Darkness
12 Capítulo XI - Patch Cipriano me convida para sair.
Notas iniciais
Espero que gostem, boa leitura.
As primeiras aulas tinham sido um tédio, estávamos eu e Talitha no corredor na hora do intervalo. Ela agora se sentava com Marcie Millar na aula de Física e Química e possivelmente em Biologia. Talitha viu Vee conversando com um garoto no final do corredor e saiu correndo em direção á amiga.
Fiquei encostada em meu armário aberto, olhando para o chão. Vi um par de pés se aproximar usando um all star preto e velho. Levantei o olhar, já pensando em Patch, mas vi que era Scott. Estava com uma mochila vermelha pendurada num dos ombro e uma camisa preta de mangas compridas do System of a down.
— Nora Grey... – Ele me cumprimentou e eu revirei os olhos.
— Pode me chamar de Nora, Scott Parnell.
Nós rimos juntos, o sinal estridente tocou, ele se despediu e foi para sua sala de aula. Virei-me para pegar alguns livros em meu armário e quando o fechei, Patch estava atrás dele com uma cara séria.
— Eu sou ciumento, Nora.
— Ah, oi. Eu estou bem sim, e você? – Disse com uma voz falsa e depois abri um sorriso. – Ele é meu... Colega.
— Não devia se misturar com esse tipo de gente.
— “Esse tipo de gente”. O que quer dizer com isso?
— Nada, deixa para lá.
— Você nunca responde minhas perguntas, não é por acaso que eu não sei nada sobre você.
— Quer saber mais sobre mim? Saia comigo, Nora. Hoje á noite.
— Não posso.
— Por que não? Ocupada com o novo amigo?
— Cala a boca, Patch. – Pensei por um momento e olhei para ele que agora tinha aquele olhar de conquistador. — Tudo bem, mas aonde vamos?
— É surpresa. – E entramos na sala de biologia, onde a chata aula do técnico começou.
Quando estávamos todos saindo, Patch passou ao meu lado, e pegou minha mão. Puxou-me para o lado “deserto” da escola, onde ficava o ginásio e me colocou contra a parede. Segurou meu rosto e me beijou, calmo e lento, diferente das outras vezes.
Tirei as mãos dele de meu rosto e me afastei um pouco.
— O que você está fazendo?
— Beijando você... Não posso esperar até a noite.
Eu sorri e me soltei dele. Nunca tinha notado, mas Patch, além de ter um forte cheiro de cigarro, também tinha um leve aroma de menta. Era bom.
— Tenho que ir. Tenho um encontro essa noite, sabe? – Brinquei enquanto me afastava dele. Entrei em meu carro e segui para casa.
Ás 18:30, eu ainda estava em duvida sobre o que vestir. Estava de toalha no meio do quarto, com minhas roupas todas jogadas em cima da cama. Coloquei uma peça de cada vez, vendo com o que combinava.
Acabei com uma legging preta, uma blusa branca comprida e um coturno de couro preto. Só passei deneliador, não queria aparecer toda arrumadinha, era só um encontro de amigos, amigos que se beijam. Sim, e era muito estranho.
Ouvi Patch estacionar no gramado da casa pela janela de meu quarto. Desci na hora, com uma bolsa transversal cinza, levando só meu celular e algumas outras coisas que eram básicas para mim.
Abri a porta e tive que me contar para não arregalar os olhos, ou dar uma de Nayara, fingindo babar. Patch estava lindo, com uma jaqueta de couro que parecia nova, e o cabelo bagunçado de sempre. Ele sorriu ao me ver e saiu da passagem da porta, me dando caminho.
— Uau. – Soltei sem querer quando vi o novo “veiculo” de Patch. Era um Jeep Commander, preto e lustroso, como a moto. – Carro novo?
— É, ganhei em um jogo.
Entramos no carro, que tinha um leve cheiro de cigarro, me perguntei se Patch realmente fumava ou só passava tempo de mais no bar.
