Dark Paradise
12 Capítulo 11
Notas iniciais
estou postando um dia antes porque estou cheia de coisa para fazer esse fds hahah.
só para voltar às origens, vou fofocar um tiquinho. se alguém ai ja leu quem é você alasca, me diga, eu vou chorar? porque eu não quero mais chorar em livros do john perfeito green kkk e ah, mesmo não tenndo ligação nenhuma kkk, lembra que eu falei que tava vendo greys anatomy? poise, não consigo parar de veeeeeeerrr gente! vcs tem que assistiiirrr, é tipo muuuuuuito bom, ah não to apaixonada ahahahha
enfim, eu tenho um certo carinho por esse capitulo entao eu espero de vdd que vcs gostem :)
Todos dizem que, quando você cai, você precisa aprender a se levantar,
mas nunca me disseram que, depois de se levantar,
você precisa andar como se não sentisse nenhuma dor.
- Gossip Girl
EMILY’S P.O.V.
Desci do ônibus perto do que os habitantes, Lucas tinha me dito, chamavam de “área dos esportes” e demorei alguns minutos para localizar a área com pistas de skate e todas aquelas coisas que gritam “ei, se você tentar fazer uma manobra aqui há uma grande chance de você cair e quebrar o pescoço”.
Passei por um campo de futebol, uma quadra de basquete, uma de vôlei, um parquinho para crianças – que contava, além de sua caixa de areia gigante, com balanços que já estavam na minha lista de “o que fazer hoje” – até que avistei o lugar onde Lucas tinha dito que estaria.
Eu estava meio pra baixo naquele domingo, e estava a fim de sair para tirar algumas fotos. Liguei para Lucas para ver se ele queria me fazer companhia, e quando ele falou que estava andando de skate com os amigos, decidi ir até lá, juntando minha vontade de tirar fotos com a vontade de ver Lucas (ou, como diria minha avó, juntar a fome com a vontade de comer).
- olha só se o casal não quis de encontrar até mesmo em um domingo atarde... – Finn disse como modo de me receber e eu rolei os olhos.
- cala a boca, Finn – eu e Lucas dissemos juntos e ele riu, saindo de perto.
- e ai? – Lucas disse sorrindo e tirando a máquina de minhas mãos – pronta para umas manobras? – sorriu mais ainda e sumiu atrás da câmera, tirando uma foto minha.
- boa piada, mas meu joelho ainda está se reestruturando depois da sua tentativa de arrancar ele... – disse tentando tirar a máquina de suas mãos e impedir outra foto minha.
- você é a pessoa mais exagerada e dramática da cidade – disse enquanto eu pulava para tentar tirá-la de sua mão, que estava acima de sua cabeça.
- e você é, no momento, o mais alto... – disse ainda fazendo esforço para alcançar a câmera e ele riu, abaixando o braço.
- ei, Skylar – disse um moreno se aproximando – que tal usar as boas maneiras que sua mãe te ensinou e fazer as apresentações direito?
Lucas mudou de posição, ficando ao meu lado e de frente para o grupo de cinco meninos, que agora estava parado a poucos passos.
- essa é a Emily. Emily, esses são os caras... – disse simplesmente em um jeito tão “Lucas” que tive que rir.
- bom, eu sou o cara – um menino moreno de olhos verdes disse se aproximando e beijando minha mão – muito prazer, senhorita – eu ri.
- muito prazer, cara — disse e ele sorriu.
- pode me chamar de Caleb – um garoto alto, com os cabelos raspados por maquina disse e eu sorri.
- Thomas – outro, loiro e com um sorriso enorme se pronunciou.
- DS e você não quer saber o que significa – o mais baixo deles falou e todos começaram a rir. Como eu amava piadas internas nas quais eu não estava incluída...
- eu acho que não vou nem perguntar mesmo... – disse rindo.
- e por ultimo, mas com certeza não menos importante, eu me chamo Mike – um garoto com enormes olhos caramelos sorriu e acenou para mim.
- exatamente – Lucas disse dando de ombros – os caras...
- cala a boca – todos disseram incrivelmente juntos e rimos.
Conversamos por algum tempo e demorou poucos segundos para que eu chegasse à conclusão de que eles eram muito legais e muito engraçados.
