Darker Days

10 Leve a dor para longe.


Pip acordou com uma sensação estranha. Seu corpo estava pesado, ele mal conseguia se mexer, a tristeza ainda pesava em seus ombros e só a vaga memória disso já era o bastante para deixar o britânico desconfortável, mais do que ele já estava.

Alguém estava acariciando seus cabelos. Ele ainda não estava tão atento, acabara de acordar, mas conseguia sentir dedos afagando sua nuca e entrelaçando-se aos fios loiros. Movimentos circulares, confortáveis e calmantes.

Em toda sua vida, apenas duas pessoas o tocaram assim, e uma delas estava morta.

Seus olhos lentamente se abriram, atentos ao fato de alguém sentado em sua cama. Ele teria se assustado se não visse a chave preta pendurada na fechadura da porta e reconhecesse aqueles toques como a palma de sua mão, mesmo tendo se passado apenas alguns dias.

Pip ergueu o olhar e se virou na cama, os toques descendo de seu cabelo para sua bochecha, a mão pálida o acariciando com o polegar. Mesmo cansado, esboçou um sorriso ao encontrar-se com um par de olhos vermelhos, ocultos por fios negros repicados.

— Você voltou.

Damien abriu um sorriso fraco, seu coração contraído dentro do peito. Pip parecia tão cansado com os cabelos desarrumados e os olhos pesados, como se não tivesse conseguido dormir à noite.

Pip logo voltou a fechar os olhos e largar o corpo em sua cama, seu sorriso desaparecendo.

Mil e uma ideias sobre o que tinha acontecido com ele nesse meio tempo passavam pela cabeça de Damien ao mesmo tempo, e isso não era algo bom para acontecer às dez horas da manhã.

Algo definitivamente aconteceu, algo grande. Do contrário, ele estava certo que Pip já o teria puxado para um abraço a essa hora. Ambos sentiram muita falta um do outro, mas se algo de fato aconteceu, algo que deixou o pequeno britânico abalado, o mais óbvio a acontecer seria uma queda em seu humor otimista e alegre, que era exatamente o que Damien estava percebendo nele neste exato momento.

— Desculpa, eu não acordei antes de você chegar. — Pip disse com um resmungo cansado. — Deixa que eu arrumo a cama.

Damien não tinha nem percebido que ele tinha dormido em sua cama até ele falar. Estava mais concentrado em como Pip parecia cansado. Sua preocupação aumentava a cada segundo, mas ele tentava manter o sorriso em seu rosto. Ele não via Pip há quase uma semana e ambos estavam morrendo de saudade. Ele não gostaria de ser o primeiro a quebrar o clima parcialmente agradável que se formava entre eles.

No fim, ele não precisou. Pip se sentou na cama e levou as mãos aos olhos, fungando. Ele esteve chorando.

Não demorou muito para o anticristo tomar uma atitude e deslizar para o lado do britânico, enrolando sua cintura em um abraço. Um beijo terno foi posto no topo de sua cabeça e Damien acariciou as costas de Pip com movimentos lentos e calmos.

— O que aconteceu? — ele perguntou quietamente.

Pip encolheu em seus braços. Mau sinal. A julgar pela forma como mordia os lábios, ele lutava para não chorar, embora ambos soubessem que aquilo seria em vão, tanto quanto Damien conseguir conter sua raiva após os próximos três segundos.

— Colocaram fogo na minha casa.

Os olhos carmim de Damien se arregalaram.

— O que?!

Lágrimas começaram a escorrer pelas bochechas do britânico e suas mãos tremiam, agarradas à blusa preta do anticristo.

— Colocaram fogo na minha casa, Damien! Eu não tenho mais casa! — ele exclamou desesperado.

Damien estava com uma perda completa de palavras. Ele não sabia o que dizer, o que sentir, era tudo tão surreal que parecia até mentira.

— Quem fez isso com você? — ele estava tentando ao máximo conter sua raiva, mas não conseguia impedi-la de vir atrelada à sua voz.

O britânico engoliu o ar seco em sua garganta, as lágrimas o impedindo de se expressar com clareza.

— Eu não sei…

Ele mal conseguia falar qualquer coisa sem os ombros chacoalharem com os soluços e isso cortava o coração de Damien como mil e uma facas. Não conseguia vê-lo daquela forma sem se sentir horrível também. Não gostava de ver Pip chorar.

Sem insistir com os questionamentos, puxou o britânico para um abraço, escondendo o rosto dele em sua clavícula, onde as lágrimas logo começaram a molhar sua gola preta. Podiam ficar ali por dias sem se mexer, por tanto tempo quanto Pip julgasse necessário.

Em vista de tudo que estava acontecendo e as promessas que fez, Damien estava mais do que aberto para aconchegar o Pip em seus braços e tê-lo perto de si por mil anos se precisar, apenas para ver suas lágrimas serem trocadas por um sorriso aliviado.

Ele tremia em seus braços e os soluços chacoalhavam seu corpo, mas Damien não se importava. Levou as mãos de volta aos cabelos do britânico e apertou o braço livre ao redor de sua cintura, protetor.

As lágrimas logo diminuíram em fluxo, e Pip parou de tremer. Mas, apesar de estar mais calmo por fora, não quer dizer que não estava por dentro.

— Por favor, me ajuda. — ele sussurrou. — Eu não tenho mais pra onde ir. Eu não quero voltar pro orfanato, não quero trabalhar em troca de ter onde ficar.

