Dark Moon

43 Capítulo 43


Notas iniciais
Boa leitura.

Renesmee capítulo 43

“O que?” eu disse mal acreditando no que estava ouvindo sair da boca de Jacob.

Ele parecia estar tão envolvido, que ele nem prestou atenção nas palavras que eu disse muito menos nas que ele disse. Antes o que eu mais queria, que era me entregar a Jacob, ser toda dele, agora parecia uma condição impossível. Eu não conseguia mais pensar em nada, a não ser o Jacob me olhando, com aqueles doces olhos negros, eu, ele estava me vendo ser um monstro.

Por isso que ele estava agindo estranho hoje, quando eu cheguei da floresta, ele estava misterioso e hesitante. Eu deveria ter desconfiado. Ele até quase me disse, quando eu aceitei rápido demais. Mas eu não consegui perceber que havia algo de errado, muito menos que ele estava presente o tempo todo. Será que ele me viu saindo daquela floresta com e acompanhando um homem desconhecido? Será que ele viu o homem morto?

Eu coloquei minha mão fechada em punho no abdômen dele, e o empurrei para mais longe de mim. Seu olhar era como um ponto de interrogação, mas depois passou para arrependido e preocupado.

“Jacob. O que você viu?” eu repeti minha pergunta, com medo de que tudo fosse verdade, mas eu queria saber logo, descobrir logo o que realmente aconteceu.

“Eu vi?” ele perguntou, não compreendendo nada. Será que ele não lembrava o que ele próprio disse? Será que isso é possível?

“Ja-jacob” eu disse, entre um soluço e outro. As lágrimas começaram a brotar nos meus olhos. E a escorrer quentes em minha bochecha ruborizada. Um nó gigante se formou em minha garganta e eu mal conseguia falar.

Mesmo sem entender nada, o Jacob se sentou ao meu lado na cama, e saiu de cima de mim. Eu tinha até me esquecido do que fazíamos. Eu não me concentrava em nada, apenas as mesmas palavras que se repetiam em minha mente igual picadas de abelhas. Não, de abelhas não, porque as abelhas ao picarem, morrem, e são sempre as mesmas palavras e mesmas imagens que me deixam cada vez mais apavorada e histérica, já sei, são marimbondos, porque ao picar, ele não morre, e pode voltar a picar o mesmo lugar várias vezes, e suas picadas doem muito mais. É, é definitivamente assim, que me sinto.

“Como assim? Eu-eu te machuquei?” Jacob perguntou, agora ficava com uma expressão cada vez mais triste e preocupada, aparentava estar mais velho do que realmente era. Ele mal deu tempo de eu responder, já começou a falar novamente. “Me desculpe. Eu não queria.. eu.” Ele parou, tirou seus olhos dos meus, olhou para um canto qualquer de seu quarto e depois voltou a olhar para mim com uma expressão série e madura. “Eu juro que nunca mais vou tentar alguma coisa. Eu juro que nunca mais te machucarei” ele disse, confiante em si mesmo.

“Não. Nã-não é isso” eu disse, ainda chorando igual a um bebê. “Você, você confessou. Você me disse, você..” as palavras fugiam da minha boca, bem no momento de pronunciá-las. Eu mal conseguia completar uma frase ou sequer acabá-la. As lágrimas continuavam a cair abertamente em meu rosto todo. “A floresta” foi o que eu consegui dizer.

Eu consegui distinguir a maioria das expressões que passaram pelo rosto do meu melhor amigo, suas expressões foram marcadas pelo medo, angústia, preocupação, desaprovação, desapontamento, nojo, até chegar à última, a que me atingiu mais do que todas as outras, recusa. Ele tinha recusa de mim. Eu olhei em seus olhos, que agora se formavam lágrimas de dor, de pura dor, eu podia ver em sua expressão dura.

“Jacob, eu..” eu tentei me explicar. De todos os jeitos, eu tentei. Mas eu não conseguia achar as palavras certas, só vinham em minha mente : monstro, sangue, humanos, motel, monstro.. “O que você viu?” eu consegui fazer as palavras saírem da minha boca, com um grande esforço e entre um fôlego e outro.

“Eu vi tudo” ele disse, mas ele não parecia estar ali, ao meu lado, com seus braços, que antes envolviam a minha cintura, agora soltos a sua volta. Seus olhos estavam longes, estavam opacos e apagados. Sua mente estava caminhando pelas mágoas das lembranças.

“Me-me desculpe” eu disse, sem pensar, enquanto Jacob voltava a si, e eu tentava ficar mais perto dele, mas ele se levantou da cama, e me deixou lá, sentada sozinha. “Eu não queria, eu..” eu nunca conseguia falar o que eu queria, nunca.

“Você não queria? Tem certeza? Por que pelo o que eu vi, você era a que mais estava querendo.” Ele disse, enquanto ficava de pé no meio do seu quarto. “Você vai para casa. Agora.” Ele disse.

“Não, Jake. Eu não quero!” eu disse, agora chorado ainda mais.

“Mas você tem que ir, você não pode ficar aqui por muito mais tempo” ele disse, parecia sério e protetor, mas pelo sua expressão eu sabia que ele só queria se livrar de mim.

“Não. Jake, vo-você promete que não vai contar nada para minha mãe nem para o meu pai?” eu queria o fazer prometer, porque se não prometesse, eu não sei o que seria de mim. Se meus pais ou qualquer vampiro da minha família descobrir, eu nem sei o que eles poderiam ser capazes de fazer comigo. Eu estava com medo, muito medo, porque eu pensei que ninguém nunca iria ficar sabendo dessa recaída minha.

