Darkness Feed
52 Se estiver com fome, não vá ao estoque de comida.
Notas iniciais
Enfim (2), boa leitura e... Vocês vão entender o título.
Eu e Nathan nos encaramos esboço um sorriso, tirando o colar de dentro da blusa, segurando o pingente.
- Ah. Como eu sou louca. Podem me chamar de Meg.
Começamos a andar por um corredor escuro, com cheiro de batatas fritas. Ouço risos, coisas sendo derrubadas, gritos e inúmeras vozes enquanndo encaro os cabelos quase colados á cabeça, pintados de loiro com uma franja de lado que encosta em seu queixo.
Ela se vira de repente e me encara com os olhos estreitos, apontando para Nathan.
- Ele é o Nathan. — É eu sei. — E você? Quem é?
- Shan. — diz Nathan sorrindo e coloca o braço livre em volta de meus ombros. — Shannon Miller.
- Ah. — Meg sorri e cruza os braços, encarando-me da cabeça aos pés.
- O que foi? — pergunto cruzando os braços. — Vai dizer que conhece meus pais também? — Encaro seus olhos azuis.
Ela sorri e dá dois passos em minha direção.
- Exatamente. — diz ela pausadamente. — Metade destes adolescentes, foram deixados comigo quando eram apenas crianças indefesas, por seus pais que eram meus conhecidos. — Ela suspira e encara o chão. — E mortos por bichos. — Ela pigarreia e sorri. — Ou em outros países, tentando descobrir a cura. Ou é claro. Vivendo como um vagabundo, como o pai de Nathan.
- Meg! — Uma garota com o mesmo corte de cabelo de Mag, mas em um cabelos castanhas com mechas brancas, olhos castanhos esverdeados, uma blusa branca e calças jeans rasgadas, braços com algumas cicatrizes e cintura fina segura os ombros de Meg e respira ofegante. — Desculpe-me, mas Baph está completamente louca porquê um garoto derrubou a pasta com todos os papeis com os dados do estoque de comigo e já é quase meio dia e não podemos nem abrir um pacote de jujubas!- Ela erque as mãos, totalmente desesperada. Ela olha para Nathan e sorri. — Algo me di que você fica bem melhor sem barba.
Ela morde o lábio e continua sorrindo.
- E posso dizer que você é muito... — Ele a encara dos pés a cabeça e pigarreia, encarando Meg. — Ela é sua filha?
- Não. Ela não é. — Meg analisa suas unhas, claramente roídas.
- Gostosa. — completa Nathan. Reviro os olhos e tento não encará-lo.
Meg agarra a parte de trás do cabelo de Nathan.
- Ela é minha sobrinha. — grita ela e solta seus cabelos. — Só podia ser filho do John, mesmo.
- Tenho a quem puxar. — Ele esfrega a própria cabeça e ri, me encarando. — Está com ciúmes.
- Não estou. — digo de braços cruzados, encarando a parede.
- Está sim. — diz ele encarando a parede também.
- Não estou. — repito.
- Está sim.
Agarro seus cabelos da nuca e faço-o se inclinar para frente.
- Não. Eu não estou com ciúmes e sabe porque? Porque eu não sou uma das suas...
Meg e a garota me encaram om uma das sobrancelhas arqueadas e os braços cruzados.
- Tinha que se rum a Miller. — murmura Meg e bate uma palma. — Todos nós temos maturidade o suficiente para entender o que ela quis dizer.
- É Shan, lembre-se do que Abe falou para você.
- Não guarde pensamentos ruins, coloque-os para fora. — sussurro.
- Ele disse isso?
- Abe era o melhor imão do mundo. — Esboço um sorriso e a garota começa a rir.
Um garoto abre uma porta no final do corredor e corre até nós.
- Humanos. — Ele sorri. É um pouco mais alto do que Nathan, tem os cabelos castanhos e curtos, uma camisa branca e calças jeans. Vejo a arma em seu bolso de trás. — Bom dia. — Ele sorri, encarando meus olhos e tira a mochila da mão de Nathan, que segura a caixa embalada como se fosse sua vida.
- Não se preocupe. — diz a garota vindo até mim e envolvendo seu braço em meus ombros. — Não quero nada com o seu namorado.
- Não somos namorados.
- É. O namorado vampiro dela nos prendeu em uma adega, me forçou a embebedá-la e costurar sua perna.
- Vampiro? — O garoto arregala os olhos e coloca a mochila no ombro.
- Carter não era um vampiro.
- Ele era pálido, gosta de sangue e arrancou um pedaço da sua coxa com os dentes. — Ele vm em minha direção e segura meu queixo. — Desculpe-me querida, mas ele é um vampiro.
- Cala a boca.
- Vai me chutar?
- Talvez.
- É. Isso quer dizer não.
