Dumbledore sorriu – Vamos lá, primeiro você deve saber que eu estou morrendo.

Não deve ter sido nada engraçado minha expressão, pois foi um dos maiores choques da minha vida. Dumbledore permanecia calmo como se a noticia fosse normal para falar assim de cara. Até Snape engasgou por alguns segundos não acreditando que ele tinha falado assim com tanta naturalidade.

– Se-Sen-Senhor? – Perguntei ainda espantada

– Sim, eu falei para vocês não se preocuparem no primeiro dia de aula que não era nada de mais, mas na verdade minha mão está ficando assim por conta de um feitiço irreversível que infelizmente me atingiu assim que eu tentei destruir esse anel – Com delicadeza ele tirou um anel de uma gaveta e colocou a minha frente – Era de Tom Riddle, e de alguma forma eu tenho uma suspeita de que isso é muito importante para ele, então eu o destruí, e minha mão ficou assim.

– Eu consegui desacelerar o efeito do feitiço, mas não consegui para-lo – Snape disse com um certo tom de tristeza em sua voz.

– Estou preparando tudo pois sei que não tenho muito tempo – Dumbledore ainda sim tinha um leve sorriso nos lábios – E o maléfico plano de Voldemort é fazer uma coisa que já está acontecendo, ele quer me matar.

– Então essa é a grande missão do Malfoy? – Minha cabeça trabalhava a mil para ligar os pontos.

– Sim, muito bem – Dumbledore me elogiou com um meio sorriso no rosto – Malfoy está incumbido de cumprir essa missão até o final do ano letivo. Vamos ver o que ele tem preparado para mim, e se ele é tão brilhante a ponto de merecer a confiança de Voldemort.

– Eu vou investigar melhor o que ele vai tramar para conseguir prevenir o nosso lado – Disse Snape confiante, era tão estranho ver ele demonstrar algumas emoções, todos esses anos eu achava que ele era incapacitado de sentir qualquer coisa.

– Temos uma história bem interessante para te contar senhorita Carrow, creio que vai mudar totalmente sua concepção sobre Severo e as atitudes dele por esses anos. Com a permissão dele eu decidi lhe contar sua história aqui no castelo e fora dele, para você conseguir entender o por que dele ser meu agente duplo, e do porque dele ser tão fiel a mim e mesmo assim trabalhar para Voldemort – Disse Dumbledore se acomodando mais confortavelmente em sua cadeira, eu imitei seu gesto prevendo que a história seria grande e bem complicada. — Tudo começa fora das paredes desse castelo, Severo se aproxima e vira amigo de uma bruxa nascida de pais trouxas, Lilian, o mais conhecido por você como a mãe do Harry...

– Você? Amigo da mãe do Harry? – Deixei a pergunta escapar por estar admirada com a novidade.

– Senhorita, por favor, sem interrupções – Dumbledore pediu educadamente e eu com muita vergonha concordei com a cabeça e voltei minha atenção para ele – Como eu ia dizendo, Severo foi um grande amigo dela antes de os dois serem convidados a se juntarem a nós aos onze anos de idade. Como você bem sabe, ele foi um aluno da Sonserina e ela uma aluna da Grifinória, uma coisa que até hoje separa muito de nossos novos alunos, não sei por que – Tive vontade de interromper novamente, mas dessa vez eu segurei minha língua – Com o passar dos anos eles se separaram aos poucos e Lilian se aproximou de Tiago Potter, Sirius Black, Remos Lupin e Pedro Petgreaw.

– Malditos garotos arrogantes – Ouvi Snape resmungar e isso me subiu uma certa raiva pra cabeça.

– Veja bem como fala de Sirius – Ameacei me alterando um pouco novamente, ainda não tinha superado a perda de um grande amigo no ano passado, e não estava muito a fim de ouvir as reclamações de Snape quanto a isso, sei que ele não suportava Sirius por razões pessoais, mas eu não admitia falar mal de uma pessoa que nem consegue se defender.

