Dark Paradise
20 Capítulo 19
Notas iniciais
desculpa desculpa desculpa a demora hahaha mas pelo menos o cap ficou enorme de grande pra compensar kkk
foi mal gente, mas é que essas ultimas semanas eu tava morando na minha avó então, alem de virar babá 24 horas por dia dos meus priminhos gêmeos, ainda tive uns mil trabalhos pra fazer kkk sério, minha escola ta doida!!! em duas semanas eu fiz um vídeo de entrevista pra filosofia, filmei e editei um curta de 10 min pra aula de pt, criei uma música com a matéria de química, fiz mil ex de mat, gramatica, bio, física...... ENFIM, não deu gente! kkkk (e TALVEZ a demora tbm tenha sido porque gastei meu tempo livre lendo mil livros, vendo greys e games of thrones, mas não vamos comentar isso.... kkkkkk)
ENFIM, espero que gostem do cap, e é isso aí :)
“Eu preciso te lembrar que os bombeiros nunca correm para dentro dos prédios em chamas? Eles andam, para que a pressa não resulte em erros críticos”
“ Aquela garota não é uma chama, Duck”
“Não, ela é o prédio, seus captores são o fogo. Quer colocá-los para fora? Ande”
— Duck, NCIS
EMILY’S P.O.V.
- tudo bem. A gente pode continuar tentando achá-lo, se é isso que você quer. Mas, se vamos fazer mesmo isso, vamos com calma dessa vez, assim ninguém se machuca
Foi a primeira coisa que Lucas me disse na tarde seguinte ao dia do meu aniversário, quando fui ao hospital visitar Jack e encontrei seu irmão mais velho rolando pelo chão, como que em uma cena se batalha, atirando com uma arma invisível em alvos invisíveis e gritando sobre problemas invisíveis enquanto Jack pilotava, sentado na cama, uma nave invisível. O que não deixava de ser fofo, apesar de nada realmente existir.
Assim que entrei no quarto e vi a cena toda, Jack gritou para Lucas me tirar do caminho de uma bala alienígena e foi assim que terminei deitada no chão, ao lado do mais velho, que deu um sorriso torto em minha direção. Não precisei de nem mais um segundo de pensamento para entrar no jogo e logo nós três quase gritávamos pelo quarto, combatendo os Alienígenas Maiores, em um planeta de que não me lembro o nome.
Jack não podia ficar se movimentando muito, então ele se limitava a dirigir a nave e dar ordens – ele era o comandante – às quais eu e Lucas seguíamos sem pestanejar, logo depois de um “Sim, Senhor” e uma batida de continência.
Depois de matar, pelas contas de Jack, 567,3 alienígenas (o 0,3 era porque tínhamos apenas arrancado a perna de um deles, e não tinha dado tempo de saber se ele realmente sangrou até a morte), Lucas me puxou para fora do quarto, deixando o irmão mais novo com seu pai, e me dirigiu as tais palavras já mencionadas.
Olhei-o surpresa por alguns segundos e então achei minha voz para respondê-lo. “Claro” foi a única resposta que me ocorreu na hora, e me pareceu bom o bastante para a situação toda. Até porque Lucas não me deu tempo suficiente para falar mais do que isso antes de colar sua boca na minha.
Seguimos até a cafeteria do hospital depois disso e nos sentamos em uma mesa de canto.
- eu estava falando sério – Lucas disse depois de beber o restinho de meu chocolate quente
- sobre os sonhos? – perguntei tomando o copo de sua mão, a fim de ver se ainda sobrara algo – eu acredito em você – sorri de leve. Ele tinha acabado de me contar sobre o motivo de me ligar todas as últimas noites.
- não, não é isso – disse corando um pouco – sobre o que eu disse lá em cima, sobre ir com mais calma dessa vez... – concordei com a cabeça.
- tenho que dizer que estou surpresa de você querer continuar... – disse puxando o ar pelo canudinho do copo.
- vamos dizer que eu não estou afim de ver alguma merda acontecer com você por causa dessa cabeça oca e loira que você tem – disse se recostando na cadeira.
Coloquei minha mão por cima da dele que estava na mesa e abri um sorriso apaixonado.
