Dark Secrets
1 Prólogo
Notas iniciais
28 de dezembro, 2010
Alison Dilaurentis andava com o passo apertado, segurando com força os livros que acabara de pegar da biblioteca empoeirada do orfanato pacato de Rosewood. Ela estava com medo, assustada e achando que, talvez, estivesse louca. Há meses estava assim, estranha. Já não andava com as amigas, já não se via um sorriso em seu belo rosto, o brilho de seus olhos incrivelmente azuis não estava mais presente, a vaidade que sempre possuíra, agora era inexistente. Era quase como se estivesse morta, quase. Tudo que sabia sobre si era o seu sobrenome, o resto, o seu passado, era em branco.
Ali, voltou, agora correndo, para o dormitório onde dividia com suas melhores amigas. Aria, Spence, Em e Anna dormiam tranquilamente nas beliches – tão tranquilamente, do mesmo modo como Alison, deveria estar neste exato momento. Mas era impossível.
A loira sentou-se devagar no chão, depositando os livros na escrivaninha ao lado de sua cama. Olhou novamente para as amigas, de forma terna, as analisando.
Spencer Hastings era extremamente inteligente, e um leve jeito mandão, o que tornava a convivência um pouco difícil. Tinha chegado ali aos cinco anos, quando foi transferida de algum orfanato da Califórnia por se destacar das outras crianças. Aqui, só ficava quem fosse realmente interessado, em pelo menos, estudar. Tinha descendência Italiana, e pelo que se sabe sua mãe a deixou para voltar para a Itália. E isso era tudo.
Emily Fields era passiva. Era a primeira a tentar parar com uma briga, quando era começada. Seus pais eram do Arizona, a deixar fora uma decisão conjunta por serem muito jovens. Os seus avós concordaram com isso na hora. É claro que mancharia o nome da família ter uma filha grávida aos 16. Hipócritas. Portanto, abandonar Emily, parecia tentador.
Aria Montgomery era explosiva. Estava no mesmo orfanato desde os dois anos de idade, devido a um acidente de carro em que seus pais morreram. Pelo que se sabe, ela era feliz. Tinha uma família que a amava, e isso era o que sentia mais falta, mesmo sem se lembrar do rosto dos familiares. Os avós paternos, que eram os únicos vivos na época do acidente, lutaram por ela. Mas já eram idosos, com um pé na cova. E não demorou. Apenas dois anos depois, ambos faleceram com uma diferença de dois meses.
Hanna Marin era, digamos que uma “patricinha”, mas não fútil. Odiava ser chamada de ‘Anna’, por ser este o nome constado como o de sua mãe biológica. Anna Marin. Odiava aquele maldito sobrenome. A raiva pela mãe, apenas cresceu ao saber que ela tinha tudo, principalmente dinheiro. Sem nenhum motivo aparente para tê-la abandonado, conflitos familiares ou quaisquer outro. E isso era tudo.
E então, tinha Alison Dilaurentis. Ela era estranha, poderia ser uma patricinha ou uma roqueira. E era, por vezes, cruel. O nome Dilaurentis, era a única coisa que tinha, ele viera junto de uma carta, dentro do cesto em que estava a pequena Ali. O resto era vago. Em branco.
A garota estava inquieta, e sabia o motivo. Sabia o que tinha de fazer.
Ali estava atenta. Andando calmamente pelos corredores sombrios do orfanato. Era como um sonho, flutuando. E então, ela o viu. Não sentia mais medo.
– Como posso confiar em você? – ela perguntou, recuando alguns passos quando ele se aproximou. Ela ainda não estava certa de tudo aquilo.
– O que o seu coração diz? – foi o que ouviu em resposta, outra pergunta.
– Não posso fazer o que me pede. Não posso ir. Deixá-las. – olhou para trás, a procura da porta que a pouco, havia saído. Mas não tinha porta nenhuma. Tudo o que viu, foram várias Ali’s a encarando. Espelhos. Alison voltou-se para o ser mórbido a sua frente, que sorria.
– Você já fez, querida. Você se foi. – pronunciou as palavras num sussurro.
– NÃO. – Alison falou alto. – Você é um mentiroso.
Ele estava inexpressivo.
– Acorde, Alison Dilaurentis, acorde. – ele falou, achando de certa forma engraçado pronunciar o nome da garota.
– Você já fez isso antes. Está tudo na minha cabeça, é claro que está. É um sonho, é um sonho. – Ali, disse mais para si mesma.
– É claro que está na sua cabeça, mas por que, isso significaria que não é real? – ele dissipou-se em fumaça negra, formando um redemoinho em volta dela. E então, ouviu-se um estrondo e um grito desesperado escapou da boca de Alison. Ela estava em algum lugar que, apesar de nunca ter ido, reconhecia. Mas gritar, nem que seja por ajuda, não parecia funcionar. É claro que não, não podiam mais ouvi-la.
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