Dark Awareness

4 Capítulo 4 - Caminhos


De volta ao meu campo, tudo estava bem, nenhum problema iminente, mas uma coisa havia mudado, agora tinha bastantes rios fluindo pelos campos, a água era límpida e transparente, permitindo se ver o fundo, a grama estava mais verde do que nunca, as árvores pareciam mais altas, percebi que o sol estava movimentando-se mais rápido, comecei a sentir um calor intenso e acordei.

A luz do sol entrava pelas frestas da janela, iluminando o quarto com pouca intensidade. Levantei-me e senti um leve enjoo, minhas pernas doíam, me sentia tonto, mas acabei não me importando.

Ao sair do meu quarto me deparei com Alessandra bem a minha frente, ela estava com um pijama azul, e ainda estava despenteada, como se tivesse acabado de acordar, ela me viu deu um sorriso e disse:

- Bom dia! Nossa... Você acordou cedo hoje!

- Jura? Hehe Que estranho...

- Bom, acho melhor você se arrumar e estender a roupa, espero que você não perca o café da manhã! – Ela sorriu e foi embora, não correu dessa vez, foi andando calmamente como se estivesse curtindo o momento, ou estava apenas com sono mesmo...

Fiz toda a minha rotina diária e ao me trocar percebi que minha camiseta estava rasgada, desci a lavanderia à procura de uma nova, mas não tinha nenhuma do meu tamanho, resolvi pensar nisso mais tarde e comecei a estender a roupa, era um trabalho repetitivo e chato, mas pelo menos não era tão cansativo quanto lavar a louça...

Ao acabar fui direto para a cozinha, parece que cheguei bem a tempo do café da manhã, o pessoal estava se sentando enquanto Marcos servia as bandejas, porém Kytsuro ainda não estava ali... O que na verdade não era surpresa porque ele nunca tomava café da manhã. Eu estava um pouco enjoado e acabei por não comer nada, o que deve ter surpreendido todos, Alessandra perguntou:

- Diego? Você não vai comer nada?

- Acho que não... Não estou com fome...

- Estranho... Você está bem?

- Eu... – Não sei o que aconteceu, fiquei muito tonto e a luz se apagou, ou melhor, eu apaguei...

Não me lembro de mais nada do que aconteceu depois, acordei no chão da cozinha, com todo mundo ao meu redor, exceto Kytsuro, Jonathan e Rafael, logo que abri os olhos Alessandra já perguntou:

- Diego! Você está bem? O que está acontecendo?

- Diego? Você consegue se levantar? – Marcos disse, ele não estava sorrindo... Não sabia com o que eu deveria me preocupar mais.

- Acho que sim... – Me levantei devagar com um pouco da ajuda deles, tentei me equilibrar de pé e disse:

- O que aconteceu?

- Não sabemos, você simplesmente desmaiou, como se sente?

- Estou um pouco tonto... Mas tudo bem... Deixe-me sentar.

Ao me sentar tive uma surpresa, Kytsuro estava entrando na cozinha, a faixa em sua barriga estava limpa, como se ele a tivesse trocado, sua roupa estava rasgada, mas ele parecia estar melhor. Levantei-me e disse:

- Kytsuro? Você já está melhor? – Senti uma tontura nessa hora, mas me apoiei na mesa. Kytsuro provavelmente estranhou.

- Acho que sim... E quanto a você? Está acontecendo alguma coisa?

- Não sei... Estou tendo uma tontura, mas não se preocupe... Ei cara você não dormiu nada esse tempo todo?

- Não, eu não consigo dormir, mas descansei bastante... – Kytsuro se aproximou, encostou a mão na minha testa e disse:

- Diego, acho que você está com febre, porque não deita um pouco? Vou fazer um chá de louro pra você.

- O que? Estou doente? Mas como?

- Deixe-me ver. – Alessandra se aproximou e colocou a mão na minha testa também, a mão dela era macia, acho que acabei ficando ainda mais quente quando ela fez isso.

- Nossa! Você está muito quente Diego! È melhor você se deitar!

- Tudo bem... Estou indo... Ah! Vovó Mirtes...

- Sim meu querido?

- Eu tive um sonho esquisito ontem... Eu acabei ouvindo um poema, mas não o entendi, pode me ajudar?

- Claro... Como ele era?

- Era...

Uma nova companhia os aguarda

No cair da noite você verá

A escolha no fio de sua espada

Um de seus amigos morrerá

A esperança selada

E então a chama se apagará

...Acho que era isso.

- Diego... Alguém apareceu no seu sonho e lhe disse isso?

- Sim... Uma mulher cheia de rugas...

- Eu temia que esse dia chegasse... Só não imaginava que seria tão cedo... O oráculo apareceu nos seus sonhos e lhe contou uma profecia. Não a interprete ao pé da letra... Ou melhor, não tente interpretá-la... Não é bom saber sobre o futuro porque quando é algo ruim tentamos mudar, o futuro pode ser mudado, mas não alterado, o que não acontece de um jeito vai acontecer de outro... Diego, quero que você treine esgrima com Marcos a partir de hoje, descanse antes claro, Kytsuro venha comigo.