— Posso saber para onde vamos?
— Vou te ensinar a jogar sinuca.
— Então... Sinuca do Bo?
— Isso mesmo, Anjo.
— Por que me chama de anjo?
Ele sorriu, olhando para frente mas não me respondeu. Então, resolvi tirar minha duvida.
— Patch, você fuma?
Ele ficou surpreso com minha pergunta, e soltou um riso rouco.
— De vez em quando, Anjo. Por que? Isso te incomoda?
— Não, não. Só queria saber mesmo.
Em alguns momentos “rebeldes” de minha vida, eu já tinha feito muita coisa, uma delas foi fumar. As únicas que sabiam eram Vee e Talitha, nunca comentávamos sobre aquilo, mas quando passávamos por alguém fumando, eu via as duas me encarando como se eu fosse alguma louca.
Ao chegarmos ao bar, entramos, e Patch pagou á Bo duas entradas. Subimos as escadas e fomos para o salão de sinuca, onde Patch escolheu uma mesa bem ao fundo.
Só tinha umas 3 ou 4 homens ali, todas numa mesa só. Notei que Patch olhou feio para eles quando passamos.
Ele me deu um taco e pegou um para ele, arqueando uma sobrancelha ele perguntou:
— Tem idéia de como jogar?
Passei á frente dele e meio que me debrucei sobre a mesa, arrumando o taco. Olhei para ele.
— Apostas?
— Se você errar, tem que me beijar.
Revirei os olhos.
— Como se você já não planeja-se fazer isso.
E bati com a ponta do taco na bola branca, ela bateu nas demais e acabei encaçapando 2 bolas. Levantei o olhar para Patch e dei a volta na mesa, já mirando outra bola.
— Eu não sou tão ingênua assim, Patch.
Acertei de novo, e de novo. Até que na quarta, eu errei e soltei um suspiro. Patch bateu palmas para mim, e eu o empurrei em direção a mesa.
Ele encaçapou todas as bolas, até que só sobrou a preta, que ele também acertou.
— É, você também é bom.
Patch riu, e deixou o taco em cima da mesa, ia me puxar para um beijo quando um dos homens da mesa em que tínhamos passado ao chegar, apareceu ao lado dele. Olhando-me dos pés a cabeça. Ele era careca e meio gordo, com os dentes todos tortos.
Uma coisa que eu pude sentir quando ele se aproximou com uma cara carrancuda, era que aquilo significava confusão.
— Nova namorada, Patch? Os arcanjos adorariam saber sobre isso.
Arcanjos, do que ele estava falando?
— Cala a boca, Nefilim.
Nefilim? O que diabos estava acontecendo?
Patch me colocou atrás dele, e encarou o homem. O cara retribuiu o olhar e cruzou os braços. Apesar de Patch ser forte, ele não agüentaria brigar com um cara com aquele.
— Você anda fugindo do trabalho, não é? Vejo o porquê de se distrair. – Ele passou para o lado de Patch e fez que ia tocar em meu rosto, Patach puxou a mão dele para baixo no meio do caminho, e a apertou.
O homem gritou e caiu no chão se contorcendo de dor, enquanto Patch, com uma expressão tranqüila continuava á apertar sua mão. Os outros homens da mesa correram para ajudá-lo. Mas Patch pegou esse mesmo homem pelo pescoço e o levantou do chão. Não sei como ele fez isso, ou da onde ele tirou essa força, mas ele o fez. O “Nefilim” caiu no chão imóvel, e eu gritei enquanto olhava horrorizada para aquela cena toda.
Os outros homens se afastaram, e quase correram para fora do salão de sinuca. Patch se virou para mim, com uma expressão fria e me puxou pelo braço, me levando para fora do bar.
Ao chegarmos no carro, eu ainda estava calada, com uma cara de pânico.
— Nora... – Ele começou e eu o interrompi.
— QUE PORRA FOI AQUELA? – Eu gritei e o fitei, Patch tinha matado um homem.
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