Darkness II
4 Capítulo III
Notas iniciais
Saindo desse momento de reflexão e voltando ao foco. Gabriel saiu do banheiro com uma toalha enrolada na sua cintura, ao vê-lo assim, mordi meu lábio involuntariamente e ele riu. Revirei os olhos e voltei a olhar para a TV, mas ele ficou na minha frente com a mão na toalha ameaçando abri-la. Claro que minha atenção foi toda para ele. Mas o idiota riu e saiu da frente rebolando. Tinha vezes como essa. De que eu penso, que Gabriel é Gay. Ri com essa afirmação sem fundamento, pois sei muito bem que não é isso, e então voltei a olhá-lo, ele já estava na frente do guarda-roupa, pegou uma calça, apenas isso e voltou a se deitar ao meu lado sem se mover para me agarrar ou tentar qualquer gracinha comigo.
Desta vez fui eu quem o procurei ficando por cima dele e o beijando, como diz o velho ditado, “Se a montanha não vai a Maomé, vamos a ela.” Tudo bem, isso foi idiota. Fiquei passando minhas mãos por seu peito nu, esperando alguma reação sua além daquela expressão idiota que estava estampada em seu rosto. Desisti, ele não se movia. Idiota, mil vezes idiota, ia saindo de cima dele quando ele me puxou novamente.
– Onde pensa que vai? – Perguntou segurando meu pulso de leve.
– Não ta vendo? Estou saindo, você não me deu atenção. – Falei dando de ombros ainda sem olhar em seu rosto.
– Para de graça Mel, vem aqui amor. – Me puxou, me fazendo cair em cima dele, ficamos a centímetros um do outro até que ele sussurrou no meu ouvido. – Pequena, te amo. – Eu sorri mais uma vez involuntariamente, Mel, te odeio sua boba que sorri por qualquer coisa que ele fala.
E então ele me beijou, mesmo eu provando de outros beijos, em todos esses anos — e claro, sem Gabriel saber- ele foi o primeiro garoto que eu havia beijado, e nunca era igual, sempre tinha algo diferente em seu beijo, sempre gostei dele. Mesmo tentando resistir a todas as tentações, sou fraca admito. Vocês podem estar me odiando, mas eu lhes falo, não tenho culpa de não conseguir me satisfazer com um homem só, mesmo que ele me complete. Podem também estar me chamando de burra. Por que como uma mulher teria um homem perfeito ao seu lado que a ama de verdade e ainda o trai. A resposta é: não sei como consigo fazer isso. Se ele souber, com certeza fará coisa pior ou até mesmo pode me matar. Coisa que não faria muita diferença, pois como já sabemos, eu com certeza irei para o inferno, e quem é o dono de lá? Meu pai, isso mesmo.
Mas talvez nem isso possa me confortar, pois se eu morrer, ficarei sem ele, não é fácil para eu viver nesse dilema, mas é desse jeito que sigo minha vida, infelizmente. Mas posso dizer, que de alguma forma, desse jeito eu sou feliz.
Mas saindo dessa vida de traições e melancolia...
Nos separamos e ele me olhou com aquele rostinho lindo de sempre sorrindo como uma criança inocente. Ainda era de manhã, eu ainda nem havia tomado café. Ligamos para a recepção e pedimos algo para comer. Terminado o café, ficamos algum tempo conversando e assistindo TV. Até que então ouvi uma voz que de alguma maneira eu conhecia. E o pior na minha cabeça. Eu estava lutando para conseguir lembrar quem era até que a voz falou seu nome.
– Oi Mel, não lembra mais de mim querida? Tanatos, seu amigo. – Arregalei meus olhos e imediatamente me afastei de Gabriel correndo para o banheiro. Assustada comecei a falar palavras sem nexo.
– O que você... Não, você, não. – Olhei para o espelho e lá estava ele, do mesmo jeito, sim. Era ele, Tanatos. O demônio que mentiu e que me usou diversas vezes. O que ele estaria fazendo aqui?
– Respondendo sua pergunta Melzinha. Eu vim ficar perto de você novamente, por que sabe amigos nunca se separam. – Falou debochado.
– Não, não pode ser você não. Por favor, que isso seja só uma alucinação. – Falei fechando os olhos e segundos depois voltando a abrir, mas ele continuava ali. Dessa vez rindo. Não podia ser ele, ele estava preso.
– Como você é burra Melanny, se eu estou aqui, é lógico que não estou mais preso. E olha só quem eu trouxe de volta. – E então ouvi um barulho do meu outro lado, e lá estava ela.
– Não você não, não pode ser. O que vocês querem? – Perguntei aflita. A mulher era Flora, eles estavam juntos.
– Sabe Mel, não é nada legal deixar seus amigos numa prisão como aquela. Você tinha que ver como era. Todos os dias demônios iam nos atormentar, mas finalmente conseguimos fugir. E tudo isso por culpa sua. – Ela rosnou raivosa.