- vocês se importariam se eu tirasse algumas fotos de vocês, enquanto andam de skate e fazem aquelas coisas legais? – perguntei balançando a máquina no ar.
- cara, eu disse que eu podia virar modelo... – o Cara, que também atendia pelo nome Jake, disse e levou mil tapas.
- é que – eu disse ainda rindo da cena – eu vou tentar uma vaga como ajudante de fotógrafo no verão e preciso mostrar alguma coisa para eles... – dei de ombros.
- claro que pode, a gente empresta a nossa beleza, talento, experiência, tudo isso que mamãe e papai nos deram de bom... – DS disse e Tom fez uma pose ridícula.
Em poucos segundos eles estavam todos juntos, alguns meio agachados, outros em pé e Jake deitado em pose de sereia no chão. Cada qual com uma pose pior do que a do outro e eu soltei uma gargalhada.
Bati a foto e assim que olhei no visor ri mais ainda.
- definitivamente espero que vocês fiquem melhor em ação – disse e todos vieram conferir a foto.
Eles riram e zuaram uns aos outros, me fazendo rir tanto que minha barriga começou a doer.
Finalmente voltaram para a pista – que, no caso, era daquele estilo “buraco no chão” que tinha mil obstáculos – e eu comecei a andar em volta, tirando fotos deles.
Sorria a cada foto que olhava: Finn se equilibrando na borda do Buraco com o skate, Jake voando sobre duas barras, DS deitado sobre o skate com as mãos atrás da cabeça, Tom caindo e todos rindo dele, Mike correndo, Caleb rodando o skate no ar e uma de Lucas que tive que não pude evitar: o garoto apenas sentado em cima do skate na borda do Buraco com a cabeça caindo para trás por estar no meio de uma gargalhada; tudo isso banhado pelo maravilhoso pôr do sol que se formava atrás dele.
Bati, de verdade, umas duzentas fotos, até que eles começaram a se juntar para ir embora.
Dei a Câmera na mão de Finn para que eles vissem as fotos e fui andando um pouco mais à frente com Lucas e, algumas vezes, podia escutar seus comentários sobre como eu era realmente uma fotógrafa, o que fazia meu sorriso crescer.
- qual foi o problema de hoje? – Lucas perguntou, provavelmente falando sobre o que tinha me levado a tirar fotos em uma tarde de domingo, que era, basicamente, meu dia sagrado de ficar em casa vendo tv o dia inteiro.
- nada – dei de ombros, mas ele rolou os olhos – é bobagem... – disse simplesmente.
- fala... – ele disse sorrindo.
- eu... eu só estou com saudade de ter uma Noite das Garotas com a minha melhor amiga. Ir pra casa uma da outra, ver filmes até morrer, enquanto comemos balas, pipoca, pizza e tomamos uma garrafa de coca cola inteira. Ir deitar às três da manhã e, assim que apagar as luzes, continuar conversando, dar boa noite mil vezes e ainda sim continuar conversando até o sono nos pegar de verdade... – dei de ombros – essas coisas bobas que a gente sente falta de vez em quando...
- eu sinto muito – ele disse, mas eu só dei de ombros mais uma vez.
- onde é que aperta para tirar foto nessa coisa em?
Alguém perguntou atrás de nós ao mesmo tempo em que Lucas passava o braço pelo meu ombro. Chegou mais perto e deu um beijo no topo de minha cabeça. Um flash apareceu atrás de nós nesse exato instante.
- ops, achei... – a voz disse de novo.
- belo momento que você registou... – foi a voz-versão-melosa de Finn que disse e então eles voltaram a falar um monte de bobagens, me fazendo esquecer, mais uma vez, o motivo de ter ido com a câmera até ali.
****
- eu não acredito que você pagou o Finn... – Anna disse rindo.
- mas é claro que eu paguei ele! – Carr era a única que não parecia estar achando aquela história cômica demais para uma segunda-feira de manhã – o vaso tava entupido. De vômito. Vômito! – soletrou a palavra, fazendo-nos rir mais ainda – e o banheiro tava na minha parte de limpeza, por isso que tive que pagar...
