Dark Paradise
5 The truths you never wanted to hear
Notas iniciais
Scorose shippers, não me matem
Sugiro ler ouvindo Silêncio - NX Zeron, que a linda TheDaugherOfYouth me indicou e eu ache tudo a ver com o cap *~*
Cinco anos depois...
– O que você está fazendo aqui? – Pergunto friamente quando o encontro deitado na minha cama.
– Oi pra você também, priminha. – Ele diz sem tirar os olhos da TV. Quando percebe que eu continuo encarando, se vira pra mim e fala. – Reunião de família. Você não espera que eu fique lá embaixo com James e Lilian falando sobre as ultimas fofocas da Grifinória. Seu quarto é muito mais interessante. A menos que você não me queria aqui.
Pronto. Meu ponto fraco. Chantagem emocional.
Pra falar a verdade, não quero mesmo. Acabei de ter uma crise, depois de muito tempo. Talvez porque pela primeira vez nós não vamos passar as férias de verão com os Malfoy ou Zabini. Se bem que... Ele é o máximo que eu consigo de um apoio agora.
Abaixo minha cabeça e deixo as lágrimas rolarem. Ele vem logo atrás e me abraça. Entrego-me facilmente e me permito chorar com ele de novo. Não me descontrolo, apenas relaxo um pouco. Mas para ele é o suficiente. Ele sabe que confio nele de novo, como antes. Já fazia isso desde o primeiro dia de Hogwarts, mas acho que precisávamos de uma prova. Uma prova de amizade. Uma prova que ainda esta tudo aqui dentro.
– Quer conversar? – Ele sempre me pergunta isso quando estou triste, apesar de já saber a minha resposta.
Nego como uma criança de cinco anos – ou nove, não faz tanto tempo assim – e o abraço ainda mais apertado.
– Olha Rosie. Eu posso ser o seu primo mais lindo, gostoso e perfeito, mas eu ainda sou só o Al pra você.
– Você se esqueceu de mencionar que é o mais modesto também.
Ele ri e volta a me olhar nos olhos, coisa que é difícil, porque eu tenho metade da altura dele, apesar de termos a mesma idade.
– Isso também.
Paramos de rir aos poucos. De algum jeito, de algum modo, ficamos da mesma altura. Ele provavelmente está dobrando ao meio e eu estou na ponta dos pés, mas não me importo com isso. A única coisa que parece me prender no momento, é o seu olho. Seu olho verde é tão... ARGH! Eu e Alvo somos os únicos na família com olhos verdes, todos os outros têm olhos azuis.
Esqueço tudo o que passa na minha cabeça sobre os seus olhos verdes quando seus lábios colam nos meus. Instantaneamente fecho meus olhos e passo meus braços por seu pescoço e as sua mãos me trazem mais para perto de seu corpo. Acho que ele se cansou de se encurvar por mim, pois me segurou no colo, me fazendo entrelaçar as pernas em sua cintura para não cair. Emaranhei minha mão no seu cabelo, que sempre fora uma bagunça.
Ouço um barulho e sinto uma dor em minhas pernas e mãos. Preparo-me para amaldiçoar o dupek do Alvo Potter quando percebi o real motivo d’ele ter me soltado. Olho para a direção que ele encara estático e vermelho como um pimentão.
– Atrapalho? – Meu irmão pergunta na porta do quarto.
– Não é o que você está pensando! – Me apresso a dizer.
Hugo ri da minha cara e se vira pra sair.
– Eu falo que vocês já vão descer. – E antes da porta se fechar, ele a segura de modo que apenas sua cabeça esteja visível e sussurra. – Relaxa, irmãzinha, eu sou ótimo em guardar segredos.
Olho para meu primo com cara de “Mas o que?” e ele se apressa a me ajudar a levanta.
– Desculpe, eu me assustei.
Olho brava pra ele, mas logo sorrio de lado.
– Desculpo se você me der mais um beijo.
Ele revira os olhos e faz o que eu pedi.
– LILIAN! – Digo com falsa animação quando vejo minha prima sentada a mesa. – Oi, tio. Tia. – Cumprimento-os e vou para o meu primo e dou um beijo estalado em sua bochecha. – James.
Lilian revira os olhos, ela é muito ciumenta com seus irmãos e não gosta muito de mim. Não que eu morra de amores por ela. Na verdade, por nenhumas das minhas primas e nem elas por mim. Talvez porque eu fui a única Weasley para Sonserina e por isso eu meio que me destaco. Talvez porque eu fui eleita a Weasley mais bonita de Hogwarts (Sim, existe uma competição!). Realmente não me importo, posso ser a “cobra venenosa” da família — como elas dizem — mas não saio dando o bote por ai.
Sento-me entre Hugo e Alvo e de frente para a minha doce e adorada priminha. Quando terminamos de jantar, me viro para Al.
