Notas iniciais
(Jason Walker - Echo | Capítulo O4: Theme Song)

— PAI! — Gritei

Acordei assustado, havia sonhado que eu e meu pai estávamos sendo perseguidos por um tal de Vincent. Que de normal, não tinha nada! Estava suando frio, que sonho horrível, pensei.

Mas, alguns minutos pensando nisso, me dei conta de que não estava no meu quarto. Estava em quarto abafado, e com cara de que era um cômodo de adolescente. Ou de alguém muito relaxado, pois havia roupas empilhadas de qualquer jeito. Em cima da estante, do lado da cama. Roupa limpa misturada com roupa suja... Esse cara é pior que eu!

Levantei, peguei minha jaqueta jeans que estava pendurada em um cabide descente atrás da porta. Abri a mesma e sai. Passos calmos para ninguém ouvir, disse a mim mesmo. Reparei pela janela do corredor — que era do teto ao chão —, que era um apartamento. Pois a altura era enorme! Andei mais um pouco e vi mais um quarto, bem organizado, com móveis marrons e uma cama de casal bem arrumada. Deveria estar em apartamento de alguma família. No fim do pequeno corredor, podia-se ver a porta de saída. Chegando perto da mesma, olhei para os lados para ver se havia alguém ali. Ninguém havia, então, quando botei a mão na maçaneta ouvi um barulho vindo do meu lado esquerdo. O local de onde vinha o ruído de uma porta rangendo, parecia ser uma cozinha.

— Aonde você pensa que vai, garoto? — Perguntou-me a voz.

Mantive silêncio, para que a pessoa pensasse que tinha ido embora.

— Eu sei que você ainda está ai. Essa porta é ruim de ser aberta, ela emperra. Então tem que ter um jeitinho... E como você não mora aqui... — O dono da voz grossa e rouca apareceu, ele se apoiou com o ombro direito na parede, me encarou e ficou comendo sua torrada com manteiga enquanto me analisava. O homem aparentava ter uns quarenta e poucos anos, alto, cabelo raspado e olhos verdes.

— Quem é você? Onde estou? E por que estou aqui? — Perguntei, desesperado.

— Pronto, começou... Já era de se esperar por isso. Olha garoto, primeiro você...

Ele foi interrompido por alguém tentando abrir a porta. Assustei-me e sai de perto dela, a pessoa que tentava abrir parecia desesperada, pois não conseguia abri-la. Até que finalmente teve sucesso.

— Essa droga de porta só serve pra estressar a gente! — Resmungou.

— Desculpe, Mike. Esse garoto só sabe reclamar da vida. Alias, ele é meu filho, Derek. Derek esse é o Mike.

Ficamos nos encarando por algum tempo, até que ele disse:

— Jaqueta legal, hein. — Disse, passando até mim e indo em direção à cozinha.

Derek parecia já ter os seus vinte e poucos anos, alto, loiro e de olhos castanhos claros. E para ser franco, o pai dele nem parecia ser pai dele.

— Pedi pra ele fazer algumas compras, para você ter o que comer no café da manhã. — Comentou o pai.

Eu ainda estava parado, sem reação alguma. Parecia um jarro que fazia parte da decoração do apartamento.

— Garoto, se você quiser pode dizer alguma coisa... Responderei suas perguntas daqui a pouco, com calma. Primeiro tome seu café da manhã e relaxe — ele virou as costas e foi para o quarto, com sua xícara de café na mão. — E mais uma coisa — ele gritou —, meu nome é Hector!

Mexe-se moleque, faz alguma coisa. Vá atrás de seu pai! Pensei.

Automaticamente, botei a mão na maçaneta e comecei a tentar abrir a porta desesperadamente.

— Meu pai já não te disse... — Derek começou a falar, mas parou ao ver meu desespero e as lágrimas que caiam de meu rosto abaixado.

— Eu só quero encontrar meu pai! — Disse, entre soluços. — Quero saber se ele está bem...

— S-e-seu... — ele gaguejou — Seu pai morreu, Mike.

O quê? Perguntei a mim mesmo.

Então aquilo foi real, não foi mais um de meus sonhos estranhos. Aconteceu mesmo, Vincent o matou. Mas que merda está acontecendo na minha vida? O que aquele Vincent era de verdade? E meu pai... Continuou jogado no meio da estrada? E Por que ele?

A carta, lembrei.

Tateei o bolço a procura dela, achando-a abri e comecei a ler.