- ninguém mandou dar bebida de graça pra esse bando de menina que passa mal só com um copo de vodka – Anna disse.
- olha só quem está falando – eu disse olhando para a loira – é a garota que quase jucou depois de dois copos de bebida...
- exatamente – Anna disse fingindo de séria – eu disse meninas que passam mal com um copo, eu passei com dois... – deu de ombros e rimos mais.
- ok, senhora-forte-pra-bebida – Carr disse ainda entre risadas – eu quero ver se você não vai pagar alguém pra limpar resto de comida dos outros, quando chegar a sua vez...
- não vai chegar – disse enquanto prendia o cabelo em um coque – vou fazer a própria pessoa limpar, nem que eu tenha que arrastar ela de casa e fazer ela lamber a sujeira!
- Ah, mas que nojo! – disse arrastando as sílabas e fazendo careta e elas riram.
- desculpa, acho que ainda estou sob influencia do álcool de sexta... – disse dando de ombros e nós rimos mais ainda, porque ela não tinha tomado mais do que três copos na festa.
Chegamos finalmente ao meu armário e eu coloquei a senha, rezando para meu livro de história com o trabalho que tinha me levado três dias para fazer estivesse lá dentro.
Não tive tempo de saber.
Assim que abri a porta, alguma coisa caiu lá de dentro e eu dei um pulo para trás, assustada. Mirei o chão e então percebi que não eram folhas, eram fotos, várias fotos, de vários ângulos e proximidades. E lá estava ela, lá estava minha melhor amiga, morta aos meus pés.
Tudo aconteceu tão rápido que quando Carrie e Anna perceberam o que tinha acabado de acontecer eu já estava com a mão em frente à boca, sentindo minha garganta fechar à medida que eu não conseguia mais segurar nenhuma lágrima.
- Emily, calma. Tá tudo bem, olha pra mim e calma – a voz parecia longe e eu não conseguia distinguir a quem pertencia.
Tinha noção que alguém segurava meus braços, me chacoalhando levemente, e conseguia perceber todos dos corredor olhando para mim.
Pela visão embaçada, molhada e uma mente indo à loucura aos poucos, era como se eu a visse em carne e osso ali, deita aos meus pés, segurando a faca que tirara sua vida.
Eu estava sem fôlego nenhum. Sentia as lagrimas caindo, mas não achava forças nem ao menos para soluçar, para deixar as emoções tomarem conta de mim. Eu me encontrava em um estado de espirito em que meus sentidos pareciam ter desaparecido.
Eu ouvia, mas não entendia nada; via, mas não enxergava; tentava falar, mas as palavras não saiam.
Senti alguém me abraçando, mas não tive força para abraçar de volta, para apertar a pessoa e gritar o tanto que eu queria gritar, não conseguia de forma alguma. Apenas fiquei lá, parada, enquanto sentia quem quer que fosse afagar minhas costas e dizer palavras sem sentido em minha orelha.
Reconheci Lucas, por pescar a palavra “loirinha” em meio ao seu discurso infinito em meu ouvido e minhas pernas cederam devagar, fazendo-o fazer força para me manter de pé.
- shh, é só a sua cabeça. Não é a Sarah de verdade – pude finalmente compreender seus sussurros — vamos sair daqui, ta bom? Eu vou te tirar daqui, fica calma – sussurrou novamente e, recuperando um pouco de minha visão, pude ver Carrie e Anna parecendo horrorizadas atrás dele, como se quisessem fazer alguma coisa, mas não conseguissem.
Uma delas, eu podia sentir, apertava firmemente minha mão. Eu não consegui distinguir qual.
Lucas se soltou do abraço e estudou minha feição durante poucos segundos.
- vamos sair daqui – repetiu e passou o braço protetoramente pela minha cintura, enquanto, com o outro, ia abrindo caminho entre a multidão que já se formava no corredor.
Levamos alguns segundos até conseguir sair de lá, e Lucas seguiu me guiando até o refeitório, o qual agora se encontrava vazio, uma vez que o sinal tinha acabado de bater.
Sentou-me em uma mesa e andou até o balcão onde as moças que trabalhavam na cozinha ficavam.