Mirtes foi até a sala da lareira com Kytsuro logo atrás, me surpreendi ao descobrir que Marcos é esgrimista, então o poema era uma previsão? “Um de seus amigos morrerá” Não estou gostando nada disso...

- E então Diego, você já possui uma espada? – Marcos estava sorrindo novamente, ele parecia tão amigável que dava até medo.

- Sim, nossa não sabia que você era esgrimista...

- Hahaha... Modéstia a parte eu sou um bom esgrimista... Meu olfato aguçado não me ajuda só na culinária. Eu consigo sentir as emoções dos meus oponentes dependendo dos hormônios que eles exalam, e praticamente prever o movimento que irão fazer. Como exemplo, eu sinto que você está assustado por ter descoberto isso de mim e que está envergonhado por alguma outra coisa, mas não consigo imaginar o que...

Marcos olhou pensativo para Alessandra, depois olhou para mim e disse:

- Acho melhor você ir descansar... Vamos treinar depois.

- Não... Podemos treinar agora?

- Tem certeza? Você não está fraco?

- A tontura já passou... Estou bem. – Eu ainda estava um pouco tonto, mas eu queria ver as habilidades de Marcos.

- Bom vamos para o quintal então. – Marcos foi andando na frente.

- Posso assistir vocês? – Alessandra perguntou interessada.

- Claro! – Apressei em me dizer.

- Sem problema nenhum. – Marcos disse abrindo ainda mais o sorriso.

Fomos todos para o quintal, fiquei de frente para Marcos e Alessandra ficou sentada na grama vendo a gente.

- Bom, espero que você possa materializar sua espada... Shoshu no buki. – Ao dizer isso uma espada curta e bem fina apareceu na mão de Marcos, a luz do sol a fazia brilhar, parecendo ser feita de aço. Era de uma lâmina bem fina, talvez pudesse cortar um fio de cabelo ao meio.

- Não sei se posso... – Fechei os olhos e me concentrei na minha espada, desejando que ela estivesse na minha mão. Funcionou, ao abrir meus olhos, minha espada estava em minhas mãos.

- Wow, sua espada é interessante... Do que é feita?

- A lâmina é de Titânio Negro, e o cabo de Magma Sólido.

- Ah... Deve ser muito pesada, e o material da lâmina é duro demais para ficar bastante afiado. Bom, de qualquer forma quero testar suas habilidades antes, lute comigo.

- O que?

- Isso mesmo! Lute comigo! Não vale atacar o rosto nem as partes baixas, de resto vale tudo. Hajime!

Marcos avançou com tudo, inclinando a ponta da espada em direção a minha, ele bateu com a ponta no cabo da minha espada e deu um giro, me desarmando, e logo após me empurrou para trás, eu quase caí, mas recuperei o equilíbrio. Aquilo foi rápido e incrível, em poucos segundos ele me desarmou e quase me derrubou no chão. Ele começou a avançar mais uma vez, só que eu estava desarmado, então pensei na minha espada reaparecendo na minha mão, e aconteceu, ela reapareceu bem na hora de bloquear um ataque de Marcos, ele disse:

- É tudo que tem? Vamos! Mostre-me o que sabe!

Dobrando o punho para baixo ele deslizou a lâmina da espada dele sobre a lâmina da minha e atingiu minha mão, abrindo um talho. Doeu bastante, mas o corte logo se fechou.

- Ah, é mesmo, você se regenera rapidamente não é? Isso será interessante! – Eu estava com medo, nunca vi Marcos tão empolgado.

Minha tontura estava voltando, e Marcos estava se aproximando, decidi lutar de verdade com ele, agarrei firme o cabo da minha espada e a ergui bem a tempo de defender um golpe, e logo após girei o meu corpo na direção dele fazendo com que a espada empurrasse a dele para frente e cortei seu braço. Ele se afastou, mas não deixou sua espada cair, ele estava segurando-a firmemente. Torceu o punho e veio de novo. Segurei minha espada com as duas mãos, e quando ele foi me dar um golpe, me agachei para cortar suas pernas, mas ele pulou por cima de mim atingindo minhas costas, eu estava agachado, portanto caí por falta de estabilidade. Porém rolei na grama bem a tempo de desviar outro ataque, e me levantei usando a espada como apoio. Senti o corte nas minhas costas cicatrizando, porém o corte no braço dele continuava sangrando. Mas ele não parecia ter a intenção de parar tão cedo. O que mais me assustava é que ele não parava de sorrir, como se tudo estivesse bem, então ele disse:

- Já se aqueceu? Vamos começar a luta então? Nobasuto notchi... – A espada dele começou a se estender, o comprimento ficou aproximadamente da minha altura, para uma espada era uma lâmina bem grande. O cabo deve ter crescido também, porque agora Marcos a segurava com as duas mãos.

- Vamos, invoque logo seu poder!

Do que ele estava falando? Invocar o que? Água? Que mal a água faria a ele?

