Dark Paradise

14 Capítulo 13


Notas iniciais
olá oláaa, desculopa o atrasinho mas, sinceramente, é que eu tava esperando um poucquinho pra ver se apareciam mais reviews hehe, ai eles não apareceram e eu resolvi postar mesmo assim então né hahaha.
BOOOM, esse capitulo é tipo, enorme, então vocês não podem reclamar haahah e tbm, é um dos meus favoritos até agora, então eu espero que vocês gostem tbm :)

boa leitura :)

Captivated by the way you look tonight

The light is dancing in your eyes, your sweet eyes

EMILY’S P.O.V.

- você não vai acreditar! – foi a primeira coisa que Lucas disse quando atendi o telefone aquela tarde.

- se for sobre a questão de física que foi anulada, eu já sei...

- claro que não. Eu lá preciso de me preocupar com questão de física anulada? – ah, é, eu tinha me esquecido: Lucas era basicamente um físico feito. Não precisava se preocupar com coisas fúteis como passar de ano.

- desculpa a minha ignorância – disse revirando os olhos – chora, quê que você quer, então?

- eu estava casualmente olhando a matéria de geografia do ano passado para a prova de quinta, quando achei um recado de Sarah...

- estou escutando – disse me animando, sentando na cama.

- na verdade não é um recado, a gente tava conversando na aula em dupla, escrevendo pra fingir que estávamos fazendo o exercício, mas enfim... – disse tão rápido que quase embolou todas as palavras da frase.

- enfim... – disse impaciente, mexendo com as mãos como se ele pudesse ver.

- enfim, ela tava falando que tinha comprado um monte de roupa nova e eu tinha notado também uma pulseira nova, e que parecia bem cara por sinal.

- e daí?

- e daí? E daí que ela tava reclamando dos pais delas terem cortado o dinheiro dela há uma semana. E daí que eu perguntei de onde ela tinha tirado a grana pra comprar aquilo tudo...

- e...

- e que quando eu perguntei ela desconversou tudo, escreveu “larga de ser curioso, menino! Hahaha, não importa...” e mudou completamente de assunto!

- eu acho que não tô seguindo a linha de pensamento. Porque isso é tão importante mesmo?

- mas é Loira mesmo! – disse e eu rolei os olhos – soma os fatos comigo, loirinha – disse de vagar, como se explicasse uma equação realmente difícil – Sarah tava sem mesada porque tava comprando tudo que via na frente e seus tios ficaram de saco cheio da gastação. Aí, ela acontece de casualmente aparecer cheia de roupa nova e pulseiras cheia de brilhantes, o que basicamente quer dizer que são caras. Isso uma semana depois de ter trocado aquelas mensagens com o Zac...

- você acha que a pessoa de que ela estava falando com o Zac pagou pra ela calar a boca?

- boom! Chegou no ponto, Loirinha, demorou mais que o normal dessa vez – disse e eu soltei uma risada sarcástica.

- tudo bem, mas eu tenho duas perguntas.

- chora... – disse com um tom brincalhão.

- primeiro: como você tem certeza que isso foi logo depois das mensagens com o Zac.

- queridinha, você esqueceu o aluno exemplar que eu sou? Eu anoto a data no meu caderno... – eu soltei uma risadinha.

- desculpa, de vez em quando eu esqueço seu QI elevado – disse irônica – enfim, a segunda, e mais importante, pergunta é: como é que a gente vai saber de onde veio esse dinheiro?

- bom, eu estava pensando que a pessoa deve ter mandando para a conta dela no banco...

- tudo bem, mas, um: a gente não tem certeza disso, ela pode ter dado pessoalmente, e, dois: como a gente vai saber sobre a conta? Meus tios já devem ter cancelado...

- um: a gente pode tentar pelo menos, senhora super-não-positiva. E, dois: você disse que os pais de Sarah deixaram tudo do jeitinho que ela deixou, se você conseguir pelo menos o cartão dela a gente pode dar um jeito... – deu uma pausa – vai arranjar mais alguma reclamação ou posso desligar e ir comer com o Finn?

- não – sorri – eu vou jantar lá hoje, de qualquer jeito. Vou ver o que consigo achar por lá... – dei de ombros, mesmo sem ele poder ver.

- tudo bem então... – escutei a voz longe de Finn e Lucas riu. O garoto devia ter falado alguma bobagem – você já escolheu sua fantasia para sexta? – perguntou mudando completamente de assunto.