- toma, vai te fazer sentir melhor – disse, quando voltou para a mesa, empurrando um copo descartável em minha direção – é só água com açúcar, pode beber – disse com um sorriso.
Coloquei meu cabelo atrás da orelha e beberiquei o copo até que seu conteúdo se esvaziasse, à mesma medida que minhas lágrimas iam secando.
Lucas ficou em silêncio o tempo todo, afagando minha mão que estava em cima da mesa e sorrindo quando me pagava olhando para ele.
- quem é capaz de fazer uma coisa desse tipo? – disse finalmente; minha voz rouca e baixa.
- alguém que quer que você pare de procura-lo – Lucas deu um sorriso triste.
- você quer dizer que a pessoa que fez aquilo com Sarah tirou aquelas fotos? – ele balançou a cabeça negativamente.
- aquelas fotos fazem parte do arquivo de Sarah na polícia. Acho que descobrimos o que roubaram da minha casa... – deu de ombros – meu pai guarda alguns casos no escritório dele, mas as únicas pessoas que sabem disso sou eu, minha mãe e meu padrinho...
- você já tinha visto aquelas fotos? – foi tudo o que consegui perguntar
Seus lábios formaram um “sim”, mas sua voz não saiu.
- esse cara é doente, Lucas... – eu disse e ele apertou minha mão.
- olha, se você quiser acabar com isso... – deixou a frase no ar e eu pensei seriamente na hipótese por alguns segundos.
- não, agora eu quero mesmo pegar esse filho da puta... – disse subitamente trocando a onda de dor que percorria meu corpo por uma de ódio.
- tudo bem... – dele disse arrastando as sílabas – mas eu acho que agora você devia ir para casa descansar, ok?
- eu não preciso, a gente pode continuar a procurar agora mesmo – disse quase pulando no lugar – a gente pode ir pra sua casa e olhar mais o celular de Zac e a...
- Emily – Lucas disse singelamente, com um leve sorriso no canto dos lábios – você vai para casa agora, depois a gente conversa sobre todas essas suas ideias loucas...
Fiquei em silêncio durante alguns segundos e então ele apertou minha mão, como se isso fosse uma forma de convencer a fazer como ele falava.
-tudo bem – disse por fim – eu vou ligar para a minha mãe... – peguei meu celular no bolso e disquei o numero de seu celular.
Em poucos minutos eu estava debaixo do chuveiro gelado, com a cabeça tão longe quanto uma pessoa na minha pele poderia estar.
****
- mas eu não posso te deixar sozinha aqui. Não no estado que você está! – minha mãe disse, algumas horas mais tarde.
Ela tinha um jantar importante do trabalho de meu pai para ir e eles queriam faltar para ficar comigo.
- mãe, vai ficar tudo bem, eu prometo – dei o melhor sorriso que consegui – eu não vou fazer nada de errado – disse lendo sua mente – provavelmente vou ligar para Carrie e Anna virem ver alguns filmes comigo... – dei de ombros, apesar de já estar descartando aquela opção da mente; não estava com cabeça para uma noite de pijamas.
- mas...
- mãe – interrompi-a, segurando seus ombros – eu sei o quanto isso é importante ok? Sei que o papai pode ganhar promoção e tudo mais. E eu não quero que vocês fiquem aqui comigo vendo filmes repetidos, perdendo essa chance incrível – sorri.
Em parte, era verdade, em parte era uma chance de ficar sozinha, o que, no caso, era o que eu mais queria no momento.
- tudo bem... – ela cedeu – mas qualquer coisa, qualquer coisa, Emily, eu quero que você me ligue e eu e seu pai voltamos imediatamente, entendeu?
- claro – sorri mais um pouco – até porque eu já estou melhor, já falei umas mil vezes – ela sorriu também, passando a mão pelo meu rosto – agora vai se arrumar ou você vai se atrasar... – despachei-a do quarto.
Eles saíram mais ou menos uma hora mais tarde, lá pelas sete horas da noite, e eu me joguei no sofá, deixando no canal que O Homem da Máscara de Ferro estava passando. Aquele filme não ficava velho, e assistir qualquer coisa com Leonardo de Caprio nunca ficava chato.