- adoro quando você é romântico assim, mô – disse sarcástica e seus lábios curvaram um pouco.
Levantou-se e puxou minha mão. Seguimos pelos corredores brancos do hospital, mas Lucas não desistia de falar sobre isso, e eu sabia que ele estava esperando ouvir da minha boca um grande e gordo “sim, Lucas, eu concordo com a sua ideia de ir mais devagar dessa vez”. Ele queria todas as palavras.
- e a gente tem que esperar um tempo pra antes de continuar também, pra ver se a gente passa a impressão de ter desistido e vê se esse cara sai um pouco de cima da gente...
- aham — concordei com a cabeça – a gente pode esperar até semana que vem... – dei de ombros e ele soltou uma risadinha – o que? – perguntei – você quer que a gente espere, tipo, uma semana e meia, duas semanas, então? – ele me olhou com um sorriso e passou o braço por cima de meus ombros, me abraçando de leve.
- está mais pra um mês – sussurrou em meu ouvido.
- Um. Mês? – perguntei um pouco mais alto, me desvencilhando dele.
Lucas colocou o dedo em frente à boca em um sinal de silêncio e me puxou para um canto do corredor vazio, tudo isso tentando esconder um sorriso.
- é – disse parando à minha frente – um mês vai definitivamente fazer ele pensar que desistimos. E é isso que a gente precisa no momento, Ems – disse um pouco mais sério agora.
- um mês é muita coisa, Lucas! Eu não consigo esperar um mês!
- um mês nem é tanto assim – disse colocando uma mecha de meu cabelo atrás da orelha.
- me convença – disse cruzando os braços em cima do peito e ele sorriu.
- olha, a gente não precisa ficar sem fazer absolutamente nada em um mês – colocou as mãos no bolso da calça – você pode terminar de ler o diário nesse meio tempo – deu de ombros – mas você tem que prometer que se for fazer isso, vai lê-lo só quando estiver dentro do banheiro
- o que? Porque diabos eu tenho que ler o diário dentro do banheiro?
- porque quando estiver trancada dentro do banheiro, a gente tem muito menos chance de sermos traídos por janelas indiscretas, ou pessoas passando perto, ou qualquer coisa do tipo – tinha tomado a atitude séria de novo. A atitude eu-cresci-com-policiais que, eu tinha que confessar, o deixava ainda mais atraente.
- você está ficando paranoico, Nadador... – disse me encostando à parede.
- e isso é algo ruim? – levantou uma sobrancelha.
- não – disse simplesmente e ele tomou isso como um incentivo a continuar.
- além disso – ele disse tomando sua feição brincalhona mais uma vez – um mês pode nos dar tempo de fazer muitas coisas... – deu de ombros e se inclinou em minha direção, colocando as mãos ao lado de minha cabeça – podemos ir ao clube, ao cinema, tomar sorvete, dar uma volta pela cidade, você sabe, esses programas de casal... – disse me dando um beijinho.
- hmm... – eu disse e ele sorriu.
- eu posso te levar pra conhecer meus lugares favoritos – disse me dando um beijinho – podemos criar os seus lugares favoritos – disse agora perto de meu ouvido – podemos fazer um piquenique no parque, tomar sol, dormir a tarde toda, assistir mil episódios de Greys Anatomy... – ele sabia que eu estava quase derretendo em seus braços pela forma como falava em meu ouvido, e eu sabia que ele estava gostando de descobrir os poderes que tinha contra mim – ou então – disse segurando meu rosto com uma das mãos e, quando voltou a falar, seus lábios roçaram nos meus, tamanha proximidade que nos encontrávamos – podemos só fazer isso – sorriu e juntou seus lábios aos meus.
Lucas me deu um beijo calmo e doce, como se fosse a primeira vez que nos beijássemos e ele estivesse testando meus limites.
- acho que consigo esperar um mês – eu disse assim que nossas bocas se separaram e ele abriu um sorriso vencedor – mas pode tirar essa cara de babaca – disse, mas sem conseguir evitar sorrir também.
*****
A semana passou tranquilamente, por incrível que pareça.