– Veja bem como “você” fala dele – Retrucou Snape irritado – Sirius e os outros três patetas não foram o que você pode chamar de heróis, isso eu posso te garantir – Ele disse fervorosamente sem desgrudar os olhos dos meus, me passando uma intensidade desnecessária no momento – Eles sempre foram covardes, me atacavam somente quando estavam em bando nos corredores...

– Como assim te atacavam? – Eu estava bem surpresa com as revelações dele, e parecia que tudo tinha escapado da boca dele sem ele querer.

– Isso não vem ao caso – Snape deixou aquela intensidade de segundos atrás escapar e voltou a ficar sereno em sua cadeira – Pode continuar – Gesticulou para Dumbledore que esperava pacientemente o nosso surto acabar para ele conseguir terminar a história.

– Muito bem, como eu estava dizendo, nossa aluna prodígio Lilian se aproximou desses quatro garotos, acabou se apaixonando por Tiago e construiu uma vida ao lado dele. Do outro lado da história estava Snape, que foi recrutado para ser um comensal da morte pessoalmente por ser brilhante, sangue puro e por que Voldemort julgava que ele era uma pessoa que não tinha por quem sentir amor, uma coisa que o próprio Voldemort não sabia o que era para julgar quem tinha ou não.

Eu olhava de Dumbledore para Snape observando as expressões e sentimentos que não mudavam durante a história. Era estranho estar conhecendo melhor Snape em tão pouco tempo, muitas coisas para mim era novidade e estava mudando totalmente minha percepção de quem ele é.

– Mas Snape nunca deixou de gostar da Lilian – Continuou Dumbledore calmamente – Mesmo que ela tenha se casado com Tiago e os dois tiveram Harry como filho.

– Meu único erro foi não ter percebido uma coisa muito grave – Snape interrompeu Dumbledore mostrando que ele queria contar o que aconteceu – Eu ouvi a profecia da professora Trelawney por meios de espionagem, corri para contar para o Lorde das Trevas, até então eu servia somente um lado. Não demorou muito e ele interpretou a profecia do jeito que ele quis. Eu não consegui detê-lo – Snape abaixou a cabeça, a voz entrecortada dele me passava uma sensação de dor que eu nunca experimentei antes, essa dor emocional era demais para uma pessoa só. Tive a estranha vontade de me levantar daquela cadeira e abraça-lo – Corri para Dumbledore pedindo clemência, mas ele não conseguiu fazer nada, Você-Sabe-Quem matou Lilian e a culpa foi toda minha, nunca vou conseguir me perdoar por isso.

– Eu sinto muito – Sussurrei sem ter muito o que falar depois de um tempo considerável de silencio.

– Com a morte da Lilian que foi na verdade um sacrifício, foi gerado um grande feitiço de proteção que fez com que Harry sobrevivesse ao ataque e fez com que Voldemort fosse derrotado naquela época, e ainda não sabemos muito bem o motivo – Dumbledore respirou fundo após acabar a explicação – Tenho várias pistas que estou seguindo para descobrir uma maneira de conseguirmos derrotar Voldemort novamente só que dessa vez para valer, mas estou só no começo – Ele se lamentou com um sentimento de frustração em sua fala que eu conseguiria identificar de longe – E creio que não me resta muito tempo – Ele olhou triste para a mão enegrecida.

– No que eu puder ajudar é só falar que eu faço – Me endireitei na cadeira para falar e os dois fizeram o mesmo.

– Fique tranquila, vamos primeiro treinar sua mente. Essa guerra que estamos tramando é contra um dos melhores bruxos na área da legilimência que esse mundo já viu, você precisa estar preparada para estar de frente com ele sem levantar suspeitas do nosso plano, ou tudo que estamos trabalhando não valerá de nada – Disse Dumbledore muito sério.

– Segunda mesmo começamos senhorita Carrow – Snape se levantou e sem olhar para mim se dirigiu para a saída – Tenham uma boa noite – resmungou antes de desaparecer pela porta.

– Creio que queira aproveitar o que lhe restou desse sábado tão preguiçoso Sophia – Dumbledore sorriu de uma maneira doce para mim – Vamos marcar um próximo encontro só depois que eu tiver mais uma noite com o Harry, preciso muito avançar nas minhas pistas e você precisa se preparar – Ele se levantou também e veio me cumprimentar.