— É claro que você tem pra onde ir. — o anticristo respondeu. — Pode ficar comigo o tempo que quiser, nem precisa ir embora se não quiser.

O britânico soltou um suspiro e se aconchegou no peito do namorado, deixando-se ser acolhido por seus braços e os dedos acariciarem seus cabelos daquela forma tão hipnotizante.

Não era assim que Pip imaginava reencontrar Damien. Esperava que ele voltaria da escola durante uma tarde e o encontraria sentado no sofá. Que se levantaria ao vê-lo, o puxaria para um beijo e perguntaria sobre como a última semana se passou sem ele, ao que Pip responderia, com a maior felicidade do mundo, “eu sobrevivi”. Mas não foi isso que aconteceu. Ao invés disso, ele começou a chorar e jogou todos os seus problemas nas costas de Damien, como esteve fazendo desde o dia de seu retorno.

Pip odiava se sentir fraco. Era como se estivesse perdendo a batalha entre seu espírito e os demônios ruins que tentavam puxar seu pé. Em parte, era por isso que preferia guardar seus problemas para si; isso e o fato de ele não ter com quem compartilhar aquelas frustrações. Ele não gostava de se sentir um fardo, não gostava de atrapalhar os outros com seus problemas. Depois de tanto tempo com a mesma rotina, já era para Pip ter se acostumado com coisas ruins acontecerem consigo, por que agora ele devia incomodar os demais com coisas com as quais ele teria que lidar sozinho de um jeito ou de outro?

Ao menos foi este o sermão que Kyle o deu quando o ouviu resmungando quando tirou uma nota baixa.

Damien conseguia imaginar muito bem o que Pip estava sentindo: a sensação de estar impotente, se sentindo sem forças e dependente de outra pessoa; ele já havia se sentido muito assim quando mais novo, quando era dependente do pai para cozinhar, se localizar, arrumar a casa e tantas outras coisas. Era um sentimento horrível e que só deixava o indivíduo mais cabisbaixo ainda, pois sabia que, nas condições gerais, não conseguiria se desapegar daquele conforto. Damien conhecia aquela sensação, e detestaria ser a razão de Pip se sentir daquela forma.

Ele deu um suave beijo no topo da cabeça do britânico e relaxou os braços ao seu redor, agora mais como um aconchego que um laço protetor.

— Não se preocupe. Por todo o tempo que você ficar aqui e até depois disso, eu vou garantir que você seja o mais feliz possível. — ele sussurrou. — Qualquer coisa que quiser, qualquer coisa que te faça se sentir bem, me diga e eu faço; mesmo que me doa, sua felicidade e bem-estar são o mais importante pra mim.

O britânico sorriu. Isso seria fácil, já que Pip já era o seu eu mais feliz a cada segundo que passava ao lado de Damien.

Não era difícil para ele entender o que Damien estava planejando: ele queria deixá-lo confortável de uma forma que pudesse protegê-lo e deixá-lo livre ao mesmo tempo; de uma forma que Pip não se sentisse dependente dele da mesma forma que uma criança pequena depende de uma mãe.

Sua consideração e coração bom e preocupado encantavam Pip de uma forma que ele poderia facilmente se apaixonar por Damien cem vezes mais.

O alívio que ele sentia ao ter alguém que o abraçasse e sussurrasse coisas boas em seu ouvido para o acalmar era impossível de colocar em palavras. Era um momento que ele, ah, tão ingenuamente desejava que durasse para sempre. Por cada segundo que seguisse de sua vida, ele daria tudo para passar o máximo possível ao lado de Damien.

— Obrigado.

Sem ser mais capaz de se conter, Pip ergueu o corpo e selou os lábios nos de Damien. Seu hálito não devia estar dos melhores, visto que ele tinha acabado de acordar, mas ele não conseguiu se conter; tinha ficado tanto tempo sem ver Damien que sua boca estava começando a arder em busca de contato e afeto.

O anticristo retribuiu de qualquer forma, compartilhando do sentimento de saudade e imediatamente grudando suas mãos nas costas de Pip e correndo desde sua coluna até a nuca, prendendo tufos de mechas loiras entre seus dedos e bagunçando o cabelo do namorado mais do que já estava.

Nenhum deles jamais se cansaria desse sentimento, jamais deixaria de desejar entrelaçar seus dedos e envolver ao outro em seus braços, estavam completamente entregues.

Ao sentir o deslizar da língua de Damien sobre a sua, invadindo sua boca, Pip começou a perceber seus shorts ficando apertados, a mesma sensação do sofá de alguns dias atrás. Mas antes que ele tivesse tempo de se desesperar, Damien quebrou o beijo e limpou os lábios com a costa da mão.

— Já tomou café? — ele perguntou, ignorando o quão estranho era perguntar isso depois de quase deixar Pip com uma ereção.

O britânico também ignorou a situação e apenas sorriu.

— Ainda não, acabei de acordar.

Pip arquejou, assustado, quando Damien, após levantar, o puxou para seu colo, mais uma vez o carregando até a cozinha. Os braços dele foram automaticamente ao pescoço do contrário, já acostumados com aqueles movimentos e aquelas mãos que o seguravam de maneira tão carinhosa. Já havia se tornado rotina a esse ponto. E Pip não gostaria que fosse de nenhuma outra maneira.

O anticristo, após colocá-lo sentado numa cadeira, insistiu que fizesse o café para ele; um presente para comemorar seu retorno e tentar consolá-lo sobre a perda de sua casa.

