Dark - Your Death is Coming
7 Morte súbita.
Notas iniciais
DARK – CAPÍTULO 7
FASE I
PONTO DE VISTA NATE.
Anoiteceu.
— Ainda me pergunto o porquê de termos entrado nessa droga de escapada. – fala Caleb – Se nos pegarem, estamos ferrados.
Puxo ele pelo braço enquanto os outros três – Melissa, Lara e Ryan – continuam andando pelo beco escuro. Espero eles andarem até onde não podem nos ouvir e sussurro.
— Caleb, relaxa. É só um passeio de diversão cara, ninguém vai nos pegar. Afinal, vamos representar o norte, e para isso temos que ficar presos?
Ele não responde. Seguimos por mais um pouco até que finalmente Melissa se liga em perguntar o que todos queremos saber.
— Ryan, para onde vamos?
O garoto sorri para nós.
— No início eu pensei em só irmos até os becos, nos escondermos dos poucos que andam nas ruas essa hora. Mas agora eu pensei que posso fazer uma surpresa para vocês!
Nós quatro nos entreolhamos enquanto ele espia para a rua fora do beco. Caleb se aproxima de Lara e eles se beijam, encostados na parede. Abraço Melissa.
— O que acha de irmos até sua casa? – pergunto pra ela, com segundas intenções.
— Meu avô me mataria e minha mãe iria querer se juntar a nós. – diz ela soltando uma gargalhada abafada.
— SH! – diz Ryan. – Vão nos ouvir.
— Não, provavelmente eu seria expulsa da família. Por que não na sua? – Melissa me pergunta, e fico tentado á levá-la comigo.
— Eai, pegadores, ta limpo. – fala Ryan e o seguimos rumo á escuridão das ruas nortenhas de Nova York.
PONTO DE VISTA LARA
Enquanto Caleb me beijava, eu parecia estar no paraíso. Na verdade só aceitei mesmo essa saída idiota por causa dele. Sou de uma família de classe média que mora muito perto do Center Hall. Minha mãe e meu pai não estavam em casa quando ocorreu The Dark Month. Apenas eu e meu irmão mais velho, Chad. Conseguimos sobreviver até acabar, e depois, ao sairmos na rua, mudamos nosso conceito de vida.
Sabíamos que nossos pais haviam morrido, então, quando acabou, choramos abraçados um ao outro. Eu era uma criança, com os cabelos trançados, uma jaqueta peluda bege e as mãos frias. Alguns dias depois, Chad disse que talvez precisássemos nos mudar. Eu o via, toda a noite, após ele me colocar para dormir, tentar encontrar parentes. Era uma pequena menina, mas já era inteligente.
Me acostumei ao fato de não ter família, quando em certa manhã fria, eu estava deitada em minha cama do lado da do meu irmão. A dele estava vazia. Ouvi baterem na porta e os passos fracos de Chad. Então ouvi um grito, um grito de felicidade. Calcei minhas pantufas de vaquinha e corri pelas escadas. Pude logo ver meus pais a porta, ambos abraçados no meu irmão. Quando me viram, nos abraçamos forte, em família.
Ninguém resistiu ao choro.
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Meu sonho sempre foi lutar. Sou boa com estratégias. Estou me dedicando aos treinamentos, quero um dia usar isso pra algo. Não tenho medo dos Lobos. Eu quero que eles estejam aqui, quero que me vejam e que eu tenha o prazer em perfurar seus corações gelados com uma lança. Atravessar seu corpo, enquanto eles urram. Quero mostrar que atrás desse rosto de menina meiga há força.
Continuamos um pequeno caminho entre as ruas, o asfalto úmido. Os postes estavam ligados, e por um momento tive medo de que alguém conseguisse nos olhar e nos denunciar. Posso dizer que não temo os Lobos, mas de que adianta não temê-los se não sei como derrotá-los? O Center Hall é importante para mim, muito. Sei que não passa de Lendas, mas eu tinha parentes vivos na Califórnia.
