Dark Paradise
11 Capítulo 10
Notas iniciais
bom, nem tenho muita coisa pra falar na verdade hahaha.
espero que gostem :)
boa leitura.
What’s the point of being alive if you don’t at least try to do something remarkable?
- John Green
LUCAS’ P.O.V
A porta do quarto de Finn se abriu timidamente, deixando a música do andar de baixo se esgueirar para dentro do recinto e revelando apenas o rosto de Emily pela abertura. Fiz sinal para que entrasse e ela o fez rapidamente.
Não pude deixar de olhá-la dos pés à cabeça enquanto estava distraída demais olhando seu celular. Estava usando calças jeans vermelhas, uma blusa preta sem mangas meio transparente (o que deixava um pouco a vista seu sutiã que parecia ser detalhado com alguma coisa como rendas), um salto preto e maquiagem escura.
Desviou o olhar do celular por um segundo e me pegou desprevenido, olhando fixamente para ela da cama.
- o que foi? – disse preocupada, olhando para baixo, como se esperasse ver um furo na calça ou uma mancha na blusa.
- nada, é que nunca imaginei você em cima de um salto, Westwick... – dei de ombros disfarçando e ela pareceu comprar a mentira, já que bufou e voltou os olhos para o celular.
- toda mulher tem seu dia de salto alto, Skylar, mesmo que ela não goste – sorriu ironicamente e eu levantei.
- tudo pronto?
- tudo o que? Não é como se eu fosse precisar de mais coisas além da minha boca...
- isso e o charme que você não tem – disse parando perto dela, percebendo que ainda continuava um pouco mais alto que a garota.
- você está duvidando que vou conseguir, não está? – disse depois de soltar uma risada nervosa pelo nariz.
- eu nunca disse isso – dei de ombros e ela me encarou por alguns segundos – é só que você parece nervosa...
- não estou nervosa...
- quer treinar antes? – disse de um jeito que sabia que conseguiria irritá-la e cheguei ainda mais perto.
- nos seus sonhos, Nadador... – disse no mesmo tom e então saiu de perto.
Era sexta-feira à noite e os pais loucos de Finn e Carrie tinham deixado que os filhos enchessem a casa com adolescentes bêbados e loucos por uma noite. Ou pelo menos essa era a definição dos fatos que a minha mãe deu.
Zac – o garoto de ouro de um ano atrás, o garoto do melhor tempo da temporada – estaria lá, e eu e Emily tínhamos um plano ao qual ela tinha sido um tanto quanto resistente no início, mas que, depois de algumas grandes e vistosas barras de chocolate, passou a ser a coisa mais fácil de fazer para a garota.
- só vê se presta atenção pra pegar quando eu tiver conseguido, ok? – disse dando uma última olhada no espelho da porta aberta de Finn e eu sorri.
- sim, Senhorita – ela sorriu para mim e saímos do quarto.
Descemos a escada e Emily parou no ponto do corredor que tínhamos combinado, era um dos lugares mais escuros da festa, perfeito para o que pretendíamos. Saí então para fazer a primeira parte do plano.
Achar Zac no meio da multidão não foi difícil: alto, ombros extremamente largos, cabelos negros talvez um pouco grandes demais e uma chuva de garotas envolta.
Andei confiante até ele e então segurei em um de seus ombros.
- Zac! – sorri animadamente para ele, fingindo uma embriagues melhor do que imaginava – você não vai acreditar, cara, vem comigo! – disse puxando-o o garoto já estava tão alterado que me seguiu sem pestanejar.
Andamos até o corredor em que Emily esperava e eu dizia qualquer coisa sem sentido que fazia Zac rir. Esbarrei nele, fazendo todo o conteúdo de seu copo derramar em suas calças e fingi surpresa.
- caramba! Desculpa ai, eu não vi que você estava com um copo na mão...
- sempre desajeitado, Skylar... – disse agora parecendo mais sóbrio do que antes e me preocupei por alguns instantes, o plano era ele não reconhecer Emily no dia seguinte.
- olha, o banheiro é logo ali se você quiser... – disse seguindo com o plano ao sentir seu hálito de longe e ele sorriu agradecido, seguindo pelo corredor.
