Darkness
2 Eu não sei quem ela é.
Polo Norte, Fábrica do Norte.
Jack Narrando.
Tudo estava incrivelmente calmo. Ainda faltava um certo tempo para o Natal, e isso de certa forma deixava tudo extremamente tranquilo na fábrica do Norte. Alguns Duendes passavam para lá e para cá a todo momento, um pouco apressados. Aquilo me surpreendeu, de fato. Eu estava sentado naquela poltrona há mais de três horas, e sem absolutamente nada para fazer. Jamie e sua família haviam tirado férias, todos os Guardiões estavam muito ocupados e digamos que eu não tenha muitos amigos. Pra piorar tudo ainda mais, o verão estava chegando. E eu não sou muito fã do sol. Dá pra ver pela minha aparência.
Seria bem mais fácil se eu me mudasse temporariamente pro Polo, assim seria bem mais fácil lidar com o frio. Mas Norte não queria ninguém por lá, ele estava um pouco chato esses últimos dias. Onde eu ficaria? Não sei, talvez vagabundando por aí, sem rumo algum. Eu já disse que odeio o verão? Pois é, eu odeio. Quem sabe se eu for pro Polo Sul? Passar algum tempo com os pinguins não seria tão ruim assim. Ei, existem pinguins no Polo Sul?
— Jack. — ouvi uma voz grave me chamar, e quando me virei, Norte estava me encarando seriamente. — Pode vir aqui por alguns instantes? — ele indagou.
— Seja lá oque aconteceu, não fui eu. — falei com um tom irônico. Ele sorriu, oque me fez pensar que eu não estaria tão encrencado assim.
— Você não fez nada de errado, Jack. — ele disse e eu comecei a caminhar um tanto lentamente até ele. — É uma coisa importante, assunto dos Guardiões.
— Ih, quem fez caganeira dessa vez? O Coelhão? — indaguei entrando naquela sala imensa. Norte apenas riu e fechou a porta atrás de mim, se sentando em sua poltrona logo depois.
— Ninguém fez caganeira, Jack. — ele respondeu e eu ri por causa do seu tão costumeiro sotaque pesado. Era hilário. — É uma coisa séria, preciso de toda a sua atenção, entendeu?
— Aham. — respondi, mesmo não tendo ideia alguma do que ele queria dizer. Qual é, não sou um cara que processa as coisas rápido. É o gelo que interfere no meu cérebro.
— Pois bem. — ele suspirou fundo, parecendo tomar coragem. — Há alguns anos, nós derrotamos Breu. Mas, sabíamos que uma hora ou outra ele voltaria. — ele disse e eu assenti, um pouco mais preocupado desta vez. — E pelo oque o Homem da Lua nos informou, ele está cada vez mais forte, Jack. Ele tem ódio, o sentimento mais bruto que existe. Ele não quer só nos destruir, mas quer domar o mundo com a escuridão.
— Deixe-o vir! — falei brincando, mas Norte estava sério. — Já o derrotamos uma vez, porque não duas?
— Porque agora os nossos poderes são fracos contra ele. — Norte disse e eu paralisei. Eu tentava dizer algo, mas nada saía. — O Homem da Lua nos deu uma solução.
— E qual é? — indaguei, sentindo um nó se formar na minha garganta.
— Um novo Guardião. — Norte disse e eu quase engasguei com o ar.
[...]
Eu nunca tinha ouvido falar de Summer Maslow até aquele dia. Segundo Norte, a história da garota era bem parecida com a minha. Ela tinha sacrificado a vida pra salvar a de duas crianças em meio a um incêndio. Legal, gesto nobre. A parte ruim é que agora ela vive pelo fogo, assim como eu vivo pelo gelo. Norte me disse que não tem perigo algum, não é como se ela fosse encostar em mim e eu virasse uma poça de água, mas ainda tinha receio. Espero que ela seja legal, ou não vamos nos dar bem.
— Você vai buscá-la. — Norte disse e mais uma vez, lá estava eu engasgado com o ar. — São jovens, se entendem melhor. Não acho que sequestrá-la e jogá-la dentro de um saco seja algo apropriado.
— Engraçado isso. Comigo foi bem assim, ninguém se importou se eu estava respirando dentro daquele saco nojento! — gritei.
— Oque é toda essa gritaria aqui? — Fada indagou chegando perto de nós. Junto á ela vinham Coelhão e Sandman.
— Me deixe adivinhar? Jack está dando piti por ter que ir buscar a garota? — Coelhão disse irônico. Eu lhe lancei um olhar bravo, mas ele pareceu não importar-se com isso.
— Eu soube que ela é bonita. Quem sabe agora você finalmente não arranje uma namorada, hein Jack? — Fada disse sorrindo maliciosamente.
— Okay, agora é oficial, vocês estão malucos. — eu disse rindo. — Eu sequer a conheço! Além de tudo, ela pertence ao calor, e eu ao frio. Não vamos mudar isso. Uma amizade está ótimo.
— Eu sei um pouco da antiga vida dela. — Coelhão disse e Sandman sorriu, como se os dois soubessem de algum segredo. Eu arqueei as sobrancelhas e olhei para Norte, que tinha feito o mesmo.
— Conte-nos. — pedi interessado no assunto.
— Ela morreu quando tinha dezesseis. Foi há três anos. Pelo oque li, o Homem da Lua ficou impressionado com a coragem dela e a tornou um ser mágico. Ela não é muito conhecida, nunca teve muita fama por ser uma heroína recente. Todos nós sabíamos que Breu voltaria, ela ficou como uma Guardiã reserva, caso algum de nós precisasse da ajuda dela. — Coelhão disse.
— Dizem que ela está sempre na Califórnia, por lá ser um lugar quente. Eu já passei por lá algumas vezes, nada fora do normal. Ela faz o trabalho dela direto. — Fada disse sorrindo.
— Jack, prepare-se, irá falar com Summer amanhã. — Norte disse.
— Mas eu não a conheço! Não sei como ela é! — protestei. — Não vou nem que a minha vida dependa disso.
[...]
— Lembre-se. Ela é morena, olhos azuis e pele um pouco bronzeada. Você vai saber como ela é, já disse que a achei muito bonita. — Fada disse e eu revirei os olhos.
— Não vou me distrair porque ela pode ser bonita ou não. — falei emburrado e ela riu. — Enquanto eu estiver fora, por favor, vigie o Jamie. Não sei por quanto tempo eu ficarei na Califórnia, lá faz calor e eu voltarei fraco.
— Faremos o possível para deixá-lo longe de encrenca. — Coelhão disse e eu assenti fraco, um tanto nervoso.
Coloquei a minha capa azul sobre as minhas costas e o capuz sobre a minha cabeça. Peguei meu cajado e suspirei fundo. Norte havia me dado alguns globos de neve, seria bem mais rápido. E então, eu atirei o primeiro no chão. Olhei para trás e todos me encaravam com esperança. Eu não iria decepcioná-los de modo algum. E então eu entrei no portal, deixando de lado o frio do Polo Norte para embarcar no imenso calor da Califórnia.
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