Dark Light - As Sete Chaves

8 Capítulo 5 - À mercê


Notas iniciais
Mais um capítulo pequeno, desculpem. Mas é o máximo que estou conseguindo ultimamente. Mesmo assim espero que gostem :D

— Vocês vão me levar para onde? — Perguntei.

Estava sentado no banco traseiro do Jeep Wrangler preto de Hector. Convenci-me de que não sou um mero humano qualquer. Mas, ainda não soube o meu objetivo aqui.

— Temos que sair daqui de Wings, é muito perigoso para você continuar aqui — Disse Hector.

— Mas eu preciso pegar minhas coisas...

— Nessa hora você já não deve ter mais casa. Vincent deve ter ateado fogo nela – Comentou Derek.

— Ele ainda está vivo?

— Sim. Naquela noite nós não conseguimos pega-lo. Já faz um pequeno tempo que estamos atrás dele. Na próxima ele não escapa, ele deve saber de alguma coisa... — Hector pensou alto.

— Alguma coisa sobre...?

— Na hora certa você saberá. — E em seguida, pisou forte no acelerador.

Ler a placa de “Agradecemos por sua presença. Tenha uma boa viagem, volte sempre” na saída de Wings da um aperto no peito. Vivi metade da minha infância e começo da minha adolescência nessa cidadezinha. Foi lá que, com os tombos, aprendi a andar de bicicleta. Onde fiz amigos... Jenny e Kyle! Como será que eles estão? Eles devem ter achado muito estranho eu não ter ido a aula hoje, nunca falto.

Apoiei minha cabeça na janela do carro e comecei a apreciar a vista da estrada. Árvores, a dança dos pássaros... um lobo...

— Lobo? — Perguntei em voz alta.

— Onde?! — Hector pisou com força no freio, fazendo com que nós “voássemos” para frente.

— Por que esse desespero todo? — Perguntei a Hector

— Não existem lobos perto das redondezas de Wings...

Meu coração acelerou. Olhei novamente a floresta e não havia mais nenhum animal por lá. Apenas algumas aves em alguns galhos.

Os dois carregaram suas armas e a mantiveram em suas mãos.

Ficamos parados por poucos minutos e depois Hector decidiu seguir viagem.

Sinceramente? Nunca passou pela minha cabeça de que eu era adotado. Só achava estranho, que, quando criança você sempre tem aquela mania de fazer pergunta sobre tudo e todos. E, teve uma vez, que perguntei a minha mãe como eu havia nascido. Como tinha sido o parto dela, pra ser mais especifico. Ela ficou quieta, olhou para os lados e apenas me disse a frase: “Você foi um presente que o papai do céu me deu, o melhor presente da minha vida”. Isso não é algo estranho, que faz a criança ficar mais perdida ainda? Sim, um pouco. Mas nunca perguntei mais nada sobre.

Que vontade de ouvir musica... Pensei.

Olhei para os Birk, e pensei em pedir para um deles ligar o som... Mas pelo jeito deles, acho que eles não curtem uma musica. Apenas matar demônios e etc. Mas mesmo assim resolvi tentar.

— É, hum — Pigarreei. — Um de vocês poderia ligar o rádio...?

Derek, que estava sentado no banco do carona, me olhou pelo retrovisor interno e depois de bufar, ele sintonizou o rádio.

Às vezes eu penso que ocorre muita coincidência nesse mundo, se você está alegre, uma musica alegre começa a tocar; se você está triste, uma musica triste começa a tocar e por ai vai. E comigo não foi diferente, quando Derek sintonizou o rádio, a musica Waiting For The End do Linkin Park começou a tocar.

Encostei minha cabeça na janela, para curtir o som da musica e pensar mais um pouco sobre essa grande reviravolta na minha vida, mas como sempre, acabei pegando no sono durante o trajeto.

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— Chegamos... — Disse a voz grossa e rouca de Hector.

Abri os olhos calmamente e olhando pela janela, vi que estávamos atravessando uma entrada típica de fazenda. Não consegui ler a placa, pois a mesma estava caída, pendendo por uma das correntes. Percorremos uma pequena estrada de terra até chegarmos a um casarão.

O casarão era todo de madeira por fora, o que dava um ar de casa amaldiçoada.