- Zac? – pude escutar a vozinha de Emily e o garoto virou, procurando-a – Penny disse que você estava me procurando... – disse chegando perto do garoto e sorrindo sensualmente.
- eu devia estar mesmo... – o garoto disse chegando mais perto e ela mordeu os lábios, diminuiu ainda mais o espaço entre eles e começou a mexer na gola de sua camisa.
- vai mesmo me fazer esperar tanto assim? – perguntou docemente e o garoto riu, acabando finalmente com o espaço restante entre eles e selando seus lábios.
Levantei as sobrancelhas surpreso quando vi a garota mordiscar o lábio dele e puxá-lo pelo colarinho até a parede do corredor, juntando suas bocas rápida e ferozmente logo após.
Pelo nível de álcool que devia estar rolando no sistema de Zac ela não precisava fazer aquilo, mas, é claro, eu tinha supostamente dito que ela não conseguiria, que não tinha charme nenhum para convencê-lo a beijá-la. Ela tinha coisas a provar ali...
Senti uma pontada de ciúmes dentro de mim, mas a ignorei, assim como estava ignorando a vontade de ir lá mostrar a Zac que não pega tanto na bunda e nas coxas de uma garota quando a está beijando pela primeira vez.
Tudo bem, aquilo estava ficando ridículo! Emily não precisava mordiscar a orelha de Zac e sussurrar alguma coisa em seu ouvido (palavras bem sensuais, ditas de um jeito ainda mais sensual, imaginei).
Estava prestes a sair dali, acreditando que a garota estava realmente gostando daquilo e tinha esquecido o verdadeiro e simples plano que tinha a seguir, quando vi seus dedos finos deslizarem pelas costas do garoto, que agora, em comparação à menina, pareciam ainda maiores, como se ele fosse um lobo prestes a devorar o coelhinho indefeso, tirando apenas a parte que eu não deixaria aquela babaquisse toda chegar à parte de devorar.
A mão de Emily correu até o bolso traseiro da calça jeans de Zac e, do jeito mais devagar que parecia conseguir, ela tirou seu celular do bolso, balançando a mão no ar para mim logo depois.
Alcancei-os rapidamente e peguei o aparelho de suas mãos, enfiando em meu próprio bolso e tentando reprimir um sorriso ao ver a cara sofrida de Emily com a atitude de descer os beijos ao pescoço que o menino à sua frente seguia.
Bem feito, quem brinca com fogo acaba se queimando...
Subi as escadas rapidamente para o quarto de Finn e liguei seu notebook enquanto esperava Emily chegar.
Alguns minutos depois a garota abriu a porta, descabelada e parecendo mais perdida que cego em tiroteio.
Ri da cena e ela fez uma cara irônica, indo sentar ao meu lado na cama.
- pode rir, nadador, não é você que está bêbado só de trocar saliva com alguém... — se jogou na cama e eu ri mais ainda — conseguiu alguma coisa? — perguntou apontando o computador com a cabeça e eu neguei com a minha.
- ainda estou tentando acessar, a senha dele era com aqueles risquinhos e não números e letras então demoram um pouco mais pra eu conseguir decodificar o... porque eu estou te contando os detalhes? — perguntei ao ver que, apoiada em um cotovelo na cama, ela me olhava divertida. Balancei a cabeça negativamente — não cheguei a nada ainda — ela sorriu.
- então anda rápido, não é como se eu estivesse à sua disposição aqui em cima — brincou e eu revirei os olhos.
- ah é mesmo, você está de rabo preso com alguém lá em baixo, pode ir lá beijar mais, eu não me importo de ficar aqui sozinho, apesar de saber que sou a pessoa mais interessante dessa festa... — dei de ombros.
- eu acho que você trocou presunçoso por interessante — disse fingindo que pensava seriamente e eu já ia soltar uma resposta que com certeza deixaria suas bochechas coradas, quando o computador fez um sinal, indicando que tínhamos passado pela barreira de segurança.
Emily pulou para meu lado (literalmente, tipo, quase sentando em cima de mim), mas sua feição de animação desmanchou um pouco ao ver o monte de letras e números na tela.
- como você consegue entender isso? — perguntou com um tom cansado e eu sorri.
- a pratica leva à rapidez...
- na verdade é "a pratica leva à perfeição"... — disse levantando uma sobrancelha.
