Darkness Feed

4 Carruagem insuportável


Já é a terceira garrafa de cerveja que Nathan toma e isto está começando a me incomodar.

- Pode parar de beber? — pergunto sem paciência.

Ele freia o carro no meio da estrada escura e me encara.

- Qual foi o nosso...

- Eu sei muito bem qual foi. — digo brava. — Mas você vai bater em alguma coisa daqui a pouco! Eu estou pouco me lixando para você e sua bebedeira, mas me deixa dirigir.

Abro a mão e peço a chave.

- Eu não vou ser carregado por uma mulher, e além disso eu estou muito bem ok? — Ele pisa no acelerador, vira o voltante e bate em uma árvore. Solto uma risada sem som e ele ri com a língua nos dentes de trás. — Quer dirigir?

- Quero. — digo abrindo a porta.

- Não! — ele grita. Abro a porta que bate em alguma coisa. Ele puxa meu braço. — Mas você é tonta que nem uma mosca não é?

- Aquilo era...

- É, um bicho. — diz ele com uma voz boba. — Nunca aprendeu que não se pode sair á noite como se o único perigo fossem sequestradores e outras coisas?

Reviro os olhos.

- E como você quer que eu passe para o banco onde você está sentado?

- Não tem uma barreira entre nos Shan. — Ele me segura e me coloca em seu colo, passo para o banco do motorista e ele passa para o outro banco. — Sabe dirigir, não sabe?

- Sim — respondo dando a partida no carro que faz um barulho estranho e não liga. Giro a chave novamente e o carro não liga.

- Eu prometo... — começo.

- Eu prometo nunca mais beber em quanto dirijo.

- Obrigada. — digo agora encarando-o. — O que você sugere?

- Bem, eu não sugiro ir á aquele lugar. — Ele aponta para uma casa imensa e iluminada. — É um fosso de bichos.

- Iluminado daquele jeito? — pergunto pegando uma lanterna e abrindo a porta do carro. Tiro minha mochila do porta malas e coloco-a nas costas.

- Sua tonga! — grita ela com a cabeça para fora do carro. — Volta para o carro. Agora!

Cruzo os braço e ligo a lanterna pelo caminho que preciso cruzar até aquela casa.

- Shannon! — grita ele.

- Cala a boca Nathan! — grito de volta pisando em algo de metal. — Ai droga.

Nathan abre a porta do carro, pega sua mochila e vem na minha direção.

Corro e chego na porta, onde as luzes se acendem á minha volta deixando minha visão com manchas coloridas.

- Shannon! — escuto Nathan atrás de mim.