– Vou dar o máximo de mim, não vou decepciona-lo – Me levantei, apertei a mão dele com um sorriso no rosto e tive que ir embora por que Dumbledore estaria viajando em uma missão em poucos minutos.

Quando saí daquele escritório me deparei com um horário já muito avançado, já estava na hora do jantar e eu nem tinha percebido o tempo passar assim tão rápido. Rumei para o salão principal sozinha e fui direto para meu lugar. Harry, Rony e Hermione ainda não tinham descido para comer, mas eu decidi não esperar eles por estar morta de fome.

Me desencontrei com eles na hora do jantar, mas depois disso nós acabamos nos encontrando na sala comunal que estava lotada de alunos. Guardei o sofá e duas poltronas para nós, eu estava precisando de uma momento para relaxar depois de uma semana corrida e depois da conversa que eu tive com Dumbledore e Snape. Queria tirar da minha cabeça todos os problemas que me rondavam todos os dias, nem que seja só por uma noite.

– Olha só se não é a garota sumida – Harry disse eu se jogar do meu lado.

– Saio para me distrair sozinha por uma tarde e olha o drama que o escolhido faz – Deitei minha cabeça no colo dele sorrindo – Me ama menos garoto – Soltei uma piscadela e vi ele ficar vermelho igual um pimentão, com isso eu também senti minhas bochechas queimarem intensamente.

– Então Sophia, já finalizou o dever de casa do Snape? – Disse Hermione percebendo o clima estranho e me resgatando dele.

– Ainda não, mas vou deixar para finalizar amanhã. Hoje eu quero descansar e curtir com vocês!

– Então vamos jogar uma partida de snap explosivo – Disse Rony com uma animação repentina.

– Seu dever vai ficar para que horas? – Hermione perguntou insatisfeita.

– Quando a Soph fizer o dela eu faço o meu – Rony piscou para mim e eu tive que segurar minha risada para não perder minha melhor amiga que olhava para o Ronald com uma certa desaprovação nos olhos.

– Vamos lá Mione, eu escolho você de dupla – Mandei um beijo para ela o que fez os meninos darem risada. E logo em seguida ela cedeu também.

***

Na segunda feira seguinte eu fui para a aula do Snape com um plano já em mente, só que ele deixou tudo mais fácil de propósito. Eu planejava dar algum surto dentro da sala contra ele ou seja lá o que for que ele estava ensinando, mas tive fui pega desprevenida por um teste surpresa, ele passou as instruções claramente na frente de toda a sala, e entregou o teste.

Tive uma brilhante ideia e na hora já coloquei em prática, estiquei meu pescoço para frente a fim de ver o teste de Hermione, e Snape que já estava de olho em mim me chamou para repreender meu ato.

– Patético senhorita Carrow – Disse em total desdém – Eu creio que fui muito claro quando disse que não iria admitir nenhum tipo de trapaça nesse teste. Além de tirar um zero por tentar colar, ainda vai receber detenção por desobedecer minhas ordens.

– Os dois motivos são exatamente iguais, por que dois castigos? – Fingi um certo descontentamento e vi a cara dele fechar ainda mais.

– Por contrariar meus métodos sua detenção vai ser dobrada – Disse Snape vitorioso. Eu ia retrucar um pouco mais para fazer a cena ficar ainda mais convincente, mas Harry segurou minha mão na hora bem disfarçadamente, uma indicação de que o que eu iria fazer provavelmente não era uma boa ideia – Mais alguém aqui gostaria de tentar trapacear em minha aula?

O silencio reinou na sala o que deixou Snape muito satisfeito. Ele me expulsou da sala e eu fiquei feliz por isso ter ocorrido na primeira aula de uma aula dupla. Peguei meu material e fui direto para a sala comunal descansar um pouco.

Era estranho ainda não ter mais todo aquele ódio que eu sentia por Snape, sempre achei que ele fosse um vilão do pior tipo, quando na verdade ele era o mocinho esse tempo todo. Quero dizer, não totalmente mocinho, mas as intenções dele depois da primeira guerra estão corretas. Eu já sabia desse ódio que ele sente pelo pai do Harry, pelo Sirius e pelo Lupin, mas não sabia que era a ponto de entregar a profecia na mão do Lorde das Trevas para que ele matasse o Tiago. Era insano pensar em um ódio assim, mas se olhar pela visão do Snape dá para entender um pouco.

