Darkness Feed

15 Não foi bom,mas me fez nunca chorar por uma garota


Notas iniciais
olha só. Eu de novo.

E sem inspiração.

Tá, como eu to sem inspiração e não quero parar de postar, ai vai a versão do Nathan contando a história dele.

Espero que gostem

boa leitura

Abro os olhos e vejo a garota loira deitada adormecida ao meu lado, coberta pelo lençol branco.

Sento-me com as costas nuas encostadas a parede e esfrego o rosto.

Não queria acordar para isso, mas acho que posso — mesmo pela décima vez — pensar se o que vi é mesmo real e que tomei a decisão certa.

- Esta conversa não acabou! — berra ele atirando uma provável outra das várias garrafas de cerveja vazias ao lado do sofá sujo com cheiro de vinagre.

- Sim John, acabou! — diz ela em lágrimas.

Olho pela fresta da porta de meu quarto a sala onde minha mãe coloca todas as coisas desarrumadas dentro da mala grande e verde.

A TV ainda está ligada e ilumina um pouco a sala que só está iluminada pelo abajur que pertenceu á minha vó.

Ele solta uma gargalhada.

- Ok. Então vá! — diz ele com uma voz de quem bebeu algumas garrafas de cerveja e provavelmente fumou alguma coisa a mais do que apenas cigarros. — Mas Nathan fica comigo.

- Ele é meu filho! — Ela começou a se irritar e largou uma pilha de livros velhos no chão. — Fui eu quem quis continuar com a gravidez, não você.

- Fui eu quem alimentei vocês dois por todos estes anos. Fui eu quem paguei o único hospital particular da cidade. Ele vai ficar comigo.

- Você não vai ficar com ele. Eu não seria burra o suficiente, ou desnaturada para deixa-lo aqui com você. Seria tortura.

- Vá embora. Eu que não a quero mais aqui. Está feito. Nathan fica comigo.

Abro a porta do quarto e os dois me encaram.

- Vamos Nate. — Minha mãe sorri e estende a mão.

Escuto o clique do destravar de uma arma e encaro meu pai, com uma garrafa de cerveja na mão e um revólver apontado para minha mãe.

- Eu disse. Nathan fica comigo. - Ele diz sério.

Esta não é a primeira briga.

- Se chegar mais perto do meu filho, eu atiro.

As lágrimas do rosto dela começam a cair e ela cai de joelhos no chão.

- Me desculpe. — diz ela entre soluços.

- Nunca chore por uma vadia. — diz ele tomando um gole de cerveja. — Nunca chore por uma vadia.

Ela se levantou do chão e tira a arma da bolsa branca, apontando-a para meu pai.

- Eu só não mato você, porque não vou traumatizar meu filho. — diz ela entredentes. — Mas não vou admitir que ninguém me chame assim.

Ele ri e se levanta do sofá, encarando-a.

- Pois eu tenho o prazer de repetir. — A arma encosta em seu nariz. — Vadia.

Minha mãe fica com os olhos arregalados e cai de joelhos no chão.

Vejo uma faca sair de seu abdômen e seus olhos ficarem frios.

- Você... — gaguejo. — Você matou a mamãe! — grito socando sua barriga.

- Ora, pare Nathan! — berra ela dirigindo-se ao quarto. — Eu arrumo outra mãe para você.

Ele volta e infelizmente, vejo como somos parecidos.

Os olhos azuis, a pele morena, cabelos castanhos.

Vejo o corpo ser arrastado para fora e ele demora alguns minutos para voltar ao sofá, beber mais um gole de cerveja e voltar a observar o jogo de futebol. Como se nada houvesse acontecido.

Como se aquela mulher, não fosse mais do que uma das prostitutas que apareceram aqui em casa enquanto minha mãe trabalhava feito uma maluca dentro daquele hospital, onde era praticamente um berçário para bichos.

Quatro anos se passaram e aquela maldita mala ainda está lá.

Não sei como ainda não foi consumida pelas traças, e começo a desconfiar de que nestes quatro anos, as limpezas que ficaram em sua responsabilidade, não foram feitas á não ser para tirar as garrafas do lado esquerdo do sofá, para serem colocadas do lado esquerdo.

Tiro as revistas com mulheres não devidamente vestidas de cima da mes ado jantar e jogo-as em cima da enorme barriga de cerveja de meu pai.

- Não acha que deveria tirar essa mala daqui? — pergunto. — E isso da mesa de jantar?

Ele ri.

- Até parece que você não gosta. — diz ele. — Porque tirá-la dai? Incomoda o fato de que salvei você de morrer na rua sem a sua querida mamãe?

- Não foi bem assim. — digo de braços cruzados. — Só não quero que isso vire seu ponto de encontro para fumar o que tiver nessa droga de papel enrolado, beber, trazer mulheres que roubam sua carteira assim que terminam o trabalho delas e assistir futebol com seus amigos que não veem a hora de que você caia infartado no chão.

