Dark Past
2 O teste
Notas iniciais
23/05/2016
Andrew acordou com o sol batendo em sua cara, Era uma manhã de segunda-feira como todas as outras. Andrew pensou a mesma coisa que qualquer pessoa da sua idade pensaria: "Merda, hoje eu tenho que voltar pra escola"
Praticamente ninguém de sua idade gosta de ir pra escola mas pelo lado bom, seus amigos estariam lá. Não era uma cidade grande, então não haviam muitas escolas. Andrew cresceu com aquelas pessoas, e estava feliz de poder as ver todos os dias. Se levantou e foi se arrumar, não se importando muito com seu cabelo bagunçado. Ele não o deixava crescer, não precisando o arrumar muito. Após tomar uma ducha rápida foi de encontro com sua mãe na cozinha.
— O pai já foi trabalhar? — Perguntou Andrew, que não via seu pai a dois dias. Ele trabalhava como chefe de segurança de uma fábrica que havia nos arredores da cidade, tendo turnos diferentes. O turno da vez o obrigava a sair cedo de casa.
— Sim querido, ele disse para que você não chegue tarde na escola. Seu café está na mesa, eu irei tomar um banho para ir trabalhar também. Não demore tudo bem? — Disse a mãe secando as mãos no avental de cozinha.
— Tudo bem mãe. Talvez eu volte tarde hoje. — Ele disse se sentando na mesa para comer as torradas preparadas por sua mãe, Marian, uma mulher com cachos negros que iam até sua cintura. Se Andrew tinha adquirido a coloração de cabelo de alguém, tinha de ser dela.
— Só tome cuidado. Vai se encontrar com Alan? — Ela disse, retirando o Avental.
— Sim, e talvez com o resto do grupo.
— Certo, vou avisar a seu pai. Estou indo me arrumar. Não demore. — Ela disse, depositando um beijo na testa de Andrew e subindo as escadas.
Não demorou muito para Andrew terminar o café. Após terminar os preparativos para a escola ele partiu de encontro com Alan. A escola não era longe. quinze minutos de caminhada. Vinte considerando o desvio na casa de Alan. Enquanto andava pela rua, Andrew pensava em certos sonhos que andava tendo. Sempre teve afinidade com cães e alguns outros animais, isso devido a experiência na fazenda de seu tio quando criança, mas não suficiente para que eles aparecessem frequentemente em seus sonhos, um mais estranho que o outro. Não importa o quanto Andrew pensasse no sonho, nada ele concluía. Foi então que alguém chega por trás e da um tapa em suas costas, o fazendo tomar um susto.
— O que foi Andrew? Desatento logo pela manhã? — Disse Alan, em tom brincalhão para seu amigo. Alan era um dos amigos de Andrew, tendo crescidos juntos.
— É só você Alan. Não se preocupe, é só mais um daqueles sonhos com animais de novo.
— Ah, mais um daqueles sonhos com zoofilia?
— Aquilo não foi zoofilia! — Disse Andrew, enrubescendo ao lembrar do sonho. — Aquela raposa simplesmente pulou em cima de mim e rasgou minhas roupas mas, não aconteceu nada!
— Diga isso para as autoridades quando te pegarem. — Disse Alan, em um tom brincalhão. Ele gostava de perturbar Andrew, que por sua vez já estava acostumado. — E aí, já decidiu sobre o teste?
— Ah, isso de novo. Eu disse, não há problema em irmos mas, você sabe que aquele lugar é perigoso, fica naquela área da cidade e além do mais, as garotas irão conosco. Você sabe como a Jessica é medrosa.
— Elas falaram que não há problema em ir, desde que você vá também. Todos nós já confirmamos, só falta você. E se o circo pegar fogo, todos voltamos.
— Não sei não Alan, eu tô com um mau pressentimento.
— Vai ser divertido. Além do mais, nós não somos os únicos. Parece que as pessoas frequentam aquele lugar sempre. E eu já fui chegar com o Jake, está seguro. — Alan disse fazendo um O com os dedos.
Andrew suspirou, mas acabou concordando. — Tudo bem, eu vou. Mas se as coisas engrossarem, nós vamos sair o mais rápido possível.
— Tudo bem, tudo bem. Já sabemos. Vou passar uma mensagem pro pessoal dizendo que você vai. Será hoje a noite. Desmarcamos a sorveteria.
— Por que hoje? Podemos fazer amanhã. Eu também não avisei a minha mãe que chegaria no dia seguinte, só que chegaria tarde.
— Amanhã há alta probabilidade de chuva, e nos próximos dias também. Temos que ir enquanto o terreno está seco. Além do mais, você pode ir sem avisar um dia na sua vida, não se preocupe com isso senhor certinho.
— Você sabe que eu não sou isso. — Disse Andrew, emburrado.
