Dark Paradise.
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Acordei assustada, virei para o relógio e reparo que é madrugada, ele aponta duas horas da manhã. Tento me lembrar aos poucos o que fiz quando cheguei em casa, mas só me recordo que estava mal e cansada, então cai num sono profundo.
Levantei lentamente da cama e fui para o chuveiro. A água gelada caiu sobre meu corpo me arrepiando toda, e foi esquentando até ficar numa temperatura que me agradasse.
Não sei se são todos, mas meu banho é o momento em que eu esqueço do mundo, não penso, não me movo, só deixo a água levar tudo de ruim que eu sinto, que eu tenho, que eu sou.
Depois de passar quinze minutos no banho, saí. Coloquei um moletom e um short de pijama, daqueles, bem confortáveis. Me cobri e voltei a dormir. Quando deu seis horas eu acordei, coloquei um moletom preto com um jeans da mesma cor, coloquei minha mochila nas costas e desci.
– Bom dia meu amor, dormiu bem? — pergunta mamãe.
– Aham, dormi. Bom dia mãe, bom dia pai. Tchau mãe, tchau pai. — disse rapidamente e fui alcançando a porta.
– Não vai comer nada? — papai parece preocupado, porque já tem um tempo que não coloco nada no estômago, afinal, uma gorda precisa disso?
– Tô sem fome. — disse batendo a porta em seguida.
Não estava atrasada, até porque minha aula, hoje, só começava às oito e meia, e ainda eram sete horas. Fui até uma pracinha perto do eu antigo colégio, vi uns garotos que sempre via antes, eles me cumprimentaram e me ofereceram um cigarro. Eu nunca tinha fumado, sempre via reportagens sobre como os jovens "se perdem" no mundo das drogas... Mas eu não tenho nada a perder, tenho?
Aceitei o cigarro, me engasguei nas primeiras tragadas mas logo depois me acostumei, quando terminei eles me ofereceram uma caixinha e eu aceitei, perguntei se queriam que eu pagasse mas eles recusaram, disseram que seria um presente, e que quando eles precisassem de algo me procurariam como troca de favor, apenas assenti e saí.
Enquanto caminhava peguei a caixinha do cigarro. Contém doze unidades. Será que é isso que eu quero? Peguei outro e acendi, fui fumando enquanto seguia para o colégio ao som de U2 — With or Without.
Aqui estou eu. Entrei no colégio e fui direto para a sala de química, dessa vez, Pedro já estava sentado e conversando com seus amigos. Me sentei ao lado dele e arrumei meu material.
– Oi, Lalyi né ? — Pedro olha pra mim.
– Oi, é sim. — respondo.
– E aí, como está ?
– Tô legal. — sorri timidamente.
– Ótimo! — ele diz animado. — É, hoje vou sair com a galera, tá afim de ir?
– Hum, acho que não dá. — sorrio torto. Você tem uma namoradinha que se acha a abelha rainha, amigos riquinhos e eu sou uma mosquinha no meio de toda essa limpeza, acho que não vai rolar.
– Por que ? — ele pergunta parecendo desapontado.
– Acho que eu não sou a pessoa mais apropriada pra andar com vocês... — dou uma risada debochada mirando o olhar para seus amigos.
– Nada a ver, claro que é! Eles são legais, podem não parecer — ele entorta a cara — mas são!
– Quem sabe outro dia?
– Tudo bem. — diz ele sorrindo delicadamente.
– Bom dia crianças, vamos ao trabalho? — Sr.Will chega dizendo animado.
Depois disso tive aulas vagas, porque alguns professores estavam em reunião. Sentei na arquibancada da quadra, isolada de toda, escutando minhas musicas. Um garoto, com franja grande e escura e olhos parecendo quem acabou de acordar senta do meu lado.
Ele fecha os olhos e parece que quer apenas sentir o ar tocando sua pele, acho esse ato bonito, então o imito para ver como é a sensação.
– É bom, não é? — pergunta ele, abro meus olhos envergonhada por ele ter percebido que estava imitando, ele continuava de olhos fechado, ele era bonito e misterioso.
– É sim. — fecho novamente meus olhos e sorrio.
– Sou David. David Brass. — ele se apresenta.
– Layie. Layie Vantroba. — digo.
– Bonito nome.
– Obrigado.
– Hey, você tem algo pra fazer hoje? Sou novato, não conheço ninguém por aqui, não queria passar mais uma tarde sozinho como sempre, tá afim de ir na pracinha? — ele pergunta.
– Pode ser. — sorrio.
– Legal. — ele sorri também, olhando para frente. — Vim do Canadá, meu pai trabalhava lá numa empresa famosa só que em uma cidade pequena, e recebeu a proposta de se transferir para cá e poder crescer. Então ele aceitou sem pensar duas vezes — ele dá uma risada que parece debochada — sem pensar em ninguém, sem perguntar a ninguém, apenas aceitou. Eu tinha onze anos, e bom, agora eu já estou com dezessete, repeti um ano. Eu não consigo me achar, sabe? E sinceramente nem sei porque eu tô falando isso. Desculpa.
– Tudo bem, eu te entendo perfeitamente. Você é feliz? — pergunto.
– Isso é o que eu mais queria ser, mas acho que não sou. — ele suspira — e você ?
– Que aulas você ainda têm?
– Duas seguidas de literatura, por quê?
– Tá afim de ir na pracinha agora? — pergunto.
– Matar aula? Vamos. — ele da uma risada que me acalma, então eu sorrio.
Ele me entende, eu sinto que me entende, eu sinto que ele tem um pedaço de mim. Sei que ele sofre e sei que ele irá me entender. Eu quero ajudá-lo, sei que precisa. Vou ser amigada dele, vou conseguir conquistar sua amizade. Nós seremos felizes, ou não. Eu sei que eu preciso dele, preciso conhecê-lo.
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