Pip tornou a remoer a perda enquanto Damien estava de costas para ele. Embora ele ainda tivesse um teto que cobrisse sua cabeça, não era a mesma coisa. Ele tinha memórias lá, memórias que nunca poderia recuperar, momentos de sorriso e lágrimas que compartilhou com a única família que lhe restava, a qual ele nem sabia se continuava viva. Tudo que ele tinha agora era Damien e as coisas que carregou em sua pequena mochila durante a última semana. Ele se sentia de volta à Inglaterra, quando foi arrastado pelo braço para longe de tudo que conhecia: sua casa, seus amigos, Joe, tudo. Apenas para ter tudo o que restou brutalmente arrancado de si em apenas um dia. Ele foi deixado com nada além de migalhas como alimento, sonhos de quilômetros de distância e uma prima que o desprezava. Igual a todos os outros.

Quando Damien se virou para Pip novamente, ele já tinha voltado a chorar. Os soluços baixos escapavam de sua boca, independentes da mão que a cobria, e seus ombros chacoalhavam com cada segundo que ficava preso naquela visão horrível de sua mente.

Seu coração se partia cada vez mais a cada lágrima que via escorrer pelas bochechas do britânico. Ele odiava vê-lo daquele jeito, tão abatido e desesperançoso; não era nem um pouco como ele. Entretanto, Damien sabia que não havia nada que ele pudesse fazer ou dizer que o fizesse se sentir melhor, ele precisava deixar tudo sair para conseguir seguir em frente, de cabeça fria e calma.

Afastando-se do fogão, ele contornou a mesa, parando atrás de Pip, e o abraçou pelos ombros, escondendo o próprio rosto em seus cabelos loiros e o consolando com beijos suaves. Suas mãos se entrelaçaram às dele, as quais as apertaram.

Ainda chorando, Pip inclinou a cabeça em seus ombros, permitindo que Damien o acolhesse melhor em seus braços. Os soluços o faziam tremer, mas o anticristo permaneceu firme em seu afeto, não parando até ter certeza de que Pip havia se acalmado mais uma vez.

Ele não se importaria de fazer aquilo quantas vezes precisasse, desde que pudesse fazê-lo se sentir melhor e aliviado. Sua prioridade era garantir que Pip estivesse bem, mesmo que levasse anos para isso.

Damien apenas desfez o abraço para apagar o fogo e tirar os ovos mexidos do fogão, mas, até lá, Pip já tinha voltado a sorrir.

Cuidadosamente, o anticristo serviu a mesa, arrumando tudo da forma mais organizada que conseguia e distribuindo suco de uva nos dois copos de vidro.

— Perdão se estiver um pouco queimado. — disse ele, sentando em seu lugar ao lado do britânico.

Pip negou vigorosamente com a cabeça após provar um pouco do ovo, discordando completamente.

— De forma alguma! Isso está ótimo! — bebeu do suco, por pouco não entornando tudo de uma vez. — Você é um excelente cozinheiro, Damien.

O anticristo abriu um sorriso de canto.

— Fico feliz que goste da minha comida.

Os dois continuaram a comer em silêncio, apreciando o gosto da comida que realmente tinha ficado muito boa. Pip, que já não comia direito, não podia julgar, mas Damien, por outro lado, que já conhecia muito bem a própria comida, ficou impressionado com o próprio trabalho, mesmo sendo simples ovos mexidos.

É impressionante os resultados que se consegue quando se adiciona um pouquinho de amor na receita.

Após terminarem a refeição, os relógios ainda marcando dez da manhã, os dois decidiram descansar no sofá, tanto uma forma de relaxar e digerir a comida quanto de acomodar Pip e tentar fazê-lo relaxar. Eles se sentaram lado a lado no sofá, o britânico com as pernas por cima das de Damien e descansando a lateral do corpo em seu tronco e a cabeça em seu ombro. Ele tinha um pequeno e terno sorriso nos lábios, estava muito feliz por finalmente sentir a presença de Damien em suas mãos novamente. Ele realmente tinha sentido muito a sua falta.

Pip de repente sentiu uma mão enlaçar sua cintura, puxando-o para mais perto. Ele imediatamente cedeu aos toques, deixando que Damien deslizasse uma mão por debaixo de seu queixo e puxasse seus lábios para os dele. As mãos do britânico se apoiaram em seus ombros, as pontas dos dedos acariciando os pelos de sua nuca e logo começando a viagem pela região, alternando entre seus ombros, rosto, pescoço e nuca, o eterno desejo de sentir cada centímetro de sua pele debaixo de seus dígitos.

O coração de Pip pulsava com força em seu peito enquanto ele se deixava levar completamente pelos toques do anticristo, cujas mãos quentes subiam desde suas coxas até suas bochechas. Sua língua se meteu entre seus lábios, deslizando suavemente sobre a sua, uma invasão de espaço e uma dança sedutora à qual Pip não tinha a menor chance de resistir.

O sorriso nos lábios de Damien após separarem o beijo provocou outro em seus próprios, arrebatados com rapidez pelo anticristo, o qual selou-os novamente e o empurrou de costas no sofá. Pip quase perdeu totalmente o fôlego ao senti-lo abrir suas pernas e se colocar no meio, relaxando o peso sobre si e o afundando mais e mais entre as almofadas. Ele sentia como se fosse ser engolido, devorado por aquela sensação que consumia sua sanidade e o entregava de bandeja àquele que agora se colocava por cima dele, observando-o atentamente e o clamando apenas com a ferocidade de seus olhos, vermelhos como sangue.