— É verdade, você é um lobo em pele de cordeiro. — Disse Alan, sussurrando em seu ouvido e rindo. Andrew engoliu em seco, ele sabia o que aquilo significava.
Os planos de Alan era que todas as pessoas do grupo acampassem juntas em uma floresta que foi apelidada de "Dark Wood", como um teste de coragem. Eles passariam a noite lá e voltariam no dia seguinte, antes da escola. Obviamente os pais não deixariam mas todos queriam ir de qualquer forma. Ou pelo menos foram convencidos por Alan.
Alan e Andrew se dirigiram para a escola após isso onde encontraram o resto do grupo. Alan avisou a todos onde seria o encontro, que horas deveriam estar lá e o que deveriam levar. Após isso começou mais um dia chato e tedioso na escola. Felizmente para Andrew ele passou rápido, tendo em vista que ele ainda estava pensando nos sonhos desta manhã. Mais um sonho bizarro.
Após as aulas todos foram direto para casa, todos precisava arrumar mochila, suprimentos, equipamento, e o mais importante, precisavam de sigilo. Andrew chegou em casa na ponta dos pés. Esperava que seus pais não estivessem em casa, e por sorte não estavam. Ele só precisava arrumar a mochila, pegar uma lanterna e pilhas. Cordas e talvez seu isqueiro. Os suprimentos ele poderia comprar no caminho. Eram por volta de 18:30 quando ele terminou tudo. Esperava que seus pais voltassem tarde suficiente para pensarem que Andrew já estava dormindo, e com isso partiu. Ele teria uma longa caminhada antes de chegar no lugar onde seria o encontro porém antes ele passaria na casa de Alan.
Não demorou muito para chegar na casa de seu amigo, porém quando chegou o viu com muita pressa. — Andrew! Finalmente. Surgiu um imprevisto. Avisei pra todos que o evento iria atrasar uma hora. Um acidente aconteceu, bloqueando a rota do ônibus que pegaríamos. Se formos andando iremos nos cansar muito então avisei a todos para esperarem, porém não consegui falar com você.
— Meu celular provavelmente descarregou, e além do mais, vamos pra floresta. Não preciso de celular lá, nem sinal vai ter.
— Nisso você tem razão, mas é sempre bom se prevenir. Bem, entre, vamos esperar aqui.
— Tudo bem... — Andrew colocou a mão em seu bolso e percebeu que seu isqueiro não estava lá. — Na verdade, eu vou voltar pra casa, esqueci de meu isqueiro.
— Você nem fuma, por que carrega isso contigo?
— Amuleto da sorte. Além do mais, nenhum de vocês vão saber fazer fogo sem ele. Melhor eu levar.
— Tudo bem, só não demore, ah, e deixe sua mochila aqui. Você vai voltar pra cá mesmo, não precisa levar o peso dela. — E assim Andrew o fez.
Quando chegou em casa percebeu que seu isqueiro estava em cima do balcão. Seus pais não haviam chegado em casa ainda. Ligou a televisão e sentou-se no sofá, colocou em um canal de tempo qualquer para saber a probabilidade de chuva de hoje. Com isso seus olhos ficaram pesados, e mais pesados. Andrew acabou cochilando. Quando acordou viu que eram 21:27.
— Droga! Me atrasei. Alan deve ter levado minha mochila mas, eu preciso chegar lá antes de 22:30. — Andrew se levantou e foi correndo para o ponto de ônibus que o levaria até Holy Cross. De lá ele teria de ir andando.
Era tarde da noite quando Andrew desceu do ônibus. Já passavam das dez e a área onde ele se encontrava era escura. Aquela era uma área periférica da cidade, que apesar de não ser tão grande era suficiente para se perder. Andrew estava procurando o ponto onde terminavam as casas e começavam as trilhas e vegetação porém com tantos becos e ruas mal iluminadas ele dificilmente sairia dali.
Foi em um destes becos mal iluminados que Andrew encontrou um homem vestindo um sobretudo preto parado em um poste. Parecia que aquele era o único ponto de luz na localidade e ele engoliu em seco. Andou vagarosamente em linha reta tentando não olhar para o homem.
— Garoto, poderia me informar as horas? — Disse o homem de sobretudo, levantando um pouco a cabeça e mostrando uma barba negra com cabelos grandes, talvez um pouco grisalhos.
— São 22:54 senhor. — Disse Andrew, temeroso. Apesar de não conhecer o homem sua presença incorporava algo. Andrew só não sabia se aquilo era medo ou respeito.
— Obrigado garoto. Qual seu nome? — Ele perguntou agora se aproximando.
— Andrew Crawford Wood senhor. — Disse Andrew. Ele não sabia porque tinha usado o nome completo mas achava que seria melhor assim.