- sim, mas não vou contar qual é porque você não me contou a sua...

- e nem vou contar. Essa é a graça toda – podia imaginar um sorriso irritante em seu rosto.

- você é a pessoa mais irritante do mundo. Tchau, vai comer logo e me deixa em paz – curiosidade simplesmente me matava.

- foi ótimo conversar com você também – disse com uma risadinha e então desligou o telefone.

****

Sentei na cadeira ao lado de Lucas a arrastei o cartão de Sarah pela mesa do refeitório, até que encostasse em seu braço.

- nossa, mas você não poderia ser menos discreta? – perguntou; o tom de voz irônico.

- o que? Só estou te entregando seu cartão, você esqueceu lá em casa ontem... – dei de ombros.

- e também é uma péssima atriz... – disse e rolei os olhos.

- só pega a merda do cartão e não reclama – disse um pouco nervosa e ele abriu um sorriso irritante.

- não dá pra desfazer a sua falta de discrição ao me entregar ele, então tanto faz... – deu de ombros e deu uma boa olhada no cartão – você acha que ainda tá, tipo, funcionando? – discordei com a cabeça.

- meus tios cancelaram há um tempo já...

Ele fez uma careta.

- quer tentar? Só por desencargo de consciência... – disse e eu abri um sorrisinho.

- eu já tentei – encolhi os ombros e ele colocou a mão sobre o coração, fingindo uma cara de indignação.

- eu achei que a gente estava junto nisso! – eu ri de sua careta ao me olhar de cima abaixo.

Ele acabou sorrindo também.

- o que vai fazer com isso? – apontei com a cabeça para o cartão, que ele estava guardando na carteira, junto com os seus.

- vou tentar uma ajuda policial... – deu de ombros e u m pequeno sorriso despontou em seus lábios.

- você abusa muito do fato do seu pai ser o chefe dos detetives da cidade, ou seja lá qual é o nome oficial dele – disse e ele abriu mais o sorriso.

Levantei-me e ele olhou para cima, ainda sorrindo.

- aonde vai? – coloquei a mão em seu ombro

- eu sei que vai sentir minha falta, mas eu tenho um resto de fantasia para arranjar... – dei um tapinha consolador em seu ombro e ele sorriu.

- você não disse que ia alugar? – levantou a sobrancelha.

- e você por acaso viu os preços das fantasias nessa cidade, meu querido? Eu tive que dar um jeito de eu mesma fazer – ele arregalou os olhos.

- estou realmente achando que alguém vai de saco de batatas... – cantarolou enquanto colocava uma batata na boca.

Ri ironicamente e saí em direção à Anna e Carr.

Era sexta-feira e íamos aproveitar que a manhã escolar era apenas para fazer prova e ir embora, para nos juntarmos na casa de Carrie e nos arrumar juntas para a festa à fantasia da noite.

****

Anna se olhava em frente ao espelho, como sua curta e esvoaçante fantasia da Branca de Neve, enquanto eu acabava de costurar a bainha de meu vestido.

- você está extremamente fofa! – Carrie disse dando pulinhos atrás dela e Anna bufou.

- eu não quero estar extremamente fofa, quero estar bonita. É isso que chama a atenção dos garotos... – disse tirando o arco da cabeça.

- você tá linda, Anna, para de drama... – rolei os olhos e acabei furando meu dedo com a agulha.

- é, relaxa – Carrie disse dando um risinho ao me ver colocar o dedo furado na boca, com uma careta.

- eu quero ver como vai ficar a sua fantasia, dona prendada! – Anna disse se sentando na minha frente e sorrindo.

- bom, eu espero que fique boa, porque se não ficar eu não tenho outra coisa pra vestir e vou ter que ir de topless – disse ainda ajeitando a barra do tubinho preto em minha mão e Carr sorriu maliciosa.

- bom, eu sei quem iria gostar dessa ideia...

- cala a boca – eu disse sem nem ao menos olhar para ela e as duas gargalharam.

Levantei o vestido para ver como tinha ficado e sorri.

- nada mal, costureira – Anna disse tirando-o de minhas mãos – nem parece o vestido longo da sua mãe que você mostrou semana passada.

- que bom – sorri e tomei o vestido dela – era essa a intenção – disse parando em frente ao espelho e colocando o vestido à minha frente.

Carr pegou sua toalha e foi para a porta do quarto.