Chad tentou se comunicar com nossos tios. Eu podia ver seu desempenho na internet, no telefone. Até que um dia conseguiu falar com eles. Quando nossos pais chegaram, esquecemos um pouco. Três meses entrei em um site de notícias e vi o nome da cidade. Havia sido completamente destruída, as pessoas mutiladas. Minha mãe abraçou meu pai. Ninguém sabia o que realmente havia acontecido. Apenas um grupo de sobreviventes contou que eles eram altos, usavam todos os tipos de armas e... mordiam. Arrancavam pedaços. Membros.
Me livrei da ideia e prestei atenção no caminho. Nate e Melissa diziam alguma coisa mais a frente, enquanto Ryan andava um pouco e olhava para trás, sorrindo. Aonde quer que ele esteja nos levando, acredito ser algo interessante.
Melissa olha para trás. Sei que ela não me curte muito, desde o acontecimento na primeira aula. Obviamente ela tenta se fazer o mais querida possível, mas ultimamente temos nos comunicado mais.
Paramos em um círculo formado por nós mesmos.
— É quando dobrarmos aqui. – diz Ryan. – Vamos entrar e dar uma olhada no lugar, sei lá.
Melissa olha para nós e balança a cabeça.
— Ryan... — ela tenta chamar, mas já estamos dobrando a esquina.
Um grande pavilhão surge á nossa frente. Cercado por muros altos, várias cabines mas apenas uma com a luz ligada.
A prisão Norte de Nova York.
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— Sério que você quer entrar aí? – pergunta Nate. – Ryan, por favor cara, isso é uma prisão!
— Vamos lá, é só entrar e sair! – diz Ryan.
Caleb mexe a cabeça negativamente.
— Eu falei, desde o início, que era burrada termos saído. Somente perdemos tempo, que droga mesmo.
— Vamos voltar. – digo, dando a volta. É quando Ryan diz:
— Sério? Estão se preparando para lutar contra Lobos e têm medo de entrar numa prisão? Vocês não cresceram? E a adrenalina, a diversão?
— E a dignidade? E a responsabilidade? Que droga, Ryan, vamos embora. – fala Melissa, brava.
No momento que fizemos a volta, paramos, como estátuas: do outro lado, passavam nas ruas alguns homens com armas, os guardas. Eles observavam o perímetro. Voltamos de costas e nos encostamos á uma casa que dava de frente á prisão. As fortes luzes brancas nos evolveram.
— FILHO DA P... – começo a falar, mas Caleb põe o dedo indicador em meus lábios e ficamos em silêncio.
— Há uma saída nos fundos da prisão, teremos que entrar no pátio sem sermos vistos. Depois fizemos a volta e saímos pela rua 12. – diz Melissa. – Temos apenas que passarmos pelo guarda daquela cabine.
Olhamos todos para a cabine.
— Alguma ideia? – pergunta Caleb. – Vamos lá, Ryan, ajude, pois isso é culpa sua.
Ryan fica em silêncio. Ele olha fixamente para a cabine. Acompanho o seu olhar e vejo o que está acontecendo lá.
— Não creio. – murmura Nate.
O guarda que sedia a cabine não estava sozinho. Ele e uma mulher loira faziam sexo dentro da cabine. Ela quicava encima dele enquanto a cabeça do homem estava erguida, prazerosa. O guarda passa as mãos nos peitos dela, fazendo-a soltar um gemido alto. Depois ela começa a passar as mãos e a boca pelo pescoço dele.
— É. Acho que poderemos passar. – fala Caleb.
Nos olhamos, sem graça, e começamos a caminhar cautelosamente em direção á um portão de ferro. Do lado do portão, havia grade, uma grade fácil de ser arrancada com uma técnica ensinada na aula de treinamento físico.
Não era apenas treinar o físico, e sim o mental e a estratégia também. Consegui aprender a arrancar uma grade igual aquela com facilidade, embora a técnica não seja nada fácil.
— Legal, alguém prestou atenção na aula de TF? – pergunta Melissa.
Dou a volta e sigilosamente procuro o haste da grade. Os outros ficam esperando, Ryan olha para a cabine do guarda. Ouço os gemidos da mulher daqui onde estou. Forço o olhar contra a escuridão, já que a luz da prisão não nos cobre aqui. Toco na haste, finalmente.
