Darkness
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Notas iniciais
Nico
Nico não sabia o que tanto Quíron e Melanie haviam conversado naquela enfermaria, mas ele já tinha raiva do que o centauro havia falado para a sua namorada. Ao ver seu rosto
vermelho de chorar e as mãos tremendo diante o corpo, Nico teve vontade de tirar uma satisfação com ele.
–Tudo bem? — Nico perguntou encostando delicadamente nos ombros da namorada.
–Sim... Quer dizer, Talvez. Olha, desculpe, é que eu não tenho muito tempo mesmo, tá bom? — Nico não tinha certeza, mas Melanie parecia não conseguir sustentar o olhar nele,
ela estava agindo como se fossem antigos conhecidos que haviam se distanciado e não sabiam agir um diante do outro novamente. Ela estava mudada.
–Não tem muito tempo pra que?
–Adeus — Melanie o abraçou. Nico, sem saber o porque, ficou impressionado, mas fez o mesmo e fechou os olhos enquanto o corpo da namorada tremia ao tentar segurar aquele choro
entalado na garganta. O garoto se obrigou a engolir em seco ao lembrar do seu sonho da noite passada, o sonho mais estranho que ele já tivera, era apenas uma voz que soava fria
"O Adeus está chegando. O seu adeus é o meu oi". Melanie se soltou do abraço e desceu para o seu chalé sem se quer olhar pra Nico. Ele teve que admitir que doeu aquele jeito
frio que ela o estava tratando, mas ele sabia também que Melanie não era assim, o que o fez ter mais raiva de Quíron. Mas ele não podia ficar ali, parado, de braços cruzados
sofrendo e vendo quem ama sofrer, ele sentia a necessidade de proteger Melanie, apesar de saber que em muitas vezes a inteligência e as estratégias da namorada quase sempre o
salvaram. Querendo ou não, Melanie era capaz de se proteger sozinha e não gostava que ninguém fizesse isso por ela. Primeiro porque se preocupava com seus amigos e segundo porque
se acha totalmente impotente quando alguém a salva ou faz algo que ela sabia que poderia fazer por conta própria.
Nico se obrigou a se dar um passo. Suas pernas estavam pesadas como chumbo, essa era sempre a sensação que ele tinha antes de mergulhar numa encrenca daquelas. Como certa vez
quando ele tinha quatorze anos e seu pai o havia chamado para "uma séria conversa". Ou as outras inúmeras vezes que se metera em confusão.
–Melanie! — Nico gritou ao chegar na porta do chalé 6. Nada. Silêncio. — Melanie, eu preciso falar com você! — Silêncio mais uma vez. — Abra essa droga de porta!
Silêncio por um curto minuto e então Nico pode ouvir passos lentos e tensos ecoando de dentro do chalé, a porta se abriu lentamente e Melanie colocou a metade do rosto pra fora,
o sol brilhou em seu rosto, e com a luz Nico pode ver que olheiras já se formavam em baixo dos olhos cinzentos. Devido as noites mal dormidas e o estado de preocupação que a
namorada se encontrava. Nico já notara aqueles circulos roxos em baixo dos olhos, mas no dia seguinte eles sumiam, só que na última semana os sonhos estavam começando a consumir Melanie
–Por favor, eu estou confuso. Você pode me explicar alguma coisa sobre o que foi o "Adeus" — Nico implorou franzindo as sobrancelhas
O rosto de Melanie deu uma relaxada e ela suspirou como se dissese "finalmente consigo respirar"
–Não posso — Melanie murmurou com os olhos úmidos — Nico, me desculpe, por favor, me desculpe. Só acredite em mim, só acredite está bem?
–Eu acredito em você. Eu confio em você de olhos fechados e mãos amarradas
–Ótimo. — Melanie o lançou um olhar de gratidão. — Só continue fazendo isso está bem?
–Não, não está bem. Quer dizer que é assim? Você simplesmente sai de uma enfermaria dizendo tchau pra o seu namorado e pede pra ele apenas confiar em você, sem se quer dar nenhuma
explicação.
–Sim, é assim. Eu não tenho como dar explicações, porque não existem explicações de verdade.
–Então me conte porque você tá assim... Tão estranha
–Eu não estou estranha — Melanie gaguejou forçando engolir em seco, Nico podia ver as lágrimas quase caíndo de seus olhos, ela tentou fechar a porta, mas Nico foi mais rápido e
empurrou a porta no sentido contrário. Logo, os dois estavam corpo a corpo contra a porta. Nico tentando abri-lá e Melanie tentando fechá-la. — Pare! — Melanie disse entredentes —
Me deixe fechar a porta!
–Não! — Nico gritou empurrando com mais força a porta. Melanie deu um pulo pra trás e depois agarrou o pulso esquerdo e fuzilou Nico com os olhos. Nico se odiou por isso, ele teve
vontade de lhe socar e lhe dizer que era burro, fraco, idiota. Ele estava até agora tentando proteger Melanie e ele mesmo a tinha machucado — Desculpe, Desculpe. Droga, me desculpe!
