Dark Angel
16 XV - Euphoria
Notas iniciais
Rachel suspirou assim que Quinn lhe estendeu o pequeno cálice com vinho. A loira agachou na frente da morena e sutilmente acariciou a panturrilha esquerda dela. Rachel tomou um pequeno gole antes de apoiar a têmpora na mão e olhar para Quinn.
– Mais calma? – A loira perguntou apertando os lábios.
Rachel havia chegado ao prédio no meio de uma pequena crise nervosa, Quinn e Kyle foram chamados às pressas para atender a morena. Quinn só conseguira entender que ela havia terminado o noivado e não queria voltar para casa. Kyle garantiu que iria até o apartamento da morena se certificar que Finn estava bem.
– Estou. – Suspirou antes de esfregar o rosto. – Me perdoe.
– Não se preocupe, agora me diga o que aconteceu… se quiser. – Quinn falou suavemente.
– Não aconteceu nada. – Rachel terminou o cálice. – Apenas… não queria me casar com ele.
– Por quê?
Rachel olhou para Quinn e suspirou antes de abrir e fechar a boca.
– Rachel… — Quinn falou em voz baixa. – Isso tem a ver com…
– Eu apenas… sabe? Ele e eu não éramos mais para ser. – Rachel a interrompeu. – Eu olho para ele e já não me vejo com ele. Somos dois estranhos quase, mesmo que dividíssemos tudo, mesmo que eu tenha dividido a minha vida com ele.
– Shhh… — Quinn esfregou a panturrilha da mulher. – Tudo bem.
– Me desculpa. – Rachel limpou a lágrima dos olhos. – Eu sei que estava empolgada em organizar o casamento.
– Hey. – Quinn franziu as sobrancelhas. – Estava empolgada em fazer isso com você e se você não está feliz então cortamos tudo. Acabou. O que me interessa é a sua felicidade.
Rachel suspirou estendendo a mão para Quinn, a loira a tomou e beijou o dorso.
– Que horas vai sair? — Rachel fechou os olhos antes de apoiar a testa nas mãos de Quinn.
– Não vou. — Quinn sorriu suavemente antes de soltar sua mão com cuidado e acariciar os cabelos escuros da Berry. — Kyle e eu estavamos arrumando algumas coisas do quarto de Melissa... decidi doar alguns brinquedos e roupas.
Rachel ergueu a cabeça com rapidez, tinha as sobrancelhas franzidas.
– Você esta bem? — Sussurrou apertando a mão de Quinn que ainda segurava.
– Estou. — Quinn sorriu antes de inclinar a cabeça e beija-la na mão. — Estavamos lembrando de pequenas gracinhas dela. Me fez bem...
– Desculpe. — Rachel balbuciou. — Por Deus, Quinn, me perdoe.
– Pare. — Quinn a segurou pelo rosto. — Esta tudo bem.
Rachel a encarou antes de suspirar e segurar pulso da loira o acariciando com o polegar.
– Vai ficar tudo bem. — Quinn sussurrou. — Vamos ficar bem.
*
Kyle colocou as notas sobre o balcão enquanto Sam içava Finn pelos ombros. Kurt estava no apartamento de Finn tentando organizar algo para o irmão comer enquanto o noivo e o Kingson saíam para caçar o Hudson.
Sam o jogou no banco de trás do carro enquanto entrava no banco do carona e Kyle assumia a direção.
– Então só pra ver se eu entendi. — Kyle olhou pelo retrovisor. — Ele conseguiu te derrubar e obviamente o Kurt não o enfrentaria em uma luta corpo a corpo.
Sam tensionou o maxilar, o olho começava a ficar roxo e inchado.
– Depois ao invés de ir atrás da Rachel ele resolveu vir beber? — Kyle olhou rapidamente para Sam antes de olhar para a frente.
– Yeahp. — Sam concordou com a cabeça.
Kyle suspirou balançando a cabeça, murmurou uma pequena prece agradecendo a burrice do homem deitado no banco de trás. Não tinha muita certeza de como Quinn iria reagir ao estar frente a frente com ele quando se encontrassem.
– Rachel está bem? — Sam perguntou em voz baixa.
– Estava na hora que sai. — Kyle olhou pelo retrovisor outra vez. — Quinn estava a acalmando, talvez esse rompimento tenha sido só uma insegurança passageira.
– Eu duvido um pouco. — Sam revirou os olhos reprimindo a leve careta de dor. — Rachel parecia bem segura do que queria.
Kyle moveu o pescoço achando interessante o que ouvia.
*
Quinn sorriu vendo as crianças correrem com os brinquedos novos.
– Eu aprecio muito o que a senhora fez. — A mulher parou ao seu lado, ela parecia regular idade com Quinn.
– Me chame de Quinn. — A Fabray respondeu com um pequeno sorriso. — Foi um prazer. Pretendo fazer mais, muito mais.