- vou tomar banho, tirem pedra, papel ou tesoura pra decidir quem é a próxima – disse e saiu, fechando a porta atrás de si.

É claro que, mesmo com a escala de banho, acabamos começando a nos arrumar juntas, quando todas já estavam de cabelos molhados e (ainda) enroladas nas toalhas, quase uma hora mais tarde.

Minha fantasia, na verdade, não era nada de mais, mas tinha ficado muito melhor do que eu jamais imaginava.

Contemplei minha criação em frente ao espelho: um longo e velho vestido preto de minha mãe tinha sido cortado na altura do meio de minhas coxas e apertado dos lados, para parecer mais com um tubinho do que com o largadão que era antes. Cortei a gola – que, antes, era meio rolê – em uma meia lua e coloquei um colar de pérolas que era da tia Susan. Para completar, tinha conseguido uma luva preta que ia até os cotovelos.

- sabe, eu tenho 99.6% de certeza que o vestido da Audrey Hepburn não era curto assim, viu lindinha... – Anna disse parando atrás de mim.

- acho que isso era meio que considerado nudez na época dela, mas tudo bem né, cada um com seus problemas – Carr deu de ombros do outro lado do quarto e eu ri.

- nem tá tão curto assim, suas exageradas! – disse dando mais uma olhada no espelho.

- ninguém disse que mostrar suas belas pernas é crime, Emilyzinha! – Anna disse e eu sorri.

Fui até Carrie e amarrei o laço que ficava atrás de seu vestidinho vermelho rodado.

Anna colocou um arquinho vermelho, Carr ajeitou o cabelo e eu prendi o meu em um coque alto, terminando com uma coroinha — a menor e mais discreta que eu tinha conseguido achar em uma loja de conveniências — e fomos para a etapa da maquiagem.

Passei, logicamente, o delineador em forma de gatinho, e rímel; um pouco de blush e um batom tão cor de boca que mal parecia que tinha passado.

Duas horas depois estávamos prontas, e Finn bateu na porta do quarto.

Assim que ele e Carr se analisaram, todos começaram a rir e ela pulou em seu pescoço. Estavam vestidos de coisa um e coisa dois: ele com um macacão vermelho e ela com um vestidinho da mesma cor; cada um com seu respectivo número estampado dentro de um círculo azul na frente da fantasia.

Tiramos mil fotos antes de ir e, depois que me convenceram (lê-se, ameaçaram-me) a não levar minha câmera para a festa, saímos no carro do pai de Carre e Finn, que não conseguia parar de rir dos filhos.

Deixou-nos na frente da casa de Cassidy, onde seria a festa, e, só no jardim, encontramos um hulk, uma garçonete e um policial.

Liguei para Lucas e ele disse que estava a meio quarteirão do lugar, então resolvemos esperar por ele do lado de fora da festa.

Tudo bem, vamos colocar isso de um modo simples: eu estava louca para ver como Lucas iria. Ele tinha falado, uma semana antes, que faria questão de escolher alguma coisa que me faria "babar até o chão".

Eu não duvidava muito de sua capacidade de fazer isso, mas é claro que na hora dei uma risada irônica e soltei algo como "nos seus sonhos, queridinho". E ainda assim, lá estava eu, quase roendo as unhas de curiosidade.

Estava conversando com Anna sobre uma garota vestida de fada, quando ele virou a esquina.

- você só pode estar brincando... — disse baixinho lentamente, sem querer, e Anna virou para ver do que se tratava.

Nada demais, era apenas Lucas casualmente vindo em nossa direção trajando um uniforme camuflado de exercito.

Vamos colocar isso de um modo simples também: eu, talvez, algum dia, quem sabe, tenha comentado, enquanto víamos Um Homem de Sorte, que eu acontecia de ter uma queda por homens de farda.

Maldita boca!

- Bonequinha de Luxo — disse com um sorrisinho torto — eu devia adivinhar — chegou mais perto (invadindo toda a área à minha volta com seu perfume incrivelmente bom) e me deu um beijo na bochecha, indo cumprimentar os outros logo depois.

Se ainda não ficou claro: ele estava extremamente bonito. Bonito daquele jeito que te faz querer sentar em um canto e só ficar olhando para ele a noite toda.

- soldado — disse saindo do meu transe psicológico e físico — eu devia adivinhar pelo estilo de jogos de vídeo game que você tem...

- bom, você tinha razão sobre os preços da cidade — sorriu — tive que pegar alguma coisa dos velhos tempos do meu pai — disse enquanto nos dirigíamos para a porta da casa.