***

– Acorda bicho preguiça – Senti alguém me balançando e fui obrigada a forçar meus olhos contra a claridade do quarto.

– Já vou, Granger – Disse com minha voz mais sexy de todas as manhãs.

– Vou esperar você lá em baixo. Se agasalha bem por que está muito frio lá fora – A voz dela foi ficando mais distante a medida que ela falava, até que eu escutei os passos apressados dela pela escadaria que levava até o salão comunal.

Encarei o teto do quarto por uns cinco minutos antes de criar coragem e sair daquela cama que me segurava com todas as forças por estar tão quente e macia, e também por ser um sábado cinzento. Mas não era um sábado comum, hoje iriamos para Hogsmead, um passeio que eu achei que iria ser proibido devido a situação de segurança que o castelo se encontra.

Muitos alunos tem estado em constante contato com seus pais preocupados, alguns brigavam para ficar na escola, outros perdiam a briga e os pais os levavam de volta para casa por não confiar mais na segurança que Dumbledore colocou no castelo.

Me arrumei muito rápido seguindo o conselho da Mione e me agasalhando bem contra o frio que estava do lado de fora do castelo e fui me encontrar com meus amigos para tomar um café da manhã no salão principal.

– Bom dia meus amores – Me sentei ao lado do meu Weasley favorito e já comecei a me servir com algumas coisas daquele café maravilhoso.

– Acordou de bom humor hoje? – Harry me olhou divertido com um brilho em seus olhos que claramente me deixou corada.

– Isso é bom, por que Hermione já está brigando com a gente – Rony resmungou irritado, também deixou minha melhor amiga assim só com um comentário. Esses dois estão um pouco difíceis de aguentar esse ano.

– Estou brigando por que vocês dois estão sendo irresponsáveis ao ficar com o livro desse príncipe mestiço e ainda pior, vocês estão reproduzindo os feitiços dele que não foram aprovados pelo ministério, nunca se sabe o que um feitiço pode fazer... – Hermione disparou a falar, ela ficava vermelha a cada palavra dita e os meninos estavam se divertindo com isso. Sou obrigada a aguentar isso logo de manhã.

– Ei Harry, pediram pra eu te entregar isso.

Era um pergaminho com o nome de Harry escrito em uma familiar fina e bem escrita letra.

– Obrigado Gina... É a próxima aula com Dumbledore! – Harry disse para mim, para Rony e Hermione, abrindo rapidamente e lendo o que estava escrito – Segunda-feira a noite.

– Legal, pelo menos ele não te esqueceu – Disse Rony com metade de uma salsicha na boca.

– Vamos indo? – Hermione perguntou já se levantando, Rony olhou para nós desapontado, visto que ele tinha mais algumas coisas que gostaria de comer na mesa, mas assim que todos ficaram de pé ele se deu por vencido e nos seguiu.

Juntos fomos direto do salão para a saída principal da escola, onde o zelador Filch iria conferir os nomes dos alunos e as autorizações dos estudantes que estariam indo pela primeira vez para o povoado perto da escola, a única coisa diferente nesse procedimento era que nós iriamos ser revistados para confirmar se não estávamos levando nenhum artefato de magia negra para fora da escola, o que para mim e para todos os outros alunos era uma indignação, e uma demonstração de total desconfiança nos alunos.

– Que diferença vai fazer se estivermos contrabandeando artefatos das trevas para fora do castelo? Eles tem que se preocupar com as coisas que entram, e não com o que sai, francamente – Disse Rony indignado com o que ele estava vendo, era até divertido ver aquele grandão assim tão irritado.

– Relaxa Roniquinho – Apertei a bochecha esquerda dele fazendo com que ficasse mais irritado do que já estava. Hermione e Harry estavam se divertindo com isso. – Quem não deve, não teme!

– Eu sei, só acho um total absurdo e um pouco de falta de inteligência da diretoria – Cruzou os braços no peito muito mal humorado.