Jack recebeu alta e bombinhas novas. Finn nos irritava sempre que podia. Lucas treinava para a estadual e depois ia para minha casa para decidirmos o que fazer naquela tarde. Eu lia o diário de Sarah no banheiro. Carr tentava conquistar um garoto de sua aula de química. Anna tentava convencê-la a não fazer isso. E Lucas pegou em minha mão.
Eu sei. Não parece nada de mais, mas na verdade, foi sim.
Estávamos voltando da escola, depois de um dia de treino, com Carr e Finn quando ele o fez. Estava rindo de uma piada que o amigo fazia, quando deslizou sua mão pelo meu braço até que alcançasse minha própria mão.
Foi um gesto tão natural que me assustei por alguns segundos. Ele não parecia nem ao menos ter notado o que tinha feito, o que tornava o gesto ainda mais especial. Entrelacei, feliz, meus dedos ao dele e voltei a escutar o que Finn dizia.
Foi o ponto alto de minha semana.
O tempo passou rápido, e, quando me assustei, três semanas desde meu aniversário tinham passado.
Os ponteiros do relógio continuavam a correr e o mundo continuava a girar como sempre girou.
Até que sexta-feira chegou, e ele girou um pouco mais rápido que o de costume.
Era dia de Mini ONU no colégio, e tínhamos que ir fantasiados.
Tudo bem, fantasiados não é a palavra correta, mas Finn tinha me feito tê-la como verdade, por tanto que a repetia quando falava (desdenhosamente) do assunto.
Fomos separados em comissões e representaríamos países diferentes em diferentes assuntos contemporâneos. Em poucas palavras, seríamos advogados por um dia. Por isso todo o figurino. Os professores queriam que entrássemos no espírito da coisa.
Estava parada em meu armário quando Lucas chegou e me pediu, corando, que fizesse o nó de sua gravata. Usava um terno preto e uma camisa branca, sapatos pretos e uma gravata fina da mesma cor. Clássico, mas lhe dava certo charme a mais.
- acho que você é a primeira garota que vejo sem salto agulha – disse com um sorriso, olhando para meus pés calçados em sapatinhas, enquanto eu dava seu nó.
- sim – também sorri um pouco – e só Deus pode me julgar – disse brincando e apertei a gravata um pouco mais que o necessário.
- não estou te julgando – abriu um sorriso torto depois de afrouxar meu nó e me deu um selinho – aliás, você está linda – sussurrou em meu ouvido.
Olhei para baixo, por força de hábito, e chequei minha roupa: blusa social vermelha dobrada até os cotovelos, saia alta preta que ia até um pouco acima de meus joelhos, meia-calça também preta e sapatinhas da mesma cor. Tinha feito um coque alto e passado um pouco de maquiagem.
- obrigada – disse com um sorrisinho – estaria melhor se eu estivesse de salto, temos que concordar – fiz uma careta – mas você sabe que eu não aguento muito tempo em cima deles...
- eu gosto de você baixinha – disse com um sorriso e me deu outro beijo, mais longo dessa vez. Separou-se de mim depois de alguns segundos e completou – uau, e alguém realmente passou perfume hoje... – levantou as sobrancelhas e eu ri.
Inclinou a cabeça e cheirou levemente meu pescoço.
- Ange ou Démon? – perguntou estreitando os olhos e eu ri mais uma vez.
- um dia eu ainda vou descobrir como você conhece todos os perfumes femininos do mundo – ele abriu um sorriso e já ia voltar a me beijar quando Finn passou e o puxou pelo braço corredor afora.
- desculpe – disse o garoto enquanto puxava o amigo pelo corredor – emergência no Oriente Médio!
Ri sozinha e decidi ir encontrar Anna para nossa Comissão de Violência na sala 458 e tenho que confessar que estava genuinamente animada.
Mais tarde, no almoço, eu estava reclamando do pedaço de sanduíche que Lucas me dera, quando Carr chegou e espalmou as mãos na mesa. Os olhos estavam um pouco esbugalhados, os cabelos levemente despenteados e os lábios tremiam.
- eu estou atrasada – disse simplesmente.
- atrasada? Mas estamos na hora do almoço, não dá pra você estar atrasada... – Finn disse olhando para a irmã.