- fotos!! — Anna deu um pulinho e nos puxou para frente de um fundo preto.

Um homem vestindo um terno preto estava pronto, com a câmera em mãos, para tirar fotos de quem chegava à festa de 17 anos de Cassidy.

Fizemos caras e bocas e ele tirou varias fotos. A coisa mais fofa de tudo é que elas eram impressas imediatamente em uma mesinha ao lado, em forma de Polaroid. Quase chorei quando vi.

Anna guardou todas dentro de uma bolsa que tinha levado e já íamos entrar na verdadeira festa, quando Lucas puxou meu braço, me fazendo voltar para o fundo falso.

- você não tirou uma foto comigo, Loirinha — ri e nos viramos, sorrindo para o fotografo.

Passou sua mão pela minha cintura e eu o abracei lado.

O flash bateu e Lucas soltou uma frase tão ridícula que acabamos rindo, saindo da pose no ultimo segundo.

Olhei para ele, ainda sorrido que nem boba da sua piada e outro flash bateu.

O fotógrafo nos entregou as duas fotos — na primeira eu estava com a cabeça jogada para trás, rindo, enquanto Lucas olhava para baixo, de olhos fechados, tentando segurar a risada. E na segunda estávamos nos olhando, sorrindo, em uma pose mais casal do que realmente éramos.

- é, ficaram boas — sorri olhando.

- lógico que ficaram, eu estou na foto... — disse brincalhão e eu revirei os olhos.

- cansei de você e seu ego, vou atrás das meninas — mandei um beijo no ar e saí em meio às pessoas.

Ouvi-o falar qualquer coisa que não entendi, mas resolvi sair de lá antes que seu perfume me sufocasse a ponte de falar alguma coisa errada.

Achei Anna e Carrie perto da mesa de balas e comemos e fofocamos um pouco antes de Anna nos chamar (e com isso quero dizer "obrigar") para ir dançar.

Poucos minutos depois e a Branca de Neve "extremamente fofa" já estava nas garras (ou não seria nas presas) de um suposto vampiro.

Rolei os olhos para a cena e Carrie riu de mim.

- não fica com inveja não! — gritou por cima da música alta — tenho certeza que tem um cara de olho em você também — disse e riu da minha cara de deboche — você não me engana, Ems!

- eu não tô enganando ninguém, é só que estar afim dele não faz com que ele esteja afim de mim... — deixei a frase no ar assim que percebi a merda que tinha feito.

- eu sabia! — Carr gritou e deu alguns pulinhos, rindo mais da minha cara agora.

Já ia xingar qualquer coisa e sair de lá, quando uma garota vestida de anjo — porque é lógico que tinha que ter correio elegante na maldita festa — me cutucou e me entregou um pedaço de papel.

Estava escrita com letras caixa alta; a letra de Lucas.

Não me lembro do vestido da Audrey ser não curto assim, mas vou abrir uma exceção para você, só porque ficou bom desse jeito...

- L

Rolei os olhos e rodei a sua procura pela sala.

Estava encostado no bar e, abrindo um sorriso torto, levantou a garrafa de cerveja que tinha em mãos para mim, como se estivesse me observando o tempo todo, apenas esperando que eu olhasse.

Carrie riu ainda mais depois de ler o bilhete.

- parece que é seu dia de sorte amiga, parece que ele está afim... — apertou minhas bochechas e eu bati em suas mãos até que soltasse.

- porque você não procura alguma coisa melhor pra fazer? Tipo, sei lá, enfiar a língua na garganta de alguém...

- opa! — Jonathan, que estava passando, parou ao meu lado — alguém falou em enfiar a língua na garganta? — perguntou de um modo engraçado e eu ri.

- falei sim — disse sorrindo e colocando a mão em seu ombro — a Carrie tá louca pra beijar...

- é — ela disse sorrindo — mas não você, chuchu... Você sabe as regras, eu não pego ninguém da natação — disse também colocando a mão sobre seu ombro — alias, não pego mulher, né. Qual é o motivo de você estar de enfermeira mesmo? — levantou a sobrancelha e eu ri, reparando, pela primeira vez, no vestido de enfermeira que Jonathan vestia.

- AH, sabe como é, docinho: para entender as mulheres, só sendo uma delas — deu de ombros e eu ri — ok, ok, era a única fantasia que tava sobrando na loja... — deu de ombros mais uma vez e dessa vez nós duas gargalhamos.