Procuro em meu bolso qualquer material pontudo. Olho para eles e aceno.
— Alguém tem algo pontudo como um clips, ou outra coisa? – pergunto. Eles também vasculham os bolsos.
— Eu tenho. – diz Ryan, e tira uma faca do bolso.
— Ryan! O que faz com uma faca aqui? – pergunta Caleb. – Vão...
— Caleb, chega de lição de moral, na boa. A gente já sabe que estamos ferrados, não atrapalhe mais as coisas. – fala Nate. Caleb fecha a boca.
Seguro a faca e utilizo-a no parafuso com uma técnica de giros. Depois, retiro uma parte da grade para passarmos.
— Parabéns! – diz Melissa, para mim, ao passarmos todos pela grade.
O caminho a seguir é longo. O pátio dentro da prisão está escuro, o chão é puro cascalho. Há várias janelas, portas, mesas quebradas, paredes riscadas. E cheira ruim. Caminhamos rápido, seguindo Melissa, que diz saber o caminho.
Olho para o matagal que cerca a prisão. É tenso, escuro. Sinto um arrepio e a estranha sensação que estou sendo observada me invade. Olho mais fixamente para um local e vejo dois olhos escuros, me olhando á cada passo que dou.
Sou tomada por medo. Evito comentar a ideia. Não sei porque estou me sentindo assim. Não sei se estou alucinando. Não era para eu estar com medo.
Olho novamente para o local dos olhos. Eles não estão mais lá. Apenas ouço os barulhos das folhas se mexendo. Concentro-me no som.
É quando percebo que o barulho de nossos passos diminuiu. Olho para trás e vejo que Ryan sumiu.
— Cadê o Ryan? – pergunto. Meus colegas param de andar e olham para trás.
— Eu não acredito! – diz Melissa começando a correr em direção contrária.
— Melissa! – fala Nate baixo, correndo atrás dela. Olho para Caleb e balanço a cabeça. Nada vai dar certo.
— Não podemos deixá-los.
Ao Caleb dizer isso, as luzes de toda a prisão se ascendem. Um sinal irritante começa a tocar, e sinais de luz vermelhos começam a passar por todos os lugares. Entrelaço minha mão na de Caleb e vemos os primeiros barulhos de portas se abrirem. Nate e Melissa desapareceram. Ao olhar para trás, vejo uma sombra vinda da luz branca.
A sombra vai crescendo à medida que a pessoa vai se aproximando de dobrar.
E quando a pessoa dobrar estaremos ali.
PONTO DE VISTA CALEB
Não se pode nem ter mais razão que isso é motivo para o seu melhor amigo te xingar. Sim, eu estava certo todo o tempo e ainda fui xingado.
Se um dia eu me safasse dessa, com certeza eu iria arrancar todos os dentes da boca de Ryan. Ele nos levou para a pior armadilha possível:
Número um: Não podemos sair do Center Hall á noite sem autorização.
O que fizemos? Saímos.
Número dois: Não podemos, em hipótese alguma, entrar na prisão sem autorização.
O que fizemos? Entramos.
Número três: Se nunca se deve entrar na prisão sem autorização, imagina arrancar um pedaço da grade dela?
O que fizemos? Arrancamos um pedaço da grade.
Parabéns, minha vontade é de tapear até a morte ali mesmo. Mas Lara me sacode e me puxa para a parede enquanto a sombra lá no fundo dobra e vem em nosso encontro.
— Eu odeio essa vida maldita. – sussurro.
— Xingar, esbravejar, esbofetear. Nada vai adiantar agora. Vem! – fala Lara me levando para atrás de uma das mesas. Nos agachamos e ficamos em silêncio, ouvindo os vários passos dos policiais andando.
Eles falam alguma coisa alto, mas a adrenalina dentro de mim não me deixa ouvir. Meu coração está batendo muito rápido, e consigo ouvir cada batimento como se ele estivesse do lado do meu ouvido.
— CALEB!! –Lara diz me batendo fraquinho no rosto. Volto a realidade e olho para ela. – Eles já foram, mas estão na espreita.