- Ok. Ou vocês são irmãos, ou se amam muito. B, Baph resolveu os papeis do estoque?
- Sim. — O garoto joga um pacote plástico azul com jujubas para a garota. — Pare de me chamar de B.
- Não. — A garota puxa meu braço. — Vou te mostrar o dormitório. Ela vai ficar com quem, Meg?
- Com você.
- Ok. — diz a garota ainda puxando meu braço. — Me chame de Brook. Todos me chamam assim. Diminutivos de Brooklyn.
- Ah.
- E seu nome é...
- Shannon. — respondo olhando para trás. — Nathan! É minha mochila.
- Vem aqui buscar! — diz ele.
Corro até ele e arranco a mochila de suas mãos, soltando um grunhido e voltando na direção de Brook.
- Não. — Ele segura meu braço. — Faltou uma coisa.
- O que? — pergunto.
Ele levanta as sobrancelhas.
- Não vai sair daqui sem isso. — Ele sorri.
Reviro os olhos e arranho sua mão com minha unha.
- Te vejo depois.
- Cara, ela te ama. — diz o apelidado de B.
Brook puxa meu braço e passamos pela porta que só se abre, depois de um zumbido.
- Essa porta não deixa nenhuma doença passar. Esse zumbido é quando ela está destrancada e terminou de esterilizar o lugar. Não te nenhum fundamento você saber disso, é só girar a maçaneta, esperar o zumbido e empurrar. Simples.
- Ok. — digo estreitando os olhos para um feixe de luz que bate em meu rosto. — Aqui é o refeitório, mas basicamente, tudo acontece aqui. Festas de aniversário, reuniões, etc. etc. — Vejo as mesas azuis com canos prateados, com alguns adolescentes jogando cartas e conversando. Azulejos brancos, paredes brancas. Uma plataforma prateada envolve todo o andar de cima, como uma prisão. Algumas portas azuis e vermelhas com números e letras aleatórios. 3N, 6B, 10T. — Ali fica o estoque. — Ela aponta para uma porta prateada no andar de cima. — Não entre lá, somente se for muito urgente ou se quiser falar com Baph, sério. Não entre lá. — Brook encara meus olhos e sorri. — Alí fica o único corredor para acesso dos dormitórios femininos e masculinos, ou seja, você não vai se perder ao ir para o seu dormitório, á menos que você seja muito burra. É só perguntar onde fica o meu dormitório e qualquer um saberá onde é.
- Meg é tipo uma líder aqui?
- Não. Decidimos tudo em grupo, mas Meg tem a alma para liderança. Ela que coloca ordem nesse lugar. Por incrível que pareça, á quase cinco tentativas para fazer festas nesse refeitório por dia. Aliás, hoje é o aniversário do B.
- Qual o nome dele? — pergunto.
- Brandon. — Ela ri. — Ele não gosta que o chamem de B, mas chame ele assim. — Ela suspira e voltamos a andar, na direção do corredor para os dormitórios. — Então, como eu disse, não quero nada com o filho do John, mas o que vocês são? Primos, irmãos, — Ela se vira e começa a andar de costas, com os braços esticados, encostando as pontas dos dedos das paredes pintadas de verde escuro. — Namorados, amantes? — Ela ri. — Seu namorado vampiro não ia gostar. Aquela história é séria?
- Eu sinceramente não sei o que somos. E sim, aquela história é séria. Mas ele não era um vampiro.
- Ah. — Ela ri. — Imaginei que não.
Ela abre uma das portas perto do final do corredor e deixa-a ir sozinha até bater na parede.
- Bem vinda. — Ela sorri e tira minha mochila de minhas mãos. Passo pela porta e encaro tudo. Duas camas afastadas, duas cômodas de madeira encostadas á parede, um guarda-roupas de madeira escura e uma escrivaninha com livros velhos. — Não repare nos livros. São muito velhos.
- Ok. — digo.
Ela anda até uma das camas e se deita de barriga para baixo encarando meus olhos.
- Então, não vou desistir de descobrir o que você e Nathan são. É meio estranho. Vocês chegaram juntos, você bateu nele insinuando que não era uma das vadias dele, você esqueceu a mochila e ele te pediu um beijo. Pode por favor me explicar o que foi isso?
- Também acho complicado. Ele era o vagabundo amigo do meu irmão que bebia leite direto da caixa, de quem eu queria me livrar sempre e depois de beber bastante licor, eu disse que o amava.
Ela arregala os olhos e fica boquiaberta.
- Daria uma bonita história de amor.
- Não, não daria.
- Fala sério. Você gosta dele. — Ela fica de barriga para cima. — Tipo, muito.
É, mas continuamos o casal mais estranho que já existiu. Quer dizer, nem sei se somos mesmo um casal.
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