Filch nos revistou demorando um pouco mais no Rony que ficou totalmente desconfortável com a situação, e logo já estávamos virando gelo do lado de fora do castelo. Ventava com um pouco de chuva de neve, isso é demais para mim, não consigo suportar tanto frio assim de uma vez. As maçãs do meu rosto estavam dormentes e eu tremia mais do que da vez que me encontrei com aragogue, daquela vez foi de medo.

– Acho que eu vou morrer antes de chegar lá – Resmunguei com a voz abafada pelo meu cachecol.

– Meu nariz está dormente, não sei se ele esta aqui mesmo ou se caiu a alguns minutos atrás – Disse Rony.

– Está ai sim, muito vermelho, mas está – Harry respondeu. Ele soube bem o que eu queria no momento, ele sempre sabia.

Envolveu meu corpo em um abraço de lado enquanto andávamos e eu me senti no meu corpo esquentar, mas não era por que o corpo dele estava me aquecendo, era por que ele estava em contato comigo assim de repente. Eu ainda não estava acostumada com essas sensações estranhas, ele sempre fez isso comigo, mas agora estava um milhão de vezes diferente, meus sentidos ficaram super aguçados, eu sentia cada centímetro do corpo dele em contato com o meu, e sentia um calor que vinha de dentro para fora.

– Melhor? – Harry perguntou perto do meu ouvido fazendo com que meu coração batesse descompassado e mais forte do que eu desejaria, afinal ele conseguiria escutar muito bem, visto que o corpo dele estava muito colado com o meu de lado.

– Acho que sim, obrigado – Disse morrendo de vergonha. Ele sabia que estava causando sensações em mim que nem eu mesmo esperava sentir, só isso para explicar o sorriso que apareceu no rosto dele que iluminou tudo.

Chegamos no povoado de Hogsmead e nossa primeira parada que tínhamos planejado estava fechada, que era na Zonko. O pensamento de que teria sido melhor ficar na sala comunal quentinha e aconchegante só crescia em minha mente, um passeio em Hogsmead sem ir na Zonko é certeza de que não vai ser nada agradável, eu precisava mesmo renovar meu estoque de travessuras, mas vou precisar encomendar com Fred e Jorge.

Rony apontou com sua luva grossa para a Dedos de Mel e eu dei graças a Merlin quando entramos na loja e o calor de dentro nos envolveu, aos poucos eu voltava a sentir as partes do meu corpo que ficaram sem proteção no vento.

– Vamos ficar aqui a tarde toda – Rony declarou um pouco mais relaxado do que estava quando o vento impiedoso nos deixava tremendo de frio do lado de fora.

– Harry, meu garoto! – Ouvimos aquela voz que vem perturbando a mim e a Harry desde o começo do ano, acredito que não foi só eu que praguejei mentalmente.

– Oh não – Ouvi Harry resmungar ao ter que se desgrudar de mim para encarar o professor Slughorn que ocupava boa parte da loja com seu corpo, um casaco de pele e um saco de abacaxi cristalizado na mão.

– Harry, já são três dos meus pequenos jantares que você já perdeu! – Ele disse cutucando Harry levemente no peitoral — Eu não vou desistir, meu garoto, estou determinado em ter você! A Srta. Granger adora eles, não adora?

– Sim – Hermione disse bem envergonhada com a situação, eu tinha vontade de rir por dentro, mas não demonstrava isso — eles são realmente...

– Então por que você não vai, Harry? – Exigiu Slughorn.

– Bem, eu tenho tido treinos de quadribol, e...

– Eu tenho ajudado ele com as lições na parte da noite professor – Me intrometi e recebi um olhar agradecido daqueles olhos verdes – Estamos estudando juntos para os N.I.E.Ms.

– Tenho certeza que sobra um tempo para uma distração – Ele sugeriu estufando aquela barriga dele presunçosamente – Você pode vir também Srta. Carrow, vai ser mais do que bem vinda.

– Bom, eu... é... é que...