- Vai lutar assim mesmo? Está bem... – Ele pulou na minha direção com a espada logo à frente, ela parecia um montante, mas era muito afiada.

Segurei minha espada com as duas mãos e bloqueei o ataque, empurrando Marcos para trás, mas ele girou a espada para o lado e acertou minha costela, me empurrando para o lado e quase caindo no chão, aquilo doeu bastante, olhei para Alessandra, mas ela não parecia estar preocupada, parecia estar confiante. Decidi tomar aquilo como um incentivo, me concentrei nos movimentos de Marcos, que eram bastante rápidos, e quando ele foi me atacar de novo eu girei meu corpo no ultimo instante, deslizando ao lado da lâmina de sua espada e perfurando sua barriga, não enfiei a espada inteira, mas acho que não deveria ter feito aquilo, me afastei e olhei para Marcos, ele continuava sorrindo como se nada estivesse acontecendo, eu disse:

- Vamos parar por aqui... Você vai acabar se machucando...

- O que? Já quer parar? Estamos só começando! Gekido! – Pelos começaram a nascer no corpo de Marcos, garras estavam saindo de seus dedos, e um focinho começou a aparecer em seu rosto, em poucos instantes Marcos havia se transformado em uma espécie de Lobisomem.

- Wow! Isso é incrível! Você possui dois poderes então?

- É... Pode se dizer que sim... – Marcos segurou a espada firmemente e a apontou para mim. – Você possui um segundo poder também não é? Use-o!

- Vou tentar... Mas não acho que ele seja útil em uma batalha...

Tentei me concentrar na água, senti que havia uma encanação bem abaixo de nós, na qual a água fluía livremente. Imaginei aquela água saindo dos canos e vindo para a superfície, e aconteceu. Gêiseres explodiam da terra, jorrando água com muita pressão, molhando a todos. Alessandra deu um gritinho, mas ficou de pé e se afastou da água, porém continuou a nos assistir, Marcos foi jogado um pouco para trás e estava encharcado, porém ele continuava sorrindo.

- Muito bem! Essa habilidade é bem interessante, pena que não vai te ajudar muito... — A Água estava quente, formando fumaça e criando uma densa neblina no local. – Essa neblina vai te atrapalhar... Porém eu possuo o faro!

Marcos se afastou, sumindo atrás dos Gêiseres. Fechei os olhos e focalizei toda a minha atenção na água, ouvindo seu fluir, sentindo sua umidade, percebi movimentos entre elas, presumi que seria Marcos, ao sentir esse movimento se aproximando levantei minha espada segurando-a com as duas mãos e senti um impacto me empurrando para trás. Consegui me equilibrar e logo ouvi:

- Impossível! Como previu esse golpe? Espere... Que cheiro é esse? Você não está com medo? O que é esse outro sentimento? Nunca senti algo parecido antes.

Não sabia do que ele estava falando, mas eu não parecia estar com medo, na verdade eu estava confiante, queria ganhar a batalha para impressionar Alessandra, e mostrar que eu não sou só um simples covarde.

Apontei a espada na direção da voz de Marcos e sai correndo, eu ainda estava de olhos fechados, apenas me orientando pelo fluir dos Gêiseres. Marcos percebeu minha movimentação e andou para a direção oposta, ao perceber que ele estava saindo da água fiz um Gêiser explodir bem na frente dele o empurrando para trás.

- Ei! Isso Não vale! – Marcos disse rindo, num tom de piada.

Um pouco depois Kytsuro e Dona Mirtes apareceram no quintal. Kytsuro disse:

- Ei pessoal! Parem a luta temos algo importante para dizer!

Logo após ouvi-lo ordenei a água a parar de fluir para cima e voltar a tubulação, que me obedeceu na hora. Abri os olhos e vi Marcos nas quatro patas se chacoalhando que nem um cachorro para se secar.

- Cara! Vou ficar fedendo a cachorro molhado por semanas! – Marcos riu, voltou a sua forma normal e ficou de pé.

- Meus Caros... Parece que nós localizamos mais uma Kotonaru não muito longe daqui. Eu e Kytsuro vamos busca-la e queremos que vocês se comportem por enquanto... Alessandra tome conta dos meninos enquanto estivermos fora.

- Conte comigo vovó. – Alessandra disse sorrindo.

- Ei! Nós não precisamos de babá! – Marcos disse sorrindo.

- Fique quieto seu bobo! – Alessandra riu.

- Muito bem... Então estamos indo... Se cuidem. – Logo após Mirtes se despediu, Kytsuro a acompanhou.

- Outra Kotonaru? Ouviu isso Alessandra, acho que você poderá ter uma amiga! – Eu disse sorridente.

- É... Quem sabe... – Alessandra parecia pensativa. – Bom depois disso tudo vou tomar banho... Se cuidem garotos. – Alessandra entrou logo após.

- Bom, vou começar a preparar o almoço... Espero que goste de Lasanha!

- Com certeza! – Sorri e logo após Marcos entrou, e entrei logo após ele e fui até a sala.

Fiquei lá durante mais ou menos duas horas, jogando cartas com Rafael, comecei a ler um livro que havia lá.

