Dark world
1 I'm not of this world
Notas iniciais
Era um domingo, estava chovendo e eu estava cansada pela semana agitada. Sentei-me em um canto da minha cama e coloquei os fones de ouvido, com o volume em uma altura razoável. Comecei a rabiscar algumas coisas em uma folha de papel. As únicas coisas que eu consegui desenhar foram monstros, demônios e espíritos. Desde pequena os vejo em meus sonhos. Tenho tendência a decair ao que é mórbido sempre que me distraio. A maior parte da minha família me considera demoníaca, por isso, já frequentei muitos psicólogos. Todos os psicólogos afirmam que minha saúde mental é perfeitamente normal, e que minhas “visões” podem ser graças à um trauma de infância.
Meu nome é Lucy, moro em Nova Jersey e tenho 13 anos. Frequento uma escola mediana, e não sou muito social. Tenho apenas uma amiga, Sophie. Ela tem 12 anos, estuda na minha classe, mas ela é totalmente o oposto de mim. Ela é alta, tem cabelos na altura do ombro de cor avermelhada, tem olhos castanhos e é apaixonada por coisas fofas. A, eu sou baixinha (sério, tenho 1,49), tenho cabelos negros na altura do quadril, olhos azuis e uma pele um tanto pálida. Como boa parte da minha família, as pessoas do meu colégio também me consideram demoníaca, e por isso, sou obrigada a ouvir comentários todos os dias como: “e aí demônio?” ou então “como vai o inferno?”.
A única coisa que consegue me fazer esquecer todas essas coisas são meus sonhos. Tudo bem que neles eu vejo muitos espíritos, demônios e monstros, mais comparados as pessoas a minha volta, até que eles são bem simpáticos. Nos meus sonhos, eu acabei criando um mundo perfeito, onde humanos e espíritos convivem em harmonia. Meus melhores amigos vivem lá. Preferia morar lá, mais é apenas parte da minha imaginação.
–Lucy, vem jantar!
Levei um susto ao ouvir o grito do eu irmão mais velho. Provavelmente ele já havia me chamado umas 30 vezes e eu não ouvi por conta dos fones. Levantei-me da cama e fui descendo as escadas ainda com meu cobertor enrolado em mim.
Jason tem 17 anos e está no colegial. Ele não é tão alto, tem cabelos ondulados e castanhos, olhos da mesma cor e é um chato de primeira!
–Por que demorou tanto?-indagou minha mãe.
–Desculpe-me, estava distraída.
–O que estava fazendo? Estava desenhando aquelas criaturas horrorosas de novo?
–Não são horrorosos! São meus amigos! E sim, eu estava desenhando, algum problema?
–Já te disse para parar de desenhar aquelas coisas! Você precisa de amigos de verdade!
–Eles são de verdade!
–Eles são sonhos, Lucy!
–Eles são muito mais do que sonhos! Não tenho culpa se você não os tem, mas os prefiro a vocês!
Neste momento eu saí correndo da sala e fui para o meu quarto. Ouvi um barulho imenso e voltei para ver o que havia acontecido. Deparei-me com minha mãe caída no chão gemendo de dor, sangrando.
–O que aconteceu?-perguntei desesperada indo em direção a minha mãe.
–Isso é sua culpa! Você é um demônio! Nossos familiares estão certos! Como você pode fazer isso com sua própria mãe?- gritou Jason desesperado.
–Mas eu não fiz nada! Eu não posso ter feito...
–Mas você fez!
–Eu não fiz não!
Meu pai adentrou a casa e vendo a bagunça perguntou:
–Pare de gritar com sua irmã! O que está acontecendo aqui?
–A Lucy é um demônio! Ela fez com que nossa mãe caísse no chão e começasse a sangrar!
–Eu não fiz nada!
–Sempre que você se irrita algo assim acontece!
–Não é minha culpa se Deus sabe quando punir as pessoas!
Jason estava prestes a me dar um soco quando meu pai segurou sua mão:
–Pare com isso Jason! É claro que sua irmã não tem culpa! E Lucy, pare de dizer besteiras! Isso é apenas uma infeliz coincidência!
Neste momento percebi que o que Jason estava dizendo era verdade. Baixei a cabeça:
–Com licença. Vou para o meu quarto antes que eu acabe machucando mais alguém.
Quando senti que as lagrimas iam cair corri para o meu quarto.
–Volte aqui Lucy!- meu pai disse.
Não queria que fosse verdade, mas... Quanto sofrimento mais eu iria causar? Não, não posso machucar minha família. Peguei uma grande mochila e comecei a enfiar todas as minhas coisas dentro. Foi difícil ver, já que as lágrimas escorriam desesperadamente por meus olhos. Todos esses anos quando eu me enfureço coisas estranhas acontecem. Não ia ficar ali mas... para onde fugirei? Depois de 15 minutos, ouvi batidas na porta mas não liguei, continuei colocando minhas coisas na mala o mais rápido possível. As batidas persistiram, então tive que me apressar. Fechei a mala, joguei-a dentro do guarda roupa e destranquei a porta. Meu pai, minha mãe e meu irmão adentraram meu quarto e meu pai começou a falar:
–Lucy, nós te amamos muito e depois de conversarmos muito... decidimos que o melhor a fazer é...
–Me expulsarem de casa?
–Claro que não! Você só tem 13 anos e... Achamos que o melhor jeito de parar isso é... te levando a um exorcista.
–O que? Vocês acham mesmo que estou possuída por um demônio? Só podem estar brincando... não é pai?...
Agora foi a vez de a minha mãe falar:
–Minha filha... Eu queria acreditar que está tudo bem, mas... Isso já está passando dos limites! Você tem que deixar que os padres exorcizem este demônio e...
–Já chega! Eu... Não sabia que vocês realmente acreditassem nas besteiras do Jason! Até você, pai?
–Querida...
–Saiam do meu quarto!
–Mas...
–Saiam! Por favor!
Comecei a sentir algo ficar diferente em mim. Senti-me quente e sem forças para respi...
O que houve? Onde estou? Por que está tudo escuro?
–Olá! Tem alguém aí?
–Eu estou aqui! Acalme-se Lucy!
–Quem é você? Como sabe meu nome?
–Está tudo bem! Sou eu, Amy.
–Amy! Onde estou? Por que você sumiu por tanto tempo? Amy?
–Lucy, você está desmaiada neste momento em um hospital. Tenho pouco tempo antes que você acorde. Só me escute. Você precisa vir para a floresta Pine Barrens.
–O que? Amy, não estou entendendo nada! Por que preciso ir para Pine Barrens? Lá não é o lugar de onde vem os boatos de criaturas como o demônio de Jersey?
–Quando você chegar eu te explico.
–Mas, Amy, você não é só um sonho?
–Não foi você mesma que disse que somos mais que sonhos?
–Mas, Amy...
Não ouvi respostas e fiquei preocupada.
–Amy? Amy! Amy, não me deixe! Não me dixe sozinha novamente! Amy!!!!!!!
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