Ele abriu um sorriso irônico.

- isso, riam da desgraça alheia mesmo... — disse e saiu, ainda reclamando de alguma coisa.

Eu não conseguia parar de rir, olhando-o e Carrie me puxou para a mesa de balas mais uma vez.

Ficamos conversando com Nicholas e Sally – um dos casais mais fofos do colégio – que estavam vestidos de Minnie e Mickey – sim, clichê, mas, novamente, um dos casais mais fofos do colégio – e eu podia ver Lucas, do outro lado da sala, ainda perto do bar, conversando com Finn e Jack.

Estava me sentindo uma idiota por, nas vezes que nossos olhares se encontravam, sentir minhas bochechas queimando e desviar o olhar.

Estava mal prestando atenção na conversa que estava acontecendo ao meu lado, e Carr parecia estar adorando aquilo. Quero dizer, o fato de eu ter finalmente assumido (até para mim mesma) que o que eu sentia por Lucas ia um pouco além da amizade.

Tudo bem, aquilo estava sendo ridículo. Porque ele não vinha logo falar comigo ao invés de ficar abrindo aqueles sorrisinhos idiotas e tentando não olhar para mim mais de duas vezes em um minuto?

A situação estava ficando patética, eu tinha que admitir. E com isso eu incluo todas as ideias de como-chegar-casualmente-para-conversar-sem-parecer-que-meu-coração-estava-prestes-a-pular-do-peito que tinham passado na minha cabeça nus últimos cinco minutos.

- se você não for, eu vou... – Carrie sussurrou no meu ouvido ao perceber meu dilema interno e eu abri um sorriso bobo.

- tudo bem... – disse e me desencostei da mesa de doce.

Ele não olhava, mas eu estava indo em sua direção. Já estava no meio da pista de dança, quase do lado de Anna e o Vampiro (que ainda se beijavam), quando a garota-anjo do correio elegante me parou. Entregou-me a cartinha branca.

Abri-a sorridente, imaginando a piadinha da vez, quando congelei no lugar.

Você devia parar com isso ou vai terminar igual a sua amiga: debaixo da terra.

Era o que estava escrito, em uma caligrafia tortuosa e rabiscada na pequena folha de papel.

Virei-a e vi mais um pequeno recadinho “why so serious?” estava escrito do mesmo modo e fez um arrepio correr todo meu corpo.

Olhei para Lucas, que ria de alguma coisa que Jack falava, não muito longe de mim agora, até que ele finalmente me achou no meio da multidão.

Minha feição devia estar realmente mostrando todo o medo que eu sentia, pois, no segundo em que botou os olhos em mim, seu sorriso desapareceu completamente. Ele deixou a garrafa de cerveja que bebia em cima do bar, e veio depressa em minha direção.

Seus olhos correram para as minhas mãos, e tirou o papel de lá.

Leu rapidamente e virou a folhinha, como eu tinha feito segundos atrás.

Olhou em volta, assim como eu fazia no mesmo instante.

- droga – disse baixinho.

- você também achou cinco deles? – perguntei no mesmo tom, e ele afirmou com a cabeça.

- cinco coringas... – balançou a cabeça negativamente e olhou preocupado para mim, logo depois – ei, calma, tá bom? – disse vendo meu olhar de pânico, pegando meu rosto em suas mãos.

Pegou firmemente em minha mão e me puxou para fora dali, até que chegássemos no jardim da frente da casa.

Eu não conseguia parar de repetir “meu Deus” e, assim que chegamos lá fora, Lucas me envolveu em um abraço.

- shhh – sussurrava em meu ouvido.

- ele tá aqui, Lucas... ele... ele... eu não quero terminar igual a Sarah... como ele pôde fazer... – nada que eu falava parecia fazer sentido, e minha voz falhava, assim como minhas pernas queriam fazer.

- não vai acontecer nada. Ele só está querendo te assustar

- bom, ele conseguiu – disse sentindo que meu corpo tremia.

- ei – disse pegando me minha mão mais uma vez – ei, Emily, olha pra mim – disse e fiz como ele pediu, mirando seus olhos gentis, deitados suavemente em suas sardas que pareciam deixa-lo ainda mais atraente, naquela noite de lua cheia – ele não vai fazer nada com você. Nem hoje, nem nunca, ok?