- oi? – eu perguntei o mais calma que consegui, rezando internamente para ela não estar se referindo ao que eu (e muito provavelmente Anna também) pensava.
- Eu. Estou. Atrasada. – Carr disse pausadamente e tentando aparentar calma.
Não precisou mais uma palavra para que eu e Anna nos levantássemos e fôssemos com ela ao banheiro, alegando emergência de mulher para os dois que ficavam na mesa.
Esse foi o primeiro momento do dia que o mundo pareceu dar uma corridinha.
*****
- eu não quero fazer isso – Carr disse.
Estávamos as três encostadas na pia do banheiro e ela olhava fixamente para a caixinha em sua mão.
- eu também não quero acreditar que você não usou a porra de uma camisinha. Mas parece que não temos escolha, temos? – Anna disse e Carr bufou.
- foi uma vez só! — choramingou
- e pelo jeito você faltou às aulas de biologia sobre métodos anticoncepcionais mais vezes do que isso, não é? – eu disse tomando a caixinha de sua mão e tirando o teste de gravidez que ela tinha comprado antes ir para a aula de lá.
- a Emily tem razão – Anna disse tirando o pauzinho de minha mão e entregando-o para Carr – fez a merda, agora vamos ver no que deu...
Carrie respirou fundo e fez uma careta antes de entrar na cabine e fechar a porta.
- se vale de alguma coisa, não era pra ter acontecido. É só que no calor do momento a gente esqueceu... – disse um pouco mais alto para que pudéssemos ouvi-la.
- não vale... – dissemos juntas, ao mesmo tempo que alguém tentou abrir a porta do banheiro, a qual tínhamos trancado – ta ocupado! – Anna gritou.
- será que dá pra ir logo? Eu to com fome ainda... – reclamei e Carr abriu a porta da cabine e saiu.
- ah claro, obrigada por achar seu almoço mais importante que meu possível futuro! – ela disse. Olhei para Anna e dei de ombros – vocês são péssimas amigas. Pois fique sabendo que quando for a sua vez, Emily Westwick, eu vou fazer um piquenique enquanto você vive o drama puta-merda-será-que-vou-ser-mãe...
- relaxa, não vai acontecer, porque eu aconteço de não ser tão imbecil igual você... – fiz uma careta e ela revirou os olhos.
- olha, falando em drama... – Anna começou enquanto examinava as unhas – você não acha que ta fazendo drama com isso não? Nem um pouquinho de chance de você estar exagerando? – perguntou como quem não quer nada e a próxima coisa que sei é que Carrie está nas pontas dos pés, segurando no colarinho da loira.
- Eu. Estou. Atrasada. Nove. Porras. De. Dias. E. Eu. Nunca. Atraso – Carr disse com os dentes cerrados e Anna afastou sua cabeça um pouco.
- acho que você cuspiu em mim... – ela disse baixinho e Carrie a soltou.
Virou-se abruptamente para mim logo depois
– você não quer fazer por mim? – estendeu o teste de gravidez em minha direção e, como eu estava realmente começando a ficar preocupada com a história toda, segurei em seus ombros e comecei a empurrá-la para a cabine mais uma vez – ai meu Deus – dizia enquanto lutava para não entrar – Finn vai me matar!
- olha, se tem uma coisa que seu irmão vai fazer é obrigar o cara que fez isso casar com você, e ai ele vai matar o cara depois disso e então ele vai ser preso... – Anna disse contando nos dedos – então, pro bem da sua família, acho melhor esse teste dar negativo... – deu de ombros.
Tive que fazer ainda mais força depois disso, mas finalmente consegui colocar Carrie dentro da cabine e fechar a porta.
- não me faça entrar ai e te obrigar a fazer xixi, Wood – disse e voltei a me encostar na pia com Anna.
Esperamos por alguns (longos) segundos.
- eu não escuto seu xixi, Wood! – eu disse um pouco mais alto para ela escutar.
- acho que estou tão nervosa que não quer sair... – ela disse manhosa.
- puta merda! – Anna estourou – olha, Carr, já ta feito, ok? Se tiver um bebê ai dentro ele não vai sumir igual o seu xixi no momento, então vamos só saber de uma vez, ok?
- mas...
