Dark Heaven.
2 Alice Webb
Notas iniciais
Ainda me lembro da minha adolescência como se fosse ontem, é engraçado como eu consigo lembrar perfeitamente de tudo. A não mais jovem Alice Webb se lembrando de sua adolescência e de seu maravilhoso e mágico último ano escolar, devem estar se perguntando o por quê. Acho que devem saber de toda minha vida desde o começo.
Me chamo Alice, descrita por muitos como a garota loira que possuía estranhas mechas castanhas no cabelo. Tenho um irmão mais novo, chamado Dave, que apesar de irritante, o amo muito. Meus pais, grandes empresários, nunca me deixaram faltar nada, apesar de serem muito ocupados, nunca deixaram de me dar atenção, minha mãe principalmente. E tem o Tony, que foi meu primeiro e único amor.
Tudo começou no meu primeiro dia de aula no terceiro ano do ensino médio. Cheguei no colégio, e como todo ano, encontrei meus amigos e minhas amigas, nos abraçamos, falamos das férias, e conversamos sobre mais alguns outros assuntos, matamos as saudades, e logo depois os auto falantes da escola, fazia um chamado, chamava todos os alunos até a quadra principal, onde cada turma se reuniria e iria ser direcionada a sua nova sala, em cada respectivo andar, todo ano era a mesma coisa, os alunos novatos se sentavam em outra arquibancada, onde não dava direito para observá-los, então após o chamado, os inspetores andavam entre o pátio pedindo para os alunos se direcionarem até a quadra aos que insistiram em ficar, logo que entrei na quadra com minhas amigas, dava pra observar que a mesma estava cheia, não apenas de alunos antigos, mas também de calouros, que eram calados, e meio tímidos. O diretor anunciou o inicio de mais um ano letivo, e fez algumas perguntas retóricas, como: “Estão felizes por voltar?” e “Gostaram das férias?”, eu digo ser retórica, porque ninguém respondeu, e ele provavelmente deveria saber as respostas.
***
Na sala de aula, todos sentaram em grupos por toda sala, como no ano passado, se eu falar que me sentei com outras pessoas sem ser meus amigos, estarei mentindo. A professora nova de química que estava na sala pra nos receber, e deu um pequeno discurso que não prestei muita atenção, sobre um novo e último ano, faculdade e futuro. Eu particularmente quero ser jornalista, mas meus pais querem que eu seja advogada, eles dizem que é um futuro melhor, um jeito melhor de ver o mundo, também gostaria de ser advogada do mesmo jeito que eu gostaria de ser jornalista.
Quando o sinal tocou, a professora de química saiu da sala, e logo após o professor de história entrou em sala, o mesmo só teve tempo de dizer um “Olá turma”, e foi interrompido pela diretora, uma mulher ruiva, alta, com um jeito de andar estranho, com seus mesmos óculos tortos de sempre, e um crucifixo ao pescoço. Ela foi até o centro da sala com um grupo de alunos novatos, falou alguma coisa sobre último ano e futuro igual a professora novata, todos pararam de conversar, se arrumaram nas cadeiras e prestaram atenção, quando a mesma começou a falar.
- Quero que todos prestem atenção no que direi agora, esse ano pra muitos é o último, e pra quem repetir, nos veremos próximo, ou não – houve uma risadinha de alguns alunos, a mesma fez um sinal com a mão, e automaticamente eles entenderam que era para parar – Quero lhes informar que, esse ano não será tolerado brincadeiras com professores igual ao ano passado e também não será tolerado o uso de extintores por alunos para brincadeiras, mas enfim, venho aqui lhes apresentar os alunos novos e espero que os deixem bem confortáveis. – abriu um sorrisinho forçado e continuou – Temos este ano dois alunos de intercâmbio: Petter e Laura Evans – e apontou para um casal de alunos com cabelos escuros, meio azulados, no meio do grupo de alunos novos – Thais Stevens – apontou a uma garota também ruiva, na mesma tonalidade de uma maçã. – James Davis – um garoto baixo e magro que usava óculos e uma roupa diferente – Tony Adams – um garoto com cabelo na tonalidade de um castanho escuro, que possuía um jeito estranho, e não parava de olhar para o teto – Katie Smith – uma garota com cabelos loiros escuros, se olhava em um espelho prateado enquanto era observada por todos na sala – Brendon Cox – um garoto também loiro, de olhos azuis, o mesmo possuía um estilo descolado – Então, espero que se enturmem logo – falou, e logo após se retirou da sala de aula, mas antes deu um sinal estranho para o professor continuar a aula.
