Notas iniciais
Gues who is back?

Fiquei por quase um ano sem postar (ou mais), mas nunca deixei de amar esses personagens. Então esses dias voltei a escrever, e espero continuar.

Não garanto a mesma atmosfera dos capítulos anteriores, afinal, é um grande intervalo de tempo. Mas, boa leitura!

Era hora de voltar à realidade. Os primeiros raios de sol que traziam consigo o amanhecer já haviam nascido e meus olhos pesavam como chumbo. Levantei da cama com muito esforço, abandonando o cobertor macio e cinza que cobria meu corpo seminu para então me dirigir com lentos passos até o banheiro. Poucos sabem a paciência necessária para se lavar o rosto com aqueles sabonetes faciais que enchem o rosto de espuma quando se tem cabelos mais compridos do que a maioria das pessoas.

Repentinamente, pude ouvir uma risada sarcástica vindo da porta.

– O que você quer? Para de rir, imbecil.

– Que belo jeito de começar o dia! Sua cara está estranha por sinal.

Com uma toalha vermelha e macia de algodão, sequei levemente cada parte úmida de meu rosto e pescoço.

– A pia está uma lagoa. Não vai secar? — perguntou ao ver que eu estava saindo

– Se te incomoda, limpe você mesmo.

Eu não possuía a menor gota de bom humor. Mal havia dormido as noites anteriores, se coloque em meu lugar.

Quando já estava a cinco metros do cômodo, pude escutar Laforet bufando. Idiota.

~

O colégio estava monótono, assim como em todos os cinco dias da semana. Roland com as mesmas piadinhas sem o menor senso de criatividade. As mesmas piranhas de sempre. Os mesmos otários de sempre. É tudo tão insuportável, tão psicologicamente claustrofóbico. Deveriam explodir, sumir. Mas, a parte mais incômoda de tudo é: o que eu faço aqui?

Os fatores capitais para a sobrevivência no mundo moderno atual são trabalho e dinheiro. Creio ter o segundo o bastante para não precisar do primeiro pro resto da vida.

Sem ter com quem conversar ou a quem agradar, o quê faço aqui? Amaldiçoada existência. Fútil e descartável.

"...prometa que nunca vai desaparecer, sumir, me abandonar ou qualquer coisa do tipo"– aquelas palavras ecoaram por minha mente e um sorriso se fez no canto de meus lábios.

"Ok, fútil sim, mas não completamente descartável" — pensei comigo mesmo.

O sinal que indicava o início das aulas tocou, então me despedi do céu azul que prestava meus pensamentos e levantei da grama, pegando a mochila preta e entrando no edifício.

A primeira aula de iniciou com história, e professor Viktor a introduziu com algo sobre revolução industrial, mas minha mente estava ocupada demais com coisas banais pra prestar atenção. Olhava ao meu redor, e tudo que via eram pessoas finitas. Alguns mexendo no celular, outros rabiscando a carteira e poucos com pena do educador fingindo prestar atenção em alguma coisa. Não estou fazendo nada muito diferente disso, mas em momento algum lembro de ter dito que eu era superior — Agora, escolham alguém para formarem a duplas. A entrega do trabalho é para daqui a duas semanas e não irei tolerar atrasos — gritou Viktor

Minha humilde opinião sobre trabalhos em equipe se resume em duas palavras: apocalipse educacional.

– Aeron? — senti uma mão tocar em meu ombro — Posso me juntar a você? — perguntou a ruiva

– Alice? Não vai fazer com a sua amiga de sempre?

– Você notou — riu timidamente — Bem, parece que ela tem novas amizades agora — olhou para o bolinho de gente que cercava uma morena peituda no centro da sala — Mas então... — retornou o olhar — Posso?

– Não é como se eu tivesse outra opção — sorri gentilmente. Era o mínimo que ela merecia, um sorriso.