- e quem disse que estou citando esse ditado? — disse olhando-a por um segundo e ela riu.
- você é mais útil trabalhando, então vamos... — disse virando minha cabeça para o computador e eu ri.
Demorei alguns minutos, mas finalmente consegui acessar as mensagens e ligações do celular de Zac. Digitei a data que queria, e rezei mentalmente para que conseguisse achar, apesar do espaço de tempo tão longo. E então apareceu.
Senti uma expectativa muito grande crescer dentro de mim, e pude ver que Emily também parecia mal conseguir conter sua animação.
Digitei o número de Sarah, e logo suas ligações e mensagens foram marcadas entre os números que apareciam, referentes ao mês de novembro do ano anterior.
- e agora? – Ems perguntou baixinho ao pé de meu ouvido.
- agora esperamos enquanto o programa decodifica as mensagens – eu já digitava tudo o que precisava para que isso acontecesse.
- e as ligações? – balancei a cabeça negativamente
- são de muito tempo atrás, nossas chances de conseguir escutá-las é mínima – ela fez uma careta e então a porta do quarto se abriu.
Olhamos assustados para cima, e Finn rolou os olhos.
- olha, vou ser sincero – deu um gole em sua garrafa de cerveja – quando você me perguntou se poderiam usar meu quarto, eu realmente imaginei que vocês fossem fazer alguma coisa mais emocionante do que ligar o computador e olhar o Facebook... – deu de ombros e andou até a mesa do quarto.
- Finn... – disse ao ver as bochechas de Emily ficando vermelhas e tentei pensar na melhor desculpa que consegui. O que saiu, entretanto, foi: — nós não estamos no Facebook...
- tanto faz – fez um gesto de quem não liga com a mão – a festa tá ótima lá em baixo, mas não estou aqui para julgar ninguém, né... – disse colocando as mãos para cima.
- a gente já vai descer – Emily disse sutilmente e então o garoto saiu do quarto, resmungando alguma coisa, como sempre.
Ficamos em um silêncio constrangedor por alguns segundos, e então o computador abriu as mensagens entre Sarah e Zac.
Cliquei na primeira e fomos passando, percebendo que, apesar de ter conseguido alguma coisa, tudo ainda continuava muito confuso.
De: Sarah. 11:56
Desculpa por mais cedo. Não devia ter jogado tudo em cima de vc.
Para: Sarah 12:04
De boa, mas n vou poder te ajudar mesmo assim.
De: Sarah 12:06
Zac, isso é importante tá?! Vc não liga pro que o seu amg ta fazendo com ela?
Para: Sarah 12:30
Ele é meu amigo, S. não posso fazer isso com ele...
De: Sarah 12:32
Isso o que? Dizer a vdd????? Isso é ridículo! Vc tem que me ajudar! Ela vai acreditar se VC disser o que ele faz...
De: Sarah 12:48
Eu to falando sério, Zac! Olha, ele não precisa saber. Td que vc tem que fazer é falar com ela e eu juro que não conto pra ele que foi vc.
Para: Sarah 14:06
Isso não quer dizer que ELA não vai contar.. não dá, até pq a culpa n é minha se a garota é cega e n percebe oq ele ta fazendo. Vc ta se metendo onde n é chamada, e eu to avisando...
De: Sarah 14:07
eu to me metando exatamente onde devo.
Para: Sarah 14:21
Você não conhece ele igual eu, ok? Ele me mata se eu fizer isso. Não posso ajudar...
De: Sarah 14:23
Vc é mais medroso do que eu pensava, nadador!! E só pra vc saber eu vou achar um jeito de mostrar pra ela, pq ela pode ser boba, mas ela não merece isso... ninguém merece isso...
De: Sarah 14:45
Obg por nada...
- ok... – Emily disse, como se estivesse tentando absorver as informações – isso deve ser fácil, reduzimos o número de assassinos para os garotos que são amigos de Zac...
- claro... o único problema é que Zac é aquele cara que é amigo de todo mundo – encolhi os ombros — mas a notícia boa é que reduzimos o numero de assassinos para o numero de alunos homens do colégio... – sorri e ela revirou os olhos.