- Então, acho que agora eu consigo falar. Sejam bem vindos, para os que não me conhecem, sou Daniel, a partir de hoje, seu novo professor de história, e desejo a todos um ano letivo cheio de expectativas e boas notas. – foi até uma bancada depositou a bolsa e virou para toda sala, falou com todos os alunos novatos, perguntou seus nomes novamente para não esquecer e perguntou de que colégio eles vinham, e o resto de sua aula foi normal.
Depois de algumas aulas, tinha chegado a hora do intervalo, fomos todos ao pátio, descemos a escada, e alguns alunos de outra sala estavam cantando, e fazendo bagunça nos corredores, a diretora falou algo como “Isso não é comportamento de aluno de ensino médio, isso é coisa de aluno de quinta série”, e eu não me agüentei, desci as escadas rindo, mas quando chegamos ao pátio, lembrei que tinha esquecido meu celular na sala de aula, e resolvi voltar lá e pegar, quando cheguei no local, tinha percebido que o novato chamado Tony, o que não parava de olhar para o teto, tinha ficado na sala de aula, e estava lendo um livro, o mesmo livro que eu estava lendo. Peguei meu celular, e fiquei mais um pouco, fingindo procurar algo em minha mochila, para ver se ele me percebia, mas não houve nenhuma reação do mesmo, então resolvi falar algo.
- Oi – falei rapidamente
- Olá – me respondeu, dando um sorriso.
- Esse livro é realmente fantástico – falei correspondendo ao seu sorriso.
- Você já leu? – me perguntou apreensivo
- Não terminei ainda, mas já estou no final – respondi ainda sorrindo – Você já chegou na parte que a menina descobre que tem câncer? – perguntei enquanto guardava meu material que tirei da mochila.
- Já, essa é a parte mais triste do livro.
- Eu não acho, é nessa parte que o carinha começa a amar ela de verdade, e eles começam a namorar. – falei enquanto me dirigia ao seu lado e sentava em uma cadeira próxima a ele.
- Olhando por esse lado, não é tão triste assim – me falou – mas você não acha que ele ficou com ela porque sentiu pena dela? – completou com uma pergunta que me deixou sem resposta
- Não acho, sabe, quando uma pessoa encontra seu verdadeiro amor, e ele retribui o amor que você tem por ele, não é por pena, mas sim por causa do verdadeiro sentimento, acho que ele não teria coragem de fazer isso por pena dela, ia a magoar muito – falei rápido.
- É, você tem razão. Sou Tony, qual é seu nome? – e sorriu novamente
- Alice, prazer te conhecer Tony. – então sorri correspondendo mais uma vez.
Ficamos ali conversando, conversamos até o final do intervalo, e eu não vi o tempo passar, foi tudo tão rápido, mas foi tudo tão legal, conversaria mais vezes com ele, o Tony realmente parecia um menino legal, aqueles que parecia gostar do mesmo tipo de leitura que eu, e ele falava super bem, queria ser a sua amiga, até quando no meio da aula de Português, super chata, eu o olhei, e ele me olhou, nossos olhares se encontraram, e ele novamente sorriu pra mim, foi um daqueles momentos que vão pra ser lembrado pro resto da vida, foi perfeito.
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