DARK – CAPÍTULO 6

FASE I

1 mês depois.

Ponto de Vista Caleb.

Enfim, pra resumir tudo que aconteceu nos últimos meses:

Desde o acidente com Melissa, ficamos na retaguarda, alguns tiveram medo de se machucar, então as aulas foram suspensas por 2 dias. Melissa quebrara o braço e ficara supervisionada por um tempo, retornando ás aulas apenas vinte dias depois.

No mais, tudo continuou normal. Eu estava amando o Treinamento.

A professora de Armas Brancas, An, nos ensinou várias técnicas, e pudemos treinar com manequins e até mesmo com simulações de animais e pessoas. Na aula de combate, Carl continuou com sua ideia inicial: saltos. Embora agora não pulássemos mais de tão alto, e sim, de material inflável para material inflável, fazendo acrobacias e virando cambalhotas. Às vezes me pergunto se estamos num treinamento ou num circo.

As primeiras doze aulas de armas de fogo foram apenas para estudá-las. O nome do professor era Eddie. Era um cara legal, descontraído, mas passava terror no olhar tenso. As ‘turmas’ continuavam as mesmas, sempre. A nossa era composta por: Eu, Nate, Melissa, Lara, a ruiva chamada Sandie e o amigão mudo dela, Dominic.

Nas aulas de treinamento físico lidamos praticamente com uma academia. Ela (professora Rachel) passa dietas e andamos na esteira, levantamos peso, fazemos alongamento e praticamos esportes. Ganhei, em 1 mês, dois quilos de músculos.

No mais, nada de interessante aconteceu. Apenas Nate e Melissa assumiram o namoro, eu beijei Lara e nós quatro saímos ás vezes á noite para contar histórias de terror numa sala vazia. Virou rotina, uma rotina extremamente relaxante e que me agradava.

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Taquei a mão no despertador e suspirei. Estava muito frio para sair da cama, mas sabia que era necessário. Hoje então, mais ainda: era o primeiro dia com Aulas de Armas de Fogo com Armas de fogo.

Levantei rápido – primeiro que Nate, o que é estranho -, lavei o rosto, coloquei o uniforme e destapei meu colega de quarto.

- Ah Caleb, vá se ferrar! – diz Nate, grogue.

- Bom dia, florzinha do dia!

Ele faz o mesmo que eu fiz e saímos pelo corredor. Passamos pela outra ala, para pegarmos nossas ‘namoradas’ para irmos tomar café.

É, eu digo namoradas porque eu e Lara ficamos há um mês, e Nate e Melissa há mais tempo que isso. Trocamos várias intimidades já, então podemos dizer que somos algo mais que amigos.

Dou um selinho rápido em Lara e seguimos para o refeitório. Faltam vinte minutos para a aula ainda, temos bastante tempo.

Pego algumas rosquinhas e me sento em uma mesa com meus amigos.

- O que esperam da aula com armas hoje? – pergunta Nate.

- Espero que leve um tiro. – falo, fazendo os outros rirem.

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Piadas a parte, entrei na aula com um entusiasmo á mais. Eddie já nos esperava na porta, pronto para nos conduzir para a sala mais profunda do Center Hall. Começamos á segui-lo enquanto ele explicava algumas coisas sobre o lugar:

- Vou levar vocês para a famosa Sala Silenciosa. É a mais distante do Center Hall, o que nos dá livre arbítrio de atirarmos, gritarmos e esbravejarmos o quanto quisermos. As paredes são revestidas com um material onde o som não passa. Teremos lá manequins com alvos na cabeça, nos joelhos, na barriga e no pescoço. Vamos começar pela barriga. – disse Eddie dobrando em um corredor. – Há exatas seis cabines para vocês.

Ele abriu uma porta escura e entramos. Era uma sala ampla, com seis cabines de vidros, cada uma com uma arma pendendo dela e uma mesinha de vidro que segurava um fone de ouvido (daqueles grandes, para abafar), um óculos de plástico forte e luvas de couro.