— Bom. — Disse o homem coçando a barba negra. — Me chamo Robert, se quiser ajuda ou qualquer coisa do tipo pode me encontrar nessa área da cidade, não se preocupe com sobrenome. Tenha uma boa noite. — Disse Robert antes de acender um cigarro e entrar em um dos becos escuros. Essa presença misteriosa o deixava assustador mas Andrew não se sentiu tão intimidado.
Depois deste encontro Andrew continuou a Andar pelos becos até dar em uma rua que levava a uma clareira, de onde já conseguia ver as luzes de seus amigos na floresta.
Andrew caminhou por mais alguns minutos até que seus amigos o viram chegando de longe.
— Finalmente! — gritou Alan. — Estávamos ficando preocupados!
— Por que demorou tanto? — Perguntou Ângela. Ângela e Alan vinham sendo os melhores amigos de Andrew há muito tempo.
— Tive um encontro inesperado com alguém, mas agora estou aqui. Podemos começar? — Disse Andrew, Pegando sua mochila com Alan.
— Sim! — Disseram todos em uníssono. Além de Andrew e Ângela também estavam conosco Jessica, Danny, Jake e Melissa, amigos nossos que concordaram em vir.
O grupo caminhou pelo que pareceram ser 40 minutos, adentrando bastante a floresta, até que chegaram em um lugar bom suficiente para montar acampamento.
— Aqui parece um bom lugar. — Disse Jake antes de soltar a mochila com as coisas. Cada um estava encarregado de levar seus próprios suprimentos enquanto barracas seriam levadas por somente três pessoas, tendo em vista que dormiríamos em duplas. Eu ficaria com Alan, Jessica ficaria com Ângela e Jake ficaria com Danny.
— Tudo pronto? — Perguntei, soltando a mochila. Todos fizeram o mesmo.
— Acho que sim, agora podemos começar a... — Jessica começou porém não pode terminar pois antes de completar a frase escutamos um barulho no mato.
— O que foi isso? — Perguntou Danny aflito.
— Deve ter sido um animal selvagem, nada demais. — Disse Alan de forma calma.
— Nada demais!? — Exclamou Jessica. — E se for um urso? Ou um lobo?!
— Não são vistos ursos ou lobos nessa região a tempos. Mas o que tem aqui pode ser pior. — Disse Jake com uma cara séria.
— Parem de assustar a garota. Não deve ser nada. — Andrew se levanta e olha para a fogueira improvisada que Jake fez. — Há lenha suficiente?
— Acho que sim, porém seria bom pegarmos mais para o resto da noite.
— Concordo. Então eu acho que vou... — Nesse momento um arbusto explode e algo sai dele em uma velocidade bestial. Nenhum deles conseguiu acompanhar com os olhos aquilo que saiu, porém automaticamente a fogueira, que já estava fraca foi apagada com vento e algo derrubou Alan somente com o impacto, porém ele saiu rolando para longe do que quer que fosse.
— O que foi isso?! — Alan gritou aflito.
— Não sei, mas acho melhor sairmos daqui. — Disse Andrew pegando sua mochila, mas antes que a alcançasse algo o derrubou e ele viu um vulto negro de seu lado. — ESTÁ AQUI! CORRAM! — Gritou Andrew se levantando rapidamente e correndo em direção aos amigos, que a essa altura corriam sem suas mochilas. Não havia tempo para pega-las e seu peso só iria os atrasar. Eles precisavam sair dali ou pelo menos despistar a criatura o mais rápido possível.
Todos corriam o mais rápido possível, as vezes ouvindo sons vindos da mata aqui e ali porém não encontraram mais com a criatura. As pernas de todos já cansavam mas não paravam de correr, com Andrew atrás de todos sempre de olho na retaguarda.
— Acho que despistamos ele! — Gritou Andrew antes da criatura subitamente aparecer na frente dele e jogar sua calda na frente de seus pés, fazendo tropeçar. Com o barulho seus amigos olharam para trás e pararam, porém vendo isso Andrew gritou:
— Não parem! Continuem até sair da floresta! — Andrew tinha um rosto fixo em Alan, que estava com lágrimas prestes a sair. Ele não queria deixar o melhor amigo para trás mas Danny o puxou, Jessica fez o mesmo com Ângela. Ambos voltariam e ficariam se pudessem mas Andrew queria que eles fossem, queria que eles sobrevivessem. Ele só pode escutar um grito desesperado de Alan e Ângela: DREEEEEW! E tudo se silenciou novamente.
Andrew se levantou e ficou em posição de alerta. O que quer que tenha o derrubado ainda estava ali, ele sentia isso. Ele ouvia atentamente os sons da floresta, que agora parecia calma, e essa calmaria era o que o assustava.
Ele se mexia lentamente e olhava para todos os lados, até que viu uma mão em garra vindo em sua direção, e essa foi sua última lembrança.
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