“Eu não vou contar” ele disse, enquanto eu suspirava alto “Ainda” ele terminou, mas dessa fez mais baixinho.

“Como assim ainda? Jacob, por favor, não conta, por favor, se eles souberem, eu nem sei o que fariam comigo” eu disse, mas a expressão dele não se alterou, continuou a mesma, e ficava cada vez mais dura.

“Você não pode esconder isso deles pra sempre. Um dia eles vão ter que saber.” Jacob disse, enquanto eu ficava cada vez mais trêmula “Agora, arrume suas coisas e vamos embora” ele terminou com uma ordem.

Nem olhou mais para mim e saiu do seu quarto, me deixando sozinha com meus pensamentos confusos e embaraçados. Enquanto eu chorava entre soluços altos. E envolvia minhas pernas, ficando em posição fetal, tentando acalmar a mim mesma e tentando abafar as imagens da cena que acabou de acontecer.

Eu sentia muito medo, mais do que eu jamais senti.

O medo me consumia, eu não conseguia raciocinar, não dava pata pensar em nada para eu poder fazer o Jacob não contar para minha mãe e meu pai do que eu ando fazendo ultimamente.

Eu tomei forças, levantei a cabeça, respirei fundo, tentando parar de chorar, mesmo sabendo que as marcas do choro ficariam no meu rosto. O nariz vermelho, olhos inchados, e vermelhos. Meu rosto estava todo molhado, passei minha mão por ele, tentando tirar as lágrimas que ali ainda estavam.

Saí do quarto do Jacob. Ele estava sentado no chão, perto da porta, com os joelhos em seu peito, enquanto as lágrimas desciam por sua bochecha que eu tanto conhecia. O que seria de mim e do Jacob agora? O que eu vou fazer? Como vou fazer para ele não contar nada?

“Jacob, eu..” eu não conseguia, as palavras não saíam, e o nó voltava a ficar em minha garganta, eu sentia as lágrimas começando a aparecer de novo. Mordi os lados de dentro da bochecha, com esperança de não chorar. “Me-me d-desculpe” eu disse, entre gaguejos.

Ele me olha bem rápido, e depois volta a olhar para o vazio em sua frente. Como se eu já tivesse ido embora. Um novo medo crescia dentro de mim. Um medo maior de todos, que agora vinha se arrastando, ficando cada vez maior dentro de mim, parecia que eu estava sufocando. E se Jacob nunca mais quisesse falar, ou até mesmo me ver de novo? E se ele começasse a me ignorar, a qualquer lugar que eu estiver?

“Eu não queria, eu juro..” eu estava tentando, mas todas eram tentativas falhas.

Eu não agüentava mais a agonia, aquele silencio estava pesando, e me deixava cada vez mais incomodada, eu não conseguia mais ficar ali, parada, na frente de Jacob, olhando ele chorar. Chorar por mim! Eu não acredito que eu consegui fazer ele chorar. Eu. Quero fazer ele parar, alguma coisa dentro de mim se acende, e quero desesperadamente reconfortá-lo, e falar que, tudo o que ele viu, presenciou, ela um grande mal entendido, mas não era. E eu estaria mentindo para mim mesma se eu falasse isso.

Cheguei mais perto dele, foi quase automático, e quando eu ia encostar em seu cabelo, para acariciá-lo, ele se levantou, seu rosto expressava nojo. Eu não conseguia mais esquecer a expressão dele, e sinceramente, acho que nunca mais esquecerei. Eu não sabia mais o que fazer, aquela simples mudança de expressões, foi como uma adaga sendo enfiada em meu peito, e ainda acho que uma adaga seria melhor, bem melhor.

Ele olhou pra mim rápido, com uma recém adquirida expressão, era dura, dura como pedra, as lágrimas que antes eu tentava conter, escorregam pelo meu rosto, sem parar. E escuto um grito fino, bem agudo, e judiado. Tanto que até me doeu os ouvidos.

Só depois que fui perceber, que esse grito vinha da minha boca, que tremia, eu estava soluçando alto, de tanto chorar, quando Jacob me olhou pela última vez, eu mostrei a ele como tinha doído o que ele fez comigo. Tanto que ele ficou um tempo a mais olhando para mim. Passei minhas mãos, que tremiam, pelo meu rosto, e minhas unhas, que estavam grandes, junto. Arranhando minha face inteira, quando voltei a ver , minhas mãos, estavam cheias de sangue, meu próprio sangue. Agora eu consegui fazer o Jacob perceber o que ele fez. Ele me abandonou no momento em que eu mais precisava dele.

Passei minha mão pelos meus lábios, que anseiam pelo encontro dos lábios dele. Mas logo depois, Jacob continuava a me olhar, eu me virei, e saí correndo, empurrando a porta da casa dele com força, e saindo na chuva fria, que agora caía em grandes pingos, que representavam minhas lágrimas derramadas, que ainda escorrem pelas minhas bochechas, parecem estar invejando a chuva que cai, e minha tristeza. Que cada vez mais eu me afogo dentro dela.

Notas finais
Desculpem pela briga, mas no capítulo 45, eles já voltam com tudo e quase de vez já :)
Juro que se forem brigar, vai demorar muito, muito.