- mesmo sabendo que ele provavelmente estudava lá no colégio, eu nunca parei pra pensar que ele podia estar tão próximo assim... – foi tudo o que consegui dizer – e mesmo sabendo, querendo pegar ele um dia, acho que eu nunca me imaginei de verdade cara a cara com ele...

- Ems, não tem problema ficar com medo. E também acho que isso já foi longe de mais e você; a gente devia parar.

Olhava-me seriamente, mas eu desviei o olhar.

Respirei fundo por alguns segundos, antes de falar novamente, ignorando sua preocupação.

— você acha que ele realmente era um dos curingas?

- não sei... não consegui reconhecer nenhum de longe.

- nós não fazemos uma dupla tão boa assim, sabe? Eu não conhecendo todo mundo da escola, e você sendo quatro olhos e não conseguindo enxergar quando precisa...

- bom saber que seu senso de humor continua o mesmo, mesmo em horas assim...

- Sarah costumava dizer que ele ficava pior quando eu estva nervosa ou com medo – dei de ombros, ainda sentindo meu corpo todo tremer – é por isso que ela odiava ver filmes de terror comigo... – balancei a cabeça – e agora a pessoa que matou ela estava a menos de com metros de mim e eu não fiz nada...

- você não podia fazer nada, Ems – disse roçando o polegar em minha bochecha – muito menos ele podia.

Olhei para o céu durante alguns segundos e então para dentro da casa, como se pudesse enxerga-los dali. Os cinco coringas que praticamente gritavam “why so serious” para mim.

Tudo estava confuso dentro de mim. Eu sabia que Lucas estava certo, sabia que aquilo já tinha ido longe de mais, mas mesmo assim não conseguia dizer em voz alta. Não conseguia admitir que deveríamos parar, pois tinha medo de, ao dizer em voz alta, se tornar verdade, verdade que eu era uma covarde, que não conseguiria vingar o nome da minha melhor amiga. Era como se eu achasse que, de onde quer que estivesse, Sarah iria ficar desapontada comigo por deixa-la na mão assim...

Perdi-me em meus pensamentos durante alguns minutos, mas podia ver que Lucas fazia força para não falar nada, como se não quisesse atrapalhar o que quer que estivesse passando dentro de minha cabeça.

- droga! – disse de repente – esqueci que nem meus pais nem meu irmão estão em casa. Eu não vou dormir lá sozinha depois disso e Carrie não vai embora tão cedo... – senti um pânico crescer dentro de mim.

- você... – limpou a garganta – você pode ir lá pra casa se quiser... – deu de ombros.

- eu não posso, Lucas. Eu não posso dormir na sua casa... eu... – suspirei – se não tiver problema... – disse por fim e ele abriu um sorriso torto.

- não tem problema nenhum. E é melhor do que ficar preocupado com você não dormindo nem por um segundo a noite inteira – sorriu.

- obrigada – sorri – eu só não quero ficar sozinha...

Ele disse que sua casa ficava perto dali, e preferimos ir a pé, do que ligar para seu pai ir nos buscar de carro. Graças a Deus eu tinha ido de sapatinha preta, e não salto alto.

- porque eu estou sempre estragando suas festas? – disse sorrindo e ele me olhou.

- essa é uma é boa pergunta, Loirinha – disse me dando um soquinho no ombro, de brincadeira – eu não tive uma festa normal desde que você chegou aqui... primeiro você resolve virar churrasco, depois quer roubar um celular, e agora isso... – disse e eu soltei uma risada.

- não se engane pela minha risada. Todas as histórias são trágicas... – ele sorriu – obrigada – encolhi os ombros – por sempre me ajudar e estar do meu lado e essas coisas fofas que você faz e que nunca mais vai escutar eu te agradecendo por elas porque você vai ficar se achando – disse o mais rápido que consegui, como se a rapidez o impedisse de entender as palavras.

- o que? Eu não vou ficar me achando por sempre te ajudar ou salvar a sua vida, Loirinha – deu de ombros e logo depois riu da cara que eu fiz.

Chegamos em frente à sua casa e vi as luzes da casa ainda acesas. Olhei no relógio: onze horas. Lucas começou a procurar as chaves nos mil bolsos que a farda tinha e eu senti um frio na barriga.

- que vergonha – disse baixinho – seus pais ainda estão acordados...

- relaxa, minha mãe te ama desde o dia que você ajudou ela a fazer o almoço, quando veio aqui estudar física... – rolou os olhos.