Olhou para a mulher ao seu lado, os cabelos castanhos cacheados, os olhos escuros lhe fitaram intensamente.
– Senhora Larkin. — Quinn inclinou a cabeça para o lado. — Se importa se eu passar algum tempo com as crianças?
– Me chame de Amber. — A mulher sorriu com os dentes brancos. — Não, não será incomodo algum.
Quinn suspirou olhando para algumas meninas sentadas em grupos.
– Elas tem alguma chance de sair do sistema? — Perguntou em voz baixa.
– Muito pouca. — A mulher comentou no mesmo tom. — Já passaram da idade. A procura é principalmente por bebês brancos. Meninas já nessa idade não constumam conseguir adoções. Ficam no sistema até terem 18 anos e depois tem que se virar. — Amber olhou para Quinn. — Pensa em adotar?
Quinn respirou fundo.
– Não. — Olhou para o lado, tencionou o maxilar. — Mas gostaria de apadrinhar o orfanato.
Amber demonstrou surpresa ao se virar para Quinn e encarar a mulher.
– Perdão?
– Eu gostaria de apadrinhar o orfanato. — Quinn olhou para a morena. — Complementar o que o Estado já oferece. Brinquedos, roupas, comida, médico e remédios quando necessário e tudo mais que for necessário.
– Fala sério? — A mulher perguntou franzindo as sobrancelhas.
Quinn se afastou dela andando até o grupo de meninas, parou por um instante e olhou para a mulher. — Com o tempo vai aprender que eu não sou de brincar.
Se aproximou das meninas antes de sentar-se no chão com elas e com cuidado perguntar sobre as meninas. Começou a brincar com as bonecas sem perceber se deixando envolver pelas histórias que elas criavam. Fechou os olhos ouvindo as risadas das meninas, se despediu delas e se afastou sentando em um lugar mais afastado do pátio. Respirou fundo ouvindo as crianças correndo, as risadas, as brincadeiras e todos os sons que eles produziam. A lágrima solitária escapou pelo olho esquerdo e ela rapidamente a limpou respirando fundo. Era chegada a hora.
Annabelle estava sentada um pouco mais no alto da arquibancada em que a loira estava, sorriu olhando para a esposa. Era chegada a hora.
*
Respirou fundo antes de pisar sobre o cascalho, a única coisa que podia ouvir era o barulho da trituração sob os seus pés. Estava de mãos vazias, não sabia ao certo o que levar para aquele encontro… flores? Seria o de praxe, mas tão… vazio pela primeira vez. Pisou sobre a grama se aproximando cada vez mais do lago… o céu azul e o vento fraco deveria ser um conforto, mas só lhe deixava ainda mais gelada por dentro. O mármore branco cercado por árvores que possuíam folhas verdes e vistosas era quase um agrado aos olhos, subiu os três degraus antes de parar. A imagem da cruz sobre a tampa do tumulo de Annabelle parecia tão cruel… e o anjo esculpido sobre o tumulo de Melissa fora como um soco no estômago da Fabray. Se curvou até os joelhos tocarem o mármore frio, com as mãos tocou os dois túmulos de granito enquanto as lágrimas caiam por seu rosto.
– Me perdoem… — Sussurrou entre um soluço e outro.
Annabelle estava parada sobre a sombra de uma das árvores observando a esposa, não conseguia se aproximar dela mais do que aquilo era como se uma parede invisível se erguesse entre elas.
– Mamãe? – Ouviu a voz animada não muito longe.
Annabelle sentiu o peito se encher de ar pela primeira vez em muito tempo, se virou para ver Melissa correr em sua direção. Os cabelos claros e cacheados batendo abaixo dos ombrinhos pálidos, o vestidinho rosado e as sandálias de dedo. Os olhos castanhos esverdeados e o sorriso nos lábios rosados, a menina ergueu os braços e logo sentiu o aconchego dos braços da mãe.
– Meu amor… — Annabelle sussurrou apertando Melissa contra o seu corpo sentindo o cheiro dela lhe dar paz. – Meu bebê.
Melissa sentiu os beijos que a mãe dava pelo seu rosto e cabelos, Annabelle sentia o corpo da filha aconchegado ao seu enquanto ouvia o soluço da esposa viva a poucos metros.
– O o o o vovô e a vovó só deixaram eu “vim” agora. – Melissa acenou com a cabeça sorrindo.
– É? – Annabelle acariciou o rosto da filha. – O vovô e a vovó Fabray?
– É. – Melissa concordou freneticamente com a cabeça.
– E você gostou deles? – Annabelle devorava o rosto da filha com os olhos.
– Muito! – Melissa soltou uma risada antes de colocar as mãos na boca e sussurrar. – Mas não “pode” deixar a mamãe Q me ver.