–Tudo bem — Melanie resmungou apertando com mais força o pulso — Você... está certo
–Estou?
–Sim, eu achei que podia esconder tudo de você e simplesmente agir rápido e finalmente resolver tudo. Como se nada tivesse acontecendo. Acontece que eu realmente me dei conta de
que estou indo pra uma missão suícida. Eu não posso segurar tudo nas costas Nico. Eu não posso carregar um fardo enorme em nome de todos. Eu estou assinando a minha morte
–Não... Eu... O que está havendo Melanie?
–Perséfone — Melanie disse. Aquele nome desceu como ácido nos ouvidos de Nico — Ela quer você. Quer torturar você até a morte.
Ha, agora conte uma novidade, Nico quis dizer e sorrir para Melanie, depois puxar ela num abraço e dizer "Está preocupada com isso, bobinha?" Mas se deteve ao ver a expressão amarga
no rosto da namorada.
–E eu posso impedir isso — Melanie continuou soltando o pulso, talvez a dor tivesse passado. Nico encarou o pulso avermelhado pra não precisar olhar nos olhos de Mel que assumiam uma cor
mais escura conforme pronunciava as palavras — Dando a minha vida em troca.
–O que obviamente você não vai fazer!
Melanie molhou os lábios secos:
–Resposta errada.
Por um momento o chalé girou. Porque Melanie estava dizendo isso? Por que? Nico só queria entender. Ela sempre soube que Perséfone não gostava de Nico mas chegar a esse ponto...
–Eu sei exatamente o que você está pensando — Melanie disse — Por favor, não pense que mais uma briguinha insignificante entre vocês dois. Acontece que ela está mesmo determinada a dominar
o mundo
–Ela está louca. Perséfone não tem poder nenhum sobre ninguém.
–Talvez ela tenha...
–A quem? Me diga
–A Hades
–Meu pai? Ele não...
–Nico, olhe bem, Hades conseguiu,hm, levar Perséfone pra ele. Ele faria tudo pela mulher.
–Mas ele é um deus. Um dos três grandes — Nico disse franzindo as sobrancelhas, Melanie parecia estar falando Japônes. Nada mais fazia sentido. Hades não obedecida as ordens de ninguém, muito
menos as de Perséfone.
–E eu preciso dizer tudo que um homem faria por uma mulher que ama?
–Mas ele é... Hades.
–E por isso ele seria incapaz de amar? Será mesmo? Pense nisso.
Melanie deu meia volta e jogou coisa em sua mochila, Nico a observava mas não conseguia prestar muita atenção nas ações dela. Só viu que ela jogou um pouco de ambrosia, fósforos e uma série de coisas
dentro daquela mochila que Nico a nomeou como "Mochila estúpida" ao ver quanta raiva sentia ao pensar na namorada caminhando pra uma missão suicida com aquela coisa azul-marinho pendurada nas costas.
O odiou por ter dado aquela antiga mochila, que uma vez fora sua e dizer "Use sempre para se lembrar de mim" no natal passado. Com milhares de fotos dentro. Uma mochila que inúmeras vezes
ele chorara quando garoto sobre ela. Era assim que Nico se sentia ao ficar com raiva. Culpava tudo e todos. Se odiava por antigos atos que mal tinham a ver com o que estava acontecendo.
–Pensar? Claro, vou pensar, enquanto você está morrendo — Nico pronunciou as palavras amargamente, sentindo soar como duas facas se raspando. Melanie parou abruptamente e fechou os dedos mais fortes ainda
ao redor da mochila, seus ombros se contraíram mas Nico não desejou ter retirado as palavras. Ele tinha que mostrar para Melanie que ela estava errada. Totalmente errada e louca. Ele tentara de várias formas,
nenhuma dera certo, agora era tentar do jeito mais duro e ruim ou deixar que Melanie partisse.
–Você tem razão — Melanie finalmente disse, ela jogou a mochila para trás dos ombros e passou a passos largos por Nico, se conteve ao chegar na soleira da porta, parou por um instante e olhou por cima do ombro — Só pense, quando
me ver morta, que a última lembrança que terá minha é uma briga.
Nico mordeu os lábios, a esse ponto, nem mesmo ele seria capaz de dizer o que sentia: Medo, insegurança, raiva, tristeza. Novamente suas pernas pareciam ter o peso de chumbo e dessa vez ele se viu totalmente impotente,
não era capaz de correr atrás de Melanie.
Tudo bem, Nico pensou, O que adiantaria mesmo? O jeito agora é agir.
E saiu atrás da única coisa certa que sabia: Tinha que salvar Melanie. O mundo poderia acabar, tudo bem... desde que ele tivesse Melanie
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