- Podem escolher as cabines e não toquem nas armas ainda. – fala Eddie. Obedecemos e nos posicionamos ali. – Coloquem os óculos e os abafadores. As luvas são de menos importância, mas no início serão essenciais. Quando chegarmos numa parte mais ampla dos estudos, os manequins se mexerão, os alvos mudarão e tudo ficará mais complexo. Quem aqui já usou uma arma antes? – pergunta Eddie. Eu, Lara e Dominic levantamos a mão. – Ótimo. Então já sabem como engatilhar.

Sim, sabíamos. Ele ajuda Nate, Melissa e Sandie. Depois fecha as cabines de todos e abafa os ouvidos com um fone.

- Acertem na barriga e os manequins cairão. – berra Eddia. Em seguida grita em alto e bom som: ‘ATIREM’.

Começamos a atirar contra nossos alvos. Eu erro o primeiro tiro, mas o segundo passa perto do centro do alvo. Mantenho-me concentrado no meu manequim. Não vejo – por instinto – nenhum dos outros caírem. Acerto uma bala bem no centro e meu manequim desaba. Olho para trás e vejo Eddie batendo palmas e fazendo sinal de positivo para mim. Retribuo com um sorriso.

O de Melissa é o segundo a cair. Ela pode não ter habilidades com arma, mas tem com mira. Seu braço já está bem melhor agora.

Cai o manequim de Lara, e paralelamente, o de Nate e Dominic. Sandie demora mais, mas em alguns segundos ela derruba o seu também.

Tiramos os abafadores e Eddie nos aplaude.

- Foram ótimos! Meus parabéns! Estou muito orgulhoso...

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Passamos o resto da aula treinando. Depois que terminamos, estamos exaustos. Saio abraçado com Lara e vamos direto para o almoço.

- Você foi muito boa! – falo.

- Você também giant. – diz ela e afaga meus cabelos.

Giant era um apelido que surgira no meio de uma de nossas escapadas á noite. Eu, Lara, Nate, Melissa e Rayn, um garoto que virara nosso amigo, saíamos dos dormitórios e íamos direto para uma sala sem uso. Lá ficávamos por horas, contando histórias amedrontadoras. Ryan contou uma história sobre um garoto chamado Giant, física e psicologicamente parecido comigo. Então Lara começou a me chamar assim.

Entramos no refeitório. Depois de nos servirmos, encontramos Melissa, Nate e Ryan sentados na mesa, conversando.

- Eai Ryan. Como vai? – pergunta Lara.

Ele sorri.

- Tudo nos trinques. Olha, eu tava falando pra Melissa e pro Nate agora, que tive uma ideia boa.

Eles me olham, suspeitos.

- Qual é? – questiono.

- Vocês já ouviram falar da casa assombrada do norte?

- Claro, é uma história pra crianças dormirem. – diz Melissa.

Ryan olha para ela.

- Aí é que está. Eu sei onde fica. Podemos ir essa noite! – sussurra ele, baixando bem o tom de voz nessa última frase.

Olho para meus amigos. Nate e Lara estão sorrindo, entusiasmados. Eu fico em dúvida. Melissa parece estar do mesmo jeito.

- Qual é, Caleb? – fala Lara me dando um soco no braço. – Está com medo da Casa Assombrada do Norte?

Eu rio.

- Não é disso. É que... – eu me interrompo. – Ah, deixa pra lá.

Ryan nos observa com um brilho no olhar.

- Estão dentro? – indaga ele.

Sorrimos.

- Que horas? – pergunta Nate. – Podemos encontrar você na porta, temos que sair sorrateiramente.

- Daremos um jeito – fala Ryan. – Ás 22hs. Na porta dos fundos.

Ele levanta e dá um último sorriso para nós antes de desaparecer pela porta do refeitório.

Parecia estanho, mas eu estava com medo. Não sabia do que, ou por que. Não sabia se estava na hora de amadurecer e dar uma de mandão ou de fingir que estou legal e entrar nessa brincadeira. Meu maior defeito é esse: ser influenciado. Vejo Nate, Melissa e Lara. Até Melissa melhorou o humor. Eles querem mesmo sair. Será que eles não sabem das consequências? Sean não deixou claro que não devemos sair?

Esqueço esse assunto e descontraio.

Mas eu não devia ter feito isso. O arrependimento surgiu depois que saímos do Center Hall.

Nunca devíamos ter aceitado a proposta.

Notas finais
Aí vem bomba!