– Não? – Annabelle desviou os olhos para Quinn que estava de olhos fechados parecendo mais calma.
– Não… — Sussurrou com o dedinho na boca. – É um segredo.
Annabelle fechou os olhos sentindo a lágrima escorrer pelo seu rosto, seu corpo estava se sentindo tão morno e confortável. Sabia o que aquilo significava… ela finalmente estava pronta para ir embora e deixar Quinn seguir com a sua vida.
– Temos que ir? – Perguntou para a filha quase sem deixar sua voz sair.
– Sim. – Melissa concordou com a cabeça. – Vovô e vovó “tão” esperando lá.
Apontou para um ponto distante onde Annabelle não conseguia ver nada. A mulher concordou com a cabeça antes de ajeitar a menina em seu colo. Melissa se balançou querendo ir para o chão, Annabelle a deixou descer a contragosto, mas a menina olhava para a mãe que respirava fundo ainda encolhida entre os túmulos.
Melissa se aproximava a passos lentos quase como se tivesse medo de ser repreendida pelo que ia fazer, chegou aos degraus e olhou para a mulher que estava ajoelhada olhando para onde seu corpo terreno jazia. Melissa se aproximou da mãe dando a volta para parar na sua frente. A menina sorriu segurando no rosto de Quinn que fechou os olhos.
A loira mais velha sentiu a brisa morna atingir seu rosto quase como se a filha segurasse em suas bochechas e lhe desse um beijo delicado nos lábios como costumavam dar.
– Minha Melissa… — Sussurrou sentindo o cheiro da filha, um sorriso apareceu em seus lábios, mantinha os olhos fechados e quase conseguia ver a filha na sua frente. – Meu anjo…
Annabelle havia conseguido se aproximar o suficiente para ouvir a filha murmurar para a mãe.
– …e a vovó gosta muito da Rachie e eu também! – Sorria vendo o sorriso de Quinn. – Ela canta como os anjos! E o vovô “ta” muito orgulhoso, mas não sei o “qui” é isso.
Annabelle se sentou nos degraus olhando a filha conversar com a mãe, esticou a mão tocando o ombro de Quinn, já estava ciente que a esposa não iria mais conseguir lhe ver.
– Orgulho meu amor é quando uma pessoa faz algo e você se sente muito feliz por isso. – Explicou para a menina sem esconder suas lágrimas. – Seu vovô está orgulhoso porque sua mamãe Q está vivendo a vida e amando novamente.
Melissa concordou com a cabeça parecendo muito séria em entender a explicação da mãe, sorriu em seguida compreendendo o que ela dizia.
– Eu vou amar mamãe Q pra sempre. – Afirmou sorrindo para Quinn, a loira tinha um sorriso singelo nos lábios como se pudesse ouvir a filha.
Deu outro beijo em Quinn e um abraço apertado antes de se afastar.
– Mamãe o vovô está chamando. – Melissa olhou para Annabelle antes de correr para longe.
– Espera… — Annabelle ergueu a mão vendo a filha parar a alguns metros, olhou para Quinn e respirou fundo. – Eu te amo tanto Quinn mais tanto, mas preciso ir… preciso ficar com a Melissa e eu sei que você está em boas mãos. Se cuide meu amor… meu eterno amor.
Se levantou caminhando até a filha que ergueu a mão sorrindo quando a mão da mãe segurou a sua. A luz morna do fim da manhã atingiu as duas enquanto andavam pela grama verde.
– Eu vou te amar para sempre. – Annabelle ouviu o sussurro de Quinn, parou olhando para trás apenas para ver a esposa de pé olhando diretamente para ela, Quinn estava sorrindo. – Fique em paz Annabelle.
Annabelle respirou fundo sentindo o puxão na mão.
– O vovô deixou! – Melissa sorriu.
Annabelle pegou Melissa no colo e olhou para Quinn que parecia estar se contendo para não correr até elas.
– Acho que não foi o vovô e sim outra pessoa. – Sussurrou para a filha. – Da tchau pra mamãe.
Melissa sorriu dando tchau, Quinn beijou a ponta dos dedos e ergueu para elas. Annabelle repetiu o gesto enquanto Melissa não parava de mandar beijos para a mãe.
– Até o momento em que for a hora. – Annabelle sussurrou. – Seja feliz Quinn, você me prometeu.
Quinn as observou até que as duas estivessem sumido no ar, fechou os olhos respirando fundo sentindo seu corpo se encher de paz e amor. As duas finalmente estavam juntas e bem.
– Eu vou ser… — Sorriu sem se importar em limpar o rosto. – Eu vou ser…
*
O teatro estava fechado, o espetáculo seria apenas a noite e naquele momento tudo se encontrava em silêncio. Era calmo. Era quieto. Era… um refúgio seguro. Poucos sabiam, mas antes de uma apresentação Rachel costumava se aquecer sozinha e o palco era sempre o seu refúgio seguro. Todas as luzes estavam ligadas e Rachel estava bem no meio.