Não estava nem na metade do filme quando a campainha tocou. Ignorei-a, imaginando se a pessoa não iria embora se achasse que não tinha ninguém em casa, mas ela tocou mais duas vezes, fazendo-me levantar relutante e marchar até a porta.
Assim que a abri, levantei a sobrancelha, encarando a cena à minha frente com uma cara divertida.
- eu estava pensando, e cheguei à conclusão que, depois de um dia como esse, você definitivamente precisava de uma noite das garotas... – Lucas disse parado do outro lado da porta.
Ele estava vestindo uma calça xadrez de moletom, uma camisa cinza surrada, óculos e tinha o cabelo bagunçado. Equilibrava mil coisas no braço e me olhava com um sorriso. Eu ri.
- depois de algumas longas pesquisas, trouxe tudo o que precisamos: pizza de calabresa, pipoca com manteiga de micro-ondas, saco de umas dez balas diferentes que eu comprei na padaria, uma garrafa de dois litros de coca. E, é claro, os clássicos: Um Amor Para Recordar, Cartas Para Julieta, Casa Comigo, Ela É O Cara, O Melhor Amigo da Noiva e, só porque você disse que amou as quatro vezes que viu, A Escolha Perfeita. E eu estou devidamente de pijama – seu sorriso aumentou.
Fiquei olhando para ele, sorrindo, por alguns instantes, sem reação nenhuma.
- eu acabei de falar que vou ver esse bando de filme meloso com você sem reclamar nenhuma vez e você não vai me convidar para entrar? – perguntou fazendo uma careta e eu dei uma risadinha.
- você não existe, sabia? – disse com um sorriso enorme.
- espero que isso seja um sim, porque eu tive que dar cinco libras para a garotinha que estava prestes a alugar Cartas Para Julieta me deixar levar o filme ....
Balancei a cabeça negativamente, daquele jeito que as pessoas fazem quando não estão acreditando no que está acontecendo à sua frente.
Cheguei para o lado e Lucas passou sorridente ao meu lado, entrando em casa e seguindo para a cozinha.
- e então, o que vai ser primeiro? Pizza, pipoca ou doce? – perguntou depois de deixar tudo em cima da mesa.
- pizza – sorri – e vamos começar com Um Amor Para Recordar – disse sorrindo mais ainda.
- mas é claro que você já está toda mandona de novo... – disse rindo enquanto cortava a pizza.
Levamos tudo para a sala de TV, colocamos o DVD e nos jogamos no sofá, com pedaços de pizza na mão e copos enormes servidos com Coca-Cola até a boca.
Comemos a pizza de seis pedaços inteira e Lucas reclamava, de boca cheia, quando os créditos começaram a rolar.
- mas que filme ridículo! – apontou com a mão para a TV – eu sei que disse que não ia reclamar, mas não tem jeito! Como essa menina passa metade do filme sem contar essa merda pro cara que tá fazendo de tudo pra ela e depois, quando você cria esperanças, acaba assim? – ele estava bravo de verdade e isso me fazia rir.
- não é ridículo, é perfeito! Triste, mas perfeito... – disse mordendo mais um pedaço da pizza.
Eu tinha, legitimamente, visto Lucas limpando algumas lágrimas debaixo da grossa armação de óculos durante o filme, e tive de me forçar a reprimir um sorriso.
- Querido Diario, nunca, jamais, em tempo algum assista ou deixe alguém te convencer a assistir Um Amor Para Recordar... – disse e eu ri — eu só espero que o resto não seja assim... – disse me olhando.
- não são – ele se levantou.
- ótimo, então vou até fazer pipoca pra comemorar – foi para a cozinha e eu fui trocar de filme.
Voltou e eu dei play em Ela É O Cara. Jogamo-nos no sofá mais uma vez e lá ficamos, tirando as vezes que (revezando) levantávamos para trocar de filme.
É claro que Lucas não conseguia se conter e de vez em quando soltava algum comentário idiota sobre o filme, me fazendo rir mesmo a contra gosto.
Não sei exatamente até que horas ficamos comendo, vendo filme e rindo, mas eu sei que, no fim das contas, Lucas estava certo: eu estava definitivamente precisando de uma noite como aquela.
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