Darkness Feed

42 Você merecerá um beijo


Notas iniciais
Para quem não se lembra, sempre que Nathan faz um favor á Shannon ele pede um beijo.
Mesmo a situação não sendo boa, tamos ai...

Depois de falar isso, vejo que Carter encara a mesa com olhar culpado.

- Se lembre que foi você quem começou com isso. — digo cravando as unhas m seu ombro. — E que ela nunca mais vai querer você, a não ser que esteja morto.

- Eu sei. — diz ele encarando o vidro. — Não estou pensando em voltar atrás.

**

Encaro a porta, deitada com a cabeça em cima de meu braço.

Nathan está virado de costas para mim.

Decidimos não dizer nada desde que percebemos que estávamos pensando na mesma coisa.

- Nathan. — digo virando o corpo.

- Hm. — diz ele em um grunhido, um pouco emburrado.

**

Obviamente pensamos no mesmo trecho do mesmo livro sobre transformação de humanos em bichos.

Após três dias de um corte profundo. Os sintomas de tosse, enjoo e ardência no corte, pode significar a transformação de humano, para um animal irracional.

E já se passaram três dias. Shan está tossindo bastante. Ela quase vomitou á algumas horas.

Mas que merda!

Se eu tivesse cogitado escutar meu pai por um mísero segundo, ela poderia sobreviver.

Ok. Acabou.

Shan vai morrer e por consequência disso, eu também vou.

- Nathan. — diz ela.

- Hm. — digo em um grunhido, me arrependendo logo depois ao perceber o quão rude fui agora e em todo o tempo que passei com ela.

- Posso... Ficar ai com você?

Suspiro e esfrego o rosto, não sabendo o que responder.

- Shan... — Começo.

- Ok. — diz ela movimentando o corpo um pouco e soltando um grunhido ao sentir a perna bater no chão, mas duvido que ela vá se virar para não sentir dor.

- Não. — digo e me levanto, andando até ela e me deitando no chão, virando-a para mim. Vejo as lágrimas em seu rosto. É óbvio que Shan é forte, mas ela tem medo de morrer. — Desculpe. — Acaricio seus cabelos.

- Pelo que? — Ela me encara.

- Por tudo. — digo e engulo em seco, abraçando-a mais forte. Não me deixe.

- Não importa mais. — diz ela se aninhando em meu abraço. — Acabou.

Cale a boca.

- Você precisa...

Puxo seus ombros, fazendo-a ficar com a cabeça na altura da minha, podendo beijá-la.

Ela não me empurra. Ela não bate em meu braço. Ela não morde meus lábios para que eu pare.

Hesito, mas me afasto dela.

**

Encaro Nathan, depois de não me afastar dele por causa do beijo.

Encaro seus olhos e ele suspira.

- Obrigada por tentar. — digo sorrindo.

- Eu disse que tentaria.

Umedeço os lábios e solto uma risada.

- Você é muito idiota.

- Por?

- Por me dar a comida. Mesmo sabendo que eu não sobreviveria. — digo olhando em seus olhos.

- Se chama não desistir.

- Dane-se como se chama. — digo. — É idiota. Não importa o que você diga.

**

- O tempo dela está acabando. — diz Carter fechando a caixa branca. — Pronta para a última brincadeira antes do jantar?

Ele umedece os lábios com a língua.

Sorrio e concordo com a cabeça, vendo-o checar pela última vez o vidro, certificando-se de que eles estão dormindo.

Ele abre a porta devagar, arrasta a caixa para dentro da adega, fechando a porta rapidamente e trancando-a com as três fechaduras.

**

Suspiro, pronto para encarar o corpo morto e esverdeado de Shan.

Sinto seu tórax encostar em meu peito com alguns segundos de intervalo.

Encaro seu rosto tranquilo e cutuco seu braço.

- Shan. — digo. — Shan.

- Hm. — diz ela em um grunhido, se virando e colocando a coxa contra o chão. — Argh!

Viro seu corpo para mim.

- Shan. — repito.

Ela segura meus lábios com os dedos.

- Cala a boca e me deixa morrer em paz. — diz ela.

Olho para uma caixa branca de plastico perto da porta.

- Eu já volto. — digo me levantando.

- Ok. — diz ela ainda de olhos fechados.

Ando até a caixa e abro-a.

Gaze, álcool, linha, agulha para sutura. O necessário para que Shan sobreviva.

- Shan. — digo sacudindo seu ombro. — Shan.

Ela abre os olhos e me encara com os olhos verdes e vivos.

- O que é? — pergunta ela.

Balanço a caixa perto de seu rosto.

Ela se senta no chão, fazendo uma carta quando move a perna esquerda.

- O que é isso?

- Kit de primeiros socorros.

**

Solto uma risada.

- Ela acha mesmo que vai sobreviver. — murmuro enquanto nos encaramos.

- Se ele fizer isso, ela vai. — diz Carter. — Não fique tão sorridente, eles podem ser mais insistentes.

- Ah, como se ele fosse costurar a pele dela sem sedativo.

Ele dá de ombros observando Shannon de costas, com a caixa nas mãos.

**

Encaro Nathan com uma cara esperançosa ao encarar a caixa branca.

Viro-a no chão, vendo dois pacotes de gaze, um frasco de álcool, um rolo de linha médica e uma agulha para sutura.

- Cadê o sedativo?

Nathan vasculha a pilha de coisas, mas me encara com os olhos arregalados.

- Não tem.

- Como assim, não tem? — grito. — Que merda é essa Carter?

- Simples querida Shannon, lembre-se que tortura é meu hobby. E ver Nathan costurando sua perna. Argh! Isso me deixa louco.

- Tá. — diz Nathan. — E você espera que eu costure a perna dela sem sedativo?

- A menos que você queira que ela morra. — diz Georgia.

Eu e Nathan nos encaramos.

- Me abrace. — diz ele. Encaro seus olhos e franzo o cenho. — Me abrace.

Olho para os lados, sem mexer a cabeça e me inclino em sua direção, apoiando as mãos em sua nuca.

Ele segura minha cintura, me colocando em seu colo.

- Não quero ver você morrer. — Ele sussurra.

- Costure minha pele. — sussurro agarrando o tecido mais abaixo da gola na parte de trás de sua blusa vermelha e velha, fechando a mão em punho e apoiando o queixo em seu ombro.

- Vai doer. — diz ele.

- Você merecerá um beijo. — sussurro sorrindo.

Encaro seus olhos e ele ri.

Notas finais
até depois