- mija logo, caralho! – eu gritei e alguns segundos de silêncio se passaram até eu escutar aquele típico barulho de xixi e relaxar.
Carr saiu e entregou o palitinho do teste para Anna.
- e ai? – perguntou aflita.
- Carrie, não é tão rápido assim... – eu disse e esperamos pelo sinal se formar.
Ficamos em silêncio durante um tempo que pareceu longo demais e então os olhos de Anna se arregalaram e ela cobriu a boca.
Abracei Carrie por trás e já senti seu corpo amolecendo, prestes a cair no chão.
- Meu Deus... o Finn não vai pra cadeia! Parabéns, linda, você não está grávida, uhuul! – disse fingindo animação e senti Carrie voltar a respirar.
- isso não teve graça! – eu disse mas não conseguia segurar o riso. Talvez Carr estivesse certa, talvez fôssemos péssimas amigas.
- sinto um peso fora das minhas costas... – Carr disse segurando na bancada da pia, com a mão no peito.
- barriga... você quis dizer peso fora da barriga – Anna disse e jogou o teste no lixo.
- graças a Deus! – Carr disse e eu a abracei rindo – podemos ir comer agora – ela disse sorrindo para mim.
*****
Seguimos depois da aula – e depois de uma rápida e confusa explicação do que tínhamos ido fazer na hora do almoço para o meninos – para casa.
Assim que chegou à Rua de Lucas me despedi de Carrie e Finn e segui com o nadador (que não tinha treino no dia) para sua casa.
Enquanto andávamos com os dedos entrelaçados pela rua reparei em como, desde a ultima vez que o tinha visto, no almoço, ele estava diferente.
Sua gravata estava super frouxa e pendia em seu pescoço. A blusa social, já amarrotada, estava com as mangas dobradas e os primeiros botões abertos. O blazer estava jogado sobre um dos ombros e os óculos estavam tortos sobre o nariz.
- para de me analisar – disse com um meio sorriso enquanto procurava as chaves.
- não consigo – disse sem conseguir segurar um sorriso que se formava, enquanto ele abria a porta e dava espaço para que eu passasse.
Entrei e deixei minha bolsa em cima do sofá, me jogando ao lado da mesma logo após.
- sinta-se em casa – Lucas disse brincalhão.
- muito obrigada – gritei enquanto ele se afastava, entrando na cozinha.
Voltou com uma garrafa de suco natural de laranja que sua mãe tinha deixado da mesa ao lado de um bilhete que dizia que tinha ido no campeonato de futebol com Jack e voltava mais tarde do que de costume, ele me disse.
Dividimos a garrafinha de suco enquanto passávamos os canais de TV sem prestar muita atenção e contávamos sobre as Comissões que cada um tinha participado.
- e é por isso que eu disse que estava certa, aquele John é um completo de um babac... – Lucas interrompeu o que eu estava dizendo com um beijo.
- desculpa – ele disse assim que se separou de mim – o que você estava dizendo mesmo? – colocou uma mexa de cabelo atrás de minha orelha.
- nada importante... – eu disse com um sorriso e voltei a beijá-lo.
O beijo começou calmo, como sempre, mas mais rápido do que eu imaginava eu já estava me inclinando em cima de Lucas, até que estivesse deitada sobre ele no sofá.
O sabor de laranja deixava o beijo ainda mais doce e fazia nossas bocas ficarem cada vez mais urgente. Lucas foi se sentando lentamente, até que eu estivesse sentada em seu colo, com uma perna de cada lado de seu corpo, correndo minhas mãos por todo seu cabelo, enquanto as dele corriam por minhas costas.
Em um movimento rápido, Lucas se pôs de pé e me deixou sentada no sofá. Passou as mãos pelo cabelo e levantou as sobrancelhas.
- eu... – limpou a garganta – eu tenho que ver uma coisa lá em cima, rapidão... – subiu rapidamente os degraus e eu fiquei sentada atônita no sofá por alguns segundos.
Resolvi, então, segui-lo.
- Lucas? – chamei assim que cheguei em seu quarto. Ele estava de costas para mim, se apoiando com as duas mãos em sua escrivaninha.
- oi – ele se virou e pude ver suas bochechas levemente coradas.