Quando estávamos indo para a cozinha almoçar, Kytsuro, Dona Mirtes e uma garota apareceram. A Garota era baixinha, um pouco mais baixa que eu, bem magra, cabelos castanhos escuros, quase negros, tinha sardas na cara, o que dava um aspecto de beleza na verdade. Seus olhos verdes brilhavam. Ela parecia assustada, confusa e com muita vergonha, porque estava vermelha.

Ela olhava para todos os cantos, nos olhou um por um rapidamente, e olhou várias vezes para Kytsuro, provavelmente assustada com seu tamanho.

- Meus queridos! Essa garota se chama Raquel. E ela irá morar conosco a partir de hoje!

Todos disseram “Seja Bem-vinda!” Quase que ao mesmo tempo, ela parecia ter ficado ainda mais envergonhada, mas disse um “Obrigada” bem baixinho.

Alessandra apareceu logo atrás de mim e disse:

- Me acompanhe Raquel, vou lhe mostrar seu quarto. – Alessandra sorria, Raquel parecia um pouco relutante, mas depois as duas foram juntas escada acima.

Nos sentamos e começamos a almoçar, Alessandra e Raquel entraram logo após e se sentaram, A lasanha estava muito boa, todos comeram bastante, exceto Kytsuro... Que estava ali sentado, sem comer nada.

Parece que Raquel havia percebido e estava meio inquieta, mas ela parecia muito envergonhada, talvez com medo de perguntar. Todos terminaram de comer, e então Kytsuro levantou-se com os pratos e começou a lavá-los. Dona Mirtes foi para seu quarto e os outros foram para a sala.

Marcos, Jonathan e Rafael se reuniram e começaram a jogar cartas, Alessandra tentava conversar com Raquel, mas ela não respondia muito, essa garota parece ser muito tímida mesmo. Sentei e comecei a ler um livro, era sobre a Era Medieval, um dos assuntos no qual eu me interesso.

Um tempo depois Kytsuro entra na sala, se senta numa mesa que tem no canto, um pouco afastada de todos e começa a rabiscar alguma coisa, provavelmente ele estava desenhando.

Estranhamente eu estava ficando com sono, estava me sentindo quente de novo, talvez a febre houvesse voltado. Fechei o livro e o guardei na estante. Fui em direção a escada e comecei a subir, decidi tomar um banho, fui ao banheiro e tranquei a porta, me despi e entrei no chuveiro, lá comecei a pensar na vida, como tudo aquilo ainda era novo para mim, se haveria algum jeito de eu aumentar meus poderes ou conseguir novos, ou algum jeito de eu conseguir os outros itens que me faltam, pensava no que eu sentia por Alessandra, eu estava confuso porque toda vez que eu me aproximava dela meu coração batia mais forte, eu ficava vermelho e quente, meu estomago se embrulhava, mas eu gostava daquilo, gostava de estar ao lado dela, pensava também no quanto Kytsuro era diferente, ele com certeza é bem forte e talentoso, me pergunto porque ele sempre foi sozinho mesmo sendo um cara tão legal, será que as pessoas tinham medo dele? Penso na garota nova também... Qual será a sua história? Seus poderes? Seus talentos? Espero poder conhecê-la. Sai do banho e me troquei, me surpreendi ao ver Kytsuro logo no corredor, acenei e ele parou.

- Olá Diego... Está melhor?

- Ahn... Acho que sim, e você? Como está?

- Não sei, me sinto esquisito.

- Esquisito como?

- Um embrulho no estomago, estou passando mal... Mas não me lembro de ter comido nada hoje.

- Vai ver ai que está o problema... Porque não come um pouco?

- Não sinto fome... Será que estou infectado com algum tipo de doença?

- Hahahaha... Vocês meninos são tão bobos... – Alessandra apareceu logo atrás de Kytsuro, acho que ela estava ouvindo nossa conversa.

- Uhn? Bobos por quê? – Kytsuro perguntou confuso.

- Hihihi... Deixa quieto... Kytsuro, posso ver o desenho que você fez?

- Você quer ver? Não acho que tenha ficado bom... – Kytsuro estava vermelho, parecia muito envergonhado.

- Ah, vamos! Você sempre desenha bem! Deixe-me ver! – Alessandra dava um sorriso simpático.

- Está bem... Aqui está... – Kytsuro tirou um pedaço de papel do bolso e deu a Alessandra, ela abriu e ficou olhando por alguns segundos, admirada.

- Nossa! É a Raquel! Ficou muito bom! – Alessandra parecia um pouco espantada, Kytsuro ficou ainda mais vermelho, por algum motivo ele estava passando muita vergonha.

- Posso ver? – Perguntei Curioso.

- Aqui está. – Alessandra me entregou o desenho.

O Observei por um tempo, era um retrato perfeito de Raquel, estava muito bem detalhado e proporcional, parecia uma foto preta e branca, realmente impressionante.

- Caramba Kytsuro! Está perfeito! Porque você não dá o desenho para ela?

- É! Boa ideia Diego, Porque você não dá o desenho pra ela, hein Kytsuro? – Alessandra sorria animada.

