Dark world
12 Creepy love
Notas iniciais
Eu tentei quebrar a caixa invisível com as sombras, mas quando ela estava quase se rachando, uma mulher pulou na minha frente, fazendo com que eu caísse para trás sentada. Levantei-me e deparei-me com algo perturbador. Era como se a mulher estivesse morta, com a pele descascando e saindo, além de alguns de seus órgãos estarem para fora e ela estava coberta de sangue. Um refluxo tomou conta de mim, realmente não gosto de ver essas coisas. Fiquei um pouco tonta, mas lembrei-me o porquê de estar ali, precisava salvar Avy.
–Q-quem é você?
–Bhbuiefbbefw,febfhkfbehfbek.
O que? Claro, no estado em que esta mulher está não é estranho que ela não fale. Ela parece um zumbi ou algo do tipo. Tentei afastá-la de Avy com um empurrão, mas ela mordeu meu braço. Começou a sangrar muito e a carne estava exposta! AAAAAAAAAAA! Preciso me concentrar. Tenho que salvar Avy. Meus pensamentos foram interrompidos por Bel, que deu um soco na cara da mulher. Ela caiu e Henry jogou uma pedra em seu rosto, que ficou mais deformado ainda. A caixa invisível em que Avy estava se dissolveu. Tentei me aproximar de Avy, mas a estranha mulher entrou em meu caminho, se abaixou e com uma faca, arrancou o olho de Avy. Meu coração... É como se tivesse sido quebrado. Sangue escorria pelo rosto dela. Oliver também tentou aproximar-se de sua irmã, mas recebeu um corte com a faca. Depois de um tempo, percebi que sentimento predominava em mim. Não era tristeza, não era dor, não era raiva... Era algo muito mais forte. Ódio. Minha mente tornou-se um breu. Milhões de sombras saíram de mim e estourei sua cabeça.
Caí no chão completamente imóvel. A cena que eu mesma provocara me deixara atordoada. Oliver foi até Avy e a pegou no colo, com a ajuda de Raquel. Eu ainda estava seriamente em choque. Lágrimas escorriam completamente involuntariamente de meus olhos. Sentia-me diferente. Aqueles cinco minutos aterrorizantes, em que eu matei mais uma pessoa, me mudaram. Não sentia culpa por matar a estranha. Sentia... Como se aquilo fosse algo que ela merecesse. Mas... Quem sou eu para julgar os outros? O que estou pensando?... Mesmo assim, eu ainda tinha medo de machucar outras pessoas. Eu... Sou tão perigosa assim? Henry e Bel tentaram aproximar-se da mim:
–Por favor... Não cheguem perto de mim. N-não quero machucá-los.
–Fofa... Seu braço está completamente estraçalhado. Vem. Vamos levá-la à enfermaria. Bom... Primeiro temos que chegar à vila, mas mesmo assim. E... Seus olhos... Eles... Meio que...
Acabei desmaiando e quando abri os olhos estava numa cama totalmente branca. Já estivera ali quando lutei com Bel. Estou na enfermaria. Mas... Desta vez quem está aqui é Amy... E minha professora de manipulação de sombras.
–O-oi.
–Olá Lucy. – Disse Amy sorrindo — Como está o braço?
Olhei para verificar como estava e me pareceu bem.
–Acho que já está melhor. Espera. Que horas são? Como vim parar aqui? C-como você sabe do meu braço?
–São... –Ela olhou no relógio – 13:00, o Henry e a Bel te trouxeram aqui, e na verdade todos já sabem do seu machucado e da Avalon.
–AVALON! Como ela está?!?
–Bem... Ela perdeu um olho... Então está usando um tampão. Mas ela recebeu os cuidados necessários e ficará bem. Ela saiu da enfermaria já tem... Dois dias. Viemos aqui... Para falar de você.
–Dois dias? Há quanto tempo estou desmaiada?
–Quatro dias. Muitas pessoas já vieram aqui te visitar.
–Então... O que querem conversar comigo?
–Vou deixar que Mia explique.
–Hm... De acordo com os relatos de seus amigos, e também pela sua aparência... aconteceu uma coisa... Inesperada – Mia parecia preocupada –Como posso dizer? Em meus anos de pesquisas, descobri que Darks que tem sombras como as suas podem... Acabar mudando por conta delas. Se algo muito traumatizante acontecer, as sombras tornam-se mais fortes e a pessoa pode perder completamente o controle... E suas sombras passam a controlá-la, pouco a pouco. E se a pessoa for completamente dominada... Acabará perdendo sua personalidade, e tornando-se alguém má e impiedosa, machucando todos a sua volta. E, com todo seu poder, será capaz de preencher o mundo com escuridão eterna. –Arregalei meus olhos... O que? — Mas... É claro que isso na acontecerá. Vamos fazer de tudo para te ajudar a conter seus poderes. Você... Vai conseguir, okay?
–O-okay. Mas... E-eu só não quero machucar mais ninguém.
–Vai ficar tudo bem Lucy.