- Ora, não reclame delas. Trouxe uma delas para você na semana passada.

- Não estou reclamando delas, estou reclamando de você.

- O quer que eu faça?

- Primeiro, pare de beber. — digo. — Segundo arrume esta maldita sala e tire essa mala e coloque no quarto.

- Não prefere que eu jogue no lixo?

- Não vai jogar as coisas da mamãe fora. — digo indignado, sentindo enjoo ao ver meu próprio rosto no reflexo da janela e ver o rosto de meu pai me encarando no sofá. Ainda somos parecidos. Quer dizer, estamos cada vez mais parecidos.

- Escolha alguma coisa que consiga guardas na mochila e eu vou jogar fora. — diz ele.

- Ao menos sabe que dia é hoje?

Ele olha para o teto e depois me encara.

- Sexta feira. Dia do meu pôquer.

Olho para o chão e balanço a cabeça.

- Não se lembraria nem se eu fizesse uma festa um dia antes. -murmuro andando na direção da mala.

- Ah é. Seu aniversário. — diz ele. - Parabéns. Quatorze, não é?

- Dezesseis. — digo encarando-o. Ele concorda com a cabeça. — E lembra do que prometeu quando eu fizesse dezesseis?

- Um carro. — diz ele.

- Ah. — Solto uma risada. — Disso você se lembra.

- Eu sempre me lembro de que não posso gastar esse dinheiro porque tenho que comprar um carro para alguém. Mas nunca me lembro porque.

Me viro e encaro-o, franzindo o cenho.

- Espera ai... Você guardou dinheiro? — pergunto. — E ainda pior, para mim?

Ele joga uma chave prateada.

- Não bata. — diz ele tomando um gole de cerveja.

- O que é?

- Camionete. Como você pediu quando tinha nove anos. Prateada.

- Desde quando escuta o que eu falo?

- Quando vejo que não é inútil.

- E desde quando eu falo coisas que não são inúteis? — Cruzo os braços e sinto a parte de metal gelada perto de meu cotovelo, encarando seus olhos azuis.

- Mais uma retrucada dessas e você fica sem o carro. — Ele aponta o dedo para mime eu balanço a cabeça, rindo sozinho.

Estou mais feliz com o que eu posso fazer com este carro, do que ganhar ele.

Mesmo meu pai tendo me ensinado a atirar, me mostrando os melhores lugares para se pegar comida e enfim, me ensinando a sobreviver, ele é a pior pessoa com quem pude sobreviver.

Ele é um mentiroso.

Eu ouvia as várias vezes em que ele dizia para minha mãe que a amava.

Trazia flores quando pudia e não importava se quase morria para assaltar uma floricultura, mas por algum motivo, isso não passou de cinzas.

Ele começou a beber, fumar, trazer garotas e fazer tudo que deixe bem claro para ela de que não passa de uma das vadias que ele passou um tempo a mais e que deu uma lembrança á ele. Uma lembrança que ele teve que sustentar. Uma lembrança chamada Nathan.

Mas é claro que não tive coragem de fugir de casa como minha mãe iria fazer, mas eu tinha que fugir.

Tirei tudo o que ele tinha na carteira, peguei as chaves do carro, suprimentos, uma corrente com um medalhão de ouro e uma rosa pintada de vermelho como a de uma história que nuca me lembro o nome que pertencia a minha mãe e corro para o carro, ignorando o gordo esparramado no sofá.

Entro no carro, e a partir deste dia, eu estava sozinho.

Nunca mais ouvi falar de John, que em algum momento de minha vida miserável chamei de pai.

Comecei a beber, fumei por menos de um ano, garotas surgiam a qualquer momento, praticamente se jogando para dentro da camionete, jogos de pôquer e qualquer coisa que me desse tempo.

Mas em um dia, eu estava sozinho.

Bebendo feito um maluco e vi meu reflexo no espelho~.

Barba por fazer, cabelos caídos na testa e olheiras.

Eu estava literalmente, me tornando meu pai.

Suspiro e mesmo sabendo que isso é errado, já é tarde demais.

A vida de meu pai ficou realmente boa.

Não há responsabilidade e você pode fazer o que quiser.

Mas é claro, eu tenho que cuidar de Shannon e tudo mais, mas de qualquer maneira, aquela pode ser a garota mais chata, irritante, parecendo a tia mais chata do mundo que fica pentelhando você perguntando se tem namorada, que encontrei em toda a minha vida, mas mesmo ela sendo tudo isso, não atrapalhou minha paz.

Eu poderia cair bêbado em um beco da esquina e ser comido pelos bichos, que ela não iria se importar.

Ela nunca se importou.

Principalmente agora que ela tem o Sr. Chuveiro quente.

Notas finais
Mias um POV do Nate e logo aviso d que quando eu não tiver inspiração vou fazer alguma coisa sobre ele.
Vai ser o jeito de postar.
Valeu.