- Dar o desenho... Para ela? E-eu... Eu não sei... Não seria estranho? – Kytsuro estava muito envergonhado.

- Magina! Talvez até ajude-a a se estabilizar aqui! Vai lá!

- Está bem... Vou lá...

Kytsuro pegou o desenho da minha mão e o dobrou, e então desceu as escadas, eu e Alessandra fomos logo atrás dele.

- Ai, eu acho isso tão fofo! – Alessandra sorria bastante.

- Sinceramente, eu não estou entendendo nada...

- Ah... Um dia você irá entender...

Tudo estava muito confuso para mim. Mas de qualquer forma... Raquel estava encolhida no sofá lendo um livro, quando ela percebeu a aproximação de Kytsuro seu rosto ficou vermelho, ambos pareciam pimentões.

- Erm... E-eu gostaria de te dar isso... – Kytsuro estendeu a mão com o pedaço de papel dobrado, Raquel tentou tampar a cara envergonhada, mas relutante pegou o papel e o desdobrou, poucos segundos depois seus olhos arregalaram.

- Foi... Você que fez? – Raquel disse bem baixinho, quase não havia entendido o que dissera.

- Sim... Você gostou?

- Gostei, muito bonito... Você está dando para mim?

- Sim, por favor fique com ele.

- O-Obrigada... Como é seu nome mesmo? Kytsuro?

- Isso... Kytsuro Yahagami. Você se chama Raquel, certo?

- Raquel Brousseau Di Angelo. Prazer. – Raquel deu um sorriso com o canto da boca, ela estava com muita vergonha, essa garota é muito tímida.

- Brousseau... Di Angelo? Você é descendente Francesa e Italiana?

- Sim, Meu pai é Italiano e minha mãe é Francesa... Como adivinhou?

- Não sei... A ideia simplesmente veio a cabeça...

Decidi deixar os dois sozinhos, Alessandra nem estava mais lá. Fui até o quintal e me encontrei com Marcos.

- Ah, Olá! Ei Diego, um dia vamos terminar aquela batalha hein?

- Han... Certo... Vamos lutar outro dia então. – Dei um sorriso amigável, Marcos sorria como sempre.

Alessandra apareceu segurando duas espadas de madeira, e jogou uma aos meus pés.

- Ei Tampinha! Quero que você lute comigo!

- O que? Tem certeza?

- Ué? Tá com medo? – Alessandra sorria desafiadora.

- Está bem então. – Me agachei e peguei a espada, logo depois fiquei em posição de batalha.

Alessandra sumiu e reapareceu na minha frente, quando me dei conta minha espada de madeira já estava no chão e a dela estava apontada na minha barriga.

- Wow! Isso foi muito rápido!

- Hehehe... Você conhece meus poderes, qual a surpresa? – Alessandra parecia animada.

Peguei a espada dela e empurrei para trás, conseguindo desarma-la.

- Ei! Isso não vale!

Ela então passou correndo e deu algumas voltas ao meu redor, quando ela parou bem na minha frente estava com as duas espadas.

- Segura essa!

Alessandra avançou com as espadas em “X” e me atacou, dessa vez ela não usou a super velocidade, portanto tive tempo de me defender cruzando os braços. Uma das espadas encostava no meu braço, enquanto a outra que estava por trás foi em direção a minha costela, me joguei para trás, mas quando dei por mim Alessandra continuava na minha frente e havia me atingido de lado. Pode não ter sido um corte, mas foi uma pancada tão rápida que ardeu bastante. Tentei não ligar muito e então peguei a espada e a torci, desarmando Alessandra novamente, porém dessa vez eu estava segurando a espada firmemente com as duas mãos.

Alessandra deu um sorriso e institivamente levantei a minha espada, bem a tempo de bloquear um ataque relâmpago dela, que poderia ter doído bastante, porque as espadas estalaram, como se tivessem rachado.

- Nossa! Como você defendeu esse golpe?

- Não sei, sorte eu acho.

De repente Alessandra sumiu e pareceu que um relâmpago havia me atingido nas costas. Esse doeu mais ainda, me pegou desprevenido.

- Vamos Diego! Lute!

Virei o corpo para poder ataca-la, mas ela não estava mais lá. Senti outra pancada no ombro, cada vez que a espada dela se chocava em mim emitia o barulho semelhante ao de um raio, ardia muito, e ainda por cima demorava pra passar. Fechei os olhos e me concentrei na água, logo depois e estava envolto nela, havia água ao redor de todo o meu corpo.

- Nossa, que estranho... – Alessandra disse confusa.

Ela aplicou outro golpe rápido, bem na minha barriga, mas dessa vez a água amorteceu o impacto, impedindo que eu me machucasse, e ainda espirrou nela, deixando-a encharcada.

- Ei! Trapaceiro.

Ela bateu com a espada no meu ombro dessa vez, e aconteceu o mesmo, eu não senti nada e a água espirrou nela.

- Ah... Assim não vale... – Alessandra ficou um pouco desanimada.