Amy foi me abraçar:
–P-por favor. Não quero machucá-la. Não se aproxime.
Fui para minha casa e tomei um banho. Vesti um vestido preto, rodado, de mangas compridas, uma meia-calça preta e um sapatinho vermelho. Também fiz uma trança. Qundo fui olhar-me no espelho, algo me assustou: Meus olhos. Eles estavam com uma coloração violeta. Não sei como explicar. Tentei ignorar isso. Deve ser parte... Daquilo... Peguei meu celular e mandei uma mensagem para Sophie.
Mensagem ON:
–Oi Sophie.
–Oi.
–Tudo bem?
–Sim. E você?
–Hm... Não muito. Aconteceram algumas coisas ruins... E eu realmente estou assustada. Além disso... Meus olhos... Estão roxos?
–Ai... Que drama. Quem te bateu aí?
–Ninguém! A Iris do meu olho está roxa. Na verdade, está mais para violeta.
–Hahahahahhaha
–Isso não é engraçado. Eu realmente estou mal... Pensei que você pudesse me escutar.
–Para que? Você é muito dramática. Tenho que fazer outras coisas. Tchau.
–Bye bye.
Mensagem OFF.
Nossa. Isso foi realmente... Estranho. E acho que ela levou o fato de meu olho estar diferente na brincadeira... Falando em olho... AVY!!!!!!!!!!! Saí correndo e fui à casa da Avy. Bati na porta e ela se abriu.
–Avy! Está tudo bem com você? E-eu fiquei muito preocupada...
Oliver estava lá dentro.
–Entre. Fique à vontade. Não tem problema, não fique preocupada, nada de ruim acontecerá — Só depois de um tempo lembrei que ela pode ler minha mente.
Entrei e ela me instruiu à uma cadeira, sentando-se em uma à minha frente. Oliver acenou para mim, mas sua expressão estava diferente do habitual. Ele expressava dó, mas ao mesmo tempo medo. Ele ficou encarando meus olhos, e senti-me um pouco constrangida. Decidi falar com Avy:
–C-como você está?
–Na verdade estou me sentindo muito bem. Eles fizeram uma cirurgia em meu rosto e para não deixar tão horrível, colocaram um olho de vidro no lugar. Mas até eu me acostumar, estou usando este tapa-olho — Ela apontou para o tapa-olho em seu rosto.
–Ainda bem. Na hora eu fiquei completamente em choque.
–Eu sei o quanto você me defendeu e tudo o que fez para me achar. Muito obrigada.
Ficamos nós três conversando. Mas... Oliver está diferente. Ele sempre parece um pouco assustado quando me olha. Isso me faz me sentir tão horrível... Depois de mais ou menos uma hora, fui para minha casa. Sem muito o que fazer, comecei a tocar piano. Fazia um bom tempo que não tocava. Há quanto tempo estava ali? Um mês, eu acho. Tanta coisa aconteceu em tão pouco tempo. Uma batida na porta fez-me despertar de meus pensamentos.
Fui à porta e fui surpreendida por Henry.
–Lu... Está tudo bem? A Avy me disse que você tinha saído da enfermaria e então eu vim o mais rápido possível te ver.
–Acho que estou bem. Obrigada por vir. Pode entrar.
Ele entrou e nos sentamos no sofá para conversar.
–Seus olhos... Eles estão lindos.
–O-obrigada. Mas eles não representam uma coisa muito boa... –Abaixei minha cabeça lembrando do que Mia me dissera.
–Não fica assim... –Ele pegou delicadamente em meu queixo levantando meu rosto.
–Não faz isso... Eu... Não quero que nada de ruim aconteça com você. – O que eu estou dizendo? As batidas do meu coração aceleraram. — Não quero machucá-lo. Eu sou horrível... E matei 3 pessoas. –Me doeu dizer isso –Pelo que aconteceu na floresta, uma coisa horrível pode se desencadear de mim e eu acabaria machucando as pessoas a minha volta. Eu definitivamente não quero que você seja uma destas pessoas. –Eu... O amo?
Ele me derrubou no sofá e ficou em cima de mim:
–Adivinhe só. Eu não tenho medo de você. E nunca deixaria que algo assim acontecesse com você.
Ele começou me dando um beijo na testa. Depois foi descendo por todo meu rosto, me cobrindo de beijos. Chegou ao me pescoço e continua me dando beijos até chegar à minha mão. Minha respiração estava acelerada e eu sentia calafrios bons a cada beijo. Então, ele colocou seus óculos em cima da mesa e voltou ao meu rosto. Ele começou a me beijar e eu correspondi. Foi algo tão inesperadamente bom... Não conseguia parar. Mas quando a falta de ar fez-se entre nós, tivemos que nos afastar.
Meu futuro é incerto, mas de uma coisa eu tenho certeza: Eu amo o Henry. O amor é algo tão forte, e dificilmente pode ser verdadeiramente sentido. Mas quando se sente, se tem certeza. E foram esses meus últimos pensamentos antes da minha casa.
Fale com o autor