- tudo bem, mas é só vermos quais amigos de Zac são amigos em comum com as amigas de Sarah, já que ela está fazendo isso por outra garota. Isso deve ajudar
- outro problema: — levantei o dedo indicador – Sarah meio que não tinha amigas mulheres, não amigas amigas, só conhecidas.... eu era tipo o único amigo de verdade dela – encolhi os ombros de novo e Emily arregalou os olhos.
- você só pode estar brincando! Porque diabos a Sarah ia se esforçar tanto assim pra ajudar a porra dessa menina? – ela praticamente gritou.
- ah, você conhece Sarah, sempre botando o dedo onde não é chamada...
- isso está ficando ridículo! Parece que a gente tá andando em círculos! – disse levantando-se nervosamente da cama e eu fui até ela, segurando seus pulsos e a fazendo olhar pra mim.
- calma, tá bom? Olha, eu vou levar isso pra casa e ver se eu consigo acessar as ligações. Talvez eles tenham mencionado algum nome nelas, e ai a gente continua tentando, ok? – disse calmo e ela respirou fundo.
- tudo bem... – soltei seus braços lentamente e voltei para o computador.
Coloquei o celular de Zac no bolso e descemos.
****
EMILY’S P.O.V.
Acordei sábado menos cansada e preguiçosa do que pensava, depois da noite passada – despois do fiasco que foi nossa missão de hakear o celular de Zac, me joguei na festa com Carrie e Anna.
Coloquei a primeira calça jeans que vi na frente, uma blusa marfim de ombro caído e com as palavras “shine bright like a Diamond” de preto, e calcei minha sapatilha preta.
Dei uma olhada em meu cabelo no espelho do banheiro – o que me fez ter preguiça da vida – e prendi-o em um rabo alto.
Peguei meu celular e desci, já pensando no que seria mais rápido para comer de café-da-manhã e ir ainda mais rápido para a casa de Lucas, ver se tinha descoberto alguma coisa.
Caminhei até a rua de Lucas (invejando os adolescentes dos Estados Unidos que podiam dirigir aos 16, enquanto eu tinha que esperar meus 18) e já ia tocar a campainha quando ouvi um barulho vindo da cozinha, me fazendo seguir até a outra porta de entrada da casa.
Já ia bater, quando percebi que a porta estava só encostada, então, em um ato pouco pensado, devo dizer, empurrei-a e entrei na cozinha.
Parei assim que olhei para cima e vi, perto do fogão, fritando um ovo, uma garota que trajava apenas uma calcinha e uma blusa branca. Ela me olhou com o mesmo olhar surpreso e eu podia sentir o cheiro de seu ovo queimando enquanto debatia internamente se tinha entrado na casa certa.
E então Lucas entrou na cozinha, sem camisa e coçando o cabelo bagunçado. Somou mais um olhar assustado para o grupo.
- eu devia ter batido antes, desculpa... – disse finalmente quebrando o silêncio do lugar – desculpa – disse me virando para a garota loira estonteantemente bonita e fiz aquela típica careta de quem se sente culpado – eu falo com você depois... – disse olhando para Lucas e então me virei para sair da casa.
Fiz questão de fechar apropriadamente a porta da cozinha dessa vez, e me virei para fazer o caminho de volta para casa.
- tudo bem... isso foi estranho... – disse baixinho a mim mesma e continuei andando.
Eu não sabia ao certo ao que estava me referindo: à cena em si, ou à pontinha de inveja da garota que queimou dentro de mim (alguma coisa ligada a algo mais do que somente a sua beleza estonteante, alguma coisa que eu não queria admitir).
Pensei em passar na casa de Carrie, mas isso significaria provavelmente ter que ajudar a arrumar a bagunça que devia estar lá, então continuei minha jornada de volta para casa.
- já voltou? – escutei a voz da minha mãe vindo da cozinha
- é, Lucas não estava em casa... – dei de ombros e sentei no sofá.
Passei algumas (muitas) horas ali, vendo de tudo um pouco, e xinguei quando a campainha tocou bem no meio de Amor a Toda Prova, na cena que o Ryan Gosling tira a camisa.
Abri a porta preguiçosamente, ainda espiando a tv, e me deparei com Lucas.
Ele estava apoiado nos batentes da porta com as duas mãos e me olhava com uma cara divertida, mordendo os lábios.
- e ai... – disse enquanto eu cruzava os braços, sem graça – a gente pode conversar?
