Darkness Brought Me You
28 Capítulo 28
Notas iniciais
Pov – Beth
─Não culpo Rick pelos acontecimentos da semana passada. – Spencer me diz enquanto olha pela mira do rifle o movimento na estrada vazia. Fazer a guarda dos muros é as vezes cansativo. Hoje em especial. Nada acontece de diferente e no fim tenho mais é que agradecer.
─Eu sei que é um momento difícil para você e sua mãe. Perderam tudo de uma vez. Pai, irmão.
─Pete estava louco. Meu pai foi inocente em achar que as coisas eram mais simples do que realmente eram. Aiden era um garoto mimado. Demos muita corda para ele se sentir poderoso. Olhando agora seu grupo eu percebo como somos despreparados.
─Se estivesse lá fora. Teria aprendido. – Ele nega. Abaixa a arma e me olha. – Teria sim. Eu aprendi.
─Teria morrido eu acho. Vejo vocês e penso pelo que lutam. Minha mãe as vezes me questiona sobre isso, quem eu sou, o que eu quero.
─E não pode responder? – Me encosto na madeira que sustenta andaime. Spencer da de ombros. Às vezes eu chego a sentir pena da fraqueza de alguns Alexandrinos. As coisas mudaram muito. Isso é verdade.
Todos estão agora sob as ordens de Rick. Deanna tem feito de tudo para colaborar, os moradores estão sendo treinados, Maggie tem tomado para si a condição de dirigir o lugar ao lado de Deanna.
Isso é bom. Ela sempre foi assim. Em casa desde menina Maggie tinha o instinto de líder. Era sempre ela a comandar tudo.
Depois de ficar sozinha. Lutar pela vida no Grady. Matar, eu não sei mais ser a garota pacata e obediente de antes. Tomei em minhas mãos as rédeas da minha vida.
Gosto mais de estar com uma arma na mão. De enfrentar os mortos e se for preciso os vivos. O rosto angelical não serviu de nada. Foi a força de meus punhos que me mantiveram viva e é isso que quero ficar.
─Você e Maggie. Como foi lá fora. Como se juntaram a esse grupo?
─Apareceram na fazenda do meu pai com o Carl ferido. Depois disso nunca mais ficamos sozinhos, nos ajudamos até que nos sentíssemos uma família. Como vocês aqui.
─Não. Nós não somos uma família. Somos esnobes demais para isso. As pessoas aqui se acomodaram e fingem que tudo é como antes. – Spencer se move e ficamos de frente um para o outro. – Cortam grama. Regam o jardim, bebem suco gelado e se reúnem para comer biscoitos caseiros.
─Nossa chegada mudou isso. Acha ruim?
─Eu não sei dizer Beth. Não sei se detonaram o caos ou se chegaram bem a tempo de nos salvar dele. Só sei que estão aqui e que as coisas estão mudando e não sei se quero isso, se consigo me encaixar nessa mudança.
É decepcionante. Meu coração bateu um pouco fora do ritmo por ele. Ao menos num primeiro olhar, mas com tudo que sei, depois de tudo que vi ele tinha que ser muito mais forte. Mais corajoso. Esse cara perdido que tenho diante de mim não serve para preencher meu coração.
─Vai encontrar seu caminho. – Digo colocando meu rifle nas costas. – Hora de descer. – Ele me segue. Tobin e Douglas prontos para nos substituir. Aceno me afastando de todos.
Caminho sozinha para casa. Passo por Carl empurrando o carrinho de Judith com os olhos perdidos e Enid sentada ao longe com a expressão cansada. Os dois devem estar tentando se entender, talvez Carl não seja o único na jogada. Ron observa tudo ao longe e não parece nada contente.
Morgan caminha em minha direção com seu bastão. Ele é um homem intrigante. Talvez um dia me conte sua história. Sorrimos um para o outro, não paramos para conversar.
Quando entro em casa Glenn tomava uma xicara de café. Tara está a seu lado e Eugene sentado com aquele ar de tédio que ele sempre tem.
─Tudo bem por aqui?
─Sim. E lá fora? – Glenn questiona.
─Calmo, mas agora já sabemos por que. A reunião com o Rick começa que horas?
─No fim da tarde. – Maggie surge. Beija os lábios de Glenn e me sorri um tanto preocupada. – Ele tem um plano bem ousado para lidar com aquele mundo de zumbis presos na tal pedreira. Eu não sei se gosto disso.
─Maggie. Seja o que for deve ser melhor do que um dia eles invadindo Alexandria. Como se fica descansado com esse risco? Foi sorte ele descobrir aquele lugar.