– Culpa minha? Eu não fiz nada ao contrario de vocês, eu não queria possuir ninguém. Esperem só meu pai saber, ele não vai gostar nada, nada disso tudo, acho que dessa vez vocês dois não escapam. – Sorri vitoriosa com meu feito. Os dois se olharam e depois viraram para mim com um sorriso maligno, imediatamente desfiz meu sorriso, eu sabia que tinha algo de errado ali.
– Você pensa que é fácil assim? Cuidamos para que seu pai não soubesse e olha só, ele não sabe. Que coisa não? “O soberano dos quintos” não sabe que seus prisioneiros fugiram. E sabe, se você pelo menos pensar em contar, se pensar, seu queridinho que está lá fora, nunca mais vai querer olhar na sua cara nem seus amigos. Pois, ao contrario deles, nós sabemos da sua vida dupla. Não é nada bom mentir para as pessoas que você diz amar, e caramba Mel, como você foi capaz de dormir com seu próprio irmão? Eu poderia dizer que você iria para o inferno, mas seu lugar já é lá, você mesma se diz feliz por ser a filha do soberano. – Tanatos falou dando de ombros e ainda com aquela risada maligna. Respirei fundo algumas vezes e finalmente tomei coragem para perguntar.
– O que vocês querem?
– Você. – Flora falou apontando para mim com um sorriso no rosto. Pode-se dizer que nesta hora eu fiquei com medo.
– Como assim eu? – Perguntei confusa.
– Quero... – Tanatos começou e foi interrompido por Flora que pigarreava. Ele olhou com desprezo para ela e prosseguiu. – Queremos seu corpo para que possamos conseguir o que tentamos fazer a três anos atrás e seu querido pai e aqueles anjos idiotas me interromperam. Agora estamos juntos, nós queremos comandar o mundo e você vai nos ajudar, se você não nos ajudar certamente morrerá.
– Eu tenho escolhas? – Perguntei entediada.
– Não. – Flora respondeu rápida e ríspida.
– Quando meu pai souber disso vocês estarão acabados. – Falei ainda tentando buscar um fio de esperança e tentando convencer a mim mesma de que aquilo aconteceria.
– Ele não vai saber, nem que para isso tenhamos que matar mais um desses mortais que você chama, do que mesmo? – Tanatos pareceu pensar por um instante. – Ah sim, como pude esquecer dessa palavra. Amigos... – Aquilo me abalou muito, pensar que eu passaria por aquela aflição toda de perder alguém que amo, quase morri quando perdi Gabriel, mesmo que por alguns instantes. Nunca, jamais esquecerei esse dia.
– Tudo bem. – Suspirei derrotada. – O que terei que fazer então?
– Quando estiver tudo certo, falaremos qual vai ser o seu papel nisso. – Fiquei indignada quando Tanatos falou isso.
– Então quer dizer que vocês vem, me atormentam e ainda não sabem o que vão fazer. Por favor, voltem aqui quando tiverem um plano pelo menos. – Falei abrindo a porta e os deixando lá dentro e dando de cara com Gabriel me olhando estranho.
Ele não estava do mesmo jeito de quando eu saí, ele agora estava de pé me encarando, levei um susto e dei um passo para trás. Ele me olhou sem expressão alguma, já deveria ter uma ideia de por que eu estava daquele jeito, aflita, assustada, afinal, ele me conhecia.
– O que está acontecendo Mel? – Perguntou curioso.
– Absolutamente nada. – Falei calma e fria, ainda estava pensando no que acabara de acontecer.
– Fala logo, você não me engana. O que está acontecendo? – Perguntou impaciente. Tudo bem então, vou contar, mas não a verdade, ele não precisa saber não é?!
– Meu pai. – Falei dando de ombros. – Queria falar comigo.
– Seu pai? – Perguntou arregalando os olhos, afinal, sempre que eu falava de meu pai ele ficava daquele jeito. Ele tinha medo de meu pai. Claro, todos têm.
– Eu falei que não era nada. Medroso. – Dei língua para ele em seguida rindo e saindo da porta do banheiro. Por que, até agora, ele não tinha me deixado dar um passo se quer. Fui em direção a cama e me sentei, Gabriel ainda estava com aquela cara de bobo. – Sempre quando falo dele você fica assim. Não se acostumou ainda? – Revirei os olhos.
– Por incrível que pareça, não. Mas tudo bem, eu já deveria mesmo ter me acostumado já que você não é exatamente humana. Minha diabinha. – Revirei novamente os olhos em sinal de desgosto. Ele sempre ficava com aquela cara de idiota. Mas sempre se recuperava soltando aquelas piadinhas ridículas.
– Tudo bem, se recuperou. Idiota. – Joguei um dos travesseiros em sua direção e consegui acertar sua cabeça. – Acho que já falei que adoro jogar as coisas, certo? – Ele fez uma careta e depois riu indo em direção a cama, me olhando malicioso.
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