Quinn estava em pé no meio das fileiras do andar inferior, no último degrau da escada, seus olhos fixos em Rachel que não havia notado a presença da loira.
Quinn se aproximava a passos lentos observando a morena dançar no palco.
Rachel estava parada no centro do palco um dos braços erguidos e o outro alongando para longe do corpo, o movimento fluído dos braços hipnotizava Quinn.
Rachel hipnotizava Quinn desde o primeiro momento em que colocara os olhos nela naquela festa beneficente. Rachel era tão intensa e apaixonada pelo que fazia que extasiava Quinn em um nível acima do normal.
A loira se aproximava conforme a morena continuava a dançar concentrada em apenas os seus passos. A morena estava tão compenetrada em se manter no compasso que tocava em sua cabeça ao mesmo tempo em que Quinn estava compenetrada em avançar na escuridão que lhe cercava.
Naquele instante aquele teatro representava a vida das duas mulheres que ali estavam.
Quinn estava na plateia, não participava de absolutamente nada apenas assistia rindo ocasionalmente, batendo palmas quando necessário. Se mantinha na escuridão que havia lhe tomado, lhe invadido o corpo e alma lhe mantendo paralisada no tempo.
Rachel por outro lado estava no centro de tudo, mantinha a vida em movimento, tudo o que fazia estava repleto de luz e calor. Rachel era a atriz principal do que se propunha na vida e corria para receber suas conquistas.
Rachel estava viva enquanto Quinn apenas mantinha o coração batendo.
Quinn apressou o passo enquanto Rachel acelerava seus movimentos no palco, a morena bailava com uma segurança inabalável.
Quinn corria para se livrar daquela escuridão opressora, era como se estivesse se afogando em suas próprias magoas e desespero e em Rachel enxergasse a terra firme que a muito não sentia. Ela era a verdadeira desordem. A verdadeira escuridão. A verdadeira loucura.
Parou no exato limite entre a escuridão e a luz, estava na lateral do palco pronta para subir bastava elevar a perna.
Teria coragem?
Seus olhos presos em Rachel nunca se desviaram, ela era tão pura e tão inocente ao seu ponto de vista. Sua pele macia brilhando com a fina camada de suor… o arquear das costas e o flexionar das pernas tentadoras.
Quinn se sentia como um predador vigiando sua presa com olhos famintos e lábios sedentos. Recuou um passo quando percebeu o egoísmo de seus sentimentos, recuou o segundo passo ao saber que não poderia macular Rachel com a sua escuridão.
Em um vislumbre pode ver os olhos escuros de Rachel e a paixão que queimava no fundo deles.
Rachel era quente. Quinn era fria.
A Fabray respirava sem conseguir, se afogava outra vez sem poder esticar a mão e agarrar a felicidade que lhe era oferecida.
Mas era mesmo oferecida?
O medo lhe fez dar o terceiro passo para trás.
Rachel diminuía a velocidade de seus movimentos como se estivesse terminando a dança, ela girava na ponta dos pés indo sem saber na direção de Quinn.
A loira suspirou sentindo o coração martelar contra as costelas e suas veias serem inundadas por algo que não conseguiu precisar naquele instante. Rachel estava ali. E Quinn a queria tão desesperadamente mesmo com o medo bombeando em seus ouvidos. Rachel parecia flutuar sobre seus pés e o sorriso que ela deu enquanto ainda girava apenas fez a loira suspirar diante da perfeição. No momento em que Rachel se afastou indo na direção contrária a loira deu um passo para mais perto.
Ela queria estar à altura de Rachel, ela estaria a altura de Rachel. A possibilidade de ver a morena fugir dela lhe assustou mais do que o medo de tentar conquista-la. Deu o segundo passo na direção da luz e quase sorriu quando a morena parou de repente e recuou alguns passos na direção em que Quinn estava.
Sem perceber Quinn subiu no palco tão perdida na perfeição que Rachel exalava, o sorriso se espalhou pelos seus lábios quando a morena se virou e estacou no meio do palco.
Rachel sorriu sem notar enquanto Quinn avançava tão lentamente como se não houvesse pressa, como se nunca tivesse hesitado.
Parou quando seus corpos se separavam por escassos centímetros e os sorrisos se espelhavam, Rachel ergueu um pouco o queixo para olhar nos olhos verdes.
E então ela teve certeza… era Rachel… soltou uma pequena risada… era Rachel…
Inclinou a cabeça na direção da morena enquanto a segurava com delicadeza pela cintura e com todo o cuidado que conseguiu reunir a beijou, sentiu os dedos da morena roçarem sua nuca enquanto o corpo menor colava no seu.
Rachel era o seu anjo… seu anjo branco…
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