— Há uma agitação maior que o normal ou foi impressão minha? – pergunto.
Ela assente. Fico mais nervoso ainda. Começamos a caminhar em direção aos fundos da prisão, nosso mesmo destino quando íamos acompanhados de Nate, Melissa e Ryan. Vejo que Lara está estranha, mas sei que não posso esperar mais dela, não nessa situação.
Quando dobramos, muito perto da saída, da liberdade, de não entrarmos numa pior, ouvimos o barulho de armas serem erguidas. Olho para frente e vejo um pequeno laser vermelho apontado para meu coração.
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Três policiais nos encaram. Todos prontos para o tiro. Ainda com as mãos juntas, cutuco a de Lara. Rezo. Cutuco outra vez e nos viramos para correr de volta.
É quando vemos mais três policiais nos encarando.
- Mas que interessante. Mais jovens dando bandinha pela prisão.
Sinto por um momento que estamos livres.
- Agora ajoelhem-se e coloquem as mãos na cabeça.
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Levam-nos para o carro da polícia. Percebo que dentro de outra viatura estão Nate e Melissa. Ela chora, enquanto meu amigo me olha e balança a cabeça.
Tudo parece acontecer em câmera lenta. Os passos oscilando no cascalho, fazendo barulho. Os policiais repetindo palavras. Algumas – poucas – pessoas observando a polícia trabalhar. Os grito que vêem de dentro da prisão.
Observo as ambulâncias que cercam o local Há alguns caras com uniforme de perícia, carregando um rolo amarelo com algumas letras. Não levanto os olhos em nenhum momento. Me jogam dentro de uma viatura e levam Lara para outra.
— Ei! – grito. – Ei! Lara! LARA!
Ela me olha, confusa. Balanço a cabeça e começo a gritar, chutar os bancos.
Logo o motorista da viatura entra e manda-me acalmar. Paro, por um instante, enquanto nos levam de volta para o Center Hall. Ouço o rádio do carro fazer um barulho e escuto as palavras transmitidas.
‘As famílias estão sendo notificadas. Sobre o morto, não há mais jeito.’
MORTO?
Eu não posso ter ouvido direito.
— Quem morreu? – pergunto ao policial careca que me leva. – Foi o Ryan? Que droga, me responda!
Ele fica em silêncio. Faço a viagem com uma forte dor no estômago. Meu coração está acelerado, e cada ideia de consequência que passa por minha mente parece ser cruel. A pior coisa que temo é ser expulso do Center Hall e que eu seja preso. As ruas estão vazias e escuras. A minha e mais três viaturas carregando meus amigos andam perto.
Logo chegamos no Center Hall e vejo que há um movimento intenso por lá. Já há viaturas, e praticamente todos os alunos estão observando. As pessoas que moram próximo ao local de treino observam-nos descer da viatura. Os professores ficam chocados. Sean e Alison se aproximam e nos observam, nós quatro, um do lado do outro.
Sean balança a cabeça olhando para nós.
— O que aconteceu? – pergunta ele.
Ninguém responde nada. Lara está chorando, uma mecha de seu cabelo está sobre o rosto, e ela sopra o cabelo, fazendo-o levitar. Quero saber que droga está acontecendo.
O policial careca se chama Kubrick. Ele se aproxima de Sean e eles apertam as mãos. Depois faz o mesmo com Alison.
— Digory e outra mulher foram encontrados mortos á facadas. – fala Kubrick. – Temos que levar a garota morena conosco.
Olho para Lara.
— Por que? – pergunta Alison, chocada, posicionando-se ao lado de Lara.
Kubrick vai até a viatura. Quando volta, traz uma faca. A faca de Ryan.
— Lara Duchannes foi encontrada com essa faca. – diz o policial. – A arma do Crime.
Kubrick olha para os outros companheiros e aponta para Lara.
- Algemem-na. Menina, tudo que você dizer pode e será usado contra você. Culpada até que se prove o contrário.
As últimas palavras soam com ênfase:
Você está presa.
Notas finais
Beijos!
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