- Muito esperto Diego! Parabéns! – Marcos olhava para nós, sorrindo.

- Isso não é justo! Desisto você venceu. – Alessandra jogou sua espada no chão, deu as costas e foi em bora.

- Ei! Espere! – Mas antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, ela foi embora, usando sua super velocidade.

- Não se preocupe cara. Depois você conversa com ela.

- Mas o que eu fiz de errado?

- Nada. Mas garotas são estranhas. Peça desculpas e tudo ficará bem...

- Desculpas?

- É... Sempre funciona.

- Ok, depois eu falo com ela... Que esquisito.

Dirigi-me para a sala e vi Kytsuro sentado, sozinho. Sentei-me ao lado dele e perguntei:

- E ai amigão, como vão as coisas?

- Ahn? Como assim? – Kytsuro estava vermelho.

- Fez amizade com a Raquel?

- Ah, sim... Estávamos conversando até agora, ela subiu para tomar um banho...

- Legal... Viu como você é legal Kytsuro? Não se ache diferente só por causa da sua altura, você é um cara legal e talentoso, e agora você tem uma amiga, e foi você que tomou a iniciativa dessa amizade.

- Puxa, obrigado, não imaginei que ouviria essas palavras de você.

- Ei! – Comecei a rir, Kytsuro também, mas um pouco envergonhado.

- Vovó Mirtes irá testá-la em breve... Me pergunto quais seriam os poderes dela.

- É, eu tenho curiosidade também. Mas aposto que serão legais.

- Espero que ela não se afaste de mim quando descobrir os meus...

- Ah, que é isso... Não acha que ela teria medo... Acha?

- Acho... Todos têm... Inclusive você e Vovó Mirtes...

Ele tinha razão, eu morria de medo dos seus poderes, eram poderes malignos, sendo que ele era uma boa pessoa, muito estranho.

- Bom, vou recolher a roupa, te vejo no jantar. – Kytsuro se levantou e andou em direção ao quintal. Decidi pegar o livro que eu estava lendo e fiquei ali por algumas horas, até que o jantar ficou pronto, fui até a cozinha e todos já estavam sentados. Marcos havia preparado Salmão Assado, Purê de Batatas e Salada de Brócolis com Azeite e Alho Frito. Todos comiam com gosto, apesar de eu não ser muito fã de peixe comi bastante, estava muito bom.

Kytsuro comeu um pouco, o que já foi uma surpresa, ele e Raquel estavam quietos, olhando para seus pratos, enquanto todo mundo conversava.

Depois da Janta todos se reuniram na sala e fizeram o que fazem de costume, Rafael, Jonathan e Marcos se reuniram para jogar cartas, Alessandra lia seu livro, e eu lia o meu, mas dessa vez, Kytsuro estava lá, ao lado de Raquel, conversando com ela, fiquei feliz por ele.

Quando já tinha ficado um pouco tarde e todos começavam a subir para seus quartos, decidi levar o livro comigo, Kytsuro acompanhou Raquel até o quarto dela e depois foi para o dele. Entrando no meu quarto coloquei o livro na minha estante, fui para a cama e dormi.

E assim foi por alguns dias, algumas semanas, acho que uns dois meses.

Tudo sempre na maior paz, até que uma mensagem veio até nós.

- Meus queridos... Fiquei sabendo que um representante do Terceiro Conselho dos Kotonarus, chamado Dai san sanjikan. Irá vir aqui testar seus poderes e classifica-los, se vocês tirarem uma boa nota podem até se mudar para lá e estudar lá, seria ótimo para o desenvolvimento de vocês. – Mirtes disse sorrindo esperançosa, mas parecia um pouco triste.

- Mas e se apenas alguns forem e outros ficarem? Isso destruiria nossa família! – Alessandra disse num tom irritado.

- Mas seria ótimo para vocês... Poderiam ter um treinamento decente com gente que sabe dominar seus poderes... Eu já estou muito velha e nenhum de vocês é do elemento Luz.

- Elemento? – Perguntei confuso.

- Sim, cada um possui um elemento específico, existem ao todo sete elementos conhecidos, Vento, Terra, Água, Fogo, Arcano, Espiritual e Fantasma. Cada elemento é subdividido em dois ramos.

Vento se divide em Furacão e Raio.

Terra em Rocha e Terremoto.

Água em Gelo e Regeneração.

Fogo em Labareda e Erupção.

Arcano em Luz e Trevas.

Espiritual em Barreira e Animal.

E Fantasma é uma exceção, sua única divisão é a Imunidade a Magia.

Não conheço ninguém que possua dois ou mais elementos e consegue controla-los, mas os elementos podem ser combinados, ou seja, vocês podem se unir e formar magias mais poderosas ainda. Lembrando que alguns elementos não se combinam como Água e Fogo.

- Mas então... Quais são nossos elementos? – Eu estava um pouco confuso.

- Diego, você é do elemento Água, consegue controlar a mesma e possui a Regeneração.

Alessandra, elemento Vento, consegue alcançar velocidades incríveis, como os tufões.

Jonathan, elemento Vento, consegue ficar invisível e passar despercebido como uma brisa.