- ta tudo bem? – eu perguntei dando alguns passos e ele concordou com a cabeça.
- desculpa eu só... – balançou a cabeça negativamente. Cheguei mais perto e pousei minhas mãos em seu peito, enquanto ele cercava minha cintura com as suas – é só que você me contou aquelas coisas do seu ex e eu não queria acabar fazendo qualquer coisa que você não quisesse e eu só... – respirou fundo e eu ri.
- a gente estava só beijando, Lucas...
- você sabe que a gente não estava só beijando...
- estava sim – eu disse com uma risadinha e ele abriu um sorrisinho. Fiquei na ponta dos pés e lhe dei um beijinho. Depois outro mais demorado. E então mais um e antes que eu ou ele percebêssemos, estávamos novamente nos beijando urgentemente, como se o mundo fosse acabar naquele instante.
Lucas me empurrou gentilmente até que estivesse encostada na parede de seu quarto e prensou seu corpo contra o meu, colocando as mãos na parede atrás de mim.
Puxei sua blusa pelo colarinho e continuei a beijá-lo, a sentir aquele gosto doce de paixão misturado com laranja fresca, e a cada segundo parecia que ele me apertava mais de encontro à parede, como se me quisesse fundir a ela.
- Lucas? – perguntei um pouco sem ar, em parte por causa do beijo, em parte por causa da prensa contra a parede.
- hm? – ele disse enquanto beijava meu pescoço.
- porque você não está me tocando? – perguntei com um sorriso e ele se afastou um pouco, olhando profundamente em meus olhos.
- Ems, eu não quero...
- eu quero – sorri – e você não é o Brad – disse enquanto fazia carinho em sua bochecha com o polegar.
Senti suas mãos irem afrouxando na parede, até que caíram totalmente e ele voltou a me segurar pela cintura.
- me diz quando quiser parar, ok? – ele disse sério e eu abri um meio sorriso, já voltando a beijá-lo.
O beijo foi ficando ainda mais urgente do que antes e minhas mãos correram rapidamente pelos botões da blusa de Lucas, abrindo-os rapidamente e deslizando sua blusa para baixo logo em seguida.
Senti suas mãos descerem pelas laterais de meu corpo até alcançarem meus joelhos e puxá-los para cima, me carregando assim até a escrivaninha no outro canto do quarto.
Agora, sentada na escrivaninha alta, minha altura se igualou um pouco mais com a de Lucas e ele habilidosamente puxou minha blusa de dentro da saia, abrindo seus botões cautelosamente, como que pronto a parar o movimento assim que eu desse o sinal.
Seus lábios desceram para o meu pescoço e senti um arrepio percorrer minhas costas ao sentir sua boca em contato com a minha pele. Seu beijo foi andando ainda mais, percorrendo toda a extensão de meu ombro esquerdo, ao mesmo tempo que ele abaixava a manga de minha blusa, tirando, ainda mais rápido o outro lado. Passou ainda mais rapidamente a camiseta que eu usava por baixo pela minha cabeça, me deixando somente com um sutiã preto.
Puxei-o de volta para mais um beijo e em pouco tempo segui seus passos, descendo minha boca pelo seu pescoço e seus ombros largos, ao mesmo tempo que sentia suas mãos percorrerem todo meu corpo, dos ombros, aos joelhos, deixando aquele rastro de fogo já familiar por onde passavam.
Seus dedos ágeis deslizaram para o zíper na lateral de minha saia, mas, tampouco tinham começado a abri-lo, coloquei minha mão por cima dele, fazendo com que Lucas parasse o movimento e subisse o que tinha aberto.
Assim que foi descer suas mãos pela minha coxa mais uma vez, uma de suas unhas agarrou em um pequeno buraco em minha meia-calça e desfiou o lugar mais ainda. Lucas estava tão absorto no beijo que não percebeu e, assim que continuou a descer fortemente a mão pela minha perna, fez um rasgo na meia. Apartou o beijo e trocou um olhar rápido entre o (grande) rasgo, que eu não tinha ideia de como ele tinha conseguido fazer tão rápido, e meus olhos.