Hector estacionou o carro no gramado, descemos e fomos em direção à residência. Enquanto andávamos, eu dava umas pequenas olhadas por cima de meu ombro, por precaução. Mas uma coisa me fez virar, e quando me virei, vi que ao redor da pequena fazenda havia uma cerca de arame farpado e estacas de madeira. As estacas, dispostas por médios intervalos, era em forma de cruz e nelas havia símbolos, que de longe não pude distinguir quais eram.

A noite já estava por vir, e o céu estava com um tom meio roxo, quase indo para o azul escuro. Olhei mais um pouco para os arredores da fazenda, o vento fraco e frio balançava as grandes árvores ao redor. Pássaros deslizavam no céu, e o silêncio assustador se mantinha no local.

— Vamos, garoto. Entre. — Alertou Hector.

Apertei os passos e adentrei ao casarão. Era um lugar aconchegante, me lembrava muito a casa da minha avó. Por parte de mãe. As paredes eram pintadas de um bege escuro, janelas marrons com cortinas brancas, uma lareira no centro da sala de estar. Que ao redor mantinham-se três sofás de couro preto.

— Bonita... — Comentei.

— Fique a vontade... — Disse-me Hector — Derek lhe mostrará aonde você irá se hospedar.

Ele olhou para Derek com um olhar mandão, e o mesmo largou suas malas onde estava para poder me levar ao meu novo quarto.

Subimos uma escada feita de tábua corrida, que dava acesso um corredor onde ficava os quarto e mais a frente uma pequena sala de jogos. Na segunda porta a direita, Derek a abriu e me olhou uma cara do tipo: “Satisfeito, patrão?”. Como se eu tivesse culpa em alguma coisa.

Entrei no quarto e me lancei em cima da cama, olhei para o teto e reparei que o cômodo era todo branco, com armários de cor bege claro. Acho que esse era o quarto de visitas mesmo.

— Mike — Hector apareceu na porta do quarto —, amanhã iremos ver se ocorreu algo com sua casa. Vamos principalmente para pegar os seus pertences...

— Claro, tudo bem — Concordei.

— Aqui tem um short e uma camisa pra você ter o que dormir pelo menos — Ele disse, enquanto jogava as roupas em mim.

— Obrigado.

— De nada. — Em seguida se virou e fechou a porta.

Fiquei ali, sentado na beira da cama. Pensando em exatamente nada a mais do que no fato de mau pai estar morto. Já havia perdido minha mãe quando criança, agora meu pai se foi...

Levante-me e fui em direção ao banheiro. Tirei minhas roupas sujas e entrei embaixo da água morna que saia do chuveiro. Fechei a cortininha de plástico e iniciei meu banho. Normalmente e, ás vezes, nós pensamos muito sobre a vida quando estamos embaixo d’água. Não é? Bom, comigo pelo menos acontece isso.

Meu pai... Morto. Minha família... Morta. Apenas eu ainda estou de pé, aliás, Max ainda está vivo? Pensei.

Terminei meu banho e quando puxei a cortininha de plástico, que dividia o box do chuveiro do resto do banheiro, e vi que o mesmo estava cheio de fumaça. Peguei a toalha, me enxuguei e a enrolei em torno da cintura. Fui para perto da pia, e quando fui passar a mão no espelho para tirar o embaçado da fumaça. Algo estranho começou a desenhar algo. Fiquei parado, incrédulo no que via.

Alguém está aqui! Pensei.

Os desenhos iam se formando em letras... No final, estava escrito: “Não é porque você está longe de Wings, que você está a salvo”.

Saí desesperado do banheiro, olhei para a porta do quarto. Ela não deveria estar fechada? Hector a fechou, eu me lembro. Sem pensar duas vezes eu a fechei e passei a chave. Fiz o mesmo com a porta do banheiro e a janela.

Disse para mim mesmo que iria esquecer o que acabou de acontecer. Botei as roupas que Hector me emprestou, apaguei as luzes e tentei dormir. Na primeira não tive sucesso. Pois estava com muito medo de que se eu dormisse, alguém poderia aparecer e me matar. Fiquei acordado até a hora que pude ver o sol nascendo pela janela. Só quando amanheceu o dia que eu consegui pegar no sono.

Notas finais
Espero que gostem. Críticas, comentários, elegios, alerta de erros... serão sempre bem recebidos :D