─Beth eu adoro essa mulher que se tornou. Só vê se não se oferece para a linha de frente.
─Se dor preciso. – Maggie não esconde a preocupação. Ela não pode me impedir de me cuidar. – Vou indo para a igreja. Vejo vocês lá.
Quando caminho pelas ruas tranquilas eu encontro outros moradores seguindo para o mesmo lugar. Pelo menos estão dispostos a ouvir os planos. Já é mais do que tínhamos quando chegamos.
Spencer passa ao lado da mãe, nossos olhos se encontram. Não sei direito o que pensar ou sentir. Ele me atrai ao mesmo tempo esse lado assustado que ele tem me desanima. Trocamos um sorriso. Os olhos de Deanna encontram os meus. Ela me faz sinal desejando que me junte a ela. É a típica mãe querendo encaminhar o filho. Acabo seguindo a seu lado e me acomodando no primeiro banco da igreja.
─Vamos fazer uma oração enquanto esperamos o grupo se reunir. Rezar nunca é demais. – Deanna me diz e encaro o altar. Meu pai gostaria disso. Fecho meus olhos. Ainda mantenho a minha fé. Ela é apenas diferente agora. Antes eu esperava por proteção. Agora providencio eu mesma.
Pov – Hannah
A extensão nos muros está quase pronta. Espero que as placas e o caminhão sejam o bastante para desviar os mortos e fazê-los seguir para longe como foi planejado. A parte ruim de tudo isso é Daryl na moto. Simplesmente odeio a ideia.
Voltamos para casa cansados depois de um dia de trabalho pesado. Meu turno foi no fim da tarde. Ficar fora dos muros de Alexandria nos obrigam a deixar Brook.
Beth está com ela. As duas conversam sentadas na varanda quando me aproximo com Daryl ao meu lado. As duas acenam. Brook corre para nos encontrar. Os braços abertos para o tio Daryl. Desde o dia que teve que fugir sozinha e foi ele a abrir a porta do guarda-roupa Brook não consegue se afastar. Estão tão próximos que quase posso sentir ciúme.
Não fosse o fato de ver Daryl sem saber como reagir. Todo atrapalhado a cada demonstração de carinho eu talvez me sentisse de lado. Acontece que amo vê-los juntos. No fundo é o que sempre sonhei para Brook.
─Terminaram? – Beth pergunta sem sair do lugar. Me sento ao seu lado enquanto Daryl mantem Brook no colo.
─Sim. Amanhã todos vamos descansar. Depois vamos passar o plano uma vez. Como um ensaio. – Aviso a Beth. – Rick quer garantir que os Alexandrinos estão prontos.
─Deanna reclamou comigo hoje. – Beth me conta. – Por que usei esse termo, os alexandrinos como se fossemos outro grupo.
Eu e Daryl nos olhamos, a verdade é que na maior parte nos sentimos assim.
─Quem sabe depois dessa operação tudo fica mais calmo. – Eu fico de pé. – Obrigada Beth. Brook não fica muito bem com mais ninguém.
─Estamos aqui para nos ajudar. Tchau Brook.
Ela acena e vamos para casa caminhando em silencio, meu coração anda tão apertado. A ideia de Daryl na moto me causa arrepios sem fim. Queria estar com ele, mas preciso ficar. Pouca gente vai ficar em Alexandria. Todo mundo tem um trabalho e esse é o dele. Me resta aceitar isso.
─Boa noite. – Cumprimento Carl sentado na sala com seu quadrinho na mão. Ele acena. Michonne está na cozinha. Rick a ajuda a preparar o jantar. Rick Grimes entre panelas e temperos. Isso é engraçado.
Comemos juntos. Daryl e Rick mais uma vez repassando o plano. Eu quero tanto fazer parte daquilo, mas é tão perigoso que se der errado eu preciso estar com Brook.
─Hannah tem mais chance de dar certo que errado. – Rick me consola.
─Se der errado é devastador. – Ele afirma. Depois do jantar nos separamos. Brook segue para o banho. Eu e Daryl ficamos um momento sozinhos na varanda olhando a noite. Me encosto em seu ombro.
─Vou passar o dia com vocês amanhã. – Ele diz passando o braço por meu ombro. Suspiro. – Não vai dar errado. Tem que ter fé.
─Tem ideia de como vai ficar minha cabeça? Você de moto puxando um comboio de mortos. Daryl eu estive lá. Aquilo é boa parte dos mortos da Virginia.
─Sasha e Abe vão me dar cobertura de carro, não vou ficar perto o bastante para correr risco.