— Eu senti muito sua falta. — ele sussurrou enquanto acariciava sua bochecha com a palma da mão e seus cabelos com as pontas dos dedos.

Pip sorriu e colocou sua mão por cima da dele, entrelaçando seus dedos.

— Eu também senti a sua. Muita mesmo.

— Pelo menos agora vai passar um bom tempo antes de eu ter de voltar ao inferno. — Damien murmurou após um rápido selinho.

— Isso é bom. E eu não terei mais que parar de te olhar depois das cinco. Isto é, se estiver tudo bem pra você.

Ele riu.

— É claro que está. Você pode me olhar por quanto tempo seus olhos desejarem, nem que seja a noite toda.

Damien pressionou seus lábios mais uma vez nos de Pip, encaixando as duas mãos em seu rosto e o banhando em beijos e carícias, desde seus lábios até sua clavícula. Deus, ele não sabia quanto tempo mais conseguiria aguentar ficar satisfazendo-se apenas com beijos. Ele queria conhecer cada pedacinho de Pip. Seu rosto já era familiar a seus lábios, ele queria conhecer mais, memorizar cada falha, cada marca, cada cicatriz que cruzasse sua pele. Ele queria Pip para si por inteiro.

Ele parou. Se continuasse assim, não poderia mais de conter. Precisava se lembrar de que quem guiaria essa dança era Pip, não ele. Sentou-se no sofá e o puxou consigo, aconchegando sua cabeça em seu peito e beijando o topo de sua cabeça.

— Precisamos ajeitar suas coisas. — Damien disse, tentando ao máximo disfarçar sua inquietude.

Felizmente, ele conseguiu, pois Pip sorriu, beijou sua bochecha, e levantou do sofá. Eles seguiram de mãos dadas para o quarto de hóspedes, que agora o britânico tomaria como seu, e começaram a arrumação.

Não havia muito da mochila de Pip para ser organizado, apenas algumas trocas de roupa e alguns livros, então tudo foi relativamente fácil e tranquilo. Porém, durante a arrumação, Damien não tardou em perceber o olhar chateado no rosto de Pip enquanto arrumava, um olhar apreensivo e triste, como se ele estivesse de luto.

Ele já sentia falta de casa.

Damien sabia o quanto ele ainda se sentia mal pela perda. Querendo ou não, mesmo sendo abusivo, aquele lugar foi onde ele viveu desde os nove anos; ele tinha o seu quarto, suas coisas, suas roupas, há uma clara diferença de quando se divide a casa com alguém, a linha entre o que pertence à um ou ao outro se torna bem mais tênue, embora Damien jamais fosse clamar que algo de Pip fosse seu. Ele teria que se esforçar muito para que Pip se sentisse bem-vindo e à vontade em sua casa, principalmente quando o britânico era tão preocupado com deixar os outros confortáveis ao seu redor.

Damien fez uma nota mental para tratar Pip como um rei enquanto ele permanecesse em sua casa. Ele queria deixá-lo o mais confortável possível enquanto estivesse com ele, de modo que ele não se cansasse dele e pudesse ainda passar os dias com seu sorriso maravilhoso em seus lábios.

Ele é tudo que importa.

Após terminarem de arrumar, Damien se aproximou do britânico por trás e abraçou sua cintura.

— Eu queria te pedir uma coisa. — ele sussurrou em seu ombro.

O loiro, estranhando repentino o grude do namorado com ele, ergueu as sobrancelhas.

— O que?

— Eu quero te levar pra sair. Quero que passemos um momento juntos. O dia inteiro. Só nós dois.

Percebendo o aperto dos braços de Damien ao redor de sua cintura, Pip apenas conseguia imaginar que ele estivesse preocupado com ele pela forma como parecia — e realmente estava — mais cabisbaixo naquele dia.

Imaginar isso só o deixava ainda mais feliz por ter Damien como seu namorado. Ninguém jamais o ofereceria algo assim em circunstâncias normais. Ele realmente apreciava a forma como Damien se importava com ele.

Seus lábios se curvaram em um sorriso.

— Você não tem que me pedir isso. Só espere eu me trocar e já podemos sair.

O anticristo assentiu e se retirou do quarto para o dar privacidade.

Talvez pudesse usar o tempo que tinha sobrando para progredir com seu trabalho.

Contudo, Damien não teve tempo para fazer muita coisa, pois Pip era muito bem ágil quando se tratava de trocar de roupa. Estando tão acostumado a acordar mais tarde que o normal por noites passadas em claro ou mal dormidas, era o esperado. Ele deixou o livro de lado, pois não o levaria consigo, e se apressou a enlaçar os dedos aos de Pip, tomando sua mão, e em seguida sua cintura, para si enquanto deixavam a residência temporária do Thorn. Eles seguiram o caminho gravado em suas mentes para um ponto de ônibus, onde eles eram os únicos sentados no banco enquanto o mesmo passava. De mãos dadas, subiram as escadas e escolheram um lugar no fundo, onde mais provavelmente não seriam vistos, e se sentaram lado a lado.

— Pra onde esse ônibus vai? — Pip perguntou.

— Não tenho ideia. — Damien respondeu. — Vamos parar em algum ponto aleatório e de lá seguimos em frente. Se acontecer alguma coisa, posso nos levar de volta pra casa com um estalar de dedos.