– Agora, que tal Segunda a noite, você não pode achar possível treinar com este tempo... E dá tempo de deixar as lições em dia – A ponta gorda do dedo dele foi de Harry para mim nos deixando meio sem reação.

– Eu não posso, professor, tenho... er... um encontro com Professor Dumbledore na segunda a noite – Harry coçou a cabeça totalmente sem graça.

– Sem sorte outra vez – Lamentou Slughorn dramaticamente – Mas você vem não é mesmo Srta? – Se virou para mim com esperança brilhando no fundo de seus olhos.

– Eu? É que... – Procurei ao máximo uma desculpa, mas minha mente me deixou na mão – Acredito que... Não sei, acho que vou.

– Ótimo – Vibrou com alegria – E você Harry, não pode me evitar para sempre.

Dito isso ele foi embora com seu saco de doces, gingava alegremente em sua saída, nos deixando com a maior cara de bobos.

– Finalmente uma pessoa para me fazer companhia – Hermione suspirou cansada.

– Harry me paga – Dei um tapa no braço dele de brincadeira, ou quase isso – Nunca mais tento te salvar de uma situação como essa, não conte comigo – Cruzei os braços irritada, e eu tinha realmente ficado irritada, tentei ajudar e acabei me ferrando.

– Não fica assim, pensa só, você vai ter uma noite inteira com Slughorn e as histórias incríveis dele – Ironizou Harry com um sorriso brincalhão no rosto, o que me fez ficar mais irritada ainda.

– Cala a boca Potter, ou eu te arrasto comigo.

– Olha só pessoal, eles tem delicias de açúcar, daquelas que duram horas – Hermione mudou totalmente o assunto por que Rony já estava com a cara fechada demais. Ele nem foi sequer mencionado na conversa e isso incomodava ele.

Rony continuou com a cara fechada e o maior mal humor que ele conseguia ter no momento, eu até entendo o lado dele, mas não tinha a necessidade de ficar assim com a gente, não tínhamos culpa de nada!

Harry sugeriu que fossemos ao Três Vassouras e eu concordei na hora, a ideia de tomar uma cerveja amanteigada me agradou muito. Saímos daquele calor aconchegante para ter uma surpresa não muito agradável.

– Mundungus! – Harry quase gritou nervoso, o que fez o cara baixinho logo a frente derrubar uma maleta de utensílios usados na neve.

– Como vai Harry? – Tentou parecer tranquilo, mas o medo estava claro em sua voz – Bem, não deixe com que eu atrapalhe vocês – Ele começou a se arrastar no chão recolhendo aquilo que tinha derrubado com muita pressa.

– Você está vendendo essas coisas? – Perguntei ao observar ele recolher alguns objetos de prata da lama.

– Bem, eu preciso continuar vivo afinal – Ele retrucou irônico. Rony parou ao lado dele e pegou um objeto, parecia ser uma taça – Ora, me dê isso!

– Espere – Rony desviou dele e observou melhor o objeto – Eu conheço isso...

– Muito obrigado! – O baixinho disse irritado e tirou o cálice das mãos de Rony com certa ignorância – Bem, até mais... AI.

Quando dei por mim Harry já tinha cortado a distância que mantínhamos e prensou Mundungus contra a parede num claro sinal de violência, ele tirou a varinha do bolso e apontou na cara redonda do vendedor ameaçando-o.

– Você tirou isso da casa de Sirius – Harry apertou ainda mais a mão no pescoço de Mundungos – Tem o brasão da família nisso.

– Eu... Não... Que? – Pude observar o baixinho ficando azul, logo em seguida adquiriu um tom de roxo na pele por não estar conseguindo respirar direito.

– O que você fez? Voltou na noite em que ele morreu e limpou o lugar? – Harry disse entredentes, o corpo dele tremia mas não era de frio.

– Eu... Não...

– Me dá isso...

– Para Harry, solta ele – Hermione quase gritou. Mundungos não aguentaria mas dez segundos assim, se não fosse por Tonks ele teria desmaiado ali mesmo.

Ouvi um som de alguma coisa estralando e quando consegui entender algo vi a varinha de Harry voar longe e Mundungos cair no chão já buscando pelo ar que lhe faltara, ele abraçou a maleta que carregava e com um pequeno som ele sumiu na nossa frente por meio de aparatação.