– Alvinho lindo do meu coração, meu priminho preferido...
– HEY! –Ignoro um James indignado.
– O que você quer, ruiva?
– Nossa! Você acha que só porque eu estou dizendo o quanto você é lindo e maravilhoso e...
– Crianças, — Minha mãe me interrompe, voltando à sala de jantar com meu pai e meus tios, que não jantaram conosco, estavam os quatro trancados no escritório. – Nós vamos sair para jantar. Se comportem e não destruam a casa.
– Mamãe, – Começa Hugo revirando os olhos. – Nós somos uns anjinhos.
– Posso até ver as asinhas. – Comenta minha tia Gina irônica. É um amor descomunal nessa família.
Quando ouvimos o carro dar partida, James se levanta e fica de pé na mesa – que já está limpa graças aos elfos. Porque isso não é uma surpresa pra mim?
– Quando os ratos saem, os gatos fazem a festa.
– James, meu amor, bebê da minha vida, o certo é “Quando os GATOS saem, os RATOS fazem a festa.” – Explico como se falasse com uma criança de três anos, bom é o James.
– Rose, meu amor, bebê da minha vida, eu tenho cara de rato? Na verdade, eu sou gatinho.
Lilian arqueia os olhos para a idiotice do irmão. Decido ignorar e vou para a sala, seguida por Alvo.
Estico-me no sofá e deito no colo dele que começou a mexer nos meus cabelos.
– O que você queria?
– Sair daqui. – Disse numa careta.
Ele ri da minha cara e me puxa de modo que eu fique sentada no seu colo. Fico a centímetros do seu rosto, ele coloca o meu cabelo atrás da orelha e acaricia o meu nariz com o seu. Ignorando o fato de estarmos no meio da sala da minha casa e que os nossos irmãos podem aparecer a qualquer momento, deposito um singelo beijo em seus lábios. Quando vou me afastar, ele me puxa de novo para outro beijo, e outro, e outro, e outro...
– O QUE É QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI?
Pulo assustada com o grito de menininha da Potter e adivinha onde eu vou parar? Exatamente, no chão. Hugo reprime uma gargalhada com uma tosse muito má disfarçada, que contamina James também. Sinto meu rosto queimar enquanto meu primo e meu irmão riem. Não sei se estão assim por que eu estou no chão, dolorida ao dobro, porque Alvo está estático de novo ou porque Lilian está com cara de assassina.
Penso em todas as maldições que posso jogar neles quando chegarmos à escola, mas Lilian interrompe os meus pensamentos.
– HELLOOOOOOOO?! Tem como alguém me explicar o que foi aquilo?
– Lily, irmãzinha, deixa o JayJay aqui te explicar um coisinha. Quando duas pessoas sentem-se de alguma forma atraídas umas pelas outras elas sentem a necessidade de trocarem saliva enquan-
– OK, JAMES! Eu sei o que acontece quando duas pessoas se beijam.
–Então para de ser chata e deixa o seu irmão curtir a vida dele.
Ela bufa irritada e volta pra cozinha, trombando propositalmente em meu irmão que ainda não parou de rir.
James olha pra ela debochado e se volta para nós.
– Um pouco de cuidado vai bem aí.
Uma semana depois...
– Mãe, já to indo. – Digo rapidamente, esperando não ter que dar satisfações.
Fecho a porta num baque e vejo meu primo já me esperando na frente de uma moto. Não me pergunte como ele o conseguiu, já que ainda tem 15 e só poderá tirar carta no ano que vem. O que me faz pensar duas coisas: Roubo ou magia.
– Sobe ai. – Alvo diz.
– Não mesmo. – Ele ri.
– Vai dizer que tem medo?
– Não, só não sei se quero subir na garupa de um garoto de quinze anos como piloto. – Ironizo.
– Bem engraçada você. Vem ou não? – Reviro os olhos e vou a sua direção com um olhar de reprovação, mas um sorriso no rosto.
Pego o capacete de uma de suas mãos e dou-o um rápido selinho antes de subir na moto.
– Onde estamos? – Pergunto quando paramos.
– Em uma praia. – Ele diz com escárnio.
Dou um tapa em seu braço.
– Eu sei que é uma praia. Mas...
– É uma praia deserta. – Ele disse arqueando as sobrancelhas.
Olho novamente para a paisagem e percebo que ele está certo. É um lugar realmente lindo, o mar é quase transparente de tão azul e a areia é fina e branquinha. Os rochedos na costa lembram ligeiramente Hogwarts.
Alvo me tira do transe quando começa a andar em direção às pedras. Me esforço um pouco para acompanha-lo.
Sentamo-nos de frente para o mar e observo algumas ondas se formando.
– Quinto ano... Merlin, como eu estou velho!