- claro – disse saindo de casa ao mesmo tempo que ele se afastava da porta.
Enfiou as mãos no bolso da calça e começamos a andar pela rua, calados.
- olha, me desculpa por hoje cedo, eu n... – comecei a falar ainda sem olhá-lo.
- não tem problema, Ems, não precisa ficar sem graça, não é como se você tivesse visto alguma coisa... – deu de ombros, um pouco desconcertado também.
- eu não sabia que você ia estar com alguém... – continuei
- eu te falei que minha mãe não ia estar em casa... – disse como se isso fosse algum tipo de desculpa. Olhei-o divertida, com as sobrancelhas levantadas – o que foi? – perguntou sorrindo um pouco também.
- nada – dei de ombros voltando a olhar para frente – é só que eu nunca imaginei que você fosse esse tipo de cara... levando garotas para casa depois de festas...
- ah, qual é, Emily, não é como se eu levasse garotas para casa em todas as festas... até porque, todo mundo faz isso algumas vezes, então me erra – disse
- nem todo mundo faz isso... – dei de ombros e ele soltou uma risadinha.
- ok, Loirinha, você não vai me enganar... – levantei as sobrancelhas e ele pareceu um pouco confuso por alguns segundos – o quê, você nunca... você nunca dormiu com ninguém? – perguntou um pouco mais surpreso do que eu esperava.
- nossa, desculpa por ser virgem, eu não queria te ofender... – disse um pouco nervosa, enfiando as mãos nos bolsos do moletom.
- não. É que... – demorou alguns segundos para voltar a falar – é que por ser amiga de Sarah, eu achei que você... – deixou a frase no ar.
- não, eu não sou igual a Sarah... – dei de ombros e ele soltou uma risadinha.
- desculpa, eu não queria te fazer sentir mal, eu só nunca imaginei que você fosse pura assim – disse dramaticamente e eu soltei uma risadinha.
- você é um idiota
- e você é virgem, quem diria... – disse parecendo realmente pensar sobre o assunto e eu dei um soco em seu braço, fazendo-o rir.
Para falar a verdade, aquela conversa tinha soado muito menos desconfortável do que eu imaginava.
- mas voltando ao que me trouxe até aqui... – disse parando de rir – como é que você entrou?
- na sua casa?
- não, na sua! – disse ironicamente e eu revirei os olhos – claro né sua loira.
- a porta tava aberta – dei de ombros e ele deu uma risadinha.
- é sério, Ems... – disse ainda com ar divertido.
- eu estou falando sério. A porta tava só encostada. Você deve ter esquecido de fechar direito com a pressa que devia estar ontem – dei de ombros com um sorriso malandro no rosto, mas vi que ele ficou sério de repente.
Estávamos já a um quarteirão de sua casa nesse ponto.
- eu fechei a porta, eu tenho certeza. Não só fechei, como tranquei ela...
- não, Lucas, ela estava encostada, eu tenho certeza... – disse e paramos de andar aos poucos.
- caralho – dissemos juntos e Lucas completou nosso pensamento – o celular!
Sem nenhuma aviso, começamos a correr em direção à sua casa, indo o mais rápido que conseguíamos. Lucas quase arrancou a porta da cozinha de tão rápido que a abriu e seguiu correndo para seu quarto, comigo logo em seu encalço.
Entrou no quarto e foi direto para a mesinha, procurando loucamente pelo aparelho, enquanto eu fiquei parada na porta, sem saber o que fazer.
Virou para mim com um sorriso aliviado no rosto e me mostrou o celular em sua mão.
- nosso dia sorte! Parece que alguém não encontrou o que queria – disse feliz.
- você está falando sério? – disse nervosa – ele entrou na sua casa, Lucas! Isso não é sorte nenhuma! – percebi que estava a ponto de gritar e respirei fundo.
- exatamente. Ele entrou, não achou o que procurava, e ainda não fez nada comigo... isso é sorte.
- isso não é bom, Lucas, é como se ele tivesse a nossa vida na palma das mãos. Ele entra onde quiser, quando quiser... – respirei fundo mais uma vez – talvez você deva trancar a porta direito das próximas vezes....
- eu não quero te assustar, Ems, mas não é porta trancada que segura esse tipo de gente.
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