Pip murmurou em compreensão e deitou a cabeça no ombro de Damien, fechando os olhos e se permitindo relaxar. O braço de Damien passou por sua cintura e acariciou a lateral da sua barriga com movimentos confortantes, ao mesmo tempo que faziam cócegas. A esse ponto, Pip aceitaria tudo que viesse pela frente se pudesse apenas esquecer tudo que aconteceu. Aproveitaria a presença de seu namorado ao seu lado e jogaria fora todos os pensamentos que não tivessem a ver com ele. Damien havia voltado de uma longa viagem e ambos sentiram muita falta um do outro. Nada melhor que se afogarem na presença um do outro e no calor que suas mãos entrelaçadas para deixar os problemas de lado. Quem sabe quando ele teria que partir novamente?

Em algum momento da viagem, Pip adormeceu, deixando que o alívio em seu peito e o calor do corpo de Damien fizessem o tempo passar mais rápido. Quando abriu os olhos novamente, estava quase na mesma posição, tendo apenas se aconchegado melhor nos braços de Damien e enterrado a cabeça em seu peito.

Os dois desceram do ônibus de mãos dadas e, sem saber para onde iriam, começaram a caminhar. Não havia nada para se fazer além de olhar as pessoas passarem e as lojas que tinham ao redor. Damien falava sobre o que fez enquanto estava no inferno, embora a maioria das coisas fosse entediante e monótona.

Ele decidiu não mencionar as conversas que teve com a mãe de Pip. Aquilo era assunto para outro dia, em um outro momento. Damien não queria preocupar Pip sobre o assunto de seus pais quando devia estar pensando em coisas que não o preocupavam. Não, ele deixaria aquilo para depois. Por hora, precisava se concentrar em tranquilizar seu namorado e fazê-lo feliz novamente.

Ao passarem por uma loja de tatuagens, Pip parou de andar por um instante, seus olhos focados em um belo desenho de vários pássaros voando. Eles faziam parte de um grupo, partindo de um ponto específico e se dispersando conforme se afastavam. Era um desenho muito bonito.

— O que você viu? — Damien o perguntou, voltando ao seu lado.

— Nada demais. Só achei esse desenho bonito. — apontou para a imagem dos pássaros.

Damien o encarou com a sobrancelha erguida.

— Você gosta de tatuagens? — perguntou, surpreso.

— Não tenho nenhuma, mas estaria mentindo se dissesse que fazer uma nunca passou pela minha cabeça. São aqueles típicos pensamentos de adolescente: Como eu ficaria se colocasse um piercing no ouvido? Ou no septo? Um alargador… Brincos… Mas admito que sempre me admirei mais por tatuagens; algo que seja simples, mas charmoso ao mesmo tempo.

O moreno murmurou em compreensão e encarou os demais desenhos com um brilho em seu olhar.

— Você gostaria de fazer uma? — ele perguntou e, ao notar o olhar curioso do loiro, articulou: — Você parecia bem fixado nessa de pássaros. Acho que ficaria bonito no seu ombro. E, se você não gostar, eu posso removê-la com um estalar de dedos, como se nunca tivesse marcado sua pele.

Pip ponderou por um tempo. Ele já quis fazer tatuagens antes, mas nunca seguiu em frente, não que sua prima aprovaria de qualquer forma. Mas ela não estava mais ali.

— Acho que vou arriscar. — sorriu. — Tentar algo novo pode ser uma boa mudança de ares, não?

Damien retribuiu o sorriso e, tomado de Pip pelas mãos, entraram no pequeno estabelecimento.

— Bom dia, senhores. — um atendente, provavelmente o tatuador, os cumprimentou. — Se interessaram por alguma coisa? — timidamente, Pip assentiu e apontou para a tatuagem que viu na vitrine. — Perfeito. Onde pretende fazer? — o tatuador perguntou enquanto arrumava o banco e o deixava confortável para seu cliente.

— No ombro. — Pip respondeu. — Na parte de trás, mais especificamente.

Após colocar-se confortável na posição estranha para fazer a tatuagem, o tatuador começou a enchê-lo de perguntas para distraí-lo da dor que viria com a água em seu ombro. Sempre tagarela, Pip desatou a falar, mal parando para recuperar o fôlego. Em um instante, tudo já tinha acabado; o tempo passou em um piscar de olhos graças ao falatório do britânico.

Ele lentamente se ergueu de sua posição e observou no espelho o resultado de sua espontaneidade. O preto dos pássaros contrastava com sua pele branca de um jeito estranhamente artístico, e o design ficava belamente estético com seu cabelo curto. Sorrindo, Pip foi até Damien para lhe mostrar o resultado.

— Ficou bom? — perguntou enquanto abaixava a roupa que cobria o ombro.

— Está ótimo. Combinou bem com você.

As bochechas de Pip esquentaram.

— Obrigado. Você fez uma também?

O anticristo assentiu.

— Eu fiz uma cruz invertida no tornozelo, mas é bem pequena. — ergueu a calça e mostrou a marca.

Damien pagou pelas duas tatuagens no balcão e os dois logo se puseram de volta na estrada, ainda tinha muito para ver, e já passara muito tempo naquele lugar.

— Está doendo? — o moreno perguntou ao loiro ao ouvi-lo gemer baixinho.

— Um pouco, por causa das agulhas. Mas não se preocupe, logo a dor desaparece. É só temporário. — ele insistiu.

De qualquer forma, quando passaram pelo banheiro, Damien puxou a blusa de Pip para baixo e descansou seus lábios por três breves segundos sobre a pintura negra, a vermelhidão e a dor desaparecendo em questão de segundos.

O britânico não julgou necessário, mas não estava em posição de negar carinho e afeto vindos de Damien.