“Filho... Você não deve estar entendendo nada neste momento, acertei? Queria que essa carta nunca fosse lida por você e nem que esse dia chegasse. Mas o destino assim quis. Lembra quando eu dizia que você foi um presente Dele? Claro que se lembra, dizia isso toda hora. Mesmo você achando um saco, mas, era dessa forma que agradecia a Deus por ter posto você e seu irmão em nossas vidas. Eu e sua mãe sempre imaginávamos sendo pais, pensávamos como seria estressante os momentos de acordar de madrugada para ver o motivo dos choros, a hora de trocar fraudas (alias, nunca fui bom. E sua mãe? Ela vivia segurando a ânsia de vômito)... essas coisas. Mas, infelizmente, descobri que sou estéreo. Isso foi uma facada no coração dela. Pedi desculpas, mas ela dizia que a culpa não era minha. A vida é assim, nem sempre é como nos filmes: perfeita. Passando-se algumas semanas, vocês apareceram dentro de um cesto dourado, coberto por um manto branco... Sim, vocês não são nossos filhos biológicos. Nunca falamos por medo de vocês nos odiarem e correrem atrás de seus pais verdadeiros... como se isso fosse possível. Pois... seus verdadeiros pais são de outras dimensões... deixarei essa parte da explicação para o Hector.

Mas o que eu quero dizer de verdade é que: não importa o que aconteça, siga em frente e de cabeça erguida. Encare o que você é de verdade e defenda o nosso mundo. Seja o meu herói.

De seu (chato e brincalhão), pai.”

Quando me vi, já estava ajoelhado no chão, segurando com a mão tremula a carta. Não me contive e cai no choro. Não existe explicação para uma perda, principalmente quando esse alguém é seu pai. Um vazio permaneceu em meu coração, parecia que meu pai o levou junto consigo.

Levantei o rosto e encarei Derek, tentei gritar de raiva. Mas nada saiu, não tinha mais controle sobre mim. Não conseguia pensar, sentia como se o grito permanece-se como um eco na minha cabeça.

Minha vista começou a embaçar, tudo ficou turvo e negro...

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— Ei! Acorda bela adormecida... — Era Derek me acordando um uns tapinhas na minha cara.

— O que aconteceu?

— Muitas informações em um só dia. Foi isso que aconteceu — Disse Hector, vindo em minha direção com um copo de água na mão.

Sentei-me no sofá, peguei o copo de sua mão e bebi.

— Então, vamos para as perguntas... — Hector puxou uma cadeira, virou-a de costas e sentou, apoiando os braços cruzados no encosto da mesma.

— O que meu pai quis dizer com: “seus verdadeiros pais são de outras dimensões”?

— Não tinha uma menos, digamos que... Tensa?

O olhei com uma cara de desentendimento.

— Tudo bem... Sua mãe é uma anjo e seu pai é um demônio. Pronto. Próxima?

— É o quê? — Engasguei.

— Acho que ele vai precisar de mais água... — Comentou Derek.

— Foi o que você ouviu — Hector continuou —, você é um Nigrum Lux. Fruto de um amor proibido.

— Quer dizer que eu sou uma espécie de anjo...? — Perguntei.

— Quase isso. Corre um pouco de sangue de demônio em suas veias.

Eu não sabia mais o que dizer, continuei ali, parado. Como sempre faço quando recebo uma “bomba” dessas.

— E como seu pai sabia disso? Bom, porque ele era um Paranormal, como eu e o Derek.

Silêncio.

— O Adam deveria ter dito que ele não é muito bom pra receber notícias desse tipo. – Comentou Derek, novamente.

— E o que é Paranormal? Então, Paranormal é um humano que pode ver mais além... Resumindo: podemos ver demônios, anjos, vampiros, lobisomens, fadas...

Me levantei, e olhei para os dois. E em seguida saquei a arma que estava dentro de minha jaqueta.

— Opa! — Os dois se levantaram com as mãos para o alto.

— Isso aqui é mais um dos meus sonhos. Vou para casa, irei dormir, acordar e tudo isso vai ter acabado. Meu pai vai estar lá, sentado tomando seu café enquanto lê o jornal do dia.

— Aé? — Debochou-se Hector, que em seguida, com um de seus movimentos ágeis, me desarmou e me pegou pelo pescoço com uma chave de braço. — Mas infelizmente você teria que acreditar no que dissemos a você. Derek, prepare-se. Teremos uma semana de caça.

Notas finais
Desculpem pelo tamanho do capítulo, ultimamente estou com pouca criatividade...
Espero que gostem. Críticas, comentários, elegios, alerta de erros... serão sempre bem recebidos :D