─Risco. Sabe que respirar é arriscado hoje em dia. – Ele beija meus cabelos. Me faz olhar para ele. Ficamos de frente um para o outro.
─Me escuta com atenção. Hannah a sua prioridade é viver e proteger Brooklyn.
─Não quero que faça isso. Se despedir de mim assim. Como se fossemos nos perder.
─Amanhã não quero falar disso. Quero só aproveitar o dia com você.
Me encosto em seu peito. Ele apoia o queixo no topo da minha cabeça e me envolve em silencio.
─Deixe Alexandria sem olhar para trás se for preciso. Acho você.
─Tem ideia da dor que me causa só de pensar isso?
─O plano é esse. Brook segura. Confio tanto em você lá fora. O que fez esses últimos dias. O quanto cresceu e ficou forte. Pode manter Brook.
─Obrigada. Vou estar pronta, mas não vai acontecer. Não pode. Eu não aguento a ideia.
─Pronto gente. Eu terminei tudo. Banho e arrumei minha cama já. – Brook avisa se juntando a nós. – Ergo minha boneca no colo. Beijo seu rosto. Ela sorri. – Estou bonita?
─Linda. Com sono? – Brook balança a cabeça confirmando.
─Beth leu para mim uma história de princesa. Não tinha caçador, mas tinha príncipe. Igual você tio. Só que ele matava dragão não zumbi. Não tinha zumbi na história.
─Esse tio é mesmo um príncipe. – Sorrio para a cara feia que Daryl faz com a ideia de ser comparado a um príncipe. – Vamos dormir?
Subimos juntos. Depois de dar um beijo em Brook Daryl nos deixa sozinhas, ela se deita e se cobre. Abraça a boneca. Fecha os olhos e dorme antes que me de conta. Nunca vi alguém tão feliz com um quarto.
Volto para nosso quarto. Daryl está pronto na cama. Tiro a camisa enquanto ele me observa com um meio sorriso e uma sobrancelha erguida. Tiro o tênis e a calça jeans. Sobram apenas as peças intimas. Caminho para cama.
─Esqueceu o resto. – Ele diz tocando a alça do sutiã quando me deito ao seu lado.
─Estava gostando? – Daryl afirma.
─Mais do que pode imaginar. – Ele me beija.
─Gosto mais quando você tira. – Aviso para os olhos azuis cheios de desejo. Sem dizer nada ele desce a alça do sutiã, toca minha pele e é incrível o que o toque de suas mãos sobre minha pele me provocam.
Sinto a pele queimar, o coração saltar e quando seus lábios descem sobre minha pele meu coração dispara. Temos aprendido tanto sobre o que gostamos, a timidez e as reservas foram nos deixando aos poucos e agora ficou apenas a paixão.
Amo Daryl Dixon, o homem, o amigo, o tio. Amo quando me toca e quando está perto, amo quando está longe e quando cuida de Brook, quando persegue zumbis. O tempo todo eu o amo, mas não digo, me falta coragem.
Ele nunca falou nada sobre me amar. Eu acho que sente, mas nunca disse e não quero dizer e ouvir um, eu também só por obrigação.
O pensamento se perde com o carinho das mãos e lábios de Daryl. Solto um longo suspiro, me entrego aos prazeres que seu corpo me proporciona, devolvo com todo meu carinho, sinto quanto ele gosta do meu toque. O quanto isso o deixa vivo.
O prazer completo vem quando nada mais parece fazer sentido e tudo que sinto é nossos corpos entregues.
─Minha Hannah. – Ele sussurra em meu ouvido. Meus olhos marejam. Sinto tanto medo de perde-lo. – Não chora. Eu volto. Não vai ser assim tão arriscado. ─ Fecho meus olhos e as lágrimas correm. Ele as seca com beijos.
─Não faz isso, só me faz chorar mais.
─Quer dormir?
─Não. Quero você assim, grudado em mim.
─É onde estou. Mesmo quando estou longe. Hannah eu passei muita coisa, perdi muita coisa, me vi sozinho muitas vezes, com tanta raiva, isso que estou disposto a fazer é para não te perder, para não perder mais nada. Não suportaria. Você e Brooklyn são meu ponto fraco. Meu limite.
─E você o meu. – Ele me beija, u longo beijo que parece capaz de confessar seu amor por mim. – Daryl eu... – Quero dizer, mas algo trava, parece que se disser então tudo fica ainda mais frágil, mais perigoso. Vou ter outra chance para confessar que o amo. Não hoje. Hoje vou mostrar.