Em seguida, pararam em um café para descansar os pés e beber alguma coisa. Damien pediu uma água e croissants e Pip apenas chá gelado, dizia que era bom para refrescar a mente. Eles estavam caminhando há Deus sabe lá quanto tempo e já estavam exaustos. Nada melhor que descansar e encher a barriga nessas horas com um bom café, ou neste caso chá, da tarde.

Pip estava se divertindo bastante nesta aventura junto a Damien. Eles nunca tiveram um encontro propriamente dito em todo este tempo que namoraram, e os que tiveram acabaram em desastre ou interrompidos. Era bom ter esse momento presente para passar com o moreno. Ele podia até esquecer sobre o que tinha acontecido há alguns dias atrás se se concentrasse bastante. Apesar de que Pip poderia ser um tanto tendencioso, pois ele adorava cada momento que passava junto a Damien, e o anticristo compartilhava no mesmo sentimento. Passar um tempo junto à pessoa amada, sem interrupções ou pessoas irritantes os enchendo o saco, era algo incrível e apaixonante. Toda a atenção podia ser dedicada à outra pessoa e a paixão só aumenta. Eles deviam fazer isso mais vezes.

Depois do café, aproveitando as últimas horas que tinham antes do sol se pôr e o dia acabar, desceram mais algumas ruas e entraram em um dos shoppings próximos, rapidamente perdendo-se em seus longos e largos corredores e lojas dos mais diversos tipos.

Uma das que mais chamou a atenção de Pip foi uma de roupas antigas. A cara dele. Ele e Damien entraram imediatamente e passaram um bom tempo experimentando roupas antigas e de visual charmoso e requintado. O gosto do britânico por roupas ultrapassadas não vinha apenas como uma herança de família, a qual sempre manteve certos valores tradicionais, mas também do próprio gosto. Por algum motivo, visuais que remetem a filmes antigos sempre o deixavam feliz. Ele adorava usar aquele típico conjunto de estereótipo de britânico, por isso continuou a manter a mesma roupa durante todos aqueles anos, mudando apenas o tamanho para que este coubesse melhor em seu corpo em fase de crescimento.

Depois de passarem quase a tarde toda perdendo tempo como se o tivessem sem limites, Damien e Pip desceram para o ponto de ônibus carregando algumas sacolas e voltaram para South Park do mesmo jeito que saíram, exceto que, dessa vez, Pip não dormiu.

Eles não estavam tão animados em voltar para casa, mas o tempo que passaram juntos ficaria para sempre gravado em suas memórias como um dos melhores — apesar de únicos — encontros que já tiveram. Sempre que olhassem os desenhos que gravaram em seus corpos, se lembrariam dos sorrisos e da felicidade que compartilharam naquele dia.

Damien deixou as sacolas na porta e a primeira coisa que fez foi ir à cozinha beber um gole d’água. A viagem de ônibus foi bem exaustiva, era um longo caminho de Denver à South Park pelo transporte público.

Ao voltar para a sala, o anticristo pulou de susto ao ser agarrado por Pip, na ponta dos pés, e ter seus lábios selados com os dele. Foi uma surpresa e ele quase caiu, mas conseguiu segurar o britânico pela cintura e retribuir o contato.

Damien, sem conseguir se controlar, acabou rindo após separarem os lábios.

— Pra que foi isso? — perguntou.

Pip sorriu, pendendo a cabeça levemente para trás ao sentir os dedos do namorado acariciando seu couro cabeludo.

— Eu só queria te agradecer pelo dia maravilhoso que eu tive. Você não tinha que ter feito tudo aquilo só pra eu me sentir melhor.

— Não precisa me agradecer por nada. — ele protestou. — É o mínimo que eu podia fazer. Você sabe que eu amo te fazer sorrir; não precisa me compensar por isso.

O britânico revirou os olhos e beliscou a bochecha do namorado.

— Damien, eu não fiz isso por um jeito de te compensar. Eu fiz isso porque eu quis. Eu adoro te beijar.

Deus, como ele conseguia falar aquelas coisas de uma forma tão natural? Damien estava completamente perdido na mão de Pip.

Murmurando em compreensão, ele sorriu.

— Nesse caso, acho que não se importa se eu fizer o que eu quero também.

Pip arquejou ao ser subitamente tirado do chão, direto para os braços do namorado, e riu ao sentir os lábios de Damien beijando seu pescoço. Embora ele tentasse empurrar o anticristo para parar as cócegas, ele era muito mais forte do que ele. Pip não podia fazer nada além de rir com os beijos do namorado naquela região tão sensível.

Damien apertou seus braços ao redor das pernas de Pip e selou seus lábios ao mesmo tempo que chutou a porta do quarto do loiro.

Ambos com os olhos fechados, não viam para onde caminhavam até Damien tropeçar no pé na cama e lançá-los sobre a mesma. No entanto, isso não os parou, pois logo Damien estava sobre Pip novamente, atacando seus lábios como se fosse uma criança sedenta por doces.

No momento em que se colocaram de forma confortável, o anticristo percebeu uma diferença na forma com que Pip retribuía seus toques. Ele parecia mais apressado, mais vívido. E ele não tinha percebido antes, mas ele esteve assim com ele durante o dia todo, até mesmo quando estavam no sofá naquela manhã. Fosse pela névoa que cobria sua mente e o impedia de pensar direito ou a visão prévia que já tinha de Pip, ele não conseguia dizer direito o que estava acontecendo com ele.

Isto é, até subir a perna um tanto demais e arrancar um gemido acidental do britânico.