- eu costumo causar isso nas pessoas mesmo – disse dando de ombros e ele revirou os olhos mais uma vez.

- se falar mais alguma bobagem, vai dormir na varanda... –

Senti-me péssima por ter aceitado a oferta, assim que a porta se fechou atrás de mim e eu vi os pais de Lucas sentados no sofá, vendo filme.

- já? – seu pai disse, sem tirar os olhos da tv – desde quando você volta cedo de festas?

- eu tive um... problema – disse colocando a mão na base das minhas costas, me forçando a andar, ao me ver ainda congelada ao lado da porta.

- você não entrou em briga, não é? – sua mãe dizia, preocupada, enquanto se virava para nós – ah... – disse abrindo um sorriso – olá, Emily.

Seu pai também virou, levantando a sobrancelha e trocando o olhar entre mim e Lucas, em uma espécie de comunicação com o filho que me fez corar.

- oi – disse por fim – desculpa invadir a casa de vocês assim... – encolhi os ombros e pensei em uma desculpa para ir embora.

- não está invadindo nada, querida – Sra. Skylar disse se levantando.

- a Emily esqueceu as chaves de casa, todos os parentes dela saíram e ela estava morrendo de cólica – disse e eu senti minhas bochechas queimarem mais ainda por causa pior desculpa que ele tinha encontrado – ai eu falei pra ela dormir aqui, já que as amigas delas iam demorar para ir embora ainda... – deu de ombros.

- claro, não tem problema nenhum – disse me puxando para a cozinha – deixa eu pegar um remédio pra você...

Lucas se encostou-se ao batente da porta, e sua mãe foi para os armários, procurar por um remédio para cólicas.

- sua mãe me contou do casamento da amiga dela e da sua tia que ela ia hoje – disse me entregando o remédio.

- é – sorri – e meu irmão, aquele lá ninguém nunca sabe onde tá... – ela riu.

Pegou um copo de água para mim e eu agradeci, encarando o enorme remédio em minhas mãos que eu teria que tomar. E eu odiava comprimidos. Ainda mais quando eram desnecessários, por causa de uma desculpa esfarrapada....

- pega as coisas pra arrumar o sofá lá no meu quarto. – disse quando passava por Lucas.

- a Emily vai dormir na minha cama... – disse com uma cara confusa.

- eu sei. Você vai dormir no sofá...

- não mesmo, eu odeio dormir no sofá. Vou dormir no colchão do meu quarto.

- claro, coloca ele na sala, então – deu de ombros.

- porque eu não posso dormir no meu quarto, mãe? — ela sorriu ironicamente.

- boa tentativa – deu dois tapinhas na bochecha dele – sem chances

- mãe!

- eu vou pegar alguma coisa para você dormir, Emily – disse me olhando e saiu da cozinha, me deixando ainda mais constrangida do que antes.

Lucas fechou os olhos e respirou fundo e então se virou para mim. Apontou a escada com a cabeça e eu o segui para o andar de cima.

Entramos em seu quarto e ele fechou a porta. Abaixou-se para pegar um colchão que estava embaixo de sua cama e o escorou na parede, ao lado da porta.

- desculpa? – disse encolhendo os ombros e ele sorriu.

- não tem problema. É só a minha mãe, sempre me pegando de surpresa... – disse sorrindo ironicamente e eu sorri.

Encostei na escrivaninha e tirei os grampos que estavam segurando a coroinha no lugar, soltando-a do meu cabelo logo após.

Lucas soltou uma risadinha pelo nariz, enquanto eu tirava meu colar e eu parei, encarando-o.

- o que foi? – perguntei com um meio sorriso.

- nada, nada... – disse

Já ia pegar o colchão para sair, quando parou e se virou para mim mais uma vez.

- na verdade, é uma coisa sim – hesitou um momento, como se pensasse em falar de novo ou não – eu... – abriu um sorriso nervoso – a noite foi tão louca que nem tive tempo de te falar o quanto você está linda... – abri um sorrisinho – é isso – sorriu também.

Fez com que ia sair mais uma vez, e, mais uma vez, voltou.

- não, não é só isso... você é linda, tá legal? – abriu os braços – desculpa não ter te falado isso antes, e desculpa te tratar como um dos meus amigos algumas vezes, mas é que... eu não sei – soltou uma risada nervosa e deu um passo hesitante em minha direção – você é diferente. Diferente das outras, eu não sei explicar... a única coisa que sei é que eu consigo ser eu mesmo perto de você, sem medo de você me julgar, ou sei lá. E isso é bom – sorriu, dando mais um passo – e você praticamente fez com que minha volta pra cidade, que tinha tudo pra ser uma merda, ser muito boa.

