Darkness
36 Capítulo 35
Notas iniciais
Falou sério. E eu comecei a rir descontroladamente, entrando na sua brincadeira.
– Certo, eu também sou então. – Falei irônica.
– Eu não estou brincando Mel. – Falou com sua voz transformada, seus olhos começaram a ficar brancos como se ele fosse cego, foi ali que eu descobri que era verdade e então me assustei e me levantei da cama me afastando novamente. – Mel, volta aqui. – Continuou ainda sentado com a cabeça baixa, sua voz voltando ao normal. – Eu sabia que não podia te contar, agora você vai me odiar. – Então ele se levantou e foi até onde eu estava e ergueu os braços conseguindo me encurralar na parede.
– Maicon, me solta, você está me deixando com medo. – Falei de cabeça baixa, sem coragem de olhar em seus olhos.
– Olha pra mim. – Falou calmo, respirei algumas vezes tentando puxar ar para meus pulmões e finalmente olhei para ele. Dessa vez ele não estava agressivo. – Eu não vou fazer nada com você, mas promete que não grita nem faz nada se eu te soltar? – Assenti vagarosamente, então aos poucos ele foi abaixando os braços e se afastou sentando novamente no mesmo lugar de antes, respirei fundo mais algumas vezes e fui até a cama e me sentei também.
– Como assim você é um demônio? Não pode ser. Isso, isso é impossível.
– Se fosse impossível eu não estaria aqui. – Falou revirando os olhos. – Eu explico novamente, calma. Mas não conte isso pra ninguém, se você contar, eu saberei. – Assenti com medo das suas ultimas palavras. – Meu pai é um demônio, minha mãe um anjo, ou pelo menos era até conhecer meu pai.
– E sua irmã também é? – Perguntei interrompendo-o.
– Irmã? Que irmã? – Ele me perguntou confuso.
– Aquela que estava na porta ainda a pouco. – Falei entediada e ele começou a dar gargalhadas altas, me assustando um pouco. – Qual é a graça? Quero rir também.
– É que aquela moça, ela não é minha irmã, ela é a minha mãe. – Agora foi a vez de eu rir. Como poderia, aquela moça de uns 20 anos se isso não fosse muito, ser mãe de um garoto de 15.
– Fala sério, você só pode estar brincando.
– Não, eu não estou brincando Mel, você não me deixou terminar. – Ele me olhou com uma cara de tédio.
– Desculpe, continue. – Falei contendo meu riso.
– Minha mãe era um anjo, mas como ela conheceu meu pai, perdeu as asas, foi mandada para a terra e perdeu todos os seus poderes, só que como ela era um anjo, passam-se os anos e ela não envelhece, continua com o corpo e o rosto de uma moça.
– Que legal, e quem é seu pai?
– Isso eu não posso dizer, desculpe.
– Tudo bem, não tem problema. E como é o nome dela? – Perguntei curiosa.
– Gabriele.
– Eu ainda não consigo acreditar que você seja filho de um anjo e um demônio, isso é inacreditável.
– Tudo bem, isso é normal. Mas por favor, não conte a ninguém.
– Nem a Sidney?
– Por enquanto nem ela, será muito perigoso se muitas pessoas souberem. Eu tive que contar a você por que, bem eu não sei o por que, apenas senti que isso era necessário. E como eu disse antes, eu sinto quando você não está bem, eu sinto quando você precisa de mim, como nas duas vezes com aquele garoto, desculpe fazer aquilo, mas você viu como ficou só em beija-lo. Não poderia se passar disso, você se sentiria culpada para o resto da sua vida, ou pior, se não tivesse chegado a tempo, o espírito que estava nele teria passado para você. Não sei bem o que ou quem era, mas era muito forte, e muito furioso, parecia ter ódio de você e querer se apossar de seu corpo por puro prazer.
– Você sentiu tudo isso? – Ele assentiu. – Que ótimo, até os espíritos me odeiam. – Falei tentando fazer piada, mas não obtive sucesso, pois ele continuou do mesmo jeito que estava, sério. – Desculpe. – Falei sem graça. – Agora eu vou embora.
– Tudo bem, vamos então. Só digo uma coisa, não ligue para minha mãe, como eu disse, ela não evoluiu muito, parece uma criança. – Falou revirando os olhos e eu ri.
– Está bem, vamos. – Falei pegando sua mão e o puxando para fora do quarto, assim que me virei para ir a escada junto com Maicon sua mãe apareceu, nem preciso dizer que quase morri de susto não é?
– Oi gente, tudo bem? O que era de tão importante para subirem tão rápido? – Ela perguntou alegre. Eu adoraria ter uma mãe maluca e que nunca envelhecesse, mas essa ali, parecia uma criança.
– Menos mãe, por favor. Tínhamos que conversar, só isso.
– Mãe, que mãe? Está ficando maluco moleque?
– Ela já sabe criatura. Para de se fazer de criança.
– Me deixa ser feliz criatura, para de ser chato. Eu faço o que eu quiser entendido?
– Que seja, vamos Mel. – Maicon falou me puxando pelo braço até o lado de fora, assim que saí do campo de visão da sua mãe eu comecei a rir muito e ele continuava com a mesma cara de tédio. – Desculpe pela minha mãe, eu disse que ela é muito criança.
– Não foi nada, eu adorei ela sabe. Qualquer dia a chamo pra sair. – Falei tirando com a cara dele e como eu já previa, fez uma cara de tédio maior ainda. – Para de ser irritante, ela é muito legal, melhor que o filho dela. – Falei dando uma tapa na cabeça dele.
– Ai Mel, para de ser agressiva garota. – Falou passando a mão no lugar onde eu tinha batido. – Ela seria legal, se fosse nova e não tivesse filho, não é legal conviver com uma pessoa dessas todos os dias.
– Eu vou embora que já me atrasei muito. E a propósito, obrigada por, você sabe, ter me salvado de novo. Só uma pergunta, Alex vai ficar bem?
– Tudo bem, não foi nada, sempre que precisar eu saberei e estarei lá. Vai sim, ele já está bem, acho que já deve até estar em casa, e não se lembrando de nada. Geralmente é assim.
– Tudo bem, então eu já vou. – Tentei dar um beijo em sua bochecha, mas como ele virou acabou saindo no canto da boca. – Desculpe, já vou. – Não esperei sua resposta e saí daquele lugar o mais depressa possível. Mesmo que não parecesse, eu ainda tinha um pouco de medo dele, depois de saber de tudo aquilo. Cinco minutos depois eu já estava na porta de casa, me assustei quando vi Gabriel sentado na calçada. Gabriel estava com a cabeça baixa e assim que eu fiquei a sua frente ele se levantou. Não parecia estar de bom humor.
Fale com o autor