A baixinha sorriu de volta e retornou a sua carteira. Pele clara, olhos verdes, cabelo ondulado e ruivo. Um tanto bonitinha e simpática. Talvez, se eu tivesse a mínima capacidade de realmente dar valor a algo, eu me interessaria por ela, mas não é meu caso. Com o assunto encerrado, se passaram mais algumas aulas, até chegar o esperado (por muitos) horário do almoço.

Pensei em ir embora, mas lembrei que se fosse pra casa, não teria nada a fazer além de olhar pra cara de Laforet. Apesar de reconhecido por bons índices de ensino, o colégio é um tanto simples. Sem a mínima fome, sentei em um dos muros baixos e cinzas. Cinza era uma ótima cor. Combinava perfeitamente com a atmosfera que se percebia ao olhar para aquele lugar infeliz e podre.

A melhor vantagem de ser uma espécie de anti-social é não ter de dar uma sorriso falso todos os dias para aquele seu colega que veio contar sobre quem pegou na semana passada e quer ficar se gabando do quanto ela era gostosa, ou como vai indo o empenho dele de parecer romântico, gentil e sentimental só pra conseguir confiança de uma otária que ele ficou afim de pegar, porque as pessoas (a maioria delas ao menos) já sabem que se falarem com você, sua reação será apenas de aumentar do volume da música do celular.

Por um breve momento, algo me chama a atenção no vasto pátio. Um homem de cabelos branco e lisos que ultrapassavam um pouco suas orelhas, indo até a metade de seu pescoço. Estava sério, parado, olhando para algum direção ocultada por seus óculos escuros. Deveria ser um visitante estrangeiro, afinal de contas não é incomum ter turistas internacionais na cidade capital do país do chocolate. Fiquei por algum tempo o observando, até que notei seu rosto virar em minha direção e se retirar então do local.

Estranho.

~

Passei o resto das aulas sem dar a mínima atenção. Ora olhava para a janela, ora olhava para o quadro. Quando o último sinal finalmente soou, tomei meu caminho de casa, estava com fome.

O estava em seu silêncio habitual, e com o inverno se aproximando as folhas já haviam começado a cair, espalhando-as todas em grande quantidade pelo chão. Uma bela paisagem por sinal, poderia muito bem dormir ali naquele silêncio. Não seria má ideia.

Me aproximando um pouco mais da casa, avistei fumaça. Corri então até a porta, jogando a mochila no chão do hall de entrada.

– O quê houve aqui Laforet? — gritei, entrando na cozinha e usando as mãos pra espantar a fumaça e abrir as janelas

– Aeron! — entrou na cozinha — ......opa.

– Opa? Que caralhos você fez? — perguntei — Vamos sair daqui

– Eu ia tentar preparar algo, mas acabei esquecendo o fogo ligado e...

– Você está brincando certo? Está me dizendo que você quase colocou fogo na casa SEM QUERER? — começei a rir — Problemático.

– Você está rindo porque alguém quase colocou fogo na sua casa e eu que sou o problemático? Certo. Já volto — correu escadas acima

Depois de alguns barulhos, escutei seus passos pesados e corridos descendo as escadas.

– Da primeira vez que nos encontramos você não precisou nem andar pra estar sentado no meu sofa antes de eu chegar na porta correndo. Por que não faz aquilo de novo? — perguntei

– Ah, tenho vontade de ser normal quando estou junto com você — riu — Um presente, pegue — disse ao me entregar uma sacola de alguma loja, preta e sem nada escrito.

Abri e retirei o conteúdo de dentro: uma garrafa grande com um líquido verde e transparente dentro. Li a embalagem.

– Absinto — li e olhei para Laforet — Você está louco?

La Fée Verte*, meu caro. É importado, vamos lá, não desperdice — chegou mais perto — Nenhuma gota — sussurrou

Encarei seus olhos dourados e sorri de canto.



Notas finais
* A Fada Verde

Um capítulo um pouco parado e desanimador, eu sei, mas isso é só a introdução meus amores.

Aguardem por coisas melhores e maiores.
Obrigada pela leitura e eu ficaria gratificada com uma review.

sнiяe ~ ❦
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.