– VOLTE, VOCÊ ROUBOU!

– Clama Harry, não tem o por que dele voltar – Disse Tonks se aproximando de nós – Mundungus provavelmente está em Londres agora. Não há porque gritar.

– Ele está contrabandeando as coisas do Sírius! Roubou isto! – Harry mostrou o cálice de prata com o brasão da família Black. Me aproximei um pouco dele e toquei em seu braço para ele se acalmar.

– Calma Harry, vamos pensar numa maneira para impedir esse impostorzinho de fazer esse tipo de coisa – Disse tentando mostrar tranquilidade, ele considerou o que eu disse e só concordou com a cabeça ainda um pouco irritado com o que tinha acabado de acontecer – Vamos entrar, estou congelando – Involuntariamente eu puxei Harry pela mão para dentro do Três Vassouras e assim que nós cruzamos a entrada as pessoas que olharam diretamente para a minha mão junto a de Harry, o que fez com que nos separássemos bruscamente com as bochechas coradas de vergonha.

Nos sentamos juntos enquanto Hermione ia até o balcão para pegar nossas bebidas, Rony já estava mais relaxado, ele não tirava os olhos da Madame Rosmerta pois tinha uma queda por ela desde a primeira vez que viemos juntos a esse bar. Harry ainda estava irritado por causa de Mundungos e eu não tirava a razão dele, afinal, o pequeno vendedor estava comercializando as coisas que pertenciam a Harry desde que Sirius faleceu no ano letivo passado.

– Desfaz essa careta Harry Tiago Potter, não adianta ficar assim – Murmurei para ele tendo a certeza de que ninguém que estava no bar escutaria.

– Será que a Ordem não consegue conter Mundungos enquanto estão no quartel? É tão difícil assim? – Ele falou um pouco mais alto do que eu queria no momento.

– Shh! Eu sei que está chateado, mas nós resolvemos isso depois com Dumbledore, o que acha? – Sussurrei ferozmente para ele.

– Bom, acho que Dumbledore consegue ajudar. Só ele põe medo em Mundungos – Harry se recostou na cadeira e me lançou um meio sorriso torto sugerindo que eu olhasse para Rony, era ridículo o jeito que ele olhava para o balcão.

Hermione chegou com nossas bebidas e zombou de Rony que não gostou nada disso. Eu só dei risada e comecei a beber aquela delicia de cerveja em silencio assim como todos da mesa. Rony continuava observando a Madame Rosmerta e Hermione começou a ficar realmente incomodada com isso, se eu não os conhecesse há seis anos eu diria que ela estava com ciúmes dele, mas esses dois brigam por tudo desde que se conheceram, então ela deveria somente estar implicando com ele.

– Vamos chamar isso de dia e voltar para o castelo? – Hermione sugeriu já se levantando.

– Claro, vamos jogar um pouco de xadrez bruxo? Preciso chutar a bunda de um certo Potter, estou com saudade disso – Brinquei com ele que mostrou a língua em resposta – Depois de bater no Harry eu quero desafiar você Weasley – Apontei para ele que deu uma risada gostosa em resposta.

– Se prepare para perder Carrow, eu treinei bastante durante essas férias, ganhei de todos em casa em pouco tempo – Ele deu uma piscadela para mim ainda bastante divertido.

– Isso é o que veremos – Fiz pose de durona o que causou risada nos três.

Pegamos nossos cachecóis da Grifinória e voltamos para o vento do lado de fora, infelizmente o tempo só piorava. Meu único pensamento estava na lareira da sala comunal e naquele sofá que sempre ficamos quando o cômodo não está tão cheio.

Andamos o mais rápido que conseguimos, ficando somente atrás de Katie Bell e uma amiga dela, as duas discutiam constantemente sobre um assunto que eu não consegui prestar atenção.

Notas finais
Comentem o que acharam, e comentem suas idéias, está chegando ao fim os capítulos que eu tinha prontos, e se vocês quiserem alguma coisa eu consigo encaixar kkkk Faaaaanks por acompanhar, e até o próximo capítulo :* Bjsss