Por sua aparência inocente, Damien jamais tomaria Pip como o tipo que geme, porém esta era uma nota tomada inconscientemente, pois o anticristo estava mais chocado que qualquer outra coisa.

Pip imediatamente cobriu o rosto com as mangas da blusa, as bochechas esquentando de vergonha. Deus do céu, como ele pôde ter sido tão desastrado e deixado isso escapar? Se estivesse sozinho, seria outra história, mas ele falhou em se conter na frente de Damien. Como ele poderia olhá-lo nos olhos agora?

— D-desculpa! — ele disse com a voz esganiçada, ainda escondido atrás das mangas. — E-eu não quis fazer isso, eu só… Ai, que vergonha!

Por pouco Damien não riu das desculpas de Pip. Ele estava apenas surpreso, nada demais; já havia deixado muito claro que estaria disposto a fazer qualquer coisa desde que o britânico estivesse de acordo.

Arrancando os braços de Pip da frente de seu rosto, pressionou seus lábios contra os dele; um jeito silencioso de dizer que estava tudo bem.

Ele demorou em retribuir, demasiadamente preso ao choque, mas, quando o fez, já estava mais uma vez entregue aos toques de Damien, estes claramente mais invasivos que os anteriores. Suas mãos já não desviavam para a lateral quando passavam por suas costas, apertavam sua bunda sem o menor pudor e desciam entre suas pernas para acariciar o interior das coxas, fazendo o corpo de Pip estremecer com a sensação.

Quando seus lábios se separaram mais uma vez, Damien o encarou com uma mistura de malícia e seriedade que Pip nunca achou possível que pudesse existir.

— Você tem certeza? — ele perguntou. Um tanto vago, mas o britânico entendeu o que ele quis dizer.

Pip engoliu em seco. Não, ele não tinha a menor ideia do que estava fazendo, nem se estava certo daquilo. Era algo impulsivo, que veio de última hora em sua cabeça, mas que, no fundo de seu ser, ele sabia que queria.

— Eu sei que eu não sou exatamente a pessoa mais experiente nesses assuntos, mas talvez eu consiga fazer direito. Eu andei vendo algumas indicações no YouTube há alguns anos pras aulas de educação sexual, e eles nos fazem comprar materiais pra deixar de reserva nas casas, mesmo eu nunca tendo um namorado na vida. — ele riu e revirou os olhos. Damien, no entanto, suspirou.

— Eu entendo que você queira, Pip. Eu só não quero que você acabe se arrependendo depois, ou que seja ruim.

Pip riu e ergueu as mãos para encaixar as bochechas de Damien em suas palmas.

— Qualquer coisa com você jamais poderia ser ruim, Damien. — ele murmurou, completamente em transe. — Eu confio em você. Sei que sabe o que faz.

Ele sabia. Damien não era um desinformado que não fazia suas pesquisas antes de colocar suas habilidades a prova. Mesmo assim, ele tinha o natural medo de fazer algo errado e machucar seu parceiro, e a última coisa que ele gostaria de fazer é machucar Pip.

— Se precisar parar, não hesite em me dizer, está bem? — Damien murmurou. — Eu não quero te machucar, nem por um segundo.

Só quando Pip assentiu foi que Damien se permitiu beijar seus lábios novamente, ainda que por apenas um segundo. Sua boca descia pela lateral do rosto do britânico, beijando seu caminho até seu pescoço e dando atenção especial aos lugares que faziam Pip estremecer e gemer.

Ele na verdade era bem quieto na cama, Damien veio a descobrir, mas seu detalhismo com Pip veio a calhar quando passou a caçar as coisas que mais o atiçavam entre suas carícias e beijos. Trilhar suas pernas com a ponta da unha e beijar sua orelha e a parte de trás de seu pescoço foram apenas alguns dos que ele pôde perceber que tiravam as maiores reações do britânico. Ele deixaria tudo anotado em sua mente para se pudessem fazer aquilo mais uma vez no futuro.

Uma a uma, as peças de roupa de ambos foram sendo removidas e atiradas ao chão. Os olhos carmim de Damien não se separavam do corpo de Pip em momento algum. A cada peça que se esvaía, tornava-se mais difícil para ele resistir a arrancar tudo dele e consumi-lo por inteiro, mas o anticristo já estava acostumado a conter essas sensações, então, no fim, conseguiu fazer tudo da forma que deixasse mais confortável para o britânico.

Uma vez despidos, Damien esticou a mão para o criado-mudo e tirou as coisas que precisaria: camisinha e lubrificante. Ele fazia os exames com frequência suficiente para saber que não tinha nenhuma doença, assim como imaginava que Pip não tinha, mas preferia muito mais manter-se seguro por via das dúvidas. Ele não arriscaria machucar Pip de forma alguma, nem que demore para as consequências chegarem.

Com tudo pronto e em mãos, Damien puxou o britânico para seu colo e, depois de lembrá-lo de dizer qualquer coisa caso quisesse que parasse, cobriu os dedos com lubrificante e levou o primeiro à sua entrada enquanto sua boca se ocupava com relaxar seu tenso corpo.

A contrapartida de alguns grunhidos baixos e pequenas paradas para respirar, Damien conseguiu colocar o primeiro dedo de forma tranquila, seguindo para o segundo e o terceiro com relativa calma. Mais do que tudo, aquilo tinha que ser prazeroso para ele, não para si mesmo; era sua prioridade.

