Darkness
40 Capítulo 39
Notas iniciais
– Mãe, o que esta fazendo aqui?
– Estou, procurando, procurando. – Falou desorientada enquanto mexia em algumas gavetas. – Alguns papéis. Achei. – Continuou, tirando um monte de papeis de dentro da mesma e gritando, como se aquilo fosse algo muito importante.
– E o que são esses papéis? – Perguntei curiosa.
– Alguns contratos da empresa, eu estava louca pensando que os tinha perdido. –
– A sim, legal. – Falei sem muito interesse, me levantando de sua cama e parando na porta para fazer outra pergunta a ela. – Mãe, vai ficar em casa?
– Não querida, tenho que voltar o mais rápido possível. Na verdade, já estou até saindo. – Pegou a bolsa e colocou todos os papeis dentro dela e saiu apressada. – Tchau minha linda, até mais tarde.
– Ok. – Falei desanimada entrando no meu quarto e trancando a porta. Joguei minha mochila em cima da cama e fui para o banheiro, lavei meu rosto e então sai, quando voltei novamente para meu quarto me deparei com ele. – Como você conseguiu entrar no meu quarto? – Perguntei incrédula, pela janela não poderia, era muito alto.
– Ainda não se acostumou? Não preciso de portas para entrar em algum lugar. – Maicon falou revirando os olhos. “Mel idiota, ele é um demônio, pode entrar onde quiser.” Me recriminei mentalmente.
– Certo, me desculpe se ainda não consegui me acostumar com você. – Falei irônica.
– Não foi nada. – Deu de ombros e riu. – Gostou do que aconteceu hoje mais cedo? – Perguntou curioso.
– Como assim, do que você está falando? – Perguntei, sem entender.
– Como você é lenta Mel. – E então me lembrei do que aconteceu com Patrícia e os outros. Mas não, ele não teria feito isso, afinal, ele não estava lá, ou estava? – Isso mesmo Mel, já sabe boa menina. – Continuou, rindo mais uma vez e eu o olhei boquiaberta.
– Não foi você que fez aquilo, não pode ser. Espera um pouco, como você sabia o que eu estava pensando?
– Eu consigo ouvir o que você pensa. E sim, fui eu.
– Como? – Perguntei incrédula.
– Eu estava passando por ali, procurei vocês e quando finalmente achei, aqueles babacas estavam te importunando, então decidi dar uma pequena lição a eles sabe.
– Mas você foi muito idiota, agora eles sabem do que aconteceu e vão ficar falando que eu sou uma bruxa.
– Aí que você se engana. Assim que eles saíram de lá correndo como um bando de medrosos que é o que eles são, os peguei no corredor e apaguei suas memórias. Pensa que sou idiota ao ponto de deixá-los fazerem isso? Lógico que não Mel. – Falou batendo na minha testa.
– Tudo bem, melhorou. E obrigada mais uma vez, eu amei o que aconteceu com eles.
– Não precisa me agradecer, eles não vão mais te incomodar.
– Não? Por que? – Perguntei erguendo uma sobrancelha.
– Por que eu vou estudar de manha, simples.
– Mentira.
– Não.
– Por que? – Perguntei novamente.
– Por que, sem querer eu quase matei um moleque ai e os pais dele pediram minha transferência, a escola não aceitou e trocaram meu turno.
– Você bateu em alguém? Por que?
– Eu não bati nele, apenas fiz algumas coisas sabe... E ele descobriu o que eu fazia, apaguei a memória dele, ele não aguentou e algo aconteceu.
– Eu não entendi nada, mas também não vou pedir para você explicar. – Dei de ombros e me sentei na minha cama. – Achei legal você ir estudar conosco. Sidney vai adorar saber disso.
– Legal, bom eu vou embora, não era nem para ter vindo aqui...
– E ainda ter invadido meu quarto sem minha permissão. – O interrompi e ele riu. -Sorte a sua que minha mãe já saiu, por que se ela ainda estivesse aqui, você seria expulso a vassouradas.
– Antes disso, eu a mataria. – O olhei incrédula. – Estou brincando, calma. – Continuou, erguendo as mãos e rindo.
– Quando Sidney vai saber disso? – Perguntei, tentando ignorar o que ele acabara de falar.
– O que? Que não sou humano? Por mim não saberia nunca. Já te falei, quanto menos pessoas souberem, será melhor.
– Nem pergunto mais então. – Falei cruzando os braços.
– Melhor assim, e agora já vou. Tchau Mel. – Depois disso desapareceu e novamente fiquei sozinha. Pelo menos foi o que eu pensei, por que dois minutos depois Tanatos me aparece, furioso.
– Eu já te falei pra você não falar com ele, não falei? – Gritou furioso.
– Eu já te falei que falo com quem eu quiser, não falei? – Falei no mesmo tom de voz que ele.
– Você já está me cansando garota.
– Você já me cansou seu idiota, some da minha vida e nunca mais volte.
– Não posso, e nem quero, antes você terá que me dar uma coisa. – Então ele chegou mais perto de mim e tocou minha cabeça. Imediatamente vi tudo ficando escuro. Quando retomei minha consciência eu já não estava mais no meu quarto, estava acorrentada a uma cadeira, o cheiro do lugar era horrível, parecia o mesmo lugar dos meus pesadelos, sangue por todos os lados, pessoas vagando constantemente pelo lugar e murmurando coisas que eu não conseguia entender. Será que eu estava tendo outro pesadelo? – E finalmente a princesa acordou, estava esperando por isso a algum tempo sabe. – Tanatos falou calmo, mas em meio a escuridão eu não conseguia vê-lo. Aos poucos tudo ficou claro e finalmente consegui enxergá-lo. Ele estava um pouco diferente, com a mesma capa preta e aqueles olhos negros, sua face estava medonha, eu não estava entendendo nada do que estava acontecendo.
– Me tira daqui Tanatos, onde eu estou, se isso for um pesadelo, por favor, que alguém me acorde. – Supliquei fechando os olhos e ao fundo eu pude ouvir aquela risada estridente de Tanatos. Quando eu voltei a abrir meus olhos ele estava olhando para mim, dessa vez mais perto, o que certamente me deu mais medo. – O que você quer? Por que está fazendo isso comigo?
– Já ouviu a frase, “nunca acredite em um demônio” Mel? – Perguntou com aquele olhar maligno.
– O que você quer dizer com isso? – Perguntei alarmada, me lembrando de quem havia falado aquilo para mim.
– Eu falei pra você não acreditar nele, que no final, ele te trairia, olha só. – Apontou para um canto escuro um pouco distante do lugar em que estávamos. Logo ficou mais claro e pude ver.
– Gabriel. O que você vai fazer com ele, solta ele seu maldito. – Rosnei raivosa. Gabriel estava também acorrentado, mas desacordado. Eu não estava entendendo mais nada, o que eles queriam fazer?
– Você não está em condições de mandar ou muito menos pedir algo, então cale essa boca e não me deixe mais irritado. Vamos logo ao que interessa, ou ao que me interessa, tanto faz. Filho venha aqui. – Então vi uma sombra saindo do outro lado da escuridão e se aproximando lentamente de nós. Quando finalmente consegui ver quem era, me assustei de imediato.
– Então seu pai, era ele? Por que fez isso comigo? Eu confiei em você. – Gritei me debatendo contra a cadeira em que eu me encontrava sem conseguir nenhum sucesso para me soltar, pois parecia que aquelas correntes apertavam a cada minuto que eu me mexia. Maicon ouviu minhas palavras e abaixou a cabeça.
– Eu falei pra você não confiar nele não falei? – Riu convencido. – Agora, faça o que eu mandei. – E então Maicon começou a se afastar de nós e ir em direção a Gabriel, logo um aperto no meu peito começou a se formar.
– Não, Gabriel, por favor, não. – Gritei em vão.
– Desculpe. – Essa palavra foi dita em um sussurro, quase inaudível de Maicon. Foi a única palavra que saiu de sua boca e ficou ecoando pela minha cabeça.
– Acho que já está na hora de acordar aquele garotinho, então vamos lá. –E então vi Gabriel abrindo os olhos lentamente, olhando para todos os lados sem entender o que acontecia, ele olhou diretamente para meus olhos e essa foi a ultima coisa que vi.
Maicon chegou a sua frente empunhou uma espada e acertou em seu coração, logo vi o brilho dos seus olhos desaparecerem e a dor em meu coração aumentar.
– Não. Por que, por que você fez isso Gabriel. – Gritei, mas já não obtinha respostas, Gabriel estava morto.
XXX
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