Minhas mãos mergulham em seus cabelos, ele fecha os olhos para apreciar o carinho, meus lábios percorrem seu rosto, pescoço, ombros, ele me beija. De novo as coisas são quentes, como se tivéssemos que aproveitar cada segundo juntos.
Só dormimos quando não restam mais forças, mesmo assim fico colada a ele, sentindo sua respiração em minha nunca. Pela manhã o sol entrando pela janela aberta me desperta. Me movo com cuidado para não acorda-lo.
Fico olhando seu sono tranquilo. O rosto leve, é um homem bonito, com marcas de sofrimento, mesmo assim bonito. Não apenas por fora, mas a beleza vem de um coração intenso, justo.
Daryl abre os olhos, o azul profundo me dá paz. Ele ergue a mão e afasta meus cabelos, não diz nada, só mantem os olhos sobre mim. Eu me sinto protegida, como nunca me senti. Faz cada momento de dor ter valido a pena, só por que tudo me trouxe até ele.
─Temos o dia todo juntos. – Eu o lembro. Daryl apenas balança a cabeça confirmando. – Depois toda a noite.
─Gosto da noite. – Ele brinca quando me deito em seu peito. Seus braços me envolvem. – Vai ser só um treinamento. Vamos fazer o percurso e ter certeza que tudo está em ordem. Para nada dar errado.
─Daryl quando foi que um plano deu certo sem adaptações? No fim tudo acaba seguindo outro rumo.
─Eu sei, mas dessa vez temos tempo. Nos organizamos. Vai funcionar. Agora vamos esquecer tudo isso. Que acha de tentar a moto mais um pouco?
Daryl é péssimo professor de direção, ele morre de medo de me machucar e cada vez que subo na moto não damos mais que uma volta em torno do quarteirão.
─Pode ser. Já sei pilotar. Você que não confia em mim.
─Me preocupo. Sabe que com os poucos recursos se machucar não é nada inteligente.
Apoio meu queixo em seu peito e olho para ele. Gosto do modo como eu e Brook nos tornamos o centro de tudo para ele. Só que no fundo eu sei que ele precisa ser capaz de seguir em frente sem nós. Por que nunca se sabe quanto tempo temos.
─Me pede para deixar Alexandria sem olhar para trás, diz que confia em mim lá fora para cuidar da Brook.
─É a mais pura verdade.
─E quanto a você? Pode ficar de pé e seguir seu caminho? Ter frieza para nos procurar sem ficar maluco? Eu preciso ter certeza que não faria nenhuma bobagem.
Ele fica mudo, não pode mentir e sabe que não conseguiria. Suas mãos envolvem meus braços e ele me puxa para mais perto. Me beija.
─Não respondeu Daryl. Vai ser frio e nos procurar sem correr riscos? Eu posso cuidar de nós duas e te esperar, mas se achar que ficou perdido, maluco, então vou querer te encontrar e colocamos os dois tudo a perder.
─Serei incansável. Mas tudo isso é só tolice. Duvido que Glenn e Maggie fiquei pensando essas coisas. Vamos viver e pronto. Estamos aqui, estamos juntos e estamos tentando tornar isso seguro.
Volto a me deitar em seus braços. Amo você Daryl Dixon. Digo mentalmente, acho que ele sabe. Tem que saber, é tão evidente.
─Acordei. – Brook surge diante de nós com Lyn pendurada.
─Tem certeza? – Pergunto para a carinha amassada e o cabelo despenteado. Ela balança a cabeça confirmando. – Então vá lavar o rosto e já te encontro. Brook dá meia volta retornando a seu quartinho.
─Quando tudo acabar. Pensei em acharmos um lugar para nós três. O que acha? – Olho surpresa. – Pode ficar como tudo está se prefere. Só pensei que ela podia ter um quarto maior, e não precisaríamos dividir a casa com todo mundo. Carol, Mich, Rick e as crianças. Sei lá. Só nós três.
─Quero muito isso Daryl, nem imagina. – Ele me beija. O beijo se prolonga.
─Pronto! Já estou pronta. – Brook nos interrompe. Hora de cuidar dela. Me afasto dele.
─Vamos lá. Vou tomar um banho e já descemos.
─Tio eu quero que você vem também. – Brook se deita com ele. Eu os deixo conversando. Quando retorno os dois riam. Ainda me surpreendo quando os vejo rindo juntos. Daryl rir é bom. Emociona. Brook também. Por muito tempo ela apenas sussurrava e se encolhia. Agora pode ser feliz e vou lutar por isso, para nada impedir que essa pequena família se mantenha unida e segura.
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