– Não, não está. Eu tenho a mesma idade que você e se você se chamar de velho, também vai estar me chamando de velha. E eu não sou velha.
Um mês depois...
Observo enquanto minha coruja, Spes voa pelas nuvens com a minha carta-resposta para Annie. Ela está com seus irmãos em algum lugar da Escócia, visitando alguém de sua família. Suspiro pesadamente. Braços me envolvem e logo lábios macios fazem o trajeto do meu pescoço até a minha bochecha.
– Você está fazendo cosquinha. – Digo entre risos. – Não vale.
Alvo ri e me vira de frente para ele. Posso ver seu semblante triste me encarar com os olhos molhados. Sinto um aperto no coração por vê-lo desse jeito. Passo minha mão por seu rosto e levo-a até seus cabelos perfeitamente bagunçados. Ele fecha os olhos com o meu toque uma lágrima silenciosa escorre, ele a ignora e abaixa a cabeça mordendo o lábio.
– Al...?
– Me desculpe...
– Al? – Chamo novamente, vendo mais lágrimas brotarem de seus olhos ainda fechados.
Finalmente posso ver aquele verde esmeralda novamente. Está ainda mais brilhante devido às lágrimas. Mas ele continua doentiamente lindo. Quero confortá-lo, como ele sempre fez comigo. Não desvio o olhar, procuro naquela imensidão preciosa uma resposta.
– Não dá mais, Rose. – Estranho que ele me chama de “Rose” não “Rosie”, ele sabe o quanto eu adoro o meu nome.
– O que?
Dessa vez, Alvo passa a mão por meu rosto, mas eu a afasto forçando-o a olhar para mim novamente.
– Alvo? O que você quer dizer com ‘não dá mais’?
Ele não me responde. Seu silêncio já diz tudo. Recuo lentamente.
– Você não me quer mais? – Pergunto controlando as lágrimas.
– Não é isso, é que... – Ele engole e seco volta me encarar, já mais contido. – Nós sabíamos que nunca ia durar, certo? Quer dizer, nós somos primos.
Controlo a vontade imensa que tenho de soá-lo porque alguma coisa dentro de mim me diz que ele está mentindo.
He looks around the room and innocently overlooks the truth. O trecho da música me atormenta.
– O que aconteceu? – Pergunto também séria. Somos sonserinos, não é porque estamos de férias que isso vai mudar.
– Você não acredita em mim.
– Em nenhuma palavra.
Ele desvia o olhar novamente e de relance vejo um brilho em seu olhar, mas quando Alvo volta a me encarar, só há escuridão.
Desisto. Pego minha bolsa que está em sua cama e desço as escadas correndo, acabo por trombar em alguém. Levanto a cabeça e encontro James.
Ele não é muito diferente do irmão. Ambos são altos e possuem o mesmo cabelo moreno incrivelmente bagunçado. Não, o mesmo não, James deixa o dele um pouco maior. Você nunca duvidaria que são da mesma família, ao contrário de Roxxane e Dominique por exemplo. A diferença mais marcante entre eles é a cor do olho. Alvo possui olhos ver-esmeralda enquanto James possui um azul-elétrico de perder o ar.
– Aconteceu alguma coisa? – Ele me pergunta preocupado.
Eu fui uma idiota. Respondo mentalmente. Ele estava certo, eu sabia que isso não ia durar, mas...
– Você pode me dar uma carona?
James, um ano mais velho, já tem carteira de motorista. Minha tia não deixou tirar de moto, só de carro. De aniversário de 16 anos, o pai dele deu um Porshe vermelho. Grifnórios.
Ele assente e me conduz para a garagem.
O caminho de volta a minha casa é silencioso, meu primo sabe que se eu quisesse falar alguma coisa, teria o feito. O vento em meu rosto me lembra da primeira vez que andei de moto com o irresponsável do irmão dele. Me lembra dos dias que passamos na praia, apenas eu e ele.
Achei que já tinha superado tudo. Quando estou com Alvo Severo Potter, tudo fica tão fácil e feliz. Ele tem esse poder, ele pode transformar tudo ao meu redor em arco-íris brilhantes. Ou flores da primavera, daquelas de comercial de amaciante. Desde que começamos a ficar, parei de imaginar a minha vida longe dele. É como se nada tivesse sentido.
De alguma forma, meu pensamento viaja para um loiro de olhos cor cinza-gelo. Me sinto completamente diferente perto dele, me sinto confortável e segura. Não que Alvo não me faça sentir assim, mas quando eu estou perto dele, ainda posso sentir uma parte adormecida dentro de mim que grita desesperada pedindo por socorro por estar em um ambiente sozinha com alguém. Por mais que esse alguém seja meu primo e melhor amigo.
Mas pelo jeito, pelo o que eu vi hoje... Parece que eu não sou a única com segredos.
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