Quando Damien colocou a camisinha e se inseriu por completo dentro de Pip, o mesmo apertou seus ombros com força, sua respiração descompassada tentando se normalizar e, seu corpo, se acostumar com a sensação estranha. Ele nunca tinha feito aquilo antes, então precisava de tempo para de adaptar e relaxar por completo. Enquanto isso, estava mais do que aberto para receber os beijos e carícias de Damien em seus lábios, pescoço, orelhas e peito.

Suas mãos tremiam e ele tentava se manter estável no colo do anticristo, mas ele estava começando a se estressar com a falta de movimento. Damien se enterrou nele e agora não fazia absolutamente nada, e isso o estava enlouquecendo. Ele pulou uma vez em seu colo como tentativa de dizê-lo para prosseguir, e acabou por gemer com os próprios movimentos, suas bochechas ficando ainda mais vermelhas que antes.

Pelo menos a mensagem foi bem recebida. As mãos de Damien apertaram seus ombros e sua cintura começou os movimentos de vaivém. Seu membro entrava e saía de dentro de Pip tocando no máximo que conseguia dentro dele, chegando até a passar por sua próstata algumas vezes.

Era uma sensação irresistível e ambos ansiavam por mais e mais. Pip nunca tinha sentido seu corpo tremer daquela forma, muito menos envolto por um sentimento tão viciante. Geralmente, quando tremia, era pelos machucados em sua pele, não por prazer. Ele honestamente não sabia se conseguiria guardar aquela memória como apenas algo de uma noite, e eles nem tinham acabado ainda.

Seus lábios se chocaram com os de Damien com uma excitação extraordinária, sua língua se inserindo entre eles enquanto seus movimentos aceleravam. As mãos de Damien agarravam-se a seus ombros e cintura com força, inevitavelmente marcando a pele com uma irritação vermelha, mas Pip não se importava. Contanto que venha de Damien, ele aceitaria qualquer coisa.

Damien foi o primeiro a gozar, mas sequer considerou parar seus movimentos até que a mesma sensação de êxtase envolvesse Pip por inteiro. Continuou com as estocadas e passou a masturbar seu membro ereto desde a base até a ponta, até sentir as mãos que agarravam seus ombros tremerem, suas costas arquearem e sua mão ficar suja de sêmen, este facilmente limpo por alguns panos que ele tinha guardado na gaveta. Ele se retirou de dentro de Pip, atento ao resmungo que escapou de sua boca e, após descartar a camisinha com fogo, deitou a ambos da cama.

A respiração de Pip estava descompassada e seus olhos lacrimejavam, mas não de tristeza ou dor. Ele nunca tinha sentido algo tão forte percorrendo seu corpo, foi como tomar um choque, mas de um jeito totalmente prazeroso. Ele estava completamente em transe.

Deus, por favor, não deixe essa ser a única vez. — murmurou no fundo de seu ser, longe dos olhos de todos, até os seus próprios.

O britânico sorriu ao sentir as mãos quentes de Damien acariciarem sua bochecha. Inclinando a cabeça, ansiando pelo contato, Pip suspirou e se deixou relaxar na cama, o sono começando a se enrolar em sua perna e puxá-lo para baixo.

Embora ainda um tanto preocupado, Damien não precisava tornar seus temores audíveis para receber uma resposta de Pip; as expressões que seu rosto mostrava já eram resposta o bastante.

As mãos do anticristo deslizaram para o pescoço do britânico e então para seu ombro, onde, se ele levantasse um pouco a cabeça, poderia ver a recém-feita tatuagem. Com a ponta dos dedos, trilhou os desenhos que já tinha gravado em sua memória enquanto seu rosto inclinava-se na direção do de Pip e suas bocas se encontravam em um terno beijo.

Pip não conseguia olhar para Damien com nada além de amor naquele momento. Nunca haveria ninguém naquele mundo por quem ele guardaria tanto afeto quanto aquele homem. Se tivesse algum jeito maior de mostrá-lo o quanto ele era importante para ele, Pip não esperaria um único segundo para demonstrar. Damien já tinha feito tanto por ele, o feito sentir tantas coisas que ele jamais imaginou sentir, muito menos experienciar. Ele realmente havia mudado sua vida por completo, para o melhor.

Os braços de Damien enlaçaram a cintura de Pip e o puxaram para mais perto de si, o suficiente para beijar sua testa e enterrar o nariz em seu cabelo.

— Sua tatuagem ficou tão linda… — ele sussurrou em seu ouvido, provocando um sorriso em seus lábios. — Eu te amo tanto, Pip.

Talvez fosse um tanto cedo para dizer aquilo, mas, ainda saindo de seu ápice, os pensamentos se embaralhavam em sua mente. Além do mais, Pip merecia saber o quanto ele era importante para ele, o quanto ele valia para ele. Proferir seu amor e adoração por ele não era algo do que Damien se arrependeria, de forma alguma.

Já de olhos fechados e corpo relaxado no colchão, ele falhou em perceber o britânico passando o braço ao redor de sua cintura, retribuindo o contato, e erguendo a cabeça, revelando com um sussurro para o silêncio do quarto:

— Eu também te amo.

Poderiam discutir aquilo pela manhã. Teriam todo o tempo do mundo para aproveitarem juntos, afinal, era o fim de semana. Todo o tempo para colocar tudo para fora e se perderem um no outro quantas vezes mais quisessem; envolverem-se no prazer e no vício tão profundamente que esquecerão os próprios nomes.

Seja lá o que o futuro guardava para eles, enfrentarão com a cabeça erguida e dedos entrelaçados: juntos.