- eu... eu não queria... – disse corando levemente, mas antes que tivesse a chance de recuar, desci da mesa e voltei a beijá-lo, empurrando-o até que sua perna batesse na cama e ele deixasse o corpo cair, puxando-me junto.
Lucas deitou por cima de mim e me beijou mais uma vez. Seus lábios, porém, logo voltaram a descer pelo meu pescoço, indo mais além desta vez, no entanto, e descendo pelo meu busto, contornando um de meus seios.
- Lucas? – chamei baixinho, e ele fez o caminho de volta até meu ombro, como se entendesse o que eu queria dizer.
Não era isso, porém. Um pequeno pânico cresceu tão rapidamente dentro de mim que não sei de onde veio.
- Lucas? – chamei mais uma vez, e ele subiu um pouco mais os beijos, agora em meu pescoço – Lucas... – chamei um pouco mais alto agora e ele demorou alguns segundos, mas parou e saiu de cima de mim, afastando-se da cama.
Ficou de costas durante algum tempo, com a cabeça jogada para trás e os olhos fechados. Apoiei-me em meus cotovelos e fiz uma careta.
- me desculpa – disse baixinho
- não precisa pedir desculpa, Emily – se virou lentamente para mim, e pude ver que seus olhos revelavam algo que eu nunca tinha visto neles. Pareciam maiores, e gritavam luxúria de uma forma que me fez querer voltar no tempo e não ter deixado ele se afastar.
Examinou-me por alguns segundos e então fechou os olhos mais uma vez, como se não suportasse me olhar daquele jeito.
- eu vou descer, rapidinho... – disse já se virando para a porta.
- você está bravo, não está? – disse mais baixo do que pretendia e ele parou na porta, olhando-me confuso – eu não queria... me desculpa – disse por fim e abaixei o olhar.
- ei... – ele disse e voltou até onde eu estava, parando em frente à cama – eu não estou bravo, sua louca – abriu um sorriso torto e me deu um beijo demorado no topo da cabeça – eu só vou descer enquanto você, hm, se arruma, ok? – sorriu mais uma vez, pôs uma mecha de cabelo atrás de minha orelha, e se foi.
Deixei meu corpo cair na cama por alguns minutos. Aquele com certeza tinha sido a segunda vez de meu dia que o mundo tinha girado um pouco mais rápido e enquanto minha respiração voltava ao normal, sua velocidade fazia o mesmo, lentamente voltando aos eixos.
Por fim, levantei-me, vesti minha camiseta e tirei a meia-calça rasgada. Arrumei a saia e prendi o cabelo em um rabo alto. Respirei fundo e desci a escada.
Lucas estava na cozinha, no fogão, e vestia uma calça de moletom e uma camiseta branca, que imaginei ter pegado do varal, já que não saiu com nada do quarto.
Cheguei atrás dele e abracei sua cintura, dando um beijinho no alto de suas costas. Ele olhou para mim por cima do ombro e sorriu.
- decidi esquentar a lasanha que minha mãe tinha deixado pronta, já que no caminho pra cá você reclamou de fome – disse enquanto eu ia me sentar na mesa.
Ficamos em silencio por alguns minutos, enquanto ele acabava de arrumar a lasanha e a colocava dentro do fogão.
- o que nós somos? – ele perguntou de repente – porque, tipo, não somos amigos com benefícios – disse com um sorriso brincalhão e eu mostrei a língua para ele – e também nunca nos rotulamos como namorados. Então, o que nós somos?
Dei de ombros.
- eu gosto do que somos.
- eu também – sorriu e veio em minha direção.
Assim que chegou perto para me dar um beijinho pude ver uma enorme mancha rocha na virada de seu pescoço.
- Deus! Quando foi que eu fiz isso? – perguntei ficando de pé e passando a mão pelo local. Ele deu uma risada.
Passei as mãos pelo meu próprio pescoço e tentei olhar para eles, sem sucesso, lógico.
- tem algum em mim? – perguntei e ele abriu um meio sorriso, chegando mais perto e me puxando pela cintura.
- e você acha que eu quero que seu irmão me mate? – disse com um leve tom de verdade escorrendo na voz, por mais brincalhona que fosse sua atitude e eu ri.
- acho que não...
Notas finais
me contem o que acharam!! :)
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