Eu estava parada no lugar, sem conseguir dizer ou fazer nada do que eu realmente queria, e ele finalmente parou a minha frente.

- e eu não sei qual o motivo de eu estar admitindo esse monte de bosta, principalmente pra você –sussurrou as palavras dessa vez e soltou uma risadinha, e eu não pude evitar sorrir também – mas eu vou resumir tudo pra você – disse alternando seu olhar entre meus olhos e minha boca por um leve segundo – eu estou com muita vontade de te beijar agora, e eu acho que vou fazer isso... – disse segurando meu rosto com uma das mãos – tudo bem por você? – perguntou; seus lábios já roçando nos meus, e sua outra mão puxando minha cintura. Tudo isso, junto, fez com que um arrepio corresse pelo meu corpo.

- acho que não tem problema... – foi tudo o que consegui dizer, sentindo minhas mãos subirem para seu pescoço.

Ele finalmente juntou nossos lábios em um beijo calmo, sem pressa.

Tive de ficar na ponta dos pés, mesmo com ele se curvando um pouco, e sentia ele puxando minha cintura para mais perto, assim como eu puxava seu pescoço.

Ele sorriu entre o beijo, fazendo-me fazer o mesmo e sentir mil borboletas dentro da barriga.

Afaguei sua bochecha e voltei a beijá-lo, talvez um pouco mais urgente dessa vez, sentindo suas mãos dançarem firmemente pelas minhas costas.

- e você queria me convencer a dormirem no mesmo quarto – sua mãe disse, entrando no quarto, me fazendo dar um pulo de susto e esconder meu rosto no peito de Lucas, que riu.

- isso não estava nos planos alguns minutos atrás, mãe – disse ainda rindo um pouco e se virou para ela.

- hm, sei – disse colocando as colchas e o pijama que tinha ido buscar, em cima da cama – agora pode sair para ela trocar de roupa e dormir... – disse rindo, pegando o braço do filho e o puxando para longe de mim.

Eu sorri sem graça e Lucas saiu do quarto, depois de dar um beijo estalado na bochecha da mãe, levando o colchão.

- foi a menor camisola que encontrei – disse me entregando o pijama azul claro.

- claro, obrigada, nem precisava – sorri ainda sem graça e ela deu uma risadinha.

- aqui tem um lençol e uma coberta, se você sentir frio. Trouxe um travesseiro também, porque o Lucas é chato e não dorme com outro que não seja o dele, então já deve ter pegado ele aqui.

Concordei com a cabeça e agradeci mais uma vez.

Lucas entrou no quarto mais uma vez e ela olhou brava para ele.

- o que? Só vim pegar meu travesseiro – deu de ombros e foi até a cama, pegando-o embaixo da colcha – e entregar o que ela esqueceu comigo... – disse me entregando meu celular e as fotos que tínhamos tirado.

Assim que me entregou as coisas, me puxou para um beijinho rápido, entre sorrisos de ambas as partes. Sua mãe o puxou pelo cabelo, brincando e eu ri.

- o que você acha que a mãe dela vai achar de mim se souber que eu deixei vocês dois sozinhos em um quarto assim.

- ai, mãe, pelo amor de Deus – disse ainda rindo, encostado no batente da porta do quarto.

- agora seja um bom garoto e diga boa noite.

- boa noite, Loirinha – disse com um meio sorriso e eu ri.

- boa noite.

Fez com que ia entrar no quarto, mas sua mãe o parou.

- mas eu esqueci meu pijama – disse meio rindo, entregando tudo.

- pode deixar que eu pego pra você – ela disse e voltou para dentro, pegando o pijama em uma gaveta do armário.

- sabe – ele disse assim que ela entregou a muda de roupas em sua mão – no momento você não está qualificada como a melhor mãe do mundo...

- não ligo – disse e então se virou para mim – boa noite, querida – sorriu

- boa noite, Sra. Skylar. Obrigada mais uma vez – sorri também e ela fechou a porta.

Notas finais
MUSICA DO CAPITULO: http://www.youtube.com/watch?v=eUyUFJ7stFg

depois desse capitulo grandãaaaao assim, vocês vão me deixar um comentário dizendo o que acharam né??? ahhaha.