Marcos, elemento Espiritual, consegue focaliza energia espiritual para formar uma barreira invisível no seu corpo amenizando ferimentos e consegue invocar a alma de Urufus, O Lobo Selvagem.

Kytsuro, elemento Arcano, é o mais raro, e o mais perigoso, e ainda por cima é o sub-elemento das Trevas, possui maldições que afetam os inimigos e a si próprio.

Raquel ficou espantada ao ouvir isso, acho que ela não sabia que Kytsuro possuía esse tipo de poder.

- Mas espera um pouco, as maldições me afetam também? O que elas fazem comigo? – Kytsuro perguntou confuso.

- Maldição de Hieros, falta de fome e insociabilidade, ou seja, dificuldade para se comunicar e fazer amigos, Maldição da Morte, impossibilita que você durma, porque se não você poderia nunca mais acordar, e também lhe causa um sentimento de solidão e de Angústia. É incrível de como você é um garoto tão comportado e consegue controlar sua raiva tão bem, por causa dessas maldições era para você ser um delinquente juvenil e depois um assassino maníaco.

Raquel estava vermelha, parecia estar com muita vergonha, ela é bem tímida mesmo, e sempre quieta, eu só ouço sua voz quando ela conversa com Kytsuro, sem ser esse fato, ela não fala mais nada.

- Entendo... Então é por isso que eu não durmo...

- De fato... Sinto pena sobre isso... Deve ser muito chato ficar 6 horas deitado olhando para o teto sem fazer nada...

- Na verdade... Eu fico desenhando, tanto que meu quarto é cheio de folhas... Eu as coloco dentro dos livros para não amassarem.

- Jura? Então é por isso que você desenha tão bem, você treina 6 horas diárias desde pequeno? – Raquel perguntou bem baixinho, animada, mas com muita timidez.

- Sim, pode se dizer que sim... Ahn... E obrigado pelo elogio... – Kytsuro parecia um pouco desconfortável, mais pra timidez do que pra desgosto.

Logo após a campainha tocou, Alessandra foi correndo atender a porta, o que não demorou nada, ao abrir a porta havia uma cara grandão do outro lado, ele era ligeiramente menor que Kytsuro, forte com os músculos definidos, cabelo curto raspado castanho escuro, olhos castanhos escuros, cara de mau, um bigode que ia de um canto da boca a outra, vestira um fardo azul, como se fosse de um exército, havia umas letras japonesas bordadas em seu peitoral, provavelmente era o nome do Terceiro Conselho.

- Saudações, eu sou o Tenente Representante do 2º Posto de Ordem do Terceiro Conselho dos Kotonarus, Meu nome é Tenkin Muyaho Senkai. Como já foram notificados estão cientes do que vim fazer.

- Sim, sim, por favor, entre Tenente, gostaria de um pouco de chá? – Mirtes disse amigavelmente.

- Obrigado, aceito café, por favor. Formem uma fila única na minha frente, falem seu nome completo, idade e poderes.

- Alessandra Marques Miranda, 16 Anos, Meu poder é a velocidade, elemento Vento.

- Diego Tavares, 16 Anos, Meu poder é o controle da água e a regeneração.

- Jonathan Tergamini de Souza, 17 Anos, Meu poder é a invisibilidade, elemento Vento.

- Rafael Joaquim dos Santos, 15 Anos, Eu não possuo poderes ainda...

- Marcos Pergamini Lumpus, 18 Anos, Possuo o elemento Espiritual, e a habilidade de invocar o espírito Urufus.

- Raquel Brousseau Di Angelo, 15 Anos, Não sei dos meus poderes...

- Kytsuro Yahagami, 16 Anos, Não conheço meus poderes.

Olhei desconfiado para Kytsuro, mas ele não esboçou nenhuma expressão, Mirtes estava quieta também.

- Yahagami é? – O Tenente Tenkin indagou. – Você já tem 16 Anos e ainda não sabe seus poderes? Isso é estranho levando em consideração o nome que você carrega.

- Ahn? Como assim?

- Seja sincero comigo garoto. Quais são seus poderes?

- Já disse... Que não sei... – Kytsuro parecia nervoso, Todos estavam começando a ficar preocupados.

- Teimoso Ahn? Não quer me mostrar seus poderes por bem, vai me mostrar por mal! Bakuro Hikari!

Uma forte luz saiu das mãos do Tenente e se direcionou para Kytsuro. A Luz bateu e refletiu de volta para ele o deixando confuso.

- O que? Refletiu? Você é imune à magia então? É do elemento Fantasma? Estranho, os Yahagami sempre foram...

- Por favor, entenda que o garoto é do bem e é nosso aliado, então não venha enfiar bobagens na cabeça dele. – Mirtes o cortou, falando séria.

- E quem a senhora pensa que é? Sua época já foi vovó, você não tem mais autoridade nenhuma.

- Mas você deve respeitar os mais velhos, sem contar que fui eu que te ensinei essa habilidade que você usou agora.

- Isso não importa mais, de qualquer forma, os que não possui poderes e você. – O Tenente aponta para Kytsuro. – Não serão testados e não entraram na Academia do Terceiro Conselho, já os outros, farão o teste e se passarem com um resultado razoável, serão aceitos.

- Nós recusamos! Ou vão todos, ou não vai ninguém! – Alessandra disse com firmeza.

- Haha... Vocês não podem recusar o teste, e se eu sair daqui sem ninguém, terão de pagar uma multa por terem feito um patente sair do seu posto à toa.

- Me fale sobre o sobrenome Yahagami, o que você sabe sobre ele que eu não sei? – Kytsuro parecia nervoso.

- Ha! Você não sabe da sua própria família? Um dos líderes mais poderosos dos Kage-Kotonarus se chama Komodoro Yahagami HoffScythe, ele...

- O que? Você está falando sério? Komodoro se tornou um Kage? – Mirtes perguntou indignada.

- Sim, você o conhece?

- Claro, ele é meu neto!

- Bom, meus pêsames então... Mas ele seguiu o caminho do pai não é?

- Nem mencione o nome do meu filho, por favor.

- Espera um pouco! – O Tenente estava pensativo. – Komodoro é filho único, e á alguns anos atrás foi reportado que ele matou sua mulher em um hospital. Então... Ai está o filho dele!

Todos ficaram espantados, inclusive Kytsuro obviamente, ele parecia não estar controlando a raiva.

- Quer dizer... Que o meu pai é um Líder Kage? Provavelmente um Hanrei, e foi ele mesmo que matou minha mãe? E depois me abandonou? Por quê? POR QUÊ?

Kytsuro estava muito nervoso, uma aura negra saia dele e em poucos segundos uma névoa de trevas preencheu a sala.

- Kytsuro! Acalme-se! – Mirtes pediu desesperada.

- Pare! Você está conjurando magia das Trevas em um local protegido, quer ser preso garoto? – O Tenente falou sério, mas eu pude sentir um pouco de medo em sua fala.

Kytsuro deu um grito desesperador, mais como um urro, como se toda a vida não valesse a pena, como se ele estivesse expressando todo o seu sofrimento naquele grito, como se fosse um grito de morte, e então toda a aura foi sugada para ele, que se virou e subiu as escadas, sem falar mais nada.

Todos estavam muito espantados, Raquel caiu de joelhos e logo depois Alessandra a ajudou a se levantar, levando-a escadas acima.

O Tenente disse:

- Bom, depois desse pequeno showzinho eu irei me retirar, boa sorte para vocês, e a multa será enviada por correspondência, tenham um bom dia.

Fiquei nervoso, queria bater no cara e descontar minha raiva, mas eu acho que teria muitos problemas se fizesse isso.

Cada um foi para seus respectivos quartos, como ainda estava um pouco cedo fiquei lendo aquele livro antes de dormir, e fiquei pensando sobre Kytsuro, como seria o encontro dele com o seu pai, o que poderia acontecer é um mistério. Gostaria que Raquel e Rafael conseguissem seus poderes logo, e espero que a paz possa ser mantida por mais tempo...

O que será que falta acontecer agora? Descobrir que minha mãe está morta? Não... Melhor não ter pensamentos negativos, vou apenas me cobrir e dormir... Demorei a pegar no sono, os pensamentos iam e vinham, mas uma hora adormeci. Sonhei que estava em um quarto vazio, com as parede de mármore e uma leve névoa branca sob meus pés... Espera! Não acredito! Será que é a mesma sala do primeiro sonho esquisito?

Imaginei uma espada de tamanho médio, fina, feita de aço, bem afiada e leve, com uma leve curva nas costas. E a espada apareceu na minha frente, junto com a outra de Titânio Negro e Magma sólido.

Se eu não me engano eu tinha mais um item para poder criar, comecei a pensar em um traje de couro reforçado, como uma armadura leve, com ombreiras e aberturas nas costas para as espadas, logo em seguida em estava vestido com ele, pronto para batalhar. No mesmo instante o quarto começou a ruir e eu acordei assustado, eu estava de pijama, saí da cama e fui até o armário, mas só haviam minhas roupas lá.

Tentei então invocar a minha espada como quanto eu havia feito na batalha contra Marcos, e ao abrir os olhos, percebi que eu estava vestido com a minha armadura de couro e as duas espadas nas costas. Peguei a mais pesada com a mão esquerda, e a nova, que era muito leve, com a direita. Agora em possuía uma espada para defesa com dano esmagador, e uma espada para o ataque com agilidade e dano cortante. Fiquei tão animado com o que eu acabara de conseguir que fui para o quintal e fiquei treinando, não dormi mais, estava louco para que no outro dia, pudesse mostrar isso aos outros.

Notas finais
Traduções:

Shoshu no buki - Invocar Arma.
Hajime – Começar / Lutar.
Nobasuto notchi – Estenda-se e entalhe.
Gekido – Fúria Selvagem.
Dai san sanjikan – Terceiro Conselho
Urufu – Lobo
Bakuro Hikari – Luz Reveladora
Hanrei - Lenda