Darkness

6 Capítulo 5


Notas iniciais
Capitulo dedicado a Criada por lobos & Lucinda Marie Briel. Duas lindas que salvaram minha pobre historinha da lixeira. *-* Muito obrigada mesmo (:

– O que vocês querem? Deixem-me em paz! – Depois disso ouvi o barulho da maçaneta abrindo, apareceu um rosto ali, era meu irmão, que veio correndo ao meu encontro, desesperado por ouvir meus gritos.

– Mel o que esta acontecendo? Com quem você estava falando? – Ele olhava em volta do quarto sem entender.

– Não deixe eles chegarem perto de mim, por favor, manda eles irem embora. – Eu já estava chorando a essa altura. Com a cabeça entre as pernas, não me atrevia a olhar por medo de ver algo que não queria.

– Mandar quem embora Mel? Aqui não tem ninguém. Olha pra mim. – ele segurou meu queixo me fazendo olhar em seus olhos, então eu olhei em volta e no quarto só estávamos nós dois. Levantei e o abracei, ele sem entender nada me abraçou também. – Calma Mel, não tem ninguém aqui. – Ele afagava meus cabelos e tentava me acalmar, mas mesmo assim eu continuava chorando. Então ele se levantou, me pegou no colo e me colocou na cama. Ainda olhando para mim como se esperasse uma explicação minha. Mas eu só conseguia chorar e olhar atenta para todos os cantos do meu quarto, como se ainda quisesse me certificar de que aquilo tudo que aconteceu foi mesmo real ou apenas uma alucinação. Aos poucos fui me acalmando e Pablo continuava ao meu lado. Enfim o choro cessou e então ele voltou a falar. – Mel, responde, por que você estava assim? É mais um daqueles ataques de novo? – Sim, mas por causa desses ataques eu já fui internada com sintomas de esquizofrenia. Isso aconteceu quando eu tinha 10 anos e parou quando completei 11, mas elas voltaram, e agora estão piores que antes. Não posso dizer que sim, pois me levariam de novo para o hospital, não quero passar por isso tudo novamente, não posso. Então voltei à crise de choro novamente, pelo menos assim ele não me faria perguntas.

Passaram-se alguns minutos e nada dele sair do meu quarto, então eu decidi contar tudo a ele. Antes que eu morresse sem contar isso a ninguém. Parei de chorar mais uma vez e o olhei fixamente nos olhos.

– Você tem certeza que quer saber? – Perguntei ainda duvidando, e tive minha resposta quando ele assentiu. – Ok. – engoli em seco e fiquei em silencio por uns 5 minutos. — Mas você promete que seja o que for você não vai me chamar de louca? – ele já estava começando a ficar assustado com o que eu poderia falar, vi isso no seu rosto assim que eu falei isso, mas ele continuou calado esperando minha resposta. – Eu vejo coisas, e são coisas muito ruins.

– A claro, eu também, toda vez que eu vejo você. – Debochou da minha cara, mas ele viu que eu continuava séria, então parou. – Ok, explica isso direito.

– Bom... Eu vejo essas coisas desde quando eu tinha 10 anos, lembra de quando vocês me internaram? – eu fiquei com a feição sombria e o vi afirmando com a cabeça. – então, eu não estava louca, mas posso ficar se eles não pararem de me chamar.

– Mel eu ainda não estou entendendo nada. Quem são eles? – ele me olhou, evidentemente ele não estava entendendo nada. Então eu teria que explicar melhor.

– Eu vejo coisas ruins, eu sinto coisas ruins, elas me chamam, a todo tempo, elas falam comigo, eu já pedi para pararem com isso, mas não param, não param. – eu disse sem paciência com as mãos na cabeça. – No dia que me acharam deitada e sangrando aqui, foram eles, eles que fazem isso comigo, não consigo parar, e se continuar assim eles vão me matar. – Ele ainda me olhava sem entender, e o pior ele estava assustado com isso. E eu já comecei a chorar novamente com medo de não ter feito a coisa certa, com medo de ele falar para meus pais. – Mas, por favor, não conta nada pra papai e mamãe, não quero voltar para aquele lugar, não posso, seria pior. – eu já estava entrando em desespero.

– Eu nunca faria isso mel. Eu sei que você não é louca, só é meio difícil de acreditar nisso. Mas mesmo assim, eu acredito em você. – Então ele me abraçou, essa foi a melhor coisa que ele poderia ter feito naquela hora, eu sabia que poderia contar meu irmão. Ficamos ali por algumas horas, eu estava com medo de ficar sozinha se aquilo acontecesse de novo, nesse tempo eu acabei dormindo em seus braços e nem percebi.

Quando eu acordei já era de madrugada e não tinha mais ninguém no meu quarto, éramos apenas eu e meu medo. Peguei meu edredom que estava ao meu lado e me cobri dos pés a cabeça, pois tinha medo dele chegar perto de mim. Um homem de branco se escondia atrás da porta desde meus 10 anos, eu sempre dizia que tinha um homem atrás da porta, mas ninguém acreditava em uma palavra se quer, ao contrario pensavam que eu era louca, e ao invés de me ajudarem, me internaram como se eu fosse uma maluca, mas não, era verdade ele existia mesmo, ele sempre estava olhando para mim. Ele era uma parte dos meus problemas, eu nunca conseguia dormir direito, tinha medo de ele vir e me pegar enquanto eu dormia todos os dias, ele estava lá eu não me atrevia a olhar, mas sentia a presença dele, algumas vezes ele já tentou chegar perto de mim, mas eu sempre gritava e alguém aparecia na hora para me ajudar. E desse jeito fui crescendo, uma menina com medo de tudo e todos, se duvidar até da minha própria sombra.

Todos os dias quando minha mãe me chamava eu ficava aliviada por não ter mais que ficar naquela tortura por mais tempo, e hoje não foi diferente, 06:20 da manhã minha mãe estava acordada e me chamando para a escola. Fui saindo debaixo das cobertas aos poucos e olhei ainda com medo para a porta, ele não estava mais lá, respirei aliviada e me levantei, fui ao banheiro, fiz o mesmo de sempre, e já estava pronta para ir à escola. Desci para a cozinha e tomei meu café, subi de novo para escovar meus dentes e fui embora para a escola.

Chegando lá os alunos me olhavam como se eu fosse um bicho ou algo parecido, me olhavam estranho, foi então que eu me lembrei de tudo o que aconteceu ontem, da briga, o homem me segurando, minha chegada em casa, enfim, tudo o que havia acontecido. Mas continuei andando como se não houvesse nada, entrei na escola e logo encontrei Sidney que já veio louca correndo e me abraçando.

– Sua louca, você deu um show ontem, bateu naquela vadia e ainda conseguiu arrancar aqueles cabelos nojentos, EU TE AMO. – essa ultima frase ela gritou e começou a rir após isso e eu que estava calada, continuei a olhá-la surtando com uma cara de assustada, logo ela reparou minha feição, mas continuou rindo. – É que sabe mesmo sem ela fazer nada comigo eu não gosto dela, então se alguém não fizesse algo, eu faria. – ela explicou com um dar de ombros e uma expressão angelical e depois continuou a rir descontroladamente, não me contive depois dessa explicação e ri junto.

Como há sempre muitos curiosos nessa escola e em todos os lugares, os alunos passavam e davam de cara com nós duas rindo e ficavam olhando como se fossemos loucas, mas nem ligávamos.

– Uma coisa que eu queria fazer a muito tempo, ontem foi a gota d’água o que fizeram comigo, não só ela merecia como todos os que fizeram aquilo comigo. Mas me responde uma coisa, onde você estava que eu não te vi depois do que aconteceu?

– Eu, estava por ai, não estava a fim de apanhar, então me afastei e fui comprar alguma coisa pra comer, e fiquei vendo a briga de longe. – ela me olhou com cara de tédio. – mas essa eu não tinha como perder, mesmo que ficasse olhando de longe mesmo. A melhor coisa foi ver a Patrícia – ela pronunciou esse nome com nojo. – correndo com suas seguidoras para longe de você. Nossa eu ri muito quando vi aquilo. E quase babei quando vi aquele gato te segurando, amiga me apresenta que eu quero. – fez a cara do gatinho do Shrek riu e acho que ficou esperando minha resposta.

– Eu não vi como ela saiu, ficou muito arranhada? – perguntei na duvida.

– Arranhada é pouco, ela saiu suja, com muitos hematomas e arranhões pelo corpo todo e o cabelo, o cabelo foi a melhor parte tava toda descabelada e faltavam até tufos.

– Agora sim que ela vai querer me matar, mas não ligo, já fiz o que eu queria mesmo. Então, o gato nem eu sei quem era, ele apareceu e me agarrou para eu parar de bater nela, como sempre, aparecem estraga prazeres. — fiz uma careta e ela riu. – nem sei de onde aquele ser apareceu e como eu já disse pra mim mesma, acho que nunca mais o verei. E como boa idiota que sou, corri pra casa, acho que ele disse alguma coisa, mas nem consegui ouvir.

– Eu sim, ele deu um grito que todos os que estavam perto conseguiram ouvir. SUA LOUCA. — ela disse tentando imitar a voz dele e caímos na risada, pois é eu sou mesmo uma louca.

– A claro, só podia ser. Bom, vamos entrar, não quero perder a primeira aula, depois continuamos conversando, e eu quero te contar uma coisa.

– Conta agora antes que eu fique curiosa.

– Não, e vamos logo. – Sai puxando ela pelos corredores, até que chegamos dentro da sala e demos de cara com a Patrícia, quando ela me olhou foi uma mistura de medo e ódio, não consegui distinguir o que seria, mas não liguei e continuei puxando a Sidney para nossos lugares até que o professor chegou e entrou na sala. Era aula do professor Marcos, meu dia já começou bem.

– Fiquei sabendo que teve briga ontem, que coisa feia dona Patrícia, sair apanhando assim no meio da rua. Eu sei que sou seu professor, mas foi bem merecido, ninguém mandou armar aquilo para a Melanny, e Melanny – olhou para mim – muito bem. –fez um sinal com as mãos e depois disso a sala toda riu, e a Patrícia abaixou a cabeça.

– Mas como você soube se não tinha aula aqui ontem? – perguntei curiosa, e ele chegou perto de mim e se abaixou acho que ele queria que somente eu soubesse.

– Meu irmão, o que te segurou, ele me contou. – ele piscou pra mim e foi para frente da sala como antes. Mas esperai como assim irmão? Eles são irmãos? Essas perguntas ficaram martelando sobre minha cabeça até que sinto alguém me cutucando, era a Sidney.

Notas finais
Pronto, postado. Espero que gostem e que continuem lendo, aos leitores fantasmas, agradeço se se manifestassem e deixassem sua opinião, não vai doer, sério. (